4. DEN KULTURELLE SKOLESEKKEN SOM LESESTIMULERINGSPROSJEKT
4.5 Biblioteket som pedagogisk samarbeidspartner
Construção: Monteiro, Wigderowitz & Monteiro LTDA. Fonte: REVISTA ACRÓPOLE, Agosto de 1954 n. 191, p. 495
A primeira vista a geometria da Oca (1953) aparenta ser bem simples, uma casca de concreto armado materializada a partir de um arco de circunferência. Entretanto, quando se observa os desenhos técnicos atentamente é possível perceber que a casca não é curvilínea quando toca o solo, pois se observa no corte, que a estrutura apresenta uma reta que é tangente ao arco de circunferência até atingir o solo. Esse pensamento geométrico está intimamente ligado ao construtivo e demonstra a conciliação entre a questão técnica e a estética, uma vez que essa solução estrutural se harmoniza com a plasticidade desejada pelo arquiteto. “No Ibirapuera, a cúpula do Pavilhão de Artes
surge do chão, enorme, disco-voador de concisão neoclássica, precursora das cúpulas do Congresso de Brasília.”
(COMAS, 2009, p.137-138).
O arquiteto Henrique Mindlin (2000) discute em seu livro os diferentes formatos das plantas dos pavimentos da Oca (1953) e destaca o forte constraste entre a forma simples externa e a variedade de geometrias interna. De fato, o
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formato em ferradura da rampa e o perímetro das lajes hexagonal e retangular contrastam com a simplicidade da cúpula.
Simone Neiva Gonçalves (2010) destaca que o programa de necessidades do projeto preliminar da Oca de 1952, destinava-se a construção de um planetário e um auditório (Figura 1.11). Nessa proposta inicial o edifício teria uma única abertura, uma porta de entrada sob uma marquise de concreto que daria uma volta no perímetro da Oca e a conectaria com o projeto não construído do Auditório. Segundo a autora, essa marquise foi excluida em razão de mudanças no programa de necessidades do edifício da Oca.
Estes [edifícios do conjunto do Ibirapuera] foram imaginados e distribuídos de modo a equilibrar- se, a originalidade plástica de uns compensando a massa maior, porém mais clássica de outros. (...). A grande cúpula, muito baixa em relação ao diâmetro, do Palácio das Artes, que mais tarde se tornou o Museu da Aviação, e do prisma triangular repousando numa das arestas que teria sido o auditório, este infelizmente não construído. De fato, as duas obras tinham sido concebidas como complemento uma da outra e deviam afirmar-se como as peças-chave do projeto. Os ângulos agudos e o aspecto aerodinâmico do segundo edifício ter-se-iam oposto de maneira surpreendente à calota esférica meio-enterrada, vazada na base por uma série de vigias redondas, do primeiro. A falta do contraponto inicialmente previsto levou a uma ruptura de equilíbrio eminentemente negativa. (...). Quando se examina as razões funcionais que puderam levar o arquiteto à escolha desses volumes puros – um, perfeitamente regular, o outro, desigual, mas também geométrico em essência –, percebe-se logo que elas por si só não justificam a adoção desse repertório plástico. A rigor, a explicação poderia parecer satisfatória para o auditório, cuja forma é indiscutivelmente muito racional, ainda que trazendo problemas técnicos complicados no estágio de realização, mas não o é de modo algum para o Palácio das Artes, onde a escolha foi inteiramente de ordem estética, o que deixa pressentir o novo estilo de Niemeyer (...). Mas até 1955 essa atitude continuou sendo uma exceção e as invenções formais elaboradas foram inspiradas, em seu conjunto, ao menos no começo, por considerações práticas”. (BRUAND, 2012, p.166)
Com a alteração do uso do edifício, a Oca (1953) passou a possuir janelas na casca e, segundo os desenhos expostos pela autora, houve algumas mudanças nas dimensões do diâmetro e da altura da casca. Na Figura 1.12 observa-se a construção das diversas sapatas do edifício e a montagem das armaduras para a concretagem da cúpula e das
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rampas.
Figura 1.11 – Desenhos técnicos do projeto preliminar da Oca (1952). Fonte: PAGLIA (1952) p. 10. Foto: Breno Veiga, 2015.
Gonçalves (2010) exalta a fluidez e a flexibilidade do espaço interno do edifício da Oca (1953) e faz um breve estudo da estrutura do edifício e da articulação entre os pavimentos, citando a parceiria com Joaquim Cardozo em todos os edifícios do Ibirapuera, com exeção da grande marquise, calculada pelo engenheiro Fernandes Paes de Silva, porém
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não apresenta um esboço das geometrias das lajes ou da casca de concreto.
Figura 1.12 – Fotos tiradas entre agosto e dezembro de 1953 durante a construção da Oca. Fonte: REVISTA ACRÓPOLE, Agosto de 1954 n. 191, p. 497.
Foram iniciadas no dia 2 de Abril do ano passado as obras do Palácio. Para sua construção foram gastas 1.200 toneladas de ferro e 8.500 m³ de concreto. As sapatas de fundação, em número de 78, foram estudadas para que a cúpula não sofresse o mínimo recalque. (...) A parte realmente extraordinária sob o ponto de vista de arquitetura, no Palácio de Exposições, é a cobertura ou cúpula propriamente dita – dizemos cúpula propriamente dita, porque o prédio em si já é uma grande cúpula, ocupando uma área circular com 76 metros de diâmetro na
57 base. Ela é o que de mais arrojado já se projetou. Vemos isso perfeitamente, se a compararmos com outras cúpulas até hoje construidas. (...) A cúpula do Palácio de Exposições foi feita em um cimbramento dos mais esmerados. Pesa 580 toneladas e tem duas cascas independentes, no meio das quais estão instalados os tubos de ar condicionado (REVISTA ACRÓPOLE, Agosto de 1954, n. 191, p. 494 – 495).
Figuras 1.13 e 1.14 - Foto interna e externa do prédio da Oca. Fonte: Breno Veiga, 2015.
Dudeque (2009) cita que entre todos os pavilhões a Oca possui a maior liberdade formal. O autor destaca o espaço interno, descreve a fluidez do espaço criada pelas rampas e compara as formas dos pavimentos internos com o formato da Marquise. Porém, não analisa a geometria da casca ou das lajes internas. Rosirene Mayer (2007) prõpoe um estudo da geometria do Palácio das Artes baseado na análise de retângulos áureos. A autora não chega a propor uma relação entre os diferentes diâmetros que compõem as lajes internas e a grande cobertura e não compara a arquitetura do edifício com outros projetos do Parque. “Não há exterioziração da estrutura. Cardozo e Niemeyer
reutilizam a mesma forma, completando-a internamente com uma “estrutura arbórea, independente da cúpula, o que representa uma inovação estrutural em relação aquela proposta para o ex-planetário. A mudança de programa
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proporcionara, sem dúvida, uma maior liberdade na concepção da espacialidade interna.” (GONÇALVES, 2010, p. 93).
A cúpula como forma autônoma, livre no espaço natural – lembrança da oca indígena brasileira – é outra tipologia que persistiu na obra de Niemeyer. É uma forma assumida da tradição histórica universal, mas dilatada na sua dimensão espacial interna. É a metáfora racional da perfeição, mas ao mesmo tempo da nitidez formal e do rigor contido no espaço concêntrico que exige a democracia. A primeira experiência desenvolvida no Pavilhão de exposições do Ibirapuera (1951), construída em concreto armado, foi contemporânea da cúpula metálica do Festival of Britain desenhada pelos arquitetos Powell & Moya; continuada nas cúpulas geodésicas de Buckminster Fuller, como a da Expo USA em Moscou (1959). (...) na OCA e no museu [de Arte de Brasília], o caráter estático da cúpula é dinamizado pelas formas livres das lajes interiores e as rampas de circulação. Estabelecendo-se assim um intenso diálogo entre razão e sentimento; entre rigor geométrico e liberdade plástica (SEGRE, 2009, p. 169 - 171)