A reinserção na sociedade, após a libertação, é uma das grandes preocupações dos reclusos. Encontrar um emprego à saída é, para eles, a forma de se reinserirem mais rapidamente pois permite-lhes auferirem um rendimento. Segundo as recomendações, a nível nacional ou regional, constantes do documento EQUAL Passaporte para a Liberdade – Soluções Inovadoras no Sistema Prisional (2008: 65):
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2. Todos os reclusos devem ter a possibilidade de participar em programas de formação e de educação q (…) 2.3 D v v v -se, em cooperação com os empregadores locais, sistemas flexíveis de formação na prisão, capazes de responder às necessidades do mercado de trabalho local.
Reforçando estas ideias está o facto de os reclusos, quando questionados em relação ao contributo da formação profissional para a reinserção, a possibilidade de arranjar emprego, ter sido o aspeto mais mencionado como resposta (por 13 deles).
Tiago, Yann, Paulino, Saul e Zeferino mencionam a possibilidade de arranjar emprego, respetivamente:
Porque uma pessoa se já tem experiência de várias coisas aqui dentro quando sai torna-se mais fácil pedir um emprego no ramo que a gente já tem esse conhecimento. Normalmente na rua eu não ia num í … ã q … ã h çã q q já h , dizer olha, já conheço esta área e preciso de trabalhar.
Acho que vai ser mais a questão do emprego porque não é bem uma profissão mas é mais alguma coisa que a pessoa aprende e sei que há poucas pessoas a fazer.
Sim, pode, vai-me ajudar muito. Tenho a certeza disso (…) j , .
A arranjar emprego, se tenho profissão de pedreiro e tenho mais uma formação dessa, se não tenho pedreiro vou para cantaria.
Ajuda a arranjar emprego e tentando seguir o mesmo caminho, ou seja, frequentar o mesmo tipo de trabalho do que o curso que frequentou dentro da cadeia.
A especialização numa área facilita o emprego numa região em que este é escasso, como nos z B : “ , , q h q z q j h Aç fartura. Como eu disse é a mão-de-obra. Lá não há mão-de-ob há h q .”
Consciente das dificuldades que existem atualmente na sociedade em relação à obtenção de um emprego, Eduardo refere: “ . j h , h . D maneira que isto está aí e para um ex-recluso que saia de um estabelecimento e que não tenha feito vai ser muito mais difícil arranjar trabalho, agora saindo com um diploma e com um certificado, é á .”
Depois da ajuda que a formação profissional lhes pode dar para conseguirem um emprego, a valorização pessoal e a aquisição de novas aprendizagens, foram os benefícios mais mencionados pelos entrevistados.
A valorização pessoal é importante para qualquer pessoa, torna-a mais forte, mais espontânea, mais capaz de acreditar que é possível lutar, acreditar, atingir novas metas, independentemente das suas lacunas. Todas as pessoas têm capacidades intrínsecas que podem ser potenciadas e no caso de quem está privado da sua liberdade torna-se muito importante acreditar que tem valor e que pode ser valorizado aquando da sua reinserção na sociedade.
Kevin acredita que se tornou num artista: “(…)Aj , z q v j . h bocado de experiência nessa área, apesar de que não era muita como agora. Antes a gente fazia só
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a reparação das paredes com gesso para poder pintar, lixar e pintar. Agora eu posso acreditar que . Aq q .”
Renato afirma que a frequência de formação profissional provocou nele algumas mudanças de atitude: “(…) Em termos de disciplinas do curso, tirando a parte prática, fez-me mudar muito, são sempre pouco tempo. Comecei a ser mais compreensível e começar a ver as coisas de outra maneira, por exemplo ao nível de...eu não aguentava muito tempo a tar à frente de uma entrevista (…)”
Vasco afirma com convicção a vontade de se afirmar como uma pessoa capaz:
Ajuda porque não é só dar um curso. A formação também tem a ver com a pessoa que está a dar a formação, e ter uma pessoa das ruas é diferente e quando saímos daqui temos alguma coisa. Há pessoas que estiveram muito tempo na vida do crime, nunca fizeram nada e se vão para a rua nada fazem, o que é que acontece? Voltam e se sair daqui com alguma coisa, com um diploma, com alguma experiência, com capacidade de trabalhar na rua e mostrar que sabe e que é capaz, acho que é uma mais-valia. A pessoa não se sente incapaz quando sair daqui.
E Ulisses acredita que a formação o ajuda a tornar- “ ”: “(…) q q ’ adquirindo aqui já vou ser uma outra pessoa. E assim que eu sair lá fora tenho que procurar... Há pessoas que estão a ligar a isso. Isso vai-me ajudar muito, vai- j (…) “
Estes testemunhos são reveladores do efeito que a DGSP pretende que a formação profissional tenha sobre os reclusos pois já “visa fornecer aos reclusos instrumentos potenciadores de uma melhor reintegração socioprofissional, nomeadamente através da aquisição de competências técnicas, sociais e relacionais, tendo em vista o desempenho profissional qualificado e o desenvolvimento pessoal e social.”
A aquisição de novas aprendizagens foi uma questão valorizada por alguns reclusos como Joaquim que afirma: “ ã h h . O q q , ã foi pelo h . (…) v j . V - j .” Mas também à v z çã C q “ v ” q “v ”.
É mais uma força, é mais um caminho que nós temos a seguir. Eu por exemplo se a minha área não tiver a ter saída, pois tenho oportunidade de me inserir como estucador, como restaurador de coisas antigas porque aprendi aqui no curso e valeu bem a pena ter aprendido. Acho que sim, que é importante termos essas oportunidades. Aprendi algumas coisas novas que não sabia nem nunca pensei vir a aprender e agora aqui é que vim a aprender.
Houve ainda entrevistados que consideraram como contributo para a reinserção o facto de obterem um certificado (3 reclusos), consideram-no uma mais-valia, como Ulisses (21) que considera q “(…) q , (…) h q é -v (…)”. Há também quem, como Alexandre, valoriza o facto de o certificado obtido não mencionar que foi obtido ã : “(…) q ã q .” Para um ex-recluso, por vezes é mais fácil omitir que esteve preso para conseguir um emprego. Assim,
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possuir um certificado que não mencione o local onde foi obtido pode revelar-se de extrema importância.
Um recluso, Nelo, mencionou a importância que a formação pode ter ao nível da z çã v z q “(…) h á , , j pessoa que quando s já vá há .”
Dois reclusos mostraram-se descrentes na reinserção, Vasco e Xavier, dizendo respetivamente q : “ h v q h q vã (…)”, “A ã é vã .” C q condição de ex-reclusos vai dificultar-lhes a sua reinserção na sociedade.