Proteomic analysis of Aliivibrio salmonicida cultured in vivo
2. Materials and methods
4.5 LPS biosynthesis
Além do livro de memórias, Ottília Chaves publicou A arte de contar
histórias,557 em que apresenta inicialmente a definição, o valor, a análise e as características de uma boa história, descrevendo este processo de maneira didática; além de demonstrar os passos formais no preparo de uma história, os artifícios da arte de contar história, o perigo em apontar a moral da história, as histórias reais e imaginárias, apresenta ainda um pouco de psicologia e, para exemplificar os procedimentos, conta algumas histórias. É importante ressaltar que e livro foi escrito a pedido do Conselho de Educação Religiosa558 visando à capacitação dos obreiros da Escola Dominical, mas acabou sendo indicado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal para uso nas escolas primárias. Também foi publicado em espanhol.559
Ottília também escreveu A Educação Religiosa no lar,560 fruto de um trabalho
que ela apresentou ao “Congresso de Cultura Evangélica, reunido na capital Federal, em 1947. Não só mereceu plena aprovação, mas também a recomendação de ser publicado e difundido pela Confederação Evangélica do Brasil.”561 Ao escrever este trabalho Ottília demonstra uma visão abrangente e crítica:
falar de educação religiosa no lar é abordar um tema que mereceria a consideração dos líderes do pensamento e da cultura evangélica, não só do Brasil, mas em todo o mundo cristão. Porque, falar em educação religiosa no lar, implica tocar numa questão sociológica de grande atualidade, numa questão
556 Cf. informação cedida pela prof. Vera Machado da Silva (neta de Ottília Chaves), professora do
Colégio Americano em Porto Alegre, RS.
557 CHAVES, Otilia de Oliveira. A arte de contar histórias. Rio de Janeiro: Confederação Evangélica do
Brasil, 1941.
558 Ibidem p.8.
559 CHAVES, Otilia de Oliveira. El arte de narrar - Um texto de estúdio del Curso Normal Oficial
autorizado por el Comitê Central de Educación Religiosa em la América Latina. Editorial “La Aurora” (Buenos Aires) Casa Unida de publicaciones (México), 1951.
560
CHAVES, Otilia de Oliveira. A educação religiosa no lar. Rio de Janeiro: Confederação Evangélica do Brasil, 1947.
561 Id. Ibid. p.5. A Confederação Evangélica do Brasil, reunia a maioria das igrejas evangélicas no Brasil e
promovia a cooperação entre elas nas áreas de ação social, educação cristã, trabalhos de juventude, e atividades diaconais. Enfim, era uma organização que, realmente, promovia a fraternidade e o trabalho conjunto entre as igrejas evangélicas. Foi a primeira organização ecumênica organizada no Brasil. Depoimento de Anivaldo Padilha, leigo metodista http://www.cese.org.br/Campanhas/juventude.doc. Acesso em 12 de abril de 2007.
psicológica ainda pouco difundida e numa questão eclesiástica muitíssimo complexa.562
Além disso, Ottília se refere à realidade brasileira, e diz que o campo evangélico deve ser estudado a partir de três grupos: o povo pertencente ao grupo rural, o grupo das pequenas cidades do interior e o grupo das grandes cidades. Ela também utiliza o livro
Educação Religiosa na Família do escritor Henry F. Cope,563 são dez apítulos sobre o lar e a família, a família como instituição religiosa, o culto doméstico, os problemas morais. Neste capítulo ela cita algumas crises morais como a colisão de vontades, a zanga, as brigas, a mentira e a desonestidade. Por exemplo, sobre a colisão de vontades ela diz que:
Os pais são tentados a assumir uma atitude autocrática no governo da família. Mas um dia eles são despertados para o fato de que não somente eles são dotados de poder de vontade, quando ao seu sim, a criança diz não. Descobrimos aí a vontade. É sinal de uma qualidade de caráter. Ainda que não mereça aplausos, esta atitude da criança é motivo de satisfação para os pais. Não convém tentar esmagar esta manifestação da personalidade, pois a criança vai precisar dela na sua luta pela vida e no seu contato com os outros.564
Vemos demonstrada a constituição de uma família conforme os conceitos do seu tempo. Ottília não fala propriamente da mulher, mas no decorrer do texto refere-se à família e aos pais, o que também pode ser considerado um avanço em relação aos padrões da época, pois fica implícita uma igualdade entre homens e mulheres na educação dos filhos e das filhas.
Quanto ao livro A criança e sua orientação na vida sexual,565 Ottília Chaves o escreve com apenas 22 páginas a fim de despertar a atenção dos pais e professores para um aspecto da educação que não pode ser negligenciado. Quanto ao contexto eclesiástico, ela escreve em meio a uma campanha evangelística chamada “Avante, por Cristo” e aproveita a oportunidade para dizer que neste assunto também a Igreja tem de avançar. Ottília parte do princípio de que a criança não é um adulto em miniatura, conforme o que também já dissera no livro a arte de contar histórias, mas não a
562 CHAVES, Otilia de Oliveira. A educação religiosa no lar. p. 8.
563 CHAVES, Otilia de Oliveira. A educação religiosa no lar. p. 9 -10. Henry F. Cope (1870 -1923).
Livro publicado em 1915.
564
Id. Ibid. p. 46.
565 CHAVES, Ottília de Oliveira. A Criança e sua orientação na vida sexual. São Paulo: Junta Geral de
considera uma tábua rasa; pois, além de trazer consigo questões de sua própria natureza a criança também tem a capacidade de desenvolver-se segundo o ambiente em que está inserida. Contudo, a criança não deve ser pensada em partes, ela deve ser conduzida de maneira integral. Neste propósito Ottília propõe quatro perguntas: O que devemos ensinar? Quem deve ensinar? Como deve ensinar? Quando se deve ensinar?
Quanto à primeira questão: O que devemos ensinar? A autora diz que a educação sexual tem que seguir os trâmites naturais do processo educativo geral, ou seja, do simples ao complexo. Reporta-se às teorias de Freud, e critica os pais e professores por tratarem este assunto somente na adolescência, pois entende que, o propósito da educação é levar o indivíduo a pensar por conta própria, e ter independência intelectual, e assim o caminho do engano, da dissimulação e da intimidação por meio de preconceitos religiosos têm de ser condenado.
Em relação à próxima pergunta: Quem deve ensinar? Ela entende que esta árdua tarefa cabe em princípio a mãe, dizendo que a mãe tem de estar apta a responder as primeiras perguntas da criança em relação a este assunto, pois a curiosidade desperta a espontaneidade. E ainda, critica o trato de algumas mães em relação a este assunto, dizendo que a mãe que já foi vítima de uma educação errada foge da resposta e repreende a criança. Ottília entende que este assunto deve ter os desdobramentos na casa, na igreja e na escola.
Quanto à terceira questão: Como deve se ensinar? Segundo a autora este deve ser um ensino natural e espontâneo, em que a criança tenha acesso ao conhecimento de todas as partes do corpo e o seu devido funcionamento, mas sem preconceitos e com uma orientação adequada.
Quanto à quarta questão: Quando se deve ensinar? Quando a criança despertar a curiosidade sobre este assunto. Ottília entende que o que faz a questão sexual tão importante é o seu caráter social e encerra dizendo que: “Não façamos nós impuro aquilo que Deus purificou”.
Neste livro, Ottília coloca a educação sexual sob a responsabilidade prioritariamente da mãe, posteriormente do pai, da família em geral, da igreja e da escola. Mas por outro lado, ela trata de um assunto que em princípio não responde as demandas da igreja, e sim é considerado tabu, sendo uma das obras pioneiras em relação a este tema, pois se trata de uma obra publicada em 1956.
Ottília também é a autora de uma obra chamada A Realidade da Fé.566 Considerada por algumas pessoas como folheto, pois contém 32 páginas, incluindo fotos e anexos de depoimentos. A própria autora diz que o “folheto foi escrito para comemorar o primeiro aniversário de falecimento da heroína cuja experiência aqui se relata, Carmem Oliveira da Silva”.567 É uma homenagem póstuma a irmã de Ottília Chaves, que nasceu a 28 de fevereiro de 1918 e formou-se Bacharel em Ciências e Letras, em 1936. Casou-se com o pastor recém formado Juvenal Ernesto da Silva, que posteriormente foi chamado a servir como capelão na Itália, e durante este período Carmem manteve-se
forte e resoluta resolveu ‘remir o tempo’ preparando-se para enfrentar o futuro fosse ele bom ou mau. Resolveu terminar o curso Técnico em Contabilidade que havia começado no Granbery e interrompido pelas circunstâncias, matriculou-se no curso noturno e durante todo um ano, após fazer a criança dormir, ia para a aula. Antes de o capelão retornar da guerra, ela havia terminado o curso e recebido o seu diploma no fim do ano de 1944.568
Neste ínterim, Carmem preparava-se para sustentar a sua família caso não ocorresse o retorno do seu esposo. Ottília destaca que a irmã organizava programas na Igreja, especialmente para as sociedades de mulheres e a escola dominical, atuando também na área social. Em 1962 ela faleceu com câncer, e Ottília escreveu: “apenas 44 foram os seus anos, mas foram preciosos e cheios de ensinamentos que valem por uma longa existência.”569 Com a colaboração de Ottília podemos evidenciar mais uma mulher que pertence ao período proposto por esta pesquisa.
É importante ressaltar ainda que Ottília Chaves também traduziu os seguintes livros: O Cristo de todos os caminhos - estudo sobre o Pentecostes,570 do evangelista Stanley Jones, e O Pai nosso571, de Sante Umberto Barbieri, ambos respondendo as solicitações da Igreja Metodista.
566 CHAVES, Otilia de Oliveira. Realidade da fé. São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, 1964. 567 CHAVES, Otilia de Oliveira. Realidade da fé. p. 3.
568 Id. Ibid. p.13 569
Id. Ibid. p. 25.
570 JONES, E. Stanley. O Cristo de todos os caminhos: estudo sobre o Pentecostes. Tradução de Otilia de
Oliveira Chaves. São Paulo: Imprensa Metodista, 1952.
571 BARBIERI, Sante Umberto. O Pai nosso. São Paulo: Junta Geral de Educação Crista, 1944. Outras
informações sobre Barbieri, vide dissertação: CARDOSO, Luis de Souza. Sante Uberto Barbieri: Recorte
biográfico de um imigrante italiano no Brasil meridional e sua inserção no metodismo. São Bernardo do Campo, 2001. 206p. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião, UMESP.
Diante do que descrevemos anteriormente e tendo em vista o propósito desta pesquisa, podemos dizer que as mulheres têm que ser vistas na história, não somente como mães e esposas de homens célebres, mas como sujeitos dela e protagonistas em diversas situações. Contudo, no período em estudo, 1930 a 1970 encontramos nas obras destas escritoras apenas ‘pequenas faíscas’ de memórias de mulheres, exceto a história de Ottília Chaves amplamente escrita por ela mesma. Quanto à historiadora Eula Long ela escreve sobre muitas pessoas, mas não se detém na história das mulheres metodistas com mais tenacidade.