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Bolig og boforhold

In document Kartlegging av levekår i Skien (sider 65-114)

2. Data og metode

4.2 Bolig og boforhold

As falas e depoimentos dos jovens entrevistados apresentam o trabalho nas associações como atividade que nunca vão parar de exercer, mesmo diante da possibilidade de inserção no mercado formal, enfatizando que continuariam participando do grupo de produção nas horas livres, finais de semana, enfim, a prática do artesanato e o trabalho nas associações ocupam um lugar importante na vida desses jovens. Entretanto, quando abordados sobre o futuro, nenhum dos jovens, participantes das associações, deseja ter como profissão no futuro a prática com o artesanato. Nos discursos falam sempre em ingressar na universidade e conseguir um emprego que lhes possibilite melhorar de vida. Relata um dos jovens: “eu quero fazer um curso, se tivesse aqui queria ser médico-veterinário e queria arranjar outro emprego” (jovem da associação 3); outro jovem acrescenta: “se tivesse outra oportunidade, outro emprego melhor, eu queria mesmo era ser advogado, mas tem que estudar ainda, muito!” (jovem da associação 2).

Os projetos pro futuro aparecem superficialmente nos discursos, entretanto as falas dos jovens não revelam iniciativas para a realização desses projetos. O ingresso na universidade é um projeto comum a todos os entrevistados, mas estes tendo concluído o ensino médio não estão se preparando para prestar vestibular: “fazer cursinho a gente não tem condição [...]” (jovem da associação 1); outro depoimento: “é difícil passar no vestibular, acho que preciso estudar, mas ainda não comecei [...]” (jovem da associação 3); “eu penso em, no próximo ano, começar a estudar para entrar na universidade” (jovem da associação 2).

Melucci, nos estudos que desenvolveu acerca da condição e ação juvenil apresenta aspectos que ajudam a compreender esse segmento, identificando-o como espelho da sociedade complexa, portanto como paradigma dos problemas, no sentido de ação antagonista, pois afirma, “os jovens não são, como tais, atores conflituais: só a identificação de um campo de conflitos e a presença de fatores conjunturais de ativação podem fazer da condição juvenil o suporte de uma mobilização antagonista” (2001, p.105). O referido autor também apresenta outros pontos importantes na compreensão da juventude como atores sociais, descrevendo elementos que os caracterizam enquanto grupo e iluminando o olhar acerca das formas como esses sujeitos lidam com o presente e projetam o futuro. Para o autor uma característica do segmento juvenil é a reinvenção da palavra, construídas a partir de fragmentos do contexto e da rejeição da palavra socialmente legitimada, “reivindica, então, o direito à comunicação aberta, afirma a vontade de utilizar todas as redes de sociabilidade que

a tornam possível e de experimentar todos os canais expressivos e comunicativos que a sociedade coloca à disposição” (2001, p.104).

Os jovens procuram lidar com a palavra formalizada pela racionalidade instrumental como algo distante, algo que não é seu, que não está perto do seu universo, mas pertencente a um contexto usurpado. Esse sistema formalizado dos sistemas governados como sugere Melucci propõe uma “rígida separação entre a ordem do discurso e a ordem do prazer”. Por outro lado esse jovem constrói um “novo” signo, reafirmando a necessidade de comunicação, reivindicando quando, como e com quem comunicar-se, elaborando “potenciais terrenos de conflitos” (Id.,Ibid., p.103).

A mobilização e participação social dos jovens na sociedade contemporânea me permite afirmar que essa juventude também está impressa ao presente, necessita firmar-se no aqui e no agora, propõe projetos e idéias que, muitas vezes, também possuem um caráter de provisoriedade, mas que remetem à necessidade de mudança constante, de reelaboração. A cultura juvenil questiona o poder e as relações de poder:

Falou-se, pois, de um conformismo dos jovens, de indiferença pelo poder. Essa orientação pode parecer estranha, mas ela esconde uma mudança radical nas atitudes frente ao poder e à natureza dos conflitos. O poder como assimetria que caracteriza, sob algum aspecto, qualquer relação social não é mais negado, mas reconhecido. A ele se contrapõe a responsabilidade, como capacidade autônoma de resposta de um sujeito em ação. A possibilidade de ocupar um espaço de autonomia nas relações sociais, sem negar a disparidade, transforma-se numa condição para a ação, para a iniciativa, para a mudança. O que a cultura juvenil questiona não é que o poder desapareça, mas que ele seja visível e que possa ser avaliado (Id.,Ibid., p.103).

Os discursos dos jovens entrevistados sobre as relações de poder e a realidade juvenil, principalmente com relação àquela que compõe o seu contexto social indicam indignação e questionamento acerca de suas condições de vida e dos problemas que afligem a comunidade onde vivem. Relatam:

A cidade de Parnaíba é um pouco parada [...] é por causa dos administradores aqui de Parnaíba, é parada, não faz movimentos na cidade com os jovens, não tem nem uma esportividade [...] São as dificuldades do primeiro emprego, o jovem não tem experiência. Teve uma oportunidade aqui, mas foi só pra iludir o jovem, os políticos enganaram todo mundo [...] Ruas escuras, as ruas tão mais é cheia de buracos, a praça, os colégios, o posto de saúde, os dois médicos do posto entraram de férias [...] aí ficou, não sei se vai vir algum. Uma ambulância se ficasse lá era melhor, a pessoa está doente, aí liga pro corpo de bombeiros e muitas vezes eles dizem não, o carro está sem combustível [...] a pessoa morre no meio do caminho [...] (jovens das três associações – grupo de discussão).

Os jovens são questionadores e através dos grupos projetam ações que venham intervir de fato em sua realidade e mesmo de forma processual contribuem para construir novos modos de agir. Expressam uma visão fragmentada quando questionados acerca das causas desses problemas, indicando o descaso do poder público como principal elemento. Os projetos ligados aos sonhos e desejos são, na maioria das vezes, pensados individualmente, presos numa gaveta que não se abre facilmente e as vozes, nesses depoimentos, refletem timidez. As perspectivas frente ao mercado de trabalho são baixas, mas o grupo busca essa inserção e demonstra ainda depositar na educação as condições e possibilidades de “melhoria de vida” (jovem da associação 2).

Os grupos de trabalho, dos quais participam, são espaços de produção de cultura, espaço de educação popular comunitária, onde os jovens constroem relações com outros jovens e com os adultos, identificando-se como coletivo. A parceria que aprendem a imprimir nas relações de trabalho, o potencial do diálogo, do encontro, da amizade são geradores de aprendizagem, geradores de saberes. Os jovens elaboram formas de vida a partir de aprendizados que também nascem no trabalho coletivo, nascem da participação nos grupos e movimentos orquestrados pela comunidade. As pessoas se movem para superar obstáculos, reúnem-se para elaborar formas de enfrentamento às situações de exploração, miséria e exclusão social, contribuem na luta pela identificação cultural que os aproxima, produzem cultura.

Nesse sentido a Educação Popular passa a ser compreendida, também, como o esforço de mobilização, de produção e organização do saber do povo, um saber que é antes inadequado para a sociedade e ora se refaz como poder de um grupo. Essa educação além de propor a valorização desse saber busca discuti-lo e acrescentá-lo, entendendo que os saberes construídos nas experiências e práticas sociais são importantes na medida em que são organizados, elaborando novos conhecimentos fundamentados pela relação teórico-prática.

CAPÍTULO V

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