Às 6:50h, algumas crianças acompanhadas de seus pais já estavam aguardando
em frente ao portão da instituição A, para que abrisse e pudessem entrar. Todos que esperavam puderam entrar às 7:00h. O portão permaneceu aberto até às 8:00h. Todos os pais ou responsáveis que chegavam com as crianças se direcionavam ao local combinado. Em relação às crianças das turmas de berçário I e II, os pais as levavam diretamente às suas salas. As crianças do maternal I e II, Pré I e Pré II, totalizando seis turmas, que chegavam à instituição no período das 7:00h às 8:00h eram encaminhadas pelos pais até o refeitório da instituição.
“J, tá na hora!”. E a criança pegou a mochila e foi embora. “F.., sua mãe”. E
assim, as crianças terminavam mais um dia na instituição. Quanto às crianças que ficaram, permaneceram brincando no chão da sala com brinquedos, como carros, bonecas e outros. Chegou um pai, levou seu filho e a atendente A nem percebeu. A atendente A avisou: “N., a mãe chegou!” E a menina foi. Havia três meninas que chupavam suas chupetas nesse horário. Duas mães chegaram e levaram suas filhas com muita rapidez e pressa. A atendente A se ocupou em chamar atenção para que as crianças não brigassem, não destruíssem as coisas e não se machucassem. Às 17:04h ainda havia 10 crianças na sala. Dois meninos brigavam pela posse do brinquedo. A profissional ficou até às 17:30h e as 5 crianças que restaram se juntaram com outras de outras turmas sob os cuidados de auxiliares de creche.
Quanto às situações relacionadas à espera (espera pela docente, espera pela atividade e espera pelos pais), observou-se, nas três instituições, a prática comum de fazer filas para usar o sanitário, para lavar as mãos, para se dirigirem ao refeitório, para qualquer tipo de locomoção da turma dentro da instituição. Também foi comum a prática de fazer as crianças ficar sentadas, encostadas na parede, para esperar e para ouvir a docente explicar sobre algo.
As situações de chegada das crianças à instituição e de espera pela docente foram acompanhadas por uma auxiliar de creche nas três instituições: no refeitório da instituição A, ficavam duas turmas de maternal I e II, mais quatro turmas de Pré I e II; quanto à instituição B, em uma sala, ficavam quatro turmas de Pré I e II; e numa sala da instituição C, ficavam quatro turmas de Pré I e II.
Na instituição A, a auxiliar de creche era responsável pelos momentos de chegada das crianças de seis turmas. A confusão era muito grande! A profissional, sozinha, tinha que cumprir inúmeras tarefas, o que resultava no não cumprimento de nenhuma, ficando a mesma sem ação, perdida! Era aquele aglomerado de pais ou responsáveis na porta do refeitório. Alguns queriam falar com a profissional, mas era impossível. Havia criança chorando por não querer ficar na instituição e os pais tendo que sair para trabalhar e a profissional sem poder dar atenção específica para aquela criança. Houve um caso em que uma menina entrou chorando, e por uns quarenta minutos, nenhuma profissional foi conversar com ela. Apenas a auxiliar perguntou até que hora ela ia chorar. A mãe da menina foi embora apreensiva, certamente por perceber que ninguém faria esforço algum para que sua filha gostasse de estar naquele ambiente.
A maioria das crianças, como de costume, chegava e não era recepcionada nem mesmo com um “bom dia” pela referida profissional. A criança entrava, sentava ao lado de outras crianças no banco, cruzava os braços e deitava a cabeça sobre os braços e a mesa do refeitório. Ali permanecia quieta ou, em outros casos, começava a falar com as crianças próximas. Eram muitas crianças em um mesmo ambiente falando ao mesmo tempo, o que resultava em um barulho ensurdecedor. Algumas crianças brigavam, se batiam, mas a profissional não tomava conhecimento disso. O horário de entrada era das 7:00h às 8:00h (com tolerância de quinze minutos) e, para complicar esse momento de chegada, as crianças tinham que ficar sentadas sem nenhum elemento lúdico, ou seja, sem nada para fazer. Realmente era uma tortura, principalmente para as que chegavam mais cedo.
Quando as docentes de cada turma chegavam, elas não se aproximaram das suas crianças para cumprimentá-las, para conversar, ficavam no refeitório falando com os outros profissionais. Quando chegava o horário de servir o café, as crianças não saíam nem mesmo para lavar as mãos. Tomavam o café da manhã e depois passavam no banheiro somente para o uso do sanitário, diante dos comandos enérgicos da docente.
Na instituição B, a situação acima descrita sobre a instituição A não era diferente. Diminuía a confusão por serem menos crianças, eram duas a menos. Também nesse momento não eram oferecidos brinquedos às crianças ou qualquer outra atividade, repetindo-se a mesma situação observada na instituição A. No horário do café, as crianças iam ao refeitório sem lavarem as mãos, mas, aos menos, se movimentavam um pouco, mudavam de ambiente.
Na instituição C, esse momento de chegada era muito parecido com o das instituições A e B, contudo com uma diferença: eram oferecidas peças de plástico (poucas, pelo número de turmas) para as crianças montarem e brincarem. Outro fator importante é que se podia perceber que as crianças se sentiam felizes, pareciam gostar de estar naquela instituição. As
crianças conversavam calmamente entre si e não brigavam. A profissional cumprimentava as crianças de longe e ficava a maior parte do tempo sentada em um canto da sala. Em alguns poucos momentos, foi até a porta para conversar com alguns pais. Quando a docente do Pré I da turma pesquisada chegava, levava sua turma à própria sala e oferecia às crianças os mesmos tipos de brinquedo que antes haviam usado na outra sala. Observou-se que o brinquedo era usado mais de uma vez, como um artifício de ocupação do tempo, para as crianças esperarem o horário de tomar o café da manhã.
Quanto às atividades de espera pelos pais e saída das crianças da instituição, nas três instituições, foi percebido que as crianças brincavam com poucos brinquedos nas salas até por volta das 17:15h. Após esse horário, a docente encaminhava as crianças que ainda permaneciam na instituição para se juntarem com outras turmas, as quais ficavam sob a responsabilidade de uma auxiliar de creche, mas, desta vez, não havia brinquedos. Não havia a preocupação da docente em conversar com as crianças sobre aquele horário, sobre o que fariam ao chegarem em casa, como era o caminho até chegarem em casa. Parecia ser mais uma atividade que se tornara mecanizada no dia-a-dia dos sujeitos.