5. The power and influence of social media as a news source
5.3 Cascades of information and exposure to disagreeing views
Embora seja difícil generalizar os métodos de Sócrates, a literatura nos diálogos platônicos dos períodos inicial e médio refere-se na realidade à coerência com alguns elementos básicos. Em geral, afirma-se que os diálogos se iniciam com a refutação (elenchus) – um processo, por meio do qual o interlocutor de Sócrates é levado a perceber que não sabe o que pensava que soubesse. Após obter a opinião de seu interlocutor, Sócrates faz uma série de perguntas norteadoras, para obter a concordância com uma série de proposições relacionadas. Sócrates, então, revela o que sabia o tempo todo – que as declarações com as quais o seu interlocutor con- cordou contradizem a opinião original do interlocutor. Um catedrático descreveu o processo dessa forma:
A tática parece hostil desde o início. Em vez de tentar guiá-lo para as pedras, ele apanha uma submersa à frente muito depois, onde você nunca suspeitaria, garantindo então que pegue todo o vento necessário para na- vegar contra ela à velocidade máxima e despedaçar nela sua quilha.
Este processo envolvia o público de Sócrates, ou, até mesmo, seus in- terlocutores. Como Sócrates nos diz na Apologia, as pessoas gostam de passar o tempo em sua companhia porque gostam de ouvi-lo “examinar aqueles que pensam que são sábios quando não o são – uma experiência que possui seu lado cômico”. Mas Sócrates tinha um propósito por trás do entretenimento. Ele acreditava que o aprendizado se poderia iniciar apenas com o reconhecimento da ignorância e a experiência da perple- xidade ou aporia. A refutação gerava aporia e assim motivava o genuíno interesse no aprendizado.
A refutação criava as condições necessárias para o que alguns analistas descrevem como próximo estágio do diálogo – a psicagogia. Este estágio nem sempre pode ser identificado nos diálogos socráticos. Os diálogos ini- ciais – aqueles que se acredita que retratem Sócrates de forma mais exata – são constituídos basicamente da refutação, ao passo que as versões mais
platônicas do método dialógico, como ilustrado pelos diálogos do período médio e posteriores, dão menor ênfase à refutação e maior ênfase à constru- ção do conhecimento. Nesses diálogos, em que ocorre realmente a psicago- gia, ele toma a forma de uma série de perguntas pelas quais Sócrates apóia a construção de um novo entendimento a partir do que já se aceitou.
O rumo da refutação e da psicagogia é determinado por uma série de perguntas não autênticas – perguntas para as quais Sócrates sabe as res- postas. A pergunta não autêntica causa impacto especial discursivo que ofende com freqüência. De acordo com os lingüistas, uma pergunta ou solicitação de informações é autêntica quando atende a três condições prévias (cada uma relativa ao estado de espírito da pessoa que está sen- do questionada, que chamaremos de entrevistado): o entrevistado deverá acreditar que o questionador acredita (1) que o questionador ainda não possui as informações; (2) que o entrevistado possui as informações; e (3) que o entrevistado não fornecerá as informações sem ser questionado. Situações em que o entrevistado acredite que o questionador já sabe a res- posta constituem outros tipos de atos discursivos, como uma solicitação de exibição. Os lingüistas observam ainda que as solicitações presumem uma obrigação de deferência por parte do entrevistado. Como possuem essa presunção, as solicitações podem facilmente ofender. Este potencial de ofensa explica o fato de que solicitações geralmente são suavizadas por um discurso atenuador, com expressões de cortesia. O risco de ofensa é maior – e a expectativa de atenuação é maior – quando o solicitante e o entrevistado são do mesmo nível ou o entrevistado é de hierarquia superior. Um adulto pode não atenuar uma solicitação feita a uma crian- ça, mas é provável que ele atenue uma solicitação feita a um supervisor. Perguntas genuínas são atenuadas pela carência do questionador. Solici- tações de exibição carecem deste elemento atenuante. Por isso, parecem presumir uma discrepância maior ainda de poder e, como resultado, são mais propensas a causar ofensa.
Durante os diálogos, Sócrates faz perguntas das quais ele parece saber as respostas. No diálogo com seus iguais, essas perguntas, às vezes, pare- cem ofensivamente astutas; nos diálogos com subordinados, elas pare- cem mais rotineiras, no entanto, notadamente mais hierárquicas. [Davis/ Steinglass em 253-55.]
[Uma filosofia central da abordagem de Sócrates é que] “se as mesmas perguntas são feitas a ele em várias ocasiões e de formas distintas, é possí- vel ver que no final ele terá um conhecimento sobre o assunto tão exato quanto qualquer um”. Modernos educadores formulariam isso de forma apenas ligeiramente diversa: por meio da repetição e variação, um aluno é capaz de construir ou internalizar uma compreensão independente de um problema e sua solução, desenvolvendo um conhecimento certo e desperto do [assunto]. [Davis/Steinglass em 258.]
[Um dos problemas significativos da abordagem de Sócrates é o efei- to danoso que pode suscitar nos interlocutores e em sua capacidade de aprender. Como Meno, o escravo, afirmou no final de seu diálogo com Sócrates], “Sócrates, mesmo antes de conhecê-lo, disseram-me que, a bem da verdade, você mesmo é um homem perplexo e reduz os outros à perplexidade. Neste momento, sinto que está exercendo magia e bruxaria sobre mim e certamente está me colocando sob seu feitiço até que eu seja apenas uma massa inerte. Minha mente e meus lábios estão literalmente entorpecidos e não tenho nada a lhe responder”.
As perguntas de Sócrates deixaram Meno perplexo e disposto a reco- nhecer sua ignorância, mas elas também o deixaram sem ação e quieto. Elas reforçaram a posição subordinada de Meno, transferiram sua atenção da virtude para a abordagem de Sócrates em relação à virtude e, tacita- mente, sugeriram que há apenas uma forma de abordar esses problemas. [Davis/Steinglass em 259.]