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Part 2. Analysis

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Segundo Zuquette e Nakazawa (1998), a elaboração de cartas geotécnicas no Brasil se iniciou no Rio de Janeiro por volta de 1965. De lá para cá e principalmente nas últimas três décadas houve um grande avanço na cartografia geotécnica brasileira, com o desenvolvimento de inúmeros trabalhos e muitos procedimentos metodológicos, o que culminou no surgimento de centros produtores deste tipo de cartografia, tais como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, EESC-USP São Carlos, Instituto de Pesquisa

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Tecnológicas do Estado de São Paulo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, dentre outros, cada qual seguindo linhas metodológicas distintas, e que por sua vez geraram outros polos de produção (UnB, Instituto Geológico do Estado de São Paulo, Universidade Federal de Santa Catarina, etc.).

Com o desenvolvimento tecnológico, principalmente na área de informática, pelo surgimento da cartografia digital e dos sistemas de informações geográficas (SIG), nos últimos 15 anos tornou-se mais ágil e rápida a geração de mapas e cartas, ficando enormemente facilitados os processos de integração de dados e a atualização dos produtos cartográficos, à medida que novas informações são geradas ou adquiridas, assim como a reprodução das cartas e mapas em escalas diversas e a custos baixos. Para o embasamento teórico desta pesquisa uma das fontes de consulta de dados foi o Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil que é um projeto desenvolvido no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, criado a partir do ano de 1992, constituindo-se em uma base de dados que contém informações sobre os grupos de pesquisa em atividade no país.

O levantamento dos documentos técnicos referentes aos Grupos de Pesquisa do Brasil teve por objetivo avaliar as informações sobre grupos que desenvolvem pesquisas relacionadas aos temas “Cartografia Geotécnica, Suscetibilidades, Riscos Geológicos e Desastres, e Gestão de Risco”, com registro no CNPq, e localizados em universidades, instituições isoladas de ensino superior, institutos de pesquisa científica, institutos tecnológicos e laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de empresas estatais, seja no nível das instituições, seja no das sociedades científicas ou, ainda, no das várias instâncias de organização político-administrativa.

Foram localizados 105 grupos de pesquisa desenvolvendo trabalhos na temática selecionada, com a distribuição por estados e por regiões do Brasil, conforme ilustrado na Figura 2.1.

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Figura 2. 1 - Distribuição dos Grupos de Pesquisa por Estados Brasileiros. Fonte: CNPq.

Complementando o levantamento dos documentos técnicos foi feita a avaliação de um significativo número de trabalhos já publicados no país, além de referências internacionais de interesse, relacionadas aos temas gestão de risco, mapeamento de risco geológico, planos municipais de risco, cartografia geotécnica e geoambiental, entre outros.

O objetivo não foi esgotar a captura de informações sobre as temáticas previamente estabelecidas, mas abranger um significativo número de informações sobre elas, que pudessem servir de referenciais técnicos na construção deste trabalho.

Foram consultados os eventos científicos nacionais, livros, dissertações de mestrado, teses de doutoramento e artigos em periódicos, e foram selecionados mais de 200 trabalhos utilizados como fonte de dados. Dentre os trabalhos desenvolvidos no país pode-se citar Sobreira (1990), Paraguassu et al. (1991), Souza e Zuquette (1993), Rodrigues et al. (1993), Pinheiro e Dias (1995), Cerri et al. (1996), Zuquette e Pejon (1996), Brollo et al. (1996), Lollo (1998), Amaral e Lara (1998), Campos et al. (1999), Augusto Filho et al. (1999), Bachion e Rodrigues (1999), Parizzi et al. (2001), Diniz et al. (2001), Tominaga et al. (2002), Pons e Gonçalves (2004), Bacellar et al. (2002), Paula e Cerri (2004), Abreu (2007), Souza et al. (2007), Freitas e Campanha (2007), Bastos et al. (2007), Bressani, et al. (2008), Rodrigues e Filho (2008), Paula e Cerri

26 (2008), Xavier e Bastos (2010).

A profusão de trabalhos, geralmente produtos de pesquisas acadêmicas e quase sempre desenvolvendo, testando ou adaptando procedimentos metodológicos, possibilitou o mapeamento de um considerável número de cidades e regiões (entendendo estas como localidades isoladas, bairros, unidades administrativas, bacias hidrográficas, etc.). Estes trabalhos geralmente estão vinculados aos termos cartografia geotécnica ou cartografia geoambiental, mas não há um consenso geral entre pesquisadores e profissionais da área sobre as definições destes termos, que muitas vezes acabam sendo utilizados inapropriadamente.

Por outro lado, a diversidade de objetivos e metodologias trouxe consigo um também sem número de termos e produtos, uns mais comuns tais como suscetibilidade, risco, aptidão, com seus respectivos mapas e cartas, outros menos frequentes, como fragilidade, vulnerabilidade, sensibilidade, predisponência, restrições, etc., além da grande variabilidade das escalas de mapeamento, consequência da limitação dos produtos cartográficos básicos existentes em cada local, que muitas vezes são determinantes dos procedimentos de análise e integração de dados. Estes mapas e cartas geotécnicas e geoambientais enfocam uma gama variada de usos do meio físico, tais como uso urbano (áreas não ocupadas, áreas ocupadas, áreas com ausência ou deficiência de infraestrutura e áreas com infraestrutura instalada), implantação de obras civis (rodovias, linhas de transmissão, dutovias, barragens e reservatórios, canais, hidrovias, obras marítimas etc.), uso agrícola e exploração de recursos minerais, e abordam estudos diversos sobre processos geodinâmicos (movimentos em encostas, erosão, inundação, subsidências, etc.), porém, não existe um padrão comum ou normatização dos conceitos e dos procedimentos executados na realização destes, assim como das escalas de trabalho e apresentação final.

No entanto, no atual estágio de desenvolvimento da cartografia geotécnica no Brasil, reconhece-se a dificuldade, ou mesmo a impossibilidade desta padronização, por diversos motivos, cuja análise foge do escopo desta pesquisa. É extremamente meritosa a busca de solução para questões como dimensão das áreas de mapeamento, diferenças e limitações de escalas das informações a serem integradas, disponibilidades de recursos e de informações básicas e tempo para execução dos trabalhos, mas, neste contexto,

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muitas vezes conceitos são confundidos ou utilizados incorretamente, fontes cartográficas básicas (topografia e suas derivações, geomorfologia, geologia, pedologia, uso e ocupação, etc.) com escalas muitos distintas, por diversas vezes incompatíveis, são integradas indiscriminadamente e os produtos gerados trazem informações aquém ou além do tecnicamente possível. Estes problemas são de difícil resolução, mas espera- se que com a evolução do estado da arte da cartografia geotécnica e geoambiental no país e as melhorias na geração de dados básicos, cartográficos ou não, caminhe-se para um ponto de concordância em um futuro próximo.

Desta forma, este estudo enfatiza a cartografia geotécnica enfocando o planejamento urbano e rural, tanto para as porções territoriais ainda não ocupadas e sem infraestrutura instalada (análise das suscetibilidades), quanto para os locais já ocupados com infraestrutura urbana parcial ou total (análises das aptidão a urbanização e risco), correlacionando os processos geodinâmicos passíveis de serem deflagrados naturalmente, ou por ação/intervenção antrópica, e as características do meio ambiente físico, biótico e antrópico a ser ocupado.