Chapter 3 – Innovative Environmental Communication and Environmental Psychology
3.4 Beyond knowledge: psychological components of behavioral change
A rádio Educadora AM (560 Khz) pertence à Igreja Católica. Segundo o histórico disponibilizado no site da emissora, a primeira transmissão ocorreu em 12 de junho de 1966, “com o sonho de levar a cultura popular e a educação de forma mais rápida às mais distantes localidades do Maranhão, principalmente à zona rural”7. A rádio não estava atrelada a
nenhum grupo político-midiático ou partidário. Nos anos 1990, foi pioneira na veiculação dos programas jornalísticos com a participação dos ouvintes, sendo o programa “Roda Viva” a principal referência. Nesse período, a Educadora tinha programas identificados com as pastorais sociais influenciadas pela chamada ala progressista católica, que seguia orientação da Teologia da Libertação.
A programação esportiva e o jornalismo alavancaram a audiência da emissora. Em 1999, a Educadora AM notabilizou-se pela transmissão ao vivo das sessões integrais das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do Crime Organizado e do Narcotráfico,
realizadas na Assembleia Legislativa, repercutindo as investigações que resultaram em prisões de políticos, empresários e delegados do Maranhão. A cobertura das CPIs rendeu à Educadora AM uma das maiores audiências no rádio do Maranhão.
A partir de 2014 houve uma redução dos programas jornalísticos e ampliação da temática religiosa. A emissora integra a RCR (Rede Católica de Rádio) e tem diversos programas locais de cunho católico: oração de terços e rosários, transmissão de missa e retransmissão de programas da RCR ancorados pelos padres Marcelo Rossi e Reginaldo Manzotti. Os programas com a participação dos ouvintes, de segunda-feira a sexta-feira, eram: 08h00 às 10h00: “Roda Viva”; e 16h00 às 17h30: “Conexão 560”.
A rádio Mirante AM (600 Khz) integra o Sistema Mirante de Comunicação, de propriedade da família liderada por José Sarney, ex-governador do Maranhão, ex-presidente da República (1985-1990) e do Senado. A primeira transmissão ocorreu em 10 de maio de 1988, segundo informações no site da emissora:
Naquele período, a música era o forte da programação, feita com os hits mais marcantes da época. Com o passar dos anos, o ouvinte tornou-se mais exigente e a Mirante AM passa então a adotar uma programação diversificada com muito mais informação, prestação de serviços, esporte, música e interatividade8
O site acrescenta que a programação é retransmitida pela Rede Mirante SAT de Rádios, através de 20 emissoras filiadas e chega a abranger 200 cidades do total de 217 municípios do Maranhão. A emissora tem a maior infraestrutura, equipe técnica, quadro de profissionais e audiência. Nos anos 1990, o “Primeira Edição”, apresentado por Geraldo Castro, inaugurou nessa emissora a programação jornalística com a participação dos ouvintes. O Sistema Mirante de Comunicação é a maior organização midiática do Maranhão. Os principais meios são a TV Mirante, afiliada à Rede Globo; o jornal O Estado do Maranhão; o portal imirante.com; as rádios Mirante AM e Mirante FM (96,1 Mhz). Todos são sediados em São Luís, mas o Sistema Mirante tem outras emissoras de rádio e retransmissoras de TV em diversos municípios maranhenses (COUTO, 2009).
Em 1995, a rádio Mirante AM adotou o padrão all news da CBN9. Nesse período, extinguiu-se a participação dos ouvintes, visto que o padrão all news é um formato
8 http://imirante.com/miranteam/quem-somos/
9 A CBN (Central Brasileira de Notícias) pertence ao Sistema Globo de Rádio. É uma rede formada por várias emissoras no país.
jornalístico totalmente voltado para a veiculação de notícias e reportagens. Com o bordão “a rádio que toca notícias”, inspirado no padrão nacional da CBN, a Mirante AM cessou temporariamente a participação da audiência.
Durante o período em que a família José Sarney esteve no Governo do Maranhão, o Sistema Mirante de Comunicação (SMC) foi o principal braço midiático da engenharia política de dominação local, misturando a administração pública com os negócios privados. Na condição de governadora por quatro mandatos (1995-1998, 1999-2002, 2009-2010 e 2011-2014), Roseana Sarney privilegiou as empresas familiares na distribuição das verbas publicitárias para veiculação de propaganda governamental10, concentradas no SMC, presidido pelo irmão dela, Fernando Sarney, e sua esposa Teresa Murad Sarney. Os estudos de Douglas (2011) e Couto (2009) dissecam as relações entre mídia, controle social, poder econômico e oligarquia no Maranhão.
Os programas jornalísticos com a participação dos ouvintes, de segunda-feira a sexta-feira, eram: 05h00 às 07h30: “Acorda Maranhão”; 08h00 às 11h00: “Ponto Final”11; 14h00 às 17h00: “Abrindo o Verbo”; 17h00 às 19h: “Panorama”. Aos domingos, de 09h00 às 12h00: Domingo Mirante.
A rádio Difusora AM (680 Khz), terceira emissora AM instalada em São Luís, foi inaugurada em 29 de outubro de 1955, de propriedade do fazendeiro Raimundo Bacelar, ex- diretor da Timbira12. Por ser uma das primeiras emissoras do Maranhão, a Difusora AM sempre teve programação jornalística e musical, além de grande audiência, cumprindo um papel importante na conexão entre os ouvintes de São Luís e dos municípios do continente. Desde o seu batismo e ainda hoje tem como principal bordão publicitário o codinome “a poderosa!” A rádio AM faz parte do Sistema Difusora de Comunicação (SDC), formado também pela TV Difusora, rádio Difusora FM, portal idifusora.com, além de outros meios eletrônicos em diversas cidades maranhenses sob o domínio do senador Edison Lobão (PMDB), ex-ministro das Minas e Energia no governo Dilma Roussef (2011-1014) e ex- governador do Maranhão (1991-1994).
10 Disponível em: http://www.brasil247.com/pt/247/maranhao247/182411/Sem-dinheiro-do-governo-Sistema- Mirante-amarga-problemas-financeiros.htm. Acesso: em 15 de dezembro de 2015
11 Aos sábados o programa “Ponto Final” era transmitido das 08h00 às 10h00.
As empresas do SDC são presididas por Edinho Lobão, suplente do próprio pai, Edison Lobão, no Senado. Edinho foi candidato a governador do Maranhão pelo PMDB, em 2014, mas perdeu a eleição para Flávio Dino (PCdoB). A família Lobão foi um importante tentáculo político durante o domínio de José Sarney, patrono dos principais cargos exercidos por Edison Lobão, tais como o de governador do Maranhão e o de ministro das Minas e Energia (2008-2010 e 2011-2014).
A emissora notabilizou-se no cenário radiofônico maranhense em 1971, quando veiculou uma adaptação do programa “A guerra dos mundos”, de Orson Welles. À época, diante do impacto causado na cidade, a rádio teve os transmissores lacrados por três dias. Segundo os idealizadores da versão maranhense de Welles, o programa foi ao ar por dois motivos principais: o aniversário da Difusora AM e um teste informal para mensurar a força do rádio em São Luís, no início da década de 1970, quando a televisão começava a tomar a audiência do meio radiofônico (ARAUJO, 2003).
Nos últimos 20 anos a emissora passou por significativas mudanças na grade de programação, chegando a ser totalmente arrendada pela Igreja Universal do Reino de Deus, no período de 1997 a 2011, quando os programas musicais e jornalísticos foram extintos e, consequentemente, a audiência ficou muda. A rádio só voltou a ter programas jornalísticos em 2013, na aproximação das eleições de 2014. Durante o período eleitoral, quando Edinho Lobão foi candidato a governador, a forma de participação nos programas jornalísticos sofreu restrições. Em vez das entradas ao vivo por telefone, os ouvintes eram interceptados por uma central de atendimento na emissora que solicitava o nome completo da pessoa que pretendia falar, o endereço e o assunto que seria tratado no programa. Após fornecerem esses dados, os ouvintes eram informados de que os pedidos de participação seriam analisados pela produção e posteriormente a emissora poderia entrar em contato para colocá-los no ar e participar da programação. Após o resultado das eleições, em 5 outubro de 2014, confirmada a derrota de Edinho Lobão logo no primeiro turno, a Difusora AM foi tirada do ar, em outubro de 2014, com previsão de retorno em 14 dias, segundo a direção da empresa, para fazer serviços de manutenção, conforme nota publicada no portal idifusora.com e no perfil da emissora em uma rede social13.
Todavia, a emissora só voltou a funcionar em fevereiro de 2015, com uma novidade: a transmissão das sessões da Câmara dos Vereadores de São Luís, dentro do programa “Câmara em Destaque”, de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 13h, ancorado por três apresentadores e um repórter fazendo a cobertura do plenário. O programa acrescentava entrevistas com os vereadores, às sextas-feiras, após o encerramento da sessão. Os ouvintes podiam participar durante toda a semana, sem as solicitações de nome, endereço e tema a ser tratado pelos pretensos participantes, como era feito no período eleitoral descrito anteriormente. No site do SDC14, a notícia sobre o programa “Câmara em Destaque” evidenciou a transparência:
As sessões da Câmara de Vereadores de São Luís estão sendo transmitidas ao vivo pela Rádio Difusora AM 680 kHz. O trabalho começou a ser feito desde ontem (02) entre as 10 e 13 horas de segunda-feira à sexta-feira. "Com a transmissão ao vivo das sessões, o cidadão agora tem como acompanhar diretamente o que cada representante de São Luís faz em seu mandato”, afirmou Astro de Ogum, presidente da Casa. A transmissão é feita em parceria com o Poder Legislativo e, segundo Ogum, a iniciativa tem por finalidade deixar mais transparente o trabalho dos vereadores.
Embora o programa “Câmara em Destaque” tenha sido classificado como iniciativa de acompanhamento dos mandatos parlamentares, o valor pago pela Câmara dos Vereadores à rádio Difusora AM nunca foi revelado, gerando questionamentos sobre a existência de um contrato entre as partes, o valor e a forma de pagamento. Segundo o presidente Astro de Ogum, conforme a citação acima, a transmissão é fruto de uma “parceria com o Poder Legislativo”. Uma das cobranças sobre o valor da transmissão do programa foi feita no blog do jornalista Jeisael Marx15, observando que o contrato estaria sob o interesse de investigação do Ministério Público. Os programas jornalísticos com a participação dos ouvintes, de segunda-feira a sexta-feira, eram: 07h00 às 08h00: “Repórter Difusora”16; 08h00 às 10h00: “Manhã Difusora”. Aos sábados: 08h00 às 10h00: “Espaço Público”. Aos domingos: 09h00 às 12h00: “Hora Extra”.
A rádio Capital (1180 Khz) é controlada pelo senador Roberto Rocha (PSB), herdeiro do ex-governador do Maranhão Luiz Alves Coelho Rocha (1983-1986), eleito com o apoio de José Sarney. A Capital é o segundo batismo da rádio Ribamar AM, fundada em 13
14 Disponível em: //www.idifusora.com.br/2015/02/03/radio-am-transmite-sessao-da-camara-de-sao-luis/. Acesso em: 28 de julho 2015.
15 Disponível em: http://www.jeisael.com/promotor-esta-de-olho-em-contrato-da-camara-de-sao-luis-com-a- difusora-am/. Acesso em: 27 de setembro de 2015.
16 O programa Repórter Difusora é veiculado simultaneamente nas rádios AM e FM do Sistema Difusora de Comunicação, das 07h00 às 08h00. Na FM o mesmo programa estende-se até 09h00.
de junho de 1947 pelo comerciante Gerson Tavares e o jornalista Ribamar Pinheiro, ex-diretor da rádio Timbira AM. Segundo informações disponibilizadas no site da emissora, a rádio Ribamar “foi vendida no fim dos anos 70 para Raimundo Vieira da Silva. Em 1995, após assumir o controle da emissora, Luiz Rocha, que já era sócio de Vieira da Silva desde 1985, muda o nome da emissora para rádio Capital”17.
Além da rádio Capital AM, a família Rocha é proprietária da rádio Paranoá AM, em Presidente Dutra (MA); Capital do Maranhão, em Pindaré-Mirim (MA); acionista em 50% da TV Cidade e detentora da autorização para o funcionamento de uma rádio comunitária em São Luís. Possui ainda retransmissoras de rádio nos municípios de Vitória do Mearim, Carolina e Tuntum e de televisão em Balsas (TV Açucena) e Bacabal (TV Nova Esperança)18. Na vida político-partidária, o senador Roberto Rocha tem dois parentes com cargos eletivos: o prefeito de Balsas, Luiz Rocha Filho; e o vereador de São Luís, Roberto Rocha Junior.
No dia 22 de setembro de 2015 a emissora ficou fora do ar, sem informar os motivos aos ouvintes e anunciantes. Nos bastidores do meio radiofônico e jornalístico corria a versão de que havia um débito da emissora junto à Companhia Energética do Maranhão (CEMAR). A rádio só voltou a funcionar no dia 10 de novembro de 2015, retomando a programação normal. Em 1º de fevereiro de 2016 os programas jornalísticos foram suspensos, a emissora tocava apenas música e foi tirada do ar no dia 5 de fevereiro, sem informar os ouvintes e anunciantes os motivos do desligamento. A emissora voltou a funcionar novamente em 12 de fevereiro, somente com música, sem locução. Nesses episódios de 2016, segundo noticiado no blog Diego Emir19, os funcionários da emissora estariam em greve, motivados pelo atraso no pagamento dos salários desde novembro de 2015, incluindo o décimo terceiro, depósito do FGTS e recolhimento de contribuição previdenciária, motivando uma representação dos empregados junto ao Ministério Público do Trabalho contra a direção da rádio Capital AM por não cumprimento das obrigações trabalhistas. A gerente da emissora é Amanda Rocha, filha do senador Roberto Rocha (PSB). Na segunda quinzena de fevereiro de 2016 a programação jornalística retornou parcialmente, com a participação dos ouvintes, sendo que em alguns horários a emissora manteve apenas música, sem locução.
17 Disponível em: http://radio.capital1180.com.br/index.php. Acesso em: 10 de dezembro de 2015 18 Disponível em: http://donosdamidia.com.br/pessoa/15746. Acesso em: 18 de agosto de 2015
19 Disponível em: http://diegoemir.com/index.php/2016/02/radio-capital-am-e-denunciada-no-ministerio- publico-do-trabalho/. Acesso em: 15 de fevereiro de 2016.
As constantes oscilações no funcionamento e na programação da emissora respingaram em comentários no meio político sobre as pretensões do senador de ser candidato ao governo do Maranhão, em 2018, conforme ele próprio indicou em uma entrevista ao jornal O Imparcial20. Os adversários desse projeto interpelavam Roberto Rocha, criticando a gestão da sua família na Capital AM: se o senador não consegue gerenciar uma rádio, como iria administrar o Governo do Maranhão?
Quando a emissora funcionava regularmente, os programas jornalísticos com a participação dos ouvintes, de segunda-feira a sexta-feira, eram: 06h30 às 07h30: “Palavra Capital”; 08h00 às 10h00: “Balanço Informativo”; 10h00 às 12h00: “Bastidores da Capital”; 14h30 às 15h00: “Alerta Capital”; 17h30 às 19h00: “Notícias da Capital”. Aos domingos, de 09h00 às 11h00: “Panorama da Capital”.
A rádio Timbira (1290 Khz) é a mais antiga emissora do Maranhão. Fundada em 15 de julho de 1941, transmitia em ondas curtas, alcançando a capital São Luís e o interior. À época, o Maranhão era governado pelo interventor Paulo Ramos, nomeado pelo presidente Getúlio Vargas, durante o Estado Novo. Segundo informações disponibilizadas no site21 da emissora, seu primeiro batismo foi rádio Difusora:
Em 1944, os Diários Associados assinaram contrato de comodato com o governo do Estado e rebatizou a emissora com seu nome definitivo. A justificativa para essa mudança é que todas as emissoras, pertencentes à cadeia de associados, rádios, jornais e TV como: Tupi, Tamoio, Baré, Timbira, Tabajara etc., recebiam o nome de grupos indígenas, que historicamente houvessem habitado as regiões onde se localizavam as emissoras. A partir daí, a PRJ-9 passou a ser chamada de Rádio Timbira, devido os povos indígenas que habitavam o país.
Durante o período de 1958 a 1963 a emissora não funcionou, devido à falta de investimentos do governo. Nos anos 80, houve a transferência de endereço, somada a uma drástica redução de recursos para a manutenção. Em 3 de outubro de 1995 a governadora Roseana Sarney enviou a mensagem (nº 49/95) à Assembleia Legislativa oficializando a extinção da rádio Timbira AM. A ideia do governo, expressa no projeto de lei, era privatizar a emissora, mas isso não pôde ser feito. De acordo com o texto da mensagem, a emissora foi excluída do programa de privatização devido ao impedimento para licitar a concessão do canal, conforme determinava a legislação federal e o Ministério das Comunicações.
20 Disponível em: http://www.oimparcial.com.br/_conteudo/2016/02/ultimas_noticias/politica/186568-senador- roberto-rocha-analisa-o-panorama-politico-local-e-nacional.html. Acesso em: 8 de fevereiro de 2016.
Única rádio pública entre as AM sediadas em São Luís, a Timbira teve momentos de glória, decadência e uso político pelos governadores. Dois episódios marcantes e necessários de registro confirmam essas circunstâncias. Na disputa eleitoral de 2006, liderando uma coligação muito heterogênea, Jackson Lago (PDT) elegeu-se governador, derrotando Roseana Sarney (PMDB). Os primeiros anos do governo Lago foram marcados por uma forte oposição e fiscalização da oligarquia liderada por José Sarney, utilizando todo o aparato político e midiático do Sistema Mirante de Comunicação contra Lago. O radialista Gilberto Lima, destacado ativista midiático durante a campanha eleitoral, foi nomeado para dirigir a Timbira, onde também apresentava um programa e contrapunha os ataques ao governador.
Porém, Gilberto Lima queixava-se da falta de apoio da Secretaria de Estado da Comunicação (SECOM). O diretor da Timbira reclamava que o governo, sob ataque cerrado da mídia sarneísta, deveria investir na rádio pública e não alimentar o SMC com as verbas publicitárias. As críticas do diretor da Timbira, antes feitas nos bastidores, passaram a ser locutadas ao vivo, chegando a citar diretamente o nome do governador Jackson Lago, alertando-o para a condição de abandono da rádio e reivindicando melhorias.
No dia 28 de abril de 2008, em um dos programas, Gilberto Lima reiterava as críticas à postura da SECOM em desprezar a Timbira AM, enquanto engordava os cofres do SMC com as verbas publicitárias. Ato contínuo, o governador telefonou para a rádio e anunciou a demissão do diretor. Pego de surpresa com a determinação de deixar o cargo, Gilberto Lima permaneceu no prédio da rádio. O governador Jackson Lago ordenou que a Polícia Militar fechasse a emissora e retirasse o diretor das instalações. Lima ainda resistiu, mas a ordem foi cumprida. O episódio demarcou um caso raro em que a rádio pública foi fechada por determinação do próprio governador. Em 29 de abril de 2008 o diretor demitido Gilberto Lima gravou um vídeo de despedida da emissora, postado no seu próprio blog22, no qual fazia um balanço da sua gestão na Timbira AM.
As denúncias contra Jackson Lago, amplamente divulgadas no SMC, foram fundamentais para desgastar a imagem do governador, cassado em 2009 no Supremo Tribunal Federal (STF). Roseana Sarney, a segunda colocada na eleição de 2006, assumia pela terceira vez o Governo do Maranhão. Logo no início a sua gestão, Roseana mandou transferir a rádio de local. Antes sediada no bairro de Fátima, mudou-se para o Palácio dos Leões, sede do
22 Disponível em: http://gilbertolimajornalista.blogspot.com.br/2014/12/radio-timbira-necessidade-de.html. Acesso em: 27 de setembro de 2015.
governo. Outra providência da governadora foi a exclusão de todas as formas de participação dos ouvintes na programação da rádio. O jornalismo foi dominado pela versão oficial e a programação musical totalmente voltada para a veiculação dos cantores e compositores maranhenses.
Depois de cumprir o restante do mandato, obtido com a cassação de Jackson Lago, Roseana Sarney foi eleita em 2010 e pela quarta vez governou o Maranhão. Em 2014 o candidato das oposições, Flávio Dino (PCdoB), ganhou a eleição. Logo nos primeiros meses de gestão, ele determinou a revitalização da rádio Timbira AM, que ganhou uma nova grade de programação e retomou a participação dos ouvintes.
Os programas jornalísticos com a participação dos ouvintes, de segunda-feira a sexta-feira, eram: 06h às 08h00: “Primeira Hora”; 08h00 às 11h00: “A Voz da Manhã”; 11h00 às 12h00: “Timbira Debate”; 14h00 às 17h00: “Comunidade Interativa”; 21h00 a 00h00: “Comando na Noite”.
Pertencente ao grupo empresarial Zildêni Falcão, a Rádio São Luís AM tem os seguintes dados históricos, registrados no site da emissora:
Fundada em 29 de Junho de 1981, a Rádio TV do Maranhão Ltda, inicialmente com a Rádio São Luís AM, emissora adquirida dos Diários Associados, nasce com o propósito de entreter, prestar serviços, informar os ouvintes, e colaborar com as instituições23.
A rádio São Luís AM é filiada à Rede Jovem Pan Sat e retransmite vários programas jornalísticos e esportivos da emissora paulista. O grupo Zildêni Falcão é proprietário também da TV São Luís, afiliada à Rede TV, e da principal distribuidora de revistas do Maranhão, a Distribuidora Maranhão/Piauí. Zildeni Falcão nunca foi candidato a cargo eletivo e não tem ligações explícitas e orgânicas com os núcleos de poder que disputam as estruturas da administração na Prefeitura de São Luís e no Governo do Maranhão, embora a emissora veicule propaganda de ambos os poderes – municipal e estadual.
Em 24 de maio de 1996 a emissora foi alvo de uma ação violenta24. Dois homens armados e encapuzados mataram a tiros o segurança José Nascimento Carvalho e feriram o operador de áudio, José Ederaldo Menezes, que ficou paraplégico. Segundo a investigação da
23 Disponível em: http://www.grupozildenifalcao.com.br/o-grupo-zildeni-falcao/conheca-o-grupo-gzf.html. Acesso em: 10 de outubro de 2015.
24 Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/5/25/cotidiano/29.html. Acesso em: 13 de novembro