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Improving the NTIC-Method

9.4 Measurements of a 100% Water Saturated Core Plug

9.4.3 Capillary Pressure Measurements

Este processo de expansão não é apenas quantitativo mas também qualitativo, considerando que a prática da tatuagem tem sido exercida por um grupo ocupacional que, embora em crescente diversificação so- cial e estilística, como se verá mais à frente, se nota cada vez mais dotado de uma consciência profissional, favorecida por condições de conexão e

6Estes números apenas espelham os estúdios voluntariamente inscritos no Directório

de interacção mais alargadas e intensivas, bem como por condições de exercício semelhantes, promotoras de expectativas e interesses comuns. Estes passam, em larga medida, pela necessidade de reconhecimento e regulação institucional da profissão. E isto independentemente das dife- rentes condições de exercício de cada tatuador: desde o pequeno empre- sário que abre a sua própria loja, ao profissional que trabalha sob a forma de trabalhador independente (pago à comissão sobre o trabalho que exe- cuta) ou ao trabalhador por conta de outrem (com um contrato de tra- balho onde são fixadas as condições de remuneração e de horário de tra- balho), ou ainda ao profissional privado que exerce a sua actividade em casa, frequentemente em moldes a que poderíamos chamar clandestinos ou informais.

Eu acho que a tatuagem em Portugal se tem desenvolvido bastante nos últimos 5 anos. Foram-nos proporcionados momentos de grande alegria e de podermos estar juntos. Através das convenções nós conseguimos ver isso. [...] Acho que noto que a tatuagem em Portugal se está a tornar num con- junto de grupos de amigos, não é?! Acho que estamos a criar um grupo, uma espécie de grupo social em que nos inteiramos e interagimos, e conseguimos encontrar pessoas com o mesmo estilo, com os mesmos gostos, pessoas que têm um tema de conversa em comum, têm uma profissão em comum [En- trevista n.º 6 – 27 anos, licenciado em Design Industrial e em Arte e Design].

É nesta perspectiva que se pode falar de uma crescente profissionali-

zação da prática de tatuar. Falar deste processo implica começar por re-

conhecer que aquilo que tem sido uma ocupação amadorística, exercida durante os tempos livres e de forma voluntarista sobre o corpo próprio e os corpos daqueles que constituem o quadro de interacções nucleares de quem a pratica, tem vindo a afirmar-se (pelos seus produtores) e a ser reconhecida (pelos seus consumidores e pelo Estado) como uma activi- dade profissional, com direito ao título socialmente honorífico de «pro- fissão» a par de tantas outras já reconhecidas e institucionalizadas como tal.

Tatuagem é uma profissão normal, é igual... Não sei... É igual a um ad- vogado, igual a um médico. A gente sai de casa para trabalhar, a gente traba- lha e volta para casa, volta com dinheiro, tem despesas, tem gastos, tem fa- mília, tem filhos, tem todas essas coisas. [...] É uma profissão normal como qualquer outra. Antigamente, podia ser coisa mais do pessoal louco, mas hoje em dia não. Hoje em dia é bem levado como uma profissão mesmo [Entrevista n.º 4 – 25 anos, 12.º ano (área tecnológica)].

Das belas-artes à arte de tatuar: dinâmicas recentes no mundo português da tatuagem

O que nos importa compreender não é o motivo por que esta ocupa - ção é (ou não) uma «verdadeira» profissão, como seria a preocupação de uma abordagem funcionalista, pressupondo que para determinada ocupa ção se tornar numa profissão teria de cumprir um certo núcleo de requisitos atribuídos ao modelo profissional. Recusando a ideia de que existirá uma diferença substancial entre a natureza e os requisitos do tra- balho exercido no âmbito de «profissões» e «ocupações», parte-se para uma abordagem menos normativa e mais culturalista, onde as profissões não são mais do que «[...] ocupações que tiveram possibilidades suficien- tes para adquirir e preservar no actual mundo do trabalho a propriedade de um título honorífico [...]» (Becker 2001, 215).7

O processo de expansão da actividade de tatuar como meio de vida tem vindo a ser protagonizado por jovens que – muitos já consumidores da prática, outros apenas seduzidos pelas imagens que sobre ela são me- diaticamente veiculadas –, a dado momento das suas vidas começam a vislumbrá-la como uma possibilidade concreta de rendimento regular e proveitosa, uma hipótese de trabalho por conta própria com larga margem de liberdade de acção e autonomia, uma alternativa viável à instabilidade laboral, ao desemprego ou ao emprego desconsolador, uma opção pro- fissional que permite a manutenção a tempo inteiro de uma determinada imagem corporal muitas vezes difícil de dar visibilidade em espaços de trabalho mais institucionais, e uma oportunidade de construir e aceder a um estilo de vida sedutor e socialmente distintivo (Ferreira 2008). Este processo de abertura a novos potenciais profissionais tem também, toda- via, permitido a entrada de jovens sem as competências técnicas, estéticas e éticas tacitamente exigidas pelos agentes já instalados.

O mercado está muito mau porque as pessoas vêem como profissão, mas não vêem que «era suposto eu ter que saber alguma coisa». [...] A maioria ou está desempregado ou vai entrar agora no mundo do trabalho, porque não quer ir para a faculdade e não tem nenhuma opção do que quer fazer na vida, certo? Acaba o 12.º ano, não se especializou em nada, não tirou ne- nhum curso profissional, não quer ir para a faculdade, mas também não quer atender às mesas ou ir para um call center. E no meio disto tudo diz: «então olha, vou ser tatuador, por que aquilo é muita giro, dá muita dinheiro e pron- tos, temos uns horários muita bons» [Entrevista n.º 11 – 32 anos, 12.º ano (área de Desporto)].

7Sobre a clivagem paradigmática entre as perspectivas funcionalistas e interaccionistas

Neste contexto, a necessidade interna de regulação veio a acentuar-se e a ser reclamada por parte dos tatuadores com estúdios abertos ao pú- blico. Isto, sobretudo, devido à intensificação da competitividade em condições que entendem ser de «concorrência desleal». Ou seja, da com- petitividade que resulta da entrada de alguns leigos no exercício da acti- vidade sem qualquer tipo de ética profissional, utilizando materiais e equipamentos baratos, muitas vezes pouco adequados ou improvisados, prestando os seus serviços em condições de assepsia duvidosas, e aca- bando por cobrar preços mais baixos pelo facto de exercerem a sua acti- vidade frequentemente no terreno da economia informal. Sobre esses acresce ainda a acusação de normalmente não terem uma formação téc- nica adequada, nem uma experiência suficientemente longa para o de- sempenho de uma boa performance estética. Perante a facilidade com que os novatos proliferam e agem clandestinamente, a regulação da actividade e o controlo no acesso ao seu exercício passou então a ser um imperativo para os profissionais já estabelecidos, no sentido de manter positiva a re- putação social ultimamente conseguida para a profissão.

Algumas leis para começar [a tatuar] seria bom. E depois mais umas pou- cas em termos de higiene, especialmente por aí. Não tanto em mariquices de pigmentos e datas, esse tipo de burocracia, mas mais em termos de se não tens uma loja com isto, isto, isto, isto e isto, então não podes abrir. É isso que devia acontecer, e no mundo das tatuagens não é isso que está a acon- tecer cá em Portugal. [...] Cá não existe absolutamente nada disso, é tudo tipo às três pancadas! Abres uma loja, um jarro de tinta, duas agulhas e ‘bora lá! Não há leis nenhumas aqui. Por exemplo, se eu ‘tivesse a tatuar com agu- lhas em segunda mão ou em terceira mão, por aí a fora, não há nada que impeça, não há uma lei em Portugal que diga «não, não podes fazer isso». Pronto, acho que quanto mais leis existirem, melhor é. Porque é assim, di- minui a quantidade de más lojas a abrirem e a qualidade de tatuagens vistas pelo público melhora. Aí ficam todos a ganhar. Agora, se não há regras ne- nhumas, qualquer um pode abrir uma loja e fazer o que lhe apetecer, pronto, digamos que sai uma cagada, não é? Está a dar mau nome a todas as outras tatuagens que todos os outros tatuadores estão a fazer [Entrevista n.º 19 – 40 anos, licenciado em Ilustração]

Que meios e recursos são mobilizados neste processo, pode-se per- guntar? Segundo Abbott (1988), a análise do processo de profissionali- zação de qualquer ocupação presume a história das condições e conse- quências da reivindicação e do estabelecimento do poder de jurisdição por parte de um grupo ocupacional específico sobre a sua respectiva área

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de actividade e de formação ou conhecimento. Isto não apenas a nível do controlo das entradas nessa actividade, mas também a nível do con- trolo da legitimidade sobre os procedimentos envolvidos, bem como da qualidade dos produtos resultantes da própria actividade.

Ora, os mecanismos que existem para regular a entrada e a perma- nência dos tatuadores na sua esfera de actuação profissional têm sido, e ainda são, muito vulneráveis (Maroto 2011). Enquanto grupo profissio- nal, não só lhes tem faltado poder de jurisdição sobre a natureza e a le- gitimidade do seu próprio trabalho,8como não têm tido o poder de criar,

em Portugal, estruturas reguladoras mais amplas que suportem as preten- sões de jurisdição sobre a sua própria actividade. Trata-se de uma profis- são pouco institucionalizada, tradicionalmente exercida de forma indi- vidual e microgrupal, e cuja regulação tem sido mantida a partir de redes sociabilísticas bastante informais, diminutas e relativamente fechadas, onde todos se (re)conhecem e vigiam mutuamente.

Frequentemente construídas a partir do próprio espaço de cada estú- dio, estas redes têm tido o poder de aplicar sobre os pares, no seu âmbito de actuação, um conjunto de normas e regulamentos, de procedimentos e disciplinas, de obrigações e responsabilidades, bem como de sanções, recompensas e reconhecimentos recíprocos. Ainda que não institucio- nalizado, trata-se de um conjunto de normas e de disciplinas implicita- mente aceites, que vem a consubstanciar um código de ética profissional tacitamente partilhado entre os profissionais mais reputados no mundo da tatuagem português. Concerne, sobretudo, a regras do foro higiénico e sanitário, quer relativas aos equipamentos e procedimentos com que lidam quotidianamente nos estúdios, quer relativas aos direitos e deveres que enformam a relação do profissional com o cliente.

É nesta perspectiva que o discurso social reproduzido a propósito do profissionalismo (vs. amadorismo) do tatuador enfatiza fortemente com- petências e disciplinas profissionais que acautelem a higiene e a biosse- gurança dos clientes nos estúdios onde são exercidas. A reputação do es-

8Alguns grupos profissionais fora do tradicional mundo da tatuagem têm interesse

na jurisdição sobre esta actividade, quer em termos da legitimidade da sua existência no campo das profissões, quer em termos da legitimidade dos procedimentos envolvidos e dos resultados que deles decorrem. No campo médico, por exemplo, os dermatologistas são um dos pólos reivindicativos do monopólio da legitimidade no exercício de processos invasores da epiderme. No campo da indústria de design corporal, profissões como a de esteticista também têm concorrido ao mandato na área da tatuagem e body piercing, com a recente comercialização desses bens em institutos de beleza, onde passaram a ser tran- saccionados como mais um produto e serviço cosmético entre tantos outros.

túdio e dos profissionais que nele trabalham é também construída a partir da minimização dos riscos implicados na prática profissional, e não é do interesse de nenhuma das partes, produtores e consumidores, que haja razões para que se estabeleça qualquer espécie de desconfiança.

No entanto, não havendo, ainda, em Portugal, organizações que atri- buam licenças, autorizações ou mandatos para exercer a prática de tatua- gem e distinguir os profissionais dos leigos, nem que sejam responsáveis pela vigilância das condições em que trabalham, é difícil excluir, limitar ou sujeitar os seus praticantes a regras colectivas, tanto mais importantes num contexto facilitador da instalação por conta própria de gente a tra- balhar em condições de higiene muito duvidosas, com equipamento e material suspeito, etc. A validação social do profissionalismo do tatuador tem sido feita, em grande medida, a partir do reconhecimento da quali- dade do seu trabalho por parte do mercado, ou seja, pelos seus clientes e públicos. O reconhecimento por parte dos pares ficava-se, frequente- mente, por aqueles com quem se partilhava o espaço de trabalho.

Hoje, com o grau de conexão e de extensão global que o mundo da tatuagem atingiu, o reconhecimento do profissionalismo por parte da comunidade de pares, no sentido mais amplo do termo, tem-se tornado muito mais efectivo na construção da auto-imagem e da imagem pública do tatuador como profissional. Sendo que, para tal, não basta agora ape- nas trabalhar no ramo, mas ser reconhecido pelos pares como «bom pro- fissional», avaliação que é feita considerando não apenas parâmetros es- téticos, mas também técnicos e éticos.

Acusar um tatuador de não ser «profissional» no exercício da sua ac- tividade, pelas mais diversas razões (inaptidão estética, imperícia técnica, negligência ou imprudência sanitária, utilização de material inadequado, falta de disciplina e de organização no trabalho, etc.), e pôr essa infor- mação a circular no mundo da tatuagem, tem sido uma estratégia infor- mal de jurisdição no acesso e protecção do campo. Estratégia tanto mais eficaz quanto mais rápida é a difusão deste tipo de opinião dentro do mundo actual da tatuagem, hoje amplamente conectado. Desta forma tenta-se pôr à margem o pretenso profissional, colocando-o sob suspeita.

Sem que se abandone este tipo de estratégias informais de jurisdição sobre a prática profissional de tatuar, as mudanças recentes dentro do mundo da body art têm levado os seus praticantes a tentar incorporar também estratégias de natureza mais formal, no sentido de promover a adesão alargada às práticas do profissionalismo já adoptadas pelos tatua- dores profissionais, de torná-las oficiais e de institucionalizar formas de proceder à sua fiscalização. Em tempos de crescente competição interna

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(entre tatuadores) e pressão externa (volume e diversidade de clientes), encontramos um sector cada vez mais alargado de tatuadores afins a for- mas de organização profissional (como a figura da associação profissio- nal) mandatadas no sentido de proceder a licenciamento de estúdios e de profissionais, a regulação de procedimentos e de códigos de ética, etc. Numa área onde não há qualquer tipo de legislação que regule especifi- camente este tipo de práticas,9hoje muitos profissionais destacam a ques-

tão da desregulamentação da sua actividade, e insurgem-se contra esse vazio legislativo em Portugal, onde qualquer um pode tatuar sem o mí- nimo de fiscalização e certificação das condições materiais e sanitárias em que exerce a prática.

O campo da tatuagem em Portugal poderia estar bem melhor se tivesse uma associação de tatuadores, se tivesse uma legislação para poder organizar. Porque é assim: qualquer um hoje consegue comprar uma máquina de ta- tuagem e dizer-se tatuador. Tatua em casa, tatua nas ruas, tatua onde quiser. Se tivesse uma associação era mais fácil para poder organizar todo esse mundo [Entrevista n.º 8 – 29 anos, 12.º ano (área de Artes)].

Não precisas de um alvará para ser tatuador, não precisas de nada em Portugal. Portugal é mesmo... Isto é tipo a Jamaica da tatuagem, ‘tás a ver? É na boa. Por isso é que há muita gente a abrir lojas. [...] Chegas a uma porta de um estabelecimento, tens um diploma mesmo da associação portuguesa de tatuadores ou da associação de tatuadores europeus, ‘tás a ver pá, tem muito mais credibilidade [Entrevista n.º 12, 32 anos, 11.º ano (área tecnoló- gica)].

Se já havia sido tentada a constituição de uma Associação dos Tatua- dores e Body Piercers de Portugal em 2001 – tentativa que saiu gorada con- siderando um contexto onde a camaradagem e a cumplicidade não emer- gia na cultura profissional dos tatuadores em exercício na época –, só em Agosto de 2010 veio a constituir-se a Associação Cultural de Tatuagem & Body Art. Embora não dotada do mesmo poder mandatado pelas fi- guras jurídicas da «associação profissional» ou até mesmo do «sindicato», essa associação propõe-se mediar as relações entre os profissionais da ta- tuagem e «a sociedade», tentando imprimir alguma organização e coesão

9Foi recentemente apresentado à Assembleia da República um projecto de lei pelo

grupo parlamentar do Partido Socialista neste sentido, propondo-se colmatar «[...] a total falta de regulamentação num sector onde as más práticas podem pôr em causa a saúde pública [...]» (Jornal Público, 15 de Março de 2008).

enquanto grupo profissional que permita consolidar as bases para avançar com uma estrutura colectiva dotada de uma margem de acção institu- cional mais alargada em termos de garantia da jurisdição sobre a sua pró- pria actividade.10Ou, por outras palavras, sobre a definição e negociação

social das suas normas e disciplinas, direitos e obrigações, conhecimentos e competências, responsabilidades individuais, sociais e profissionais, proibições e sanções.11

Num contexto de crescimento e visibilização social do mundo da tatua- gem em Portugal ou, como os próprios organizadores afirmam, onde «a ta- tuagem é uma forma de arte cada vez mais em contacto com a sociedade», lê-se no texto de apresentação da associação na internet ser «urgente criar e lançar novas plataformas de diálogo no seio da comunidade artística, reu- nindo e unificando diferentes manifestações artísticas, já tão embrenhadas no seio da arte e cultura urbana. A ACT&BA reúne vários estúdios e artistas que dedicam a sua vida ao aperfeiçoamento, divulgação, aceitação e desmis- tificação desta forma de arte que incentiva o diálogo entre o Homem/Corpo/

Estética».12

Uma outra reivindicação recente comum aos tatuadores no sentido da sua profissionalização é a certificação formal do que entendem ser as competências básicas que os habilitam para o exercício da sua profissão e, assim, garantir a jurisdição sobre as entradas nesta esfera de actividade. Tal como em outras profissões (Abbott 1988; Freidson 2001), também nesta a certificação de uma formação básica sinalizaria formalmente o direito de pertencer ao grupo profissional, salvaguardando simultanea- mente a protecção do mercado de trabalho e a imagem dos seus profis- sionais contra certos amadores mais ciosos dos lucros do que da integri- dade física dos seus clientes.

A jurisdição sobre esta dimensão da prática de tatuar tem sido exer- cida, em grande medida, através de um sistema de transmissão de conhe- cimentos não formalizado, tradicionalmente restrito aos profissionais es- tabelecidos. Trata-se de um sistema de transmissão de conhecimentos característico dos mundos artesãos, onde as formas tradicionais de aqui-

10Como, de resto, já existe no Brasil o Sindicato dos Estúdios de Tatuagem e Body

Piercing do Estado de São Paulo (www.setap-sp.com.br), ou o Sindicato dos Tatuadores e Body Piercers do Estado de São Paulo (www.sindicatodostatuadores.com.br).

11Ver, por exemplo, o Código de Ética da Profissão dos Tatuadores e Body Piercers do

Brasil, registado em cartório em 2006, e resultante de um trabalho dos sindicatos brasi- leiros de tatuadores e body piercers.

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sição e reprodução de competências que nunca foram institucionalizadas, ou seja, caucionadas e controladas por instituições socialmente reconhe- cidas e legitimadas para tal. Nas guildas, o aprendiz absorvia o ofício pelos olhos e pelas mãos, imitando e tentando reproduzir os gestos do mestre (Sennett 2009, 117).

Sendo o conhecimento profissional do tatuador eminentemente prá- tico, constituído por saberes-fazer,13as competências técnicas fundamentais

necessárias à produção de tatuagens são literalmente incorporadas:14por

um lado, adquiridas por osmose na relação discípulo-mestre, ou seja, ad- quiridas no terreno, na observação directa de profissionais na sua prática concreta; por outro, simultaneamente, exercitadas na prática manual, através da qual o iniciado vai experimentando o que viu fazer num pro- cesso de constante progressão e aperfeiçoamento por tentativa e erro. O movimento da mão na manipulação da máquina de tatuar constitui, portanto, uma sequência de gestos que se aprendem vendo e fazendo, um reportório de movimentos que se vão incorporando por mimesis e na praxis, em interacção com quem sabe, olhando o mestre em activi- dade, para depois tentar reproduzir e aperfeiçoar na prática manual.

A domesticação dos gestos até chegar à forma de hábito corporal, au- tomático e irreflexivo, faz-se na prática e pela prática, frequente, discipli- nada e insistente. Primeiro sobre peles sintéticas ou mortas (como a do porco), ou sobre peles de «voluntários», recrutados entre as redes de so-