Os relatórios são importantes para divulgar informações de sustentabilidade, mostrando os impactos positivos ou negativos, em termos de meio ambiente, sociedade e economia (KOZLOWSKI; SEARCY; BARDECKI, 2015).
O relatório pode ser apresentado por meio de uma variedade de mecanismos, como websites corporativos, relatórios integrados com a parte financeira da organização ou relatórios inteiramente voltados para sustentabilidade (KOZLOWSKI; SEARCY; BARDECKI, 2015). Dessa forma, os relatórios são pertinentes para mostrar medidas de desempenho em sustentabilidade a stakeholders internos e externos.
O modelo mais conhecido de estrutura de relatório de sustentabilidade é o GRI (Global Reporting Initiative), sendo utilizado por mais de 75% das organizações do ranking
Global Fortune 250 (COSTA; MENICHINI, 2013). O GRI funciona como um conjunto de diretrizes para o desenvolvimento de medidas de desempenho econômico, social e ambiental, contribuindo para a escolha das medidas que servirão de base para o relatório da organização (HOURNEAUX JUNIOR, 2010; NAPPI, 2014). Vale destacar que o GRI não é um framework para um SMD em sustentabilidade. Contudo, ele pode ser uma fonte de inspiração para escolha de medidas de desempenho porque apresenta medidas de desempenho essenciais e adicionais para três grupos: Desempenho Ambiental, Desempenho Econômico e Desempenho Social.
As medidas de desempenho econômico são separadas de acordo com três aspectos: desempenho econômico, presença de mercado e impactos econômicos indiretos (GLOBAL REPORTING INITIATIVE, 2014). Já as medidas de desempenho ambiental são separadas de acordo com nove aspectos: matérias-primas; energia; água; biodiversidade; emissões, efluentes e resíduos; produtos e serviços; conformidade; transporte; e geral (GLOBAL REPORTING INITIATIVE, 2014). Por fim, as medidas de desempenho social são separadas nos seguintes temas: práticas laborais, direitos humanos, sociedade e responsabilidade pelo produto, e depois são subdivididos em 13 aspectos.
O relatório tem como objetivo atender as organizações iniciantes na aplicação de práticas de sustentabilidade e por isso, existem os níveis de aplicação, que demonstram a evolução das práticas de responsabilidade sócio ambiental e variam de A até C (MELO, 2013). Para comprovar que a organização realmente possui GRI, ela passa por auditoria externa e ganha um sinal de mais (+) para indicar a efetivação da auditoria (MELO, 2013).
O GRI tem quatro princípios básicos para o conteúdo dos relatórios: a inclusão dos stakeholders, o contexto da sustentabilidade, a materialidade e a completude (GLOBAL REPORTING INITIATIVE, 2016).
A inclusão dos stakeholders considera a identificação de todos os interessados, respondendo como a organização atende a suas expectativas e interesses principais. Já o contexto da sustentabilidade coloca que o desempenho da organização deve estar no contexto amplo de sustentabilidade em que a mesma se encontra (GLOBAL REPORTING INITIATIVE, 2016).
A materialidade consiste em tópicos do relatório que refletem os impactos econômicos, sociais e ambientais significativos para as organizações, que influenciam diretamente na avaliação e decisão dos stakeholders (GLOBAL REPORTING INITIATIVE, 2016). São assuntos-chave que as organizações devem tratar, e por isso, devem ser baseados nas expectativas dos stakeholders (GLOBAL REPORTING INITIATIVE, 2016). O GRI apresenta uma ferramenta chamada de matriz de materialidade, para direcionar as organizações
quanto aos tópicos materiais (que apresentam materialidade), funcionando como uma ferramenta de priorização de materialidade. A Figura 7 apresenta um exemplo de matriz de materialidade.
O último princípio citado é completude, no qual aponta que o relatório deve incluir a cobertura de todos os tópicos materiais, suficientes para refletir os impactos econômicos, sociais e ambientais, e que possibilita que os stakeholders avaliem o desempenho relatado pela organização em determinado período (GLOBAL REPORTING INITIATIVE, 2016).
Outro modelo de relatório conhecido é o do Instituto ETHOS. Os chamados indicadores ETHOS de Responsabilidade Empresarial tem como finalidade gerar medidas de desempenho em sustentabilidade de uma organização, tendo como base princípios do GRI, do Pacto Global das Organizações das Nações Unidas (ONU) e a norma SA 8000 (INSTITUTO ETHOS, 2015).
Figura 7 - Exemplo de matriz de materialidade
Fonte: adaptado de Global Reporting Initiative (2016)
Os indicadores Ethos consistem em um grupo de questões referentes a cada dimensão da sustentabilidade (dimensão Visão e Estratégia, dimensão Governança e Gestão, dimensão Social, dimensão Ambiental e dimensão Econômica). São três tipos de questões adotadas: questões de profundidade, questões binárias e questões quantitativas. Ao preencher
as questões no sistema online do Instituto, a organização recebe um relato de diagnóstico no qual saberá em que estágio da aplicação de práticas de sustentabilidade a mesma se encontra (INSTITUTO ETHOS, 2015).
O modelo de relatório apresenta medidas de desempenho referentes a valores, transparência e governança; público interno, meio ambiente, fornecedores; consumidores e clientes; comunidade; governo e sociedade (INSTITUTO ETHOS, 2015).
Vale lembrar que a divulgação dos relatórios de sustentabilidade recebe críticas positivas e negativas diante de sua popularização. Taborda (2007) afirma que muitas organizações consideram a divulgação de informações e elaboração de relatórios como formas de avaliação do desempenho social, no qual a divulgação das informações detalhadas podem ser um indicador de integração e participação utilizados na definição da estratégia.
No entanto, Ullmann (1985) afirma que a organização pode mostrar informações nos relatórios, que não correspondem à realidade, e que são divulgados somente para satisfazer os stakeholders. Kaenzig et al. (2009) reforçam que as medidas de desempenho presentes no relatório não garantem confiabilidade e precisão dos dados divulgados.
Do ponto de vista do sistema de medição de desempenho, Morioka (2014) verificou que nem sempre a medida de desempenho mostrada no relatório é a mesma utilizada pelo sistema de medição de desempenho, não assistindo no processo de tomada de decisão do negócio. Outra crítica dessa autora é que as diretrizes do GRI não exploram o relacionamento entre os pilares da sustentabilidade, além de que as próprias medidas de desempenho GRI não são suficientes, o que exige que a organização monitore outras medidas de desempenho.
Sartori et al. (2015) apontam a existência de problemas em relatórios de sustentabilidade baseados no GRI nas dimensões ambiental e social, referentes à qualidade dos dados, com problemas na padronização e transparência no conteúdo das medidas de desempenho obtidas nos relatórios, além de apresentarem as informações incompletas.
Assim, os relatórios de sustentabilidade são bons direcionadores de como medir o desempenho em sustentabilidade e para ilustrar quais informações devem ser comunicadas aos stakeholders, porém pela flexibilidade de adaptar os relatórios, eles terminam por não tratar o desempenho em sustentabilidade em toda a sua abrangência.