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Bred verdiskaping og forutsigbar fellesgodefinansiering

5. Samspillseffekter – reiseliv og lokalsamfunnsutvikling

5.5 Bred verdiskaping og forutsigbar fellesgodefinansiering

Em primeiro lugar, para Aron, a conclusão de Weber é a “imp̔ssibilidade de dem̔̓strar cie̓tificame̓te um juíz̔ de val̔r ̔u um imperativ̔ m̔ral” (ARτσ, 1985, p.361). Tem-se, portanto, num mesmo nível valorativo quer o imperativo de reciprocidade quer a ausência de todo imperativo, ou seja, é a queda no niilismo, puro e simples.202 Escolher um significado por puro impulso, se assemelha, na i̓terpretaçã̔ de Ar̔̓, à “v̔̓tade de p̔tê̓cia” Nietzsche. A tarefa é encontrar um sentido básico, porque no homem não existe apenas o animal, mas também o espiritual, sua capacidade de tomar nas mãos o seu próprio destino, de não se restringir ao sensível.

Em Max Weber and Modern Social Science, Aron se põe de acordo com a interpretação de Leo Strauss. Com efeito, para Strauss e para Aron, Weber não foi às últimas consequências nos princípios que defende e não se nega a falar sobre ganância, escrúpulos, devoção, etc., assim como mostra consentimento ou desaprovação quando discute questões sociais, ou seja, assume juízos de valor. O que interessa a Aron é compreender por que Weber não dá conta da distância entre a sua teoria e a sua prática. Para o intérprete francês, é essencial que a ciência fique ligada com o valor,

Um historiador ou sociólogo incapaz de distinguir entre um verdadeiro profeta e um charlatão seria, por isso mesmo, incapaz de uma compreensão genuína.

Um historiador de arte incapaz de distinguir entre a pintura de Leonardo da Vinci e os de seus imitadores não conseguiu compreender o significado específico do objeto histórico – ou seja, a qualidade da obra. Um sociólogo que colocou Hitler e Washington, ou Boulanger e Charles de Gaulle, um político cujo único interesse fosse o poder e um estadista apaixonado pelo sentimento de grandeza de sua nação, tudo no mesmo cesto terminaria numa completa confusão com o pretexto de não tomar partido (ARON, 1985, p. 355).

Aron admite que a ciência e o valor pertençam a diferentes ordens, mas isto não implica necessariamente que sejam ordens incomunicáveis. Para Raymond Aron, o exemplo pode se encontrar na sua própria posição pessoal em favor do liberalismo e do valor do Esclarecimento, que, segundo ele mesmo, não é apenas uma questão de preferência ou de decisão arbitrária, mas uma decisão prudente, tomada depois de estudar a sociedade ocidental. Sua análise do totalitarismo, onde a irracionalidade se torna autoridade, reflete sua crença no fato de que quem evita julgar os acontecimentos segundo nossa própria razão e os próprios valores com o pretexto de não se arriscar, cai no risco de perder tudo na mais completa desordem.203

É preciso que a escolha tenha uma base racional, mesmo que ninguém saiba o resultado antes de agir, mesmo que uma escolha racional possa levar a resultados não desejados. É essa imprevisibilidade que demanda cautela. Além disso, existem regras formais da moralidade que Weber se recusa a c̔l̔car acima da relatividade histórica tais c̔m̔ “̓ã̔ faça a̔s ̔utr̔s ̔ que v̔cê ̓ã̔ quer que seja feit̔ a ti”, ̔u “̓ã̔ matarás”, “ma̓damentos” que ̓ã̔ sã̔ da ̔rdem das preferências, mas propostas verdadeiramente racionais e mesmo que não equivalham ao rigor explicativo da lei da gravidade, não pode ser negligenciado. “Se tud̔ ̔ que ̓ã̔ é verdade científica é arbitrário, a própria verdade científica seria uma preferência, com fundamentos tão p̔bres qua̓t̔ a preferê̓cia c̔̓trária pel̔s mit̔s” (ARτσ, 1987, p. 43). Para Aron, Weber poderia ter saído do círculo, mas terminou nele fechado dando-se como ideal o dever de cada um obedecer ao seu Deus ou ao seu demônio, uma f̔rma de “afirmação da vontade de p̔tê̓cia”. No entanto, essencial em Aron, as regras formais da moralidade nas ciências do espírito têm tanta importância quanto a verdade nas ciências da natureza, porque ambas derivam igualmente de uma escolha racional, assim como ambas são universalmente válidas.

Uma vez que o valor pode se fundar na razão, a ideia de um conflito necessário e irreconciliável entre os valores já não faz sentido. Isto se dá em Weber em parte por seu caráter acolher a luta entre fé e descrença. Para Aron, no entanto, o erudito, o herói ou o santo

representam estilos de vida entre si incompatíveis, mas que não precisam necessariamente desprezar uns aos outros, a diversidade não precisa levar ao conflito.

O racionalista reconhece o combate da fé e da incredulidade, ele admite que nenhum dos outros são cientificamente demonstrável. Endossando a verdade de incredulidade, ele diz não a deuses da guerra, mas como a extensão gradual do Iluminismo ou a persistência de ilusões. Nos olhos do crente, no entanto, é a fé que define a direção de ceticismo.

E continua:

A fórmula de “War ̔f the G̔ds” é a tra̓sp̔siçã̔ de um fat̔ i̓discutível - os

homens têm sido representações inconsistentes do mundo - uma filosofia que ninguém viu ou pensar porque é contraditória (todas as performances são equivalente, nenhum dos quais é verdadeiro ou falso) (ARON, 1987, p. 55).

Como acenamos, a afirmação da diferença radical entre a ciência e o valor supõe uma ciência desenraizada. Nesta, a investigação científica não deve ter nada em comum com a realidade, mas se funda sobre um modelo epistemológico relativista que pressupõe a separação da ciência e da realidade. Este relativismo metodológico está ligado a uma ideia da realidade que se inspira, de certa forma, na filosofia neokantiana, isto é, entende a realidade como os fatos dispersos que a sociologia tenta ordenar conceitualmente. Se a realidade social é tão-somente um conjunto de fatos qualquer interpretação pode se sobrepor a eles sustentando-se apenas na opinião do cientista social; porém, se é puramente formal, há de se encontrar uma única teoria sociológica.

Para Aron (1λθ2, p. 2ι), “a [realidade s̔cial] i̓clui a multiplicidade de ̔rde̓s parciais e ̓ã̔ c̔mp̔rta de ma̓eira evide̓te uma ̔rdem gl̔bal”. σã̔ have̓d̔ uma só forma de interpretar, o sociólogo deve escolher entre as regularidades do objeto e tentar alcançar um conjunto parcial. Assemelha-se à metodologia da análise do sistema político de Tocqueville, na medida em que estima que uma parte da realidade social pode ser independente da criação conceitual do sociólogo. Para Aron, a objetividade social não está garantida pelo neutralidade axiológica, de tipo weberiano, mas a partir da própria realidade. Mais precisamente, a compreensão da sociedade parte do acúmulo de fatos para, em seguida, pela renovação constante e gradual dos problemas, progredir teoricamente. Na pesquisa, a realidade tem o primado sobre a teoria, é preciso analisar a sua estrutura e não apenas reconstituí-la abstratame̓te. Ar̔̓ (1λκη, p. 21λ) precisa que “[̔ s̔ciól̔g̔] evita ̔ viés e ati̓ge a justiça apenas negando a si mesmo a liberdade que Max Weber permitiu na construção de tipos ideais

e elaborando uma teoria analítica que indicaria pelo menos os principais determinantes e permitiria a rec̔̓struçã̔ d̔ t̔d̔”.

“Weber foi por excelência um filósofo (embora tenha se defendido do título), porque refletiu sobre as condições da política, sobre as necessidades da escolha, isto é, sobre o destino de t̔d̔s e de cada um” (ARτσ, 1969, p. 290-291), e se a sua influência sobre Aron é acima de tudo metodológica204

, é também no que respeita ao método que este diverge daquele, pois, segundo o pensador francês (ARτσ, 1λθλ, p. 2θη), “Weber ̓ã̔ res̔lveu explicitame̓te as questões sugeridas pelo esquema lógico, nem esclareceu o alcance e as limitações de causalidade”. Em ̔utras palavras, se ̔ tip̔ ideal ̓ã̔ tem ̔utra fu̓çã̔ além de ser uma ferramenta de pesquisa e se a ciência procura a melhor realidade possível, deve-se indicar a relação entre a causalidade empírica que se estabeleceu por este modelo. Embora a ciência da cultura se volte aos fatos singulares, e, portanto, não disponha de uma lei geral, ela também persegue a universalidade, pois há relações entre os fatos independentemente de toda concepção.

Resta a pergunta sobre as condições da superação do relativismo; em outras palavras, sobre as condições para a superação da contradição entre objetividade e subjetividade metodológica no caso da seleção. A questão capital é ainda acerca da objetividade nas ciências d̔ espírit̔. “A partir de difere̓tes ab̔rdage̓s, ̔s três filós̔f̔s te̓tam alca̓çar uma validade universal, de tal forma que terminam tocando a ciência da natureza. Dilthey exige a criação de uma nova psicologia, Rickert retorna em busca de um valor universal em si mesmo, e Weber privilegia a relaçã̔ causal” (δI, 2012, p. 66).

De acordo com Aron, a seleção de valores de Rickert é abstrata na medida em que o sistema de valores que necessita para escrever a história está no porvir. Se uma tal u̓iversalidade d̔ val̔r existe, “seria precis̔ que a história já estivesse realizada” (ARτσ, 1969, p. 281), por outro lado, mesmo se houver um acordo formalmente definido sobre os valores, o seu conteúdo e a sua ordem hierárquica variam historicamente. Dilthey e Weber, veem a oposição fundamental entre subjetivismo e objetivismo, o espírito individual e espírito objetivo do historiador. Em outras palavras, se perguntam se a objetividade pertence à história parcial ou à história total. Weber parte de conceitos positivos como totalidade e os tipos ideais, para compreender o todo a partir de um certo ponto de vista; em Dilthey, ao contrário, a seleção, os conceitos, os conjuntos, emanam da própria realidade. Pode-se dizer que Aron acompanha a

lógica de Weber, porque o conjunto histórico não é descoberto, mas constituído a cada nova abordagem.

De novo logicamente, a decisão é certa: enquanto houver escolha, (e quem poderia se vangloriar de conservar todos os fatos?), enquanto a inteligibilidade da história for ambígua, a validade dos conjuntos históricos não poderá se fundamentar sobre a adequação completa da ciência ao real (ARON, 1969, p. 282).

A análise mostrou que Max Weber busca a objetividade das relações causais que se baseiam na compreensão, mas, no caso em que a compreensão está ligada à situação atual do historiador, resta perguntar como determinar os limiares da demonstração dessas relações causais. Weber abraça a incerteza em nome da liberdade fundamental para o seu relativismo. Justamente para evitar o mero relativismo, é necessário, segundo Aron, retornar à resposta de Dilthey, apelando para a verdade da totalidade no sentido hegeliano.