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C ONCLUSIONS AND FUTURE RESEARCH

O I Festival Nordestino da Música Popular foi promovido pelos Diários Associados e realizado em quatro eliminatórias, no Náutico Atlético Cearense, com transmissão da TV Ceará e da Ceará Rádio Clube. Na quarta eliminatória, quatro canções foram escolhidas pela comissão julgadora para disputarem em Recife, juntamente com quatro canções da Bahia e quatro de Pernambuco, os três primeiros lugares do Festival.

Os jornais não fizeram referência sobre a I eliminatória, mas apenas da segunda eliminatória em diante. O jornal “Gazeta de Notícias” de (28/0769) traz uma grande matéria do jornalista Tavares da Silva, elogiando a qualidade das músicas apresentadas na segunda eliminatória, contudo critica a qualidade técnica do som da TV Ceará ocultando a letra da composição dos telespectadores, saindo-se melhor os artistas que fizeram seu próprio acompanhamento. Conforme o jornalista:

“Esquisito e de mau gosto, foi ainda, a postura acanhada de um jangadeiro num palco cheio de flores enquanto João Ramos recitava loas ao valor e a bravura do homem do mar nordestino. (...) As falhas empanassem o brilho do Festival, conferem ao Canal 2, condição de igualdade com os demais canais. Lamentável, porém, é que o Festival tenha se realizado num clube elegante e não na nossa tradicional casa de espetáculo, o teatro José de Alencar.”109

O jornalista especialmente comenta a honrosa presença no Festival de Luiz Assunção, no entanto, relata que sua composição não trazia nada de novo, interpretada por Paulo Cirino e

108 Fragmento do texto escrito por Aderbal na contra-capa do disco do I Festival de Música Popular Aqui, no Rio

de Janeiro em 1968.

suas pastoras. Por outro lado, faz comentários pontuais de quatro canções: “Chapéu de Palha”, pela interpretação e o violão de José Ednardo, lembrando “Disparada” de Geraldo Vandré; “Funeral do Xaxado”, pela interpretação desinibida, Gustavo Silva; “Bai, Bai Baião” com letra satírica e sua inflexões rítmicas modernas à altura da interpretação de Ray Miranda e de “Boca de Forno”, fazendo referências a temas folclóricos, porém com o arranjo não

apropriado para a voz forte de Ray Miranda.

Ednardo. Unitário. 29 dez. 1970. p.3

O jornal “Correio do Ceará”, órgão dos Diários Associados, trouxe uma matéria sobre a 3ª eliminatória, enfatizando como o grande sucesso da noite anterior, a canção “Fura-Mundo”, de André Batista Vieira (o popular Melé), ex-integrante do famoso “4 Ases & 1 Curinga” e Aleardo Freitas. Sobretudo, enaltecia a interpretação que “esteve a cargo da nossa consagrada estrela, Ayla Maria” que arrebatou a multidão emprestando uma beleza incomum à canção toada, “Fura-Mundo”.”110 A matéria enfatizava que a canção havia obtido o maior número de votos da comissão julgadora, sendo uma das favoritas. Curiosamente, um dia antes da 4º eliminatória e final, o jornal “Correio do Ceará”, de 13 de agosto traz uma nota na sua coluna cultural:

Ayla Maria vem tendo participação das mais brilhantes no I Festival Nordestino da Música Popular na vitoriosa promoção “Associada”. “Fura- Mundo” – o drama do nordestino que, acossado pela seca, tem que emigrar para outras paragens, voltando à terra natal quando chove. “Fura- Mundo” é uma das músicas favoritas.111

110 CORREIO DO CEARÁ. “Fura-Mundo” Arrebatou Público na Eliminatória de Ontem do Festival. Nº 16.541,

1 de agosto de 1969.

Ayla Maria. Correio do Ceará, 1 agosto. 1969.

É importante ressaltar as conexões entre esses três artistas e os Diários Associados. Melé já havia se apresentado, inúmeras vezes no grupo dos Associados; Aleardo Freitas, amigo de Lauro Maia, também havia-se apresentado, muitas vezes, na Ceará Rádio Clube, órgão dos Associados e Ayla Maria, casada com Armando Vasconcelos, era a cantora cearense mais popular naquele momento e tinha trânsito livre nos Diários Associados, inclusive tendo uma matéria na coluna cultural do jornal “Correio do Ceará”.

O jornal “Correio do Ceará”, pertencente aos Diários Associados, não se fez de rogado para fazer a cobertura do I Festival Nordestino até porque, no Nordeste, residia o seu maior poder. Assim, no dia da final, 14 de agosto de 1969, numa coisa incomum para época, em se tratando de festivais em Fortaleza, o jornal “Correio do Ceará” trouxe uma página inteira com

tonalidade vermelha, patrocinada pela Ceará Gás Butano intitulada – “Hoje à Noite no Palco do Náutico a Batalha da Canção” com os nomes das canções, seus autores, estilos e letras.

Correio do Ceará. 14 Agosto. 1969, p.12.

Observando os nomes dos autores e suas letras, muitos desses artistas não apareciam nos documentos pesquisados nem nas falas dos entrevistados. Contudo, quatro desses artistas se destacaram: Tânia Barbosa de Araújo, classificada com três composições de estilos diferentes, “Bôca de Forno”, folclore; “Tempo-Vento”, toada e “Encontro Marcado”, samba; Lauro Benevides, com duas composições e interpretando-as, “Caminhada” e “Ciranda”, hoje ainda compondo, mas assinando Lauro Jaya; José Ednardo, com “Chapéu de Palha”, depois,

conhecido apenas como Ednardo, destacando-se no cenário da MPB juntamente com Belchior e Raimundo Fagner e Cristiano Guedis Lobo com a marcha “Tio Patinhas.”

Tio patinhas

Um velho tão pão duro Que nega as coisas à gente, Tão rico que ele é ... Não tem um dia Que seja bem melhor, Pois passa o dia inteiro Contando o seu dinheiro

E seus sobrinhos Donald e Zezinho, Luzinho e Huguinho, Coitadinhos.112

Francisco Carlos. Correio Mesmo dando maior cobert mesmo jornal “Correio do C agosto de 69, “’Bôca de Fôr Francisco Carlos, arrebatou Música Popular. Em segund pelo cantor Ronaldo; Em te mesmo e “Bai Bai Baião”, d Barreto e não por Ray Mira nosso Estado na final de Re Ray Miranda esclareceu por Fortaleza: (...) Eu parti tinha viajado Esse progra Flávio Cava críticos da m eu não tive porção de a ida e volta d eu fiz, pois, p Chance”. Eu baiano ao R Santiago e L

Mesmo conhecido na noite dava sustento suficiente par nacional como artista e a co

112 CORREIO DO CEARÁ. Op. 113 Entrevista feita com o cantor R

io do Ceará 25 agosto 1969.

ertura à canção “Fura-Mundo”, interpretada por o Ceará” teve de estampar, em sua primeira pág ôrno’ Ganha Festival”. Assim, “Bôca de Fôrno ou o primeiro lugar no setor cearense do Festiva

ndo lugar, “Caminhante”, de Frederico Matos P terceiro, “Caminhada”, de Lauro Benevides, in

, de Rodger Rogério e José Evangelista, interp iranda como se esperava. Essas quatro composi Recife.

porque não interpretou “Bai Bai Baião” na final

rticipei de duas eliminatórias, me classifiquei, do. (...) Eu tive uma participação no programa

rama vinha em video-tape naquele tempo, q alcante (...). Nesse programa você era julga música: maestros, escritores... . (...) Foi em 6

e condições, aí apareceu Dudu Ellery, Rica amigos que se juntaram e compraram uma p de avião. (...) Eu lembro bem de Augusto Po

, precisava arrumar dinheiro, porque eu partic Eu fiz um show cujo nome era “como o cea Rio”. Eu fui e cheguei a final. A final era e

Leci Brandão.113

te de Fortaleza como cantor de baile, sua condi ara comprar uma passagem aérea na tentativa d consagração do sucesso, que todo artista almeja

p. Cit., p. 12.

r Ray Miranda em sua residência em Fortaleza no dia 13

or Ayla Maria, o ágina do dia 15 de no”, interpretada por ival Nordestino de

s Pereira, interpretada interpretada por ele rpretada por Emanuel

sições representaram

al do Festival em

i, mas na final eu já a “Grande Chance”. que era do famoso lgado pelos grandes 69, na época d´eu ir icardo Bezerra, uma passagem pra mim, ontes, um show que ticipando da “Grande earense mandou um eu, Alcione, Emílio

dição social não lhe a do reconhecimento eja, segundo o próprio

Ray Miranda. Como tinha livre acesso à casa de Teti e como era cantor profissional, interpretava as canções do “Pessoal”, disso resultou o sentido de companheirismo e

solidariedade do “pessoal” para que fosse cantar no Rio de janeiro. Ray Miranda, ao tentar a sorte no programa “A Grande Chance” de Flávio Cavalcante, tinha sido o primeiro que estava envolvido com a turma do “Pessoal do Ceará” a ir em busca do sucesso.

Ray Miranda. Recife Ray Miranda com Jair Rodrigues (Fotos cedidas por Ray Miranda)

A finalíssima do I Festival Nordestino da Música Popular setor Ceará aconteceu no Náutico, com apresentação de Augusto Borges e Neide Maia, em transmissão direta pela TV Ceará com um grande público. A comissão julgadora foi ampliada, na tentativa de possibilitar, segundo o jornal, um melhor julgamento às 15 músicas classificadas. O mesmo jornal relatou a presença como espectadores do jornalista, o Sr. Eduardo Campos, superintendente dos Diários Associados e Emissoras Associadas do Ceará e o Sr. e da Sra. Antiógenes Tavares, diretor da TV Rádio Clube de Recife; e o Sr. e Sra. Rômulo Siqueira, diretor comercial das Emissoras Associadas do Ceará.

Diante da inesperada vitória, o próprio jornal “Correio do Ceará” passou a dar mais crédito e espaço para a vencedora, Tânia Barbosa de Araújo trazendo algumas referências suas. Desse modo, foi descoberto que Tânia, em algumas parcerias, muda de assinatura: ora Tânia Cabral tal qual no antológico disco do “Pessoal do Ceará”, com a canção “Palmas Pra dar Ibope”, em parceria com Ednardo; ora assina Tânia Araújo, pois seu nome completo é Tânia Barbosa Cabral de Araújo. Das informações do jornal da época, Tânia era formada em Ciências Domésticas pela Universidade Rural de Viçosa, Minas Gerais. Havia começado a compor em dezembro de 1966 e tinha preferências em ouvir, na música popular brasileira, Dorival Caymmi, Chico Buarque e Marcos Valle. Assim, mesmo depois do Festival ter acontecido no dia 18 de agosto, o jornal “Correio do Ceará” trouxe, no setor de “Música & Discos”, a relação das 15 finalistas em letras destacadas em negrito, “Folclore Ganha o Festival

Cearense”, com o patrocínio de Fogão Jangada e Soautos, com a letra na íntegra de “Bôca de Fôrno”.

Bôca de forno... Fôrno! Tirando bôlo... Bôlo!

Tacarandá... Dá! Onde eu mandar... Vou! E se não for? Apanha. Remão, remão...

Quem me trouxer primeiro A chinela da Joaquina Remão, remão...

Quem me trouxer primeiro Um cordão e uma folhinha Remão, remão...

Quem me trouxer primeiro Uma pedra bem branquinha Bôca de Forno... etc, etc Remão, remão...

Quem me trouxer primeiro Alguma estrela lá do céu!

Uma rosa bem vermelha e um anel Um cajá do tamanho de um melão Um elefante que caiba em minha mão! Tamarindo doce como mel

Rapadura amarga como fel Uma coruja que seja bem bonita Um bastão de marmelo e uma fita Bôca de forno... etc, etc.

E a criança sonhando Vai o mundo avessando Vai crescendo... Descobrindo... Vai perdendo sonho lindo... Remão, remão...

Quem me trouxer felicidade

Quem me trouxer alegria de verdade A gente não traz...

Fica na mão... Remão, remão...

Vida tem manha!

Quem trouxer... Apanha!!!114

Tânia Cabral de Araújo. 15 agosto. 1969 (capa)