3. Análisis de las historias mallorquinas
3.3 Análisis individual de las Historias mallorquinas
3.3.3 The Bulletin of the College of St. Francis of Assissi Nº 119 – Autumm 1955
Proponho-me continuar a ler a poesia de António Jacinto com a ajuda do marxismo, mas também afirmar obviamente que tal leitura se mostraria redutora se ficasse nesse âmbito analítico, até porque, num seu poema, há uma epígrafe dupla de Lacan e uma referência a Van Gohg. Quem diria? Terá António Jacinto experimentado, com esse texto, a vertigem da pré-loucura?
O “Poema da alienação”, de António Jacinto, escrito na época do movimento em torno da revista Mensagem, é o texto em que melhor está expressa a dialética materialista da alienação do sujeito nas rela- ções sociais e de produção de trabalho. Há nele uma recusa da conce- ção essencialista do sujeito – do ser –, quer na vertente fenomenológica de uma ontologia metafísica, quer na do existencialismo individuali- zante, pois estabelece a constituição do ser no ato de agir, ou melhor, de interagir, de manifestação da subjetividade no encontro com o Ou- tro através também dos atos de fala, pelo discurso, o qual se constitui,
como diz o poema, “no Gesto e no Ser”, ambas as substâncias subs- tantivas aparecendo com letra muito significativamente maiúscula. O sujeito que a figura do poeta interpela é apresentado pela imagem do “poema”, como se pode ler no seguinte verso ilustrativo da condição social do sujeito coletivo feito de muitos outros sujeitos consubstancia- dos em profissões ou usos da força de trabalho: “O meu poema anda descalço na rua”. Entre a consciência do sujeito poético de que o pró- prio poema que escreve não é necessariamente o desejável, mas apenas o possível (“Não é este ainda o meu poema / [. . . ] // Eu ainda não sei nem posso escrever o meu poema”), ou a figura do “poema” como su- jeito alienado que se desconhece (ou seja, que desconhece a condição social e histórica em que se encontra) e a alienação que o texto espera vir a desocultar, ao poder mostrar a possibilidade de desalienação, está o decurso da história inscrito no percurso do discurso poético, porque a consciência social e política é também a consciência da linguagem, quer dizer, “a linguagem é tão velha como a consciência – a linguagem é a consciência real prática [. . . ] a linguagem só nasce, como a cons- ciência, da necessidade, da carência física do intercâmbio com outros homens” (Marx e Engels, in capítulo primeiro de “A ideologia alemã”, in MARX E ENGELS, 1982, p. 22). Por isso, essa dialética materialista
do trabalho como ação alienatória e da linguagem como possibilidade de expressão da alienação – trata-se de um trabalho sobre a linguagem – enforma a consciência de classe dos representantes do escasso prole- tariado angolano nas décadas de 40-50, mais alargadamente do coloni- zado, do subalterno, sobretudo do negro, mas também de outras raças ou grupos socio-raciais. O poema “Carta dum contratado”, mais do que qualquer outro, combina com o “Poema da alienação”, para mos- trar que a condição de alienação passa pela alienação da própria força de trabalho e pela não consciência da situação, pela sua não transfor- mação em discurso reflexivo e em ação revolucionária, a que podemos chamar, com Althusser, trabalho ou prática teórica, seja ele do poeta colonizado ou do colonizado que não é poeta, mas pode vir a sê-lo, pois “não é a consciência que determina a vida, é a vida que determina
a consciência”, como se pode ler no cap. 1 de “A ideologia alemã”, de Marx e Engels (1982, p. 14). Para Lacan, o sujeito depende do sig- nificante e este está, desde logo, no campo do Outro, uma vez que a linguagem é social, assim se traduzindo a alienação justamente como esse “campo do Outro”, onde se engendrou a primeira alienação, con- forme Hegel, a que levou o homem a sujeitar-se à via da escravização – “A liberdade ou a vida!” – perdendo as duas se opta pela liberdade ou perdendo esta, a liberdade, se prefere a vida (LACAN, 2010, p. 229
e 237).
António Jacinto mostra, nesses seus poemas e noutros da mesma época, que me abstenho de enumerar, como cada sujeito – que é ainda objeto –, representando um grupo socioprofissional ou uma franja de classe, não está ainda pronto para um devir que o torne outro, já não subalterno (conforme Spivak: “no interior e no exterior do circuito da violência epistémica da lei e da educação imperialistas que se ajustam a um texto económico antecedente, podem os subalternos/as subalternas falar?”) (SPIVAK, 2009, p. 43), mas revoltando-se e revolucionando o
seu tempo, expressando-se e expressando a sua visão de mundo, numa luta coletiva contra o colonialismo e o imperialismo. Ou seja, o su- balterno, que é o próprio António Jacinto, enquanto branco de segunda categoria, conforme a distinção colonial, pode encarar uma luta de li- bertação da sua condição social apenas através de uma mais ampla luta de libertação nacional, mas, para isso, necessita de um trabalho mais complexo de libertação cultural, de uma nova construção intelectual: “O trabalho mais complexo conta apenas como trabalho simples po- tenciado, ou antes, multiplicado, de tal forma que um menor quantum de trabalho complexo é igual a um quantum maior de trabalho simples” (MARX, 1990, tomo 1, p. 56). Esse trabalho, o poeta pode fazê-lo na
sua poesia, ao expor o processo de alienação do colonizado: “O meu poema (. . . ) é pobre roto e sujo / vive na noite da ignorância / o meu poema nada sabe de si / nem sabe pedir / O meu poema foi feito para se dar / para se entregar / sem nada exigir”. Ora essas são palavras que estão de acordo com a conceção marxista de alienação: “os indiví-
duos procuram apenas o seu interesse particular, o qual para eles não coincide com o seu interesse comunitário – a verdade é que o geral é a forma ilusória da existência na comunidade –, este é feito valer como um interesse que lhes é “alheio” e “independente” deles, como um in- teresse “geral” que é também ele, por seu turno, particular e peculiar, ou eles próprios têm de se mover nesta discórdia, como na democra- cia” (MARX EENGELS, 1982, p. 25). Mas, não tendo ainda alcançado
a democracia, que só a independência nacional poderia propiciar, res- tava ao poeta expressar a potência do desejo e do saber, em si, por si e para si, desse modo, já consciente e consistente, exprimindo a condição social e política de subalternidade que o seu próprio corpo branco car- rega, num sistema de dominação em que, ser branco, não era sinónimo de escravo ou contratado, mas também não implicava necessariamente ser senhor, antes um intermediário no processo da subalternização e dominação.
Essa poesia, naquela altura, afirmava-se como expositora de uma si- tuação colonial e franqueadora de uma nova condição social e política: “Mas o meu poema não é fatalista / o meu poema é um poema que já quer / e já sabe / o meu poema sou eu-branco / montado em mim-preto / a cavalgar pela vida”. Em sintonia com a poesia de Agostinho Neto, de uma sagrada esperança sem mácula mística, ela mostra um querer- -desejo, aliado a um saber-ação, que se pode aplicar à vida, sendo que esta “vida”, tão ampla e vaga, se pode dar a ler como o processo in- dividual e coletivo de consciência emancipatória, de ultrapassagem da alienação e de “cavalgada” em direção a uma nova comunidade ima- ginada. Na poesia de António Jacinto dessa época, não há lugar para o sentimento da individuação, para o sujeito desligado dos outros, por- que a escrita tende para o encontro com o societário, mostrando-o para o documentar, como algo exterior ao sujeito da enunciação, ainda que este possa roubar a cena como exemplificação através de si. Na poesia de 50, com raras exceções, a metatextualidade não tem lugar, pois todo o espaço textual é pouco para uma abordagem extensiva da condição do colonizado, quer seja no seu processo de alienação pelo trabalho,
quer pela ressalva da memória de infância, onde alguma felicidade vi- brante faz apelo à possibilidade de concórdia entre filhos da mesma terra, embora com identidades comunitárias e lugares de subalterni- dade diferenciados.
Mais tarde, nos anos 60, enclausurado no Tarrafal, cumprindo uma longa pena de prisão política, António Jacinto escreverá poemas, ainda de luta social e dentro do sistema carcerário, como tantos outros poetas (António Cardoso, Nazim Hikmet, José Craveirinha, Agostinho Neto), sendo que alguns surgem, então, como surpreendentes, imprevistos, que não seriam possíveis na década de 50. Um desses poe- mas chama-se “Loucura” e começa com uma epígrafe dupla de Lacan: “nem todos atingem a craveira de poderem ser doidos, risco ine- rente à verdade e ao ser”; “não é doido quem quer”. A loucura é, aqui, associada à verdade, ao ser e ao desejo ou, em sua substituição, à vontade. Neste último caso, pode ser também a vontade de repre- sentação, segundo Schoppenauer, daquele que se apresenta, que se faz presente, que se afirma, desse modo afirmando uma manifestação de humanidade, que não se extingue no indivíduo, por não representar o mesmo.
Em primeiro lugar, identifiquemos a conceção de loucura, ou fo- lie, de Lacan, na primeira parte da epígrafe: “nem todos atingem a craveira de poderem ser doidos”. Isso significa que a “loucura”, en- tendida como uma certa “dose de loucura” (uma psicose) ou a loucura extrema (esquizofrenia), para Lacan, tal como para Foucault, é um pa- tamar de humanidade igual ao daqueles que não são atingidos por essa energia geradora de um estado de exceção, um patamar de atuação no mundo que não difere de outros modos de atuação, senão pela sua pe- culiaridade de relação com o significante, com o discurso, como se este discurso não fosse o discurso do Outro, mas o discurso do mesmo, do ensimesmamento, de uma espécie de autismo absoluto (no caso da esquizofrenia), o que permitiria todo o tipo de discurso, por mais im- previsível que possa ser. A loucura, como repetição delirante do insig- nificante (GROS, 1997, p. 32), manifesta-se, porém, no discurso, que
é sempre significativo. Em Lacan, a repetição do significante é cons- titutiva do sujeito, mas essa repetição não pode ser reconhecida como delirante, a não ser que a condição própria do sujeito, enquanto ele- mento de linguagem, seja justamente a sua identificação nos traços que o repetem ou repetem o seu ser significante, impossibilitando-o de ser insignificante. O reconhecimento do sujeito, com a sua parcial “dose de loucura”, assim como a sua pulsão parcial de morte contida na pul- são de vida, leva-nos à aceitação da não-disjunção na constituição do ser, não-disjunção do ser e da linguagem e não-disjunção do sujeito e da poesia. O poema “Loucura” não deixa de ser poema, com seu título aberto à polissemia, mas, por causa da sua epígrafe dupla, não pode deixar de ser lido como texto analítico do sujeito (exclusivamente poético?) em estado de pré-loucura, isto é, que não chega a atingir a repetição delirante do significante da loucura, que seria o insignifi- cante, uma vez que ele deseja significar a loucura da ante-escrita e da escrita: “Não que os escritores sejam loucos ou os loucos, escritores, mas que a escrita literária fala a mesma linguagem da loucura (não uma linguagem reservada, mas a linguagem da linguagem)” (GROS, 1997,
p. 111). O delírio do “louco” é assimilável à escrita da literatura, mas o poema, porque escrito, porque já dito, apresenta apenas o resto desse delírio que há em cada sujeito, como fotografia estática de algo que foi fluxo dinâmico do ser em movimento.
Neste caso poético, o sujeito sofreria de uma dupla alienação para- doxal, a alienação de ser e não-ser, de ser-verdade e ser-mentira, porque discurso ficcional, aleatório e imotivado? Sabemos, hoje, que muitos artistas, filósofos, cientistas, escritores, pelo menos desde a Antigui- dade Clássica Ocidental, eram maníaco-depressivos ou, segundo a nova nomenclatura, incluíam-se na desordem bipolar, “a mais humanamente expressiva, a mais psicologicamente complicada e a mais caprichosa de todas as doenças”, segundo Kay Redfield Jamison, no seu livro To- cados pelo fogo(2007, p. 22), eminente especialista da doença de que ela própria sofre, e que estuda também o caso de Van Gogh. A alter- nância de estados psíquicos de sobre-excitação com outros de astenia
revela que a montanha-russa de emoções e sentimentos se resolvia em ações criativas, que equilibravam a vida afetiva e intelectual e, no plano do inconsciente, apresentava indícios de um discurso outro que apenas um outro discurso poderia confrontar, enquanto eterno problema da es- cuta e da crítica. Euforia e apatia profundas, que provocam estados de perturbação e confusão, catalisam desordens de linguagem cujo caos é criativo e apaziguador. A “loucura” resolve-se, pelo menos provisoria- mente, na linguagem disruptiva, na sua possessão criadora, que tende para um contra-discurso confrontador da língua-de-madeira (langue- -de-bois, como disse Barthes), fazendo frente ao discurso totalitário de uma normatividade impositiva. Escreveu Foucault, na sua Histoire de la folie, que “o homem tem acesso a si mesmo como ser verdadeiro; mas este ser verdadeiro não lhe é dado senão na forma da alienação” (FOUCAULT, 1972, p. 548), alienação, por se tratar de uma sujeição ao
discurso, que não pode ser senão o discurso do outro.
A segunda parte da epígrafe, “Não é doido quem quer”, é a tradução da frase “Ne devient pas fou qui veut”, que o próprio Lacan escreveu, enquanto fórmula lapidar, na parede da sala de espera do seu consultó- rio. Essa frase lapidar, informa Lacan, destinava-se a quebrar, pelo hu- mor juvenil, uma constatação imediatamente anterior, essa, sim, muito dramática, muito severa: “O ser do homem, não somente não pode ser compreendido sem a loucura, mas ele não seria o ser do homem se não contivesse em si a loucura como limite da sua liberdade”. Lacan usa tal frase numa alocução feita em 1946, em forma de relatório, após a II Grande Guerra, numas Jornadas Psiquiátricas. Esse texto intitula- -se “Propos sur la causalité psychique” (propostas sobre a causalidade psíquica) e encontra-se incluído nos seus Écrits I. A segunda parte da epígrafe, incluída no seu co-texto lacaniano significa, juntamente com a primeira parte da epígrafe, que, quem mergulha na verdade e no ser, arrisca-se à loucura, todavia isso não dependendo da vontade de um su- jeito. Estando António Jacinto prisioneiro havia cerca de 10 anos, será esse um poema em que, de modo subtil, nele se sustenta, por um lado, uma determinação em sondar um ser de sujeito subalterno e submetido
a uma ordem insana e, por outro lado, em apregoar uma insubmissa vontade de ser livre, nesse momento, através da arte da palavra, por comparação com a arte pictórica de Van Gogh, referido no texto. Há ainda um terceiro elemento fulcral, o “amor-sexo-amor”, a força ener- gética do sexo, a pulsão, que é pulsão parcial, porque indica sempre uma falta, a lacuna da morte que obriga a uma outra interpretação da loucura, que é a da loucura, enquanto metáfora, provocada pelo desejo, que falha o alvo. De facto, o texto mostra, na linha de Lacan, por um lado, como a loucura é um valor positivo, isto é, intrínseco da huma- nidade, um verdadeiro poder (“A loucura / é afirmação humana”), por outro, a alusão ao gesto de cortar uma orelha pode tomar-se como re- metendo, em simultâneo, para a coragem que a alienação de uma parte do corpo ou da sua totalidade pressupõe (escreve Jacinto: “crónica in- diferença / da coragem-alienação / orelha de Vicente Van Gogh”), que o verso da “tortura estimulante” (a dupla tortura policial e da escrita) parece sublinhar e sublimar, ao surgir o fazer poético como compensa- ção para a privação da liberdade absoluta do ser, estimulando, portanto, esse fazer poético como o ser do sujeito que mais não pode fazer. Além disso, o fazer poético inscreve-se na diferença entre o “sangue rítmico” (a pulsação, a pulsão, o latejar, o látego do sangue) das “ondas insanas / amor-sexo-amor / mar-sal” e o “nada/ou noite” dos “mitos e símbolos / loucos”, numa conjugação entre a imagem da internalização da lou- cura enquanto sangue revoltoso como ondas de mar-sal e sexo / amor e a externalização da beleza, associada ao sol, ao vinho-rubi, aos lábios cor também de sangue. Ou seja, o fazer poético como seiva discursiva, como outro tipo de corrente sanguínea, como correntemente se diz, à maneira da conceção da criação na filosofia ancestral Dogon, tal como nos foi legada por Ogotemmêli através de Marcel Griaule, em que a tessitura do texto se compara, no seu decurso, à tecelagem de um te- cido, ao forjar de um metal ou à sementeira de uma terra, sendo que esse diz-curso, esse per-curso do dizer, é análogo ao fluir do sangue, do sémen, da linfa, do sopro, da saliva, do fio (da meada), da pala- vra. Qualquer desordem nessa planura das equivalências analógicas é
interpretada como ké-ké, ou loucura, se alguém for perturbado pelos “ventos” ou pelos “espíritos da floresta”, outra forma de dizer que foi quebrada a harmonia entre o ser humano, os outros seres e o lugar (cf. COPPO, 1998, pp. 53-65). O verso “lábios-sangue”, além disso, indi-
cia um Outro sujeito (uma mulher?) localizado no “sol lá fora”, que se desvela finalmente como a “Poesia!” exclamativa. A ambiguidade desse Outro, cuja natureza se situa entre o ser humano e a escrita, cor- responde à ambiguidade própria da força vital que se resolve em fluxo duplo de energia e letra, ou, numa leitura de malha mais apertada, da pulsão parcial que, sendo a parte que da morte é representada no vi- vente sexuado, apenas se pode resolver (dissolver) no impulso entre a vida e a morte, fundindo libido e linguagem, para não ter de cortar a orelha ou, melhor, nem uma nem a outra. Não cortando a manifestação da libido (a linguagem), António Jacinto compreendeu que, na sua pri- são, se libertava ao aprisionar a loucura, a pulsão parcial (que contém a pulsão de morte), nas malhas da poesia, escrita não exclusivamente para o Outro, mas para aqueloutro de si-mesmo, aquele que, na ver- dade e no ser, chegava perigosamente à quase-loucura, à pré-loucura, enquanto sujeito egolátrico no significante do Outro. Assim se passava da poesia “em redor” dos anos 50, conforme o subtítulo de uma sec- ção dos poemas do Tarrafal, para uma poesia do “interior”, ou seja, do interiordo sujeito no interior do Tarrafal, ou seja, finalmente, uma poe- sia de um outro Tarrafal no Tarrafal. Não sei se respondi às questões iniciais, mas que Marx, Lacan e Foucault haviam de gostar de conhe- cer essa poesia, e, por isso, de conhecer também António Jacinto, é para mim, agora, mais evidente, embora nunca se possa afirmar o que poderia ter sido.
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