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Kapittel 1 Oversikt over temaet

1.5 Hva er fortetting og hvorfor fortette?

1.5.5 Boligfortetting i Oslo (NIBR prosjektrapport 1997:13) 19

Ao definir o conhecimento como o processo individual de organização racional da experiência, a perspectiva construtivista radical reconhece um problema fundamental: se cada um de nós realiza construções subjetivas, em última análise, cada um de nós habita seu próprio mundo – um mundo organizado a partir de percepções pessoais. Esse é outro aspecto da concepção construtivista radical de conhecimento que muitos críticos questionam, afirmando que essa ênfase atribuída à subjetividade equivale ao solipsismo23. Esses autores afirmam que, se a

experiência subjetiva constituísse o fundamento da realidade, cada indivíduo seria livre para construir a realidade como melhor lhe aprouvesse. No entanto, continuam, isso claramente não é possível.

Glasersfeld responde a essas críticas retomando a noção de ambiente e seu papel fundamental em sua abordagem.

Do mesmo modo como o ambiente constrange os organismos vivos e elimina variantes que de alguma forma transgridem os limites em que eles são possíveis ou viáveis, o mundo experiencial, seja na vida diária ou no

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O solipsismo é a tese de que apenas o eu e suas sensações existem, sendo todos os outros entes meras impressões, sem existência própria, da única mente pensante. Embora o solipsismo seja frequentemente considerado como um caso limite do idealismo, ele jamais foi endossado por pensador algum (ABBAGNANO, 2000).

laboratório, constitui o campo de teste para nossas ideias (GLASERSFELD, 2008, p. 8).

O construtivismo radical sustenta que cada indivíduo constantemente organiza os sinais que percebe em seu meio de um modo próprio e, nesse processo, elabora sua concepção de realidade. No entanto, se as concepções que o sujeito consegue formular sobre a realidade de algum modo deixam de se ajustar às impressões ambientais ou à rede conceitual já formulada (PIAGET, 2001), ele é forçado a revê-las.

Não temos, assim, plena liberdade de organização de experiências e construção de realidade. De fato, “o mundo quase nunca é aquilo que gostaríamos que fosse” (GLASERSFELD, 1996, p. 192). Ideias que formulamos e expectativas que formamos são frequentemente invalidadas em nossa relação com o mundo que experimentamos. Nossas teorias são constantemente postas à prova em nosso contato com o ambiente. Se elas não são viáveis, nossas antecipações falham e nos levam a perder o controle sobre nossas ações. Embora subjetivas, então, nossas construções são reguladas por nossa própria interação com o meio.

É importante, neste ponto, sublinhar que a noção tradicional de objetividade é incompatível com a abordagem construtivista. A objetividade, que os pensadores tradicionais acreditam poder ser atribuída ao conhecimento, qualifica o que se dispõe a oferecer uma representação fiel de um objeto independente do sujeito que o observa (ABBAGNANO, 2000). Uma vez que, para os construtivistas, o conhecimento humano não aponta para um mundo independente de nossa experiência, a objetividade não pode ser alcançada, e nem sequer deve ser buscada.

Glasersfeld (1996), no entanto, propõe que o conhecimento experiencial pode ganhar em viabilidade e em fiabilidade quando, embora construído por um sujeito pensante e conhecedor, possa ser corroborado por outros. A essa possibilidade, ele denomina intersubjetividade. A noção de intersubjetividade vem a responder a outro conjunto de reiteradas críticas à abordagem construtivista, a respeito da suposta desconsideração do papel da interação social no desenvolvimento do conhecimento de um indivíduo.

Para lidar com a intersubjetividade, no entanto, é necessário que tratemos brevemente da concepção de “outros” no construtivismo. Para isso, buscaremos fundamentos na obra de Piaget (2001). Para o autor, o outro é também uma construção individual. E é uma construção lenta e longa, simultânea à elaboração da

noção de eu, que inicia quando o bebê atribui capacidade de movimento às pessoas e aos objetos de seu campo experiencial. Piaget denominou esta fase do desenvolvimento infantil de animismo. Em um estágio mais avançado, a criança começa a perceber que, enquanto as coisas necessitam ser movidas, as pessoas e os animais têm a capacidade de se deslocar autonomamente. Aos poucos, a criança compreende que esses últimos também apresentam as habilidades de ver e ouvir, de sentir e aprender, e de planejar seu comportamento. Finalmente, o processo culmina com a atribuição, pela criança, das características que a definem também às outras pessoas – inclusive a capacidade de elaborar esquemas, conceitos e regras. A criança acaba por concluir que os outros são como ela, embora diferentes.

É importante afirmar que a concepção que temos dos outros – tal como a que temos de qualquer elemento do mundo experiencial – é uma construção subjetiva, que deve ser testada e ajustada em nossas experimentações com eles. Segundo Glasersfeld (1996), quando realizamos uma predição a respeito de como outra pessoa se comportará em certa circunstância, nós o fazemos a partir do conhecimento que construímos a respeito daquela pessoa, ou das pessoas em geral. Se nossa predição se confirma, podemos dizer que nosso conhecimento sobre o outro é viável. Se não, somos obrigados a rever nossos esquemas. Assim, a construção do outro sofre os mesmos tipos de restrições que o sujeito encontra para elaborar seu conhecimento a respeito das demais informações encontradas no mundo experiencial.

Ainda em relação ao papel da interação social na abordagem construtivista radical, cabe mencionar os trabalhos do biólogo chileno Humberto Maturana e do filósofo americano Nelson Goodman.

Maturana (1997) afirma a naturalidade e a crucialidade das relações humanas para a sobrevivência da espécie. O autor acredita que os sistemas sociais só puderam se estabilizar, ao longo da história da humanidade, através do que ele denomina “amor”, definido como socialidade, ou o comportamento aproximativo e interagente que possibilita o compartilhamento de mundos. É o amor, segundo o biólogo, que permite que cada sujeito perceba o outro como parceiro nas diferentes dimensões da vida, o que é primordial para o estabelecimento de domínios consensuais e o desenvolvimento da linguagem. Maturana afirma ainda que o amor é um fenômeno biológico natural entre alguns tipos de seres vivos, um encaixe dinâmico recíproco espontâneo que não requer justificação e sem o qual não pode haver qualquer tipo de organização social.

Por sua vez, em Ways of worldmaking, Goodman (1984), reafirma a premissa básica de que realidade é algo que estabelecemos e não algo que encontramos, mas vai adiante ao afirmar que “universos de mundos, bem como mundos em si, podem ser construidos de muitos modos" (p. 5). O autor defende, assim, a noção de que os seres humanos criam não um mundo, mas diferentes versões de mundo, a partir de rupturas e desvios em versões anteriores. Além disso, "[a] construção do mundo, como nós sabemos, sempre começa a partir de mundos já à mão; o fazer é um refazer” (p. 6), enfatizando a ideia de que as diferentes versões de mundo possíveis não são invenção pura, mas partem de outras versões já existentes, elaboradas por outros e disponibilizadas à nossa percepção. Construímos mundos, assim, a partir de mundos elaborados por outros que nos rodeiam. Por sua vez, as novas versões construidas não superam ou desacreditam as anteriores, mas as complementam, o que transforma a realidade experiencial em uma complexa interconexão de mundos construidos.

Os dois autores construtivistas radicais destacam a importância das relações intersubjetivas para a sobrevivência e para o desenvolvimento biológico e cognitivo da humanidade. É, no entanto, importante ressaltar que essas relações, e o conhecimento que delas resulta, são também construções subjetivas. Não podemos transcender os limites de nossa experiência individual. Mesmo que tentemos fazê-lo através da linguagem, não podemos acessar o mundo construído pelas outras pessoas. Sequer dispomos de garantias de que nossa experiência coincida com a dos outros. No entanto, se pudermos chegar a um critério comum de compatibilidade, a corroboração – mesmo que apenas parcial e presumida – pelos outros do conhecimento que construímos desempenha um importante papel na estabilização das noções que temos a respeito do mundo. Ao percebermos que nossos pares partilham conosco percepções, visões, conceitos e ideias, isso fortalece nossas elaborações e permite que concebamos as noções de “conhecimento comum”, e “interação social” (GLASERSFELD, 1996).