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O período que compreende os séculos XVIII a XIX foi o momento que surgiu uma variedade de doenças na região, dentre as quais se destacaram a varíola (1721); o sarampo (1749); a febre amarela (por volta de 1710 e que teve um novo surto em 1850); e a cólera (em 1855). (MOREIRA, 2002). Os surtos de doenças causados pela falta de

higiene e salubridade eram “contidos” com uma ciência ainda em estágio primário, em

que no período anterior ao século XX, verificam-se os pequenos avanços obtidos no interior da ciência moderna no contexto internacional, e que passaram a ser fomentados e estimulados na realidade do estado apesar das limitações tecnológicas.

Até então, as iniciativas não eram consolidadas no intuito de atingir um mal em específico, em que a internação e o isolamento eram tidos como as únicas opções de cura. As estratégias eram pontuais e as instituições que estavam sendo formadas ainda eram muito frágeis para as demandas que surgiam no estado, especialmente ao que tange à quantidade de profissionais que aqui atuavam, ainda em finais do século XIX. Aos poucos, vão sendo dados os primeiros passos no sentido de formar uma estrutura de assistênciaà saúde, visando não somente a cura, mas também a prevenção.

Além disto, em meados do século XX no estado do Pará, os poucos médicos que aqui atuavam ainda eram adeptos das Teorias dos Miasmas e Quatro Humores, que se mantinha em contraposição aos novos médicos que já estavam em contato com as teorias de Louis Pasteur e de Claude Bernard, gerando conflitos entre a velha e a nova geração. As primeiras iniciativas de sociedades médicas do estado procuraram estabelecer a harmonia entres estes diferentes grupos, no entanto, sem muita duração (RODRIGUES, 2008; SILVA, 2014; MIRANDA, 2013). Porém, entre estes profissionais e o poder público era consenso a compreensão de que a higiene seria meio mais eficaz de fortalecimento e de afastar as epidemias, mesmo num momento em que as prescrições religiosas se sobrepunham às prescrições da ciência, como foi mencionado sobre a assistência “médica” prestada aos doentes da Santa Casa de Misericórdia e também aos “loucos” assistidos pelo Hospício dos Alienados nos momentos iniciais de sua criação.

Diwan (2007) demonstra e argumenta o quanto as diferentes sociedades travaram lutas históricas contra a situação de fragilidade e instabilidade que envolvia o corpo humano, lançando propostas e dogmas que deveriam levá-los ao fortalecimento e evolução do seu povo ou raça (termo comum entre os intelectuais do século XIX), por isso, eram latentes ideais

saudável. Ser belo. Ser forte [...] Para ser melhor, o mais apto, o mais adaptado é necessário competir e derrotar o mais fraco pela concorrência” (DIWAN, 2007, p. 21).

Até então, a Medicina e a Ciência da Higiene estavam pautadas muito mais em crenças e valores, e que logo após passa a estar envolta em teorias elaboradas por prescrições de Hipócrates (tido como o Pai da Medicina Ocidental), Galeno (chamado de Príncipe dos Médicos) e Paracelso (o Pai da Medicina Integral) que também passam a ser inquestionáveis, mas que mesmo assim não garantiam a sobrevivência dos povos e nações. É somente com o advento do conhecimento científico que surge a garantia de uma raça forte e saudável (ALFONSO-GOLDFARB, 2004; AGUIAR, 2009; DIWAN, 2009).

No cenário internacional, o século XIX foi momento de constantes disputas realizadas entre os diferentes setores da ciência moderna, que neste período procuravam se estabelecer enquanto um saber oficial e com um objeto e método de investigação próprio. Assim como também estabeleciam escalas entre os diferentes saberes e a posição de legitimidade alcançada pelos especialistas da Ciência, que ao passarem a uma posição privilegiada nos estratos das sociedades ditas modernas, passam a determinar não somente a vida pública, mas a vida privada dos sujeitos. Diferente da ciência antigo-medieval, que passou por um longo período distanciada das práticas sociais dos indivíduos (ALFONSO- GOLDFARB, 2004; ARIÈS, 2011).

Enquanto base das demais Ciências Naturais, a Biologia sobressai-se na segunda metade do século XIX, explicando, significativamente, as principais problemáticas que emergiam na época, sejam de ordem científica ou não. Inseridas no cabedal da Biologia encontraremos: a Microbiologia, A Fisiologia e o Evolucionismo. A Fisiologia tratava sobre o funcionamento dos órgãos e sua relação com o organismo, logo tendo aplicação direta à Medicina Experimental (ALFONSO-GOLDFARB, 2004).

Destacou-se a Fisiologia de Claude Bernard64, que em suas considerações afirmava

que o organismo é uma máquina e que a sobrevivência do indivíduo dependia do equilíbrio do organismo em relação a seus órgãos. Bernard transpôs as suas ideias sobre a Fisiologia para

64O fisiologista francês Claude Bernard (1813-1878) tornou-se conhecido pelas suas descobertas sobre a Fisiologia da Digestão, tendo avançando muito no entendimento do papel exercido pelo pâncreas, pelo suco gástrico e dos intestinos, bem como a sua atuação no funcionamento do corpo humano. Até então se acreditava que os principais processos da digestão acontecem no intestino delgado e não no estômago, além de descobrir que o pâncreas realiza a quebra das moléculas de gordura em ácido graxo e glicerol. Em 1865 publicou a obra

Introduction à l’étude de la médecine expérimentale (Introdução ao estudo da Medicina Experimental), no qual o

fisiologista aborda a Fisiologia como base da Medicina, sendo extremamente inovador, contribuindo deveras para o desenvolvimento da Medicina Experimental, haja vista que a Anatomia se tornou a disciplina médica de maior importância (DUTRA, 2003).

os aspectos sociais e políticos da sociedade do seu tempo, concluindo que a sobrevivência do Estado dependeria do equilíbrio da sociedade em relação a seus grupos, no entanto, a sua teoria não logrou (FELISBERTO; PRESTES, 2011).

Entretanto, segundo Diwan (2007), a não popularização da Fisiologia estaria ligada ao fato de suas elaborações serem muito mais de caráter técnico e teórico em comparação à

Microbiologia. A Microbiologia pensada pelo também francês Louis Pasteur65 fundamentou a

noção e a construção da Saúde Pública e da Medicina Social, haja vista que a descoberta dos micróbios possibilitou a criação de vacinas e demais técnicas curativas que assolaram não só a Europa, mas também outros centros urbanos, em meados do século XIX.

[...] a teoria de Pasteur obteve repercussão imediata tanto na medicina quanto na sociedade. Suas idéias são fundadoras da saúde públicas e da medicina social uma vez que a descoberta dos micróbios possibilitou criar vacinas e outras técnicas curativas para as doenças epidêmicas do século XIX [...] passaram a ditar as normas para solucionar doenças como tuberculose, a sífilis e a raiva. A vacinação obrigatória, os sanatórios de confinamento para a quarentena e as regras higiênicas individuais e públicas eram algumas das normas que adquiriram mais e mais prestigio, na medida em que, durante sua implantação, apresentavam resultados positivos (DIWAN, 2009, p. 28).

A teoria de Pasteur encontrou um terreno fértil para a sua expansão, haja vista que passou a dar base para as intervenções no campo da saúde, possibilitando que as Ciências Biológicas passassem a ditar as regras na vida social, diante dos seus êxitos de cura. E assim,

conforme Stepan (2005), multiplicam-se os institutos “Pasteur” no contexto internacional da

Medicina. Afirma-se que o mesmo processo de Pasteurização também se deu no estado do Pará por meio das entidades e intenções dos médicos da região que queriam se estabelecer nacional e internacionalmente enquanto grupo social e científico legítimo. Em que até então a Teoria Higienista vinha associada a uma compreensão de que doenças só poderiam ser propagadas por meio do ar.

Em 1915, no primeiro fascículo da Pará-Médico (da nova agremiação médica) ao

tratar sobre a história da Medicina “mundial”, Acylino de Leão, orador oficial, da instalação

da Sociedade Médico-Cirúrgica do Pará, demarca posição daquela entidade na Medicina experimental e moderna, afirmando:

Nós, que aqui nos reunimos em sociedade medica, somos todos discipulos [...] [da] medicina empírica ou experimental, que vem dominando os espiritos sensatos e

65Louis Pasteur (1822-1895) teve as suas descobertas referenciadas no mundo todo e sendo utilizadas como

referência no campo da Medicina Social, sobre isto se verificou significavas homenagens e agradecimentos dos médicos paraenses, que além de enaltecer as suas contribuições à ciência médica, também lamentaram profundamente a sua morte.

pesquizadores desde Hippocrates a Pasteur. Repulsamos os systemas aprioristicos, porventura philosophicos, e nos atamos á observação paciente e conscienciosa dos phenomenos (LEÃO, 1915, p.9).

Já no primeiro quartel do século XX, num discurso extenso, a elite médica demonstrava e estabelecia a sua posição enquanto um conhecimento verdadeiro que tinha por influência os conhecidos pensadores europeus, ou melhor, os pais da Medicina Experimental até as principais referências da Medicina Social e da Saúde Pública, numa nítida contraposição às práticas de cura provenientes do curandeirismo e da pajelança, deixando claro entre os colegas de profissão: “[...] cuidemos de ser, aqui dentro, sómente medicos, unidos pelo mesmo ideal scientifico que, atravez dos séculos, guiou os pioneiros da medicina”.

O boom das teorias científicas irá incidir em diversos setores da sociedade, possibilitando a compreensão de que os discursos científicos enquanto produtos histórico- sociais, tal como a teoria bakhtinianaensina, são ecos de vozes anteriores que mesmo estando distantes no tempo e no espaço estabelecem diálogos entre os diferentes falantes, estando presentes em todos os espaços, porém com intencionalidades particulares que estão de acordo com o contexto de quem fala.

Nos primeiros anos do século XX, a Medicina começa a assumir um caráter mais técnico e científico e também passa a ampliar o seu papel social, em que a sua profissionalização e expansão estava associada ao crescimento institucional generalizado da ciência na América Latina, especialmente, no período correspondente aos anos de 1890 a 1930. Expansão e concretização dos ideais cientificistas estiveram intimamente relacionadas aos avanços ocorridos no interior da Bacteriologia (STEPAN, 2005).

O Pará não ficou alheio a esse movimento, processo que desencadeou e incentivou várias outras ações no interior do estado a fim de se fortalecer enquanto povo e ciência. Considerando que os principais centros da Medicina Higienista e Eugênica eram a Bahia e o Rio de Janeiro, observa-se constante intercâmbio entre estes intelectuais e a presença deles na região amazônica no sentido de organizar um programa de Saúde Pública pautado nos ideais de formar uma nação forte e um povo sadio, segundo os princípios da Higiene e da Eugenia.

O período de 1900 a 1915 corresponde a este momento, em que os médicos que atuavam no estado passaram a se articular em uma verdadeira força-tarefa a fim de erradicar as principais doenças que acometiam a população paraense, sobretudo da capital, contando com o investimento do Governo do Estado e incluindo-se no Programa Nacional de

Erradicação de Doenças Tropicais, gozando dos avanços conquistados no campo da Medicina Sanitária com as ações de Oswaldo Cruz.

Não só o Pará, mas o Brasil como um todo era acometido por graves epidemias, como varíola, peste bubônica e febre amarela, mesmo em um períodode expansão da revolução da Medicina Experimental associada à Bacteriologia. As principais iniciativas foram campanhas de saúde pública, ocorridas especialmente entre os anos de 1903 a 1911, que tinha como liderança a figura de Oswaldo Cruz, resultando em grande prestígio às Ciências do Saneamento, tornando o sanitarista um verdadeiro herói nacional entre a elite, sendo um dos primeiros a ser aclamado por suas atividades como cientista, o que Stepan

Imagem9 – Fotografia em homenagem a Oswaldo Cruz na revista Pará-Médico, de 1917

Fonte: Pará-Médico (1917, p. 181) 66.

Naquele momento, as etimologias das diferentes doenças não eram muito bem definidas, um vírus era confundido com bactéria e vice-versa e, comumente, acreditava-se que eram propagadas pelo ar, haja vista que até fins do século XIX ainda predominava a Teoria Miasmática. Portanto, poucos se atentavam para a possibilidade de mosquitos ou outros tipos de insetos serem transmissores de doenças, não sendo popular a Entomologia, ciência que estudava e classificava os diferentes insetos.

No Rio de Janeiro, os médicos já se dedicavam ao estudo das doenças tropicais, como a febre amarela e a doença de Chagas, desenvolvendo políticas sanitaristas que tinham como referência o Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos, criado em 1900 e que em 1908 passou a se chamar Instituto Oswaldo Cruz, em homenagem ao médico sanitarista que pôs fim à febre amarela no Rio de Janeiro, no ano de 1907.

Contribuindo para o processo de criação de instituições que visavam fortalecer a formação de uma intelectualidade brasileira, figura no campo da Medicina o Instituto

66 Fotografia utilizada pela Sociedade Médico-Cirúrgica do Pará à memória de Oswaldo Cruz que havia falecido

neste mesmo ano. Logo abaixo da referida imagem consta as seguintes palavras: “Ao eminente sabio patrício – prof. Oswaldo Cruz.”.

Manguinhos67, um dos principais centros de pesquisa ao ter como uma de suas principais ações o combate à febre amarela e a sanitarização das cidades (SCHWARCZ, 1993; SILVA, 2013).

A febre amarela se tornou endêmica no Pará em 1850, mas causou muitosmais prejuízos em 1909. Assim, durante o governo de João Coelho (1909-1913), o sanitarista Oswaldo Cruz esteve em Belém, em 1910, desenvolvendo medidas profiláticas contra a febre amarela, que só foi erradicada em 1912, conforme relato na Pará-Médico:

Esse benemerito governador teve a feliz idéa de convidar o inolvidavel mestre Dr. Oswaldo Cruz, o creador da medicina experimental brasileira, para dirigir os trabalhos prophylaticos do terrivel mal amarilico. O grande sábio patricio pôz em execução os methodos que deram resultados brilhantes e satisfactorios na campanha de saneamento no Rio de Janeiro. No curto espaço de oito mezes, essa entidade nosologica desapparecia do quadro necrologico de Belém. O saneamento teve por base a exterminação dos mosquitos, principalmente o

stegomia fasciata; o isolamento dos doentes; o expurgo das casas infectadas comprehendendo todo o quadrilatero das ruas onde apparecem fócos do mal; a petrolisação dos pântanos, vallas, boeiros, etc. (PARÁ-MÉDICO, 1922, p. 223). Em Belém, foram tomadas as mesmas medidas de ação de combate à doença no Rio de Janeiro, tais como: isolamento dos doentes, expurgo nas residências dos infectados e a

vigilância médica (FRAIHA NETO, 2012). O “eminente sabio patricio” – como os médicos

do estado se referiram a Oswaldo Cruz, esteve à frente da comissão do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela e contou com o auxílio dos médicos locais e outros que atuavam no Rio de Janeiro, dos quais se destacaram: João Pedroso de Albuquerque, Francisco Ottoni, Maurício de Abreu, Belisário de Oliveira Penna, João Pedro de Albuquerque, Leocádio Rodrigues Chaves, Caetano da Rocha Cerqueira, Abel Tavares de Lacerda, Angelo da Costa Lima, Emygdio José de Mattos, Augusto Serafim de Souza, Jayme Aben-Athar, Antonio de

Figueiredo, Ophir de Loyola68, Ageleu Domingues, Antonio Gonçalves Periassú e Miguel

Pinto de Vasconcelos (FAVACHO, 2002; RANGEL, 2010). Os dez primeiros foram os

67 A história do Instituto Manguinhos teve início no dia 25 de maio de 1900, conhecido como Instituto

Soroterápico Federal, instalado na Fazenda Manguinhos, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro. O referido instituto tinha como intenção inicial a fabricação de soros e vacinas contra a peste bubônica, que foi erradicada juntamente com a febre amarela pelas mãos de Oswaldo Cruz. Ao longo do século XX, ele foi alvo de diferentes decisões políticas, dentre as quais se inclui as perdas de autonomia durante a Revolução de 1930, enquanto que com o golpe de 1964 alguns de seus cientistas tiveram os seus direitos políticos cassados, momento chamado de o “Massacre de Manguinhos”. Entretanto, em 1980, com o movimento de redemocratização, especialmente com a Constituição Federal de 1988, passou a gozar da democracia de forma ampliada com o processo de reestruturação da política de saúde. A referida instituição teve a sua trajetória diretamente alinhada aos processos políticos que levaram ao amadurecimento da política de saúde brasileira. Fonte: http://portal.fiocruz.br/ptbr/content/historia.

médicos formados e recrutados no Rio de Janeiro por Oswaldo Cruz e os demais eram médicos que se formaram na mesma faculdade, mas estavam atuando no estado do Pará.

Dentre estes se destacam as atuações dos médicos sanitaristas Belisário Augusto de

Oliveira Pena69 e do entomologista Ângelo da Costa Lima70, ambos da Faculdade de

Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, que demarcaram as suas ações naciência higienista e, posteriormente, no Eugenismo. Ambos foram referências no combate às moléstias transmitidas por insetos, no qual participaram de equipes coordenadas por Oswaldo Cruz, tendo as suas ações reconhecidas nacionalmente ficando à frente de órgãos e grupos de pesquisas que atuavam nas principais regiões brasileiras, dentre as quais, a Amazônia.

Belisário Penna começou a sua atuação ao lado de Oswaldo Cruz no ano de 1903 para dirigir os serviços federais de saúde pública e, em 1904, tomou posse do cargo de inspetor sanitário no Rio de Janeiro. Segundo Thielen; Santos (2002), Oswaldo Cruz havia oferecido o cargo de chefia do Serviço de Prophilaxia da Febre Amarela para Belisário Penna que declinou do convite, assim então o convite foi repassado para João Pedroso que chefiou uma equipe de 280 pessoas, incluindo Penna.

Costa Lima, após três anos atuando no Serviço de Prophilaxia da Febre Amarela, recebe o título de Doutor em Medicina. O referido médico pede demissão do cargo de auxiliar acadêmico para, em 1910, atender ao convite de Oswaldo Cruz para se juntar à comitiva de combate à febre amarela no Pará, desde então passa a se dedicar a carreira de Entomologista (RANGEL, 2010). Ao término destas atividades, a equipe de Profilaxia passou a monitorar toda a cidade de Belém a fim de impedir o retorno da febre amarela, porém esta foi constatada nos municípios de Santarém e Óbidos que passaram a ser monitoradas por Costa Lima, que ao utilizar o mesmo método de Oswaldo Cruz teve sucesso na erradicação das doenças nestes municípios, além de se aprofundar nos estudos sobre as diferentes espécies de mosquitos presentes na Amazônia, destacando-se no campo da Profilaxia Rural e da Entomologia (RANGEL, 2010).

69 Belisário Penna, nascido no dia 29 de novembro de 1868 em Barbacena, Minas Gerais. Em 1886 matriculou-

se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, porém conclui o curso na Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador. Em 1903, ano que Oswaldo Cruz realiza nomeação para dirigir os serviços federais de saúde pública por meio de concursos para as campanhas sanitárias, Penna é aprovado e toma posse como inspetor sanitário em maio de 1904 no Rio de Janeiro (THIELEN; SANTOS, 2002).

70Angelo Moreira da Costa Lima, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 29 de junho de 1887. No ano de 1904

ingressou no curso médico da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e ainda como estudante, em 27 de março de 1907, ingressou no Serviço de Prophilaxia da Febre Amarela, do Ministério de Justiça e Negócios Interiores, sob a organização de Oswaldo Cruz, na condição de auxiliar acadêmico (RANGEL, 2010).

Imagem 10 – Belisário Penna Imagem 11– Angelo Costa Lima

Fonte: Revista Arquitextos71 Fonte: Banco de Dados dos Entomologistas Brasileiros72

Quanto à receptividade das ações de combate à febre amarela no estado, Rangel (2010) destaca que esta transcorreu de um modo bem diferente do que ocorreu no Rio de Janeiro, em que Oswaldo Cruz em ofício encaminhado ao Governador do Estado do Pará tece

elogios “à índole ordeira e bondosa do povo paraense, ao inestimavel auxílio da illustrada

classe medica belenense, da imprensa sensata, que tão bem sabido orientar a população”. Este

momento foi de crise econômica, causada pelo declínio da borracha, porém o serviço teve total apoio orçamentário do Governo do Pará (THIELEN; SANTOS, 2002), fato que demonstra o apoio que a população, a classe médica e a imprensa devotaram ao sanitarista no combate da tão propalada epidemia. Resultado: a febre amarela foi considerada extinta em 16 de outubro de 1911 e no dia seguinte, Oswaldo Cruz retorna para o Rio de Janeiro com o restante da comitiva que atuou em Belém do Pará.

Para Silva (2014), a eficácia da campanha de Oswaldo Cruz contribuiupara a credibilidade da Medicina dos doutores do estado do Pará. Essa movimentação científica causada pela visita de Oswaldo Cruz serviu para entusiasmar a classe médica do estado e também gerar mais confiança não só para a população, mas também para o poder público e a imprensa local nos avanços conquistados no interior da Medicina Experimental, incentivando- os a se reunirem e estabeleceem uma agremiação científica mais coesa e que estivesse