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Biblioteket som rom for lesing

5. GI ROM FOR LESING!

5.7 Biblioteket som rom for lesing

O processo de projeto em arquitetura tem como característica a modificação e a revisão constante de cada elemento construtivo durante todas as fases do projeto (OXMAN; OXMAN, 1992). Todo projeto de arquitetura possui inúmeras variáveis e múltiplos parâmetros na definição de elementos construtivos constituintes do edifício. Projetos de edifícios requerem conhecimento do profissional para entender as relações, a sequência de execução e montagem no canteiro de obras, entre os componentes construtivos de um edifício. Nesse sentido, o processo de projeto depende, fundamentalmente, do entendimento das relações e das dependências entre os componentes da construção.

A partir da década de 1980 intensificou-se o uso de um novo tipo de modelagem: a paramétrica. Neste tipo de modelagem a definição da geometria de um elemento é definida por um conjunto de parâmetros, que, ao serem modificados, permitem alterar a forma desse elemento. Assim, a modelagem paramétrica (MP) se fundamenta na lógica das relações associativas e de dependências entre seus objetos e no relacionamento entre a parte com o todo. A alternância dos valores de parâmetros possibilita encontrar uma grande variedade de resultados (FLORIO, 2011).

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Na Era Digital, a MP é aquela que permite gerar diferentes ideias, desenhar e modificar os componentes de um edifício a partir de parâmetros, regras, funções, restrições e interdependências entre suas partes-componentes e/ou entre elementos construtivos (KOLAREVIC, 2013). A MP depende de algoritmos que definem como a geometria irá estabelecer relações e interdependências entre os vários componentes do modelo (FRAZER, 1995; SCHUMACHER, 2011; KOLAREVIC, 2013).

Segundo Woodbury (2010), a MP é dividida em três etapas: a primeira é a organização em sequência dos parâmetros e suas propriedades numéricas; a segunda é a propagação, como o conjunto de parâmetros e componentes são interpretados pela informação; e a terceira é a visualização da informação em dados volumétricos em três dimensões. Para Burry (2011), existem três palavras chaves na modelagem a partir de usos computacionais: a produção (a criação de um algoritmo), a experimentação (das diversas soluções de projeto criadas pelo manuseio dos diferentes parâmetros) e o descobrimento (a alternativa mais adequada, que alcança um resultado satisfatório para resolver um problema de projeto).

O uso de parâmetros para definir a geometria de elementos construtivos, no âmbito da construção civil, tem provado ser cada vez mais eficaz no processo de projeto. Uma modelagem desse tipo exige que essas porções sejam agrupadas em componentes constituídos por parâmetros, de modo a facilitar a manipulação de acordo com a necessidade do usuário (FLORIO, 2011).

O uso de linguagem “declarativa” exige do arquiteto um pensamento organizado, sequencial e lógico das atividades que serão resultantes do algoritmo criado. Na MP os procedimentos de criação do algoritmo precisam ser claros e declarados nos parâmetros criados. Inicialmente os resultados possíveis das combinações entre esses parâmetros e restrições não podem ser previstos. Consequentemente, isso permite que esse seja um processo realmente criativo (FLORIO, 2005).

78 Uma simples variação produz um design paramétrico onde algumas quantidades (dimensões, posições, números de elementos) são expressas como uma função matemática. (...) Design Paramétrico consiste em uma série de relações de interdependência, quando as variáveis- chave são alteradas pelo designer, as demais seguem a mesma mudança (MARK; GROSS; GOLDSCHMIDT, 2008, p. 171 – tradução do autor).

A criação por variação e por meio de técnicas generativas permite experimentar, comparar e selecionar novas famílias de formas complexas, balizadas por parâmetros. Os benefícios potenciais do projeto paramétrico foram aclamados quando simultaneamente se reconheceu que a complexidade e o tempo requeridos para as tarefas do projeto, que incorporam métodos paramétricos, aumentaram (AISH; WOODBURRY, 2005).

Como o objetivo da MP não é definir uma forma específica e sim as características mais marcantes de um elemento construtivo, o programador, seja o arquiteto ou não, deverá ser capaz de aplicar seus conhecimentos na definição das relações entre as geometrias das partes que compõem o elemento, assim como a flexibilidade para obter múltiplas e diferentes formas.

A modelagem de um objeto paramétrico envolve uma definição prévia de alguns elementos estruturantes do projeto que se inter-relacionam e que podem ser manipulados por meio da MP. Um projeto paramétrico envolve a criação de múltiplas soluções, derivadas de uma única fonte e criadas por meio da exploração de parâmetros (ROGERS, 2001). A MP proporciona visualização imediata das transformações ocorridas após cada alteração do valor das variáveis. Essa retroalimentação torna o processo ágil, com respostas que catalisam novas ideias, criando novas oportunidades para a manifestação da criatividade. Ao testar múltiplas alternativas e compará-las entre si, o usuário pode julgar e optar pela alternativa mais eficaz em cada caso. Essa possibilidade de experimentar e interagir rapidamente com a visualização tridimensional a partir de parâmetros preestabelecidos torna o processo de projeto mais dinâmico, proporcionando maior confiança na adoção de um determinado resultado (OXMAN; OXMAN, 1992; MONEDERO, 2000; HUDSON, 2010).

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A MP se tornou possível com o desenvolvimento de novas tecnologias e maneiras de representação. Softwares baseados na tecnologia NURBS, atrelados a plug-ins, que usam parâmetros numéricos para a concepção e estudo da forma, facilitam o estudo da geometria proposta. Com isso é possível investigar relações de escala, proporção, curvatura simples, curvatura dupla, simetria ou plasticidade, alterando os parâmetros que compõem a forma. Na modelagem paramétrica o estudo da geometria é realizado por meio de relações entre parâmetros que permitem variações geométricas. Consequentemente a alteração dos parâmetros gera um processo dinâmico que possibilita ao projetista investigar e propor novas relações espaciais.

Para Hudson (2010), o projeto paramétrico é um processo desenvolvido para a solução de um problema que envolve o uso de variáveis numéricas. Na MP não se procura apenas um resultado final, mas uma família de formas, um conjunto de alternativas para a seleção da mais adequada. Como será analisado nos capítulos 4 e 5, a MP permitiu a identificação da geometria dos projetos selecionados do arquiteto Oscar Niemeyer, e também a exploração de um conjunto de diferentes formas geradas a partir dos mesmos parâmetros.