O processo de ocupação do território maranguapense se deu a partir das explorações holandesas em territórios cearenses em meados do século XVII influenciadas, sobretudo, pela sua localização estratégica próxima ao litoral e proximidade com o estado do Maranhão (grande produtor de cana-de-açúcar, na época), bem como a exploração do sal, objetivando o abastecimento do comércio holandês, porém esta primeira investida não obteve sucesso na sua realização por conta da resistência dos índios locais (MARQUES, 2006; MACÊDO, 2009).
Em 1649, o grupo liderado por Matias Beck, a serviço da Companhia das Índias Ocidentais, aporta em terras maranguapenses, com o objetivo de explorar minas de prata e talvez ouro, incentivados pelos relatos de Martins Soares Moreno, em janeiro de 1612, da existência de minas de prata ao norte da serra de Maranguape no monte Itarema e por relatos de Jan Baptist Syens, em 1600, porém devido ao pequeno potencial produtivo das minas de prata, que não justificavam os custos de exploração, a atividade acabou por ser abandonada.
Desta forma, a ocupação do território de Maranguape só tornar-se-ia efetiva com a concessão de terras a Joaquim Lopes de Abreu pela coroa Portuguesa, “... a começar da ponta da Serra de Gereraú, e seguindo riacho acima, com uma légua de largura, e, mais as terras devolutas entre a Serra da Tabatinga (testadas de Manuel Lopes de Abreu Lage) e a de Maranguape” (MARQUES, op. cit., p.8). Iniciando a ocupação do setor sul do povoado, nas proximidades da serra e seguindo em direção às áreas correspondentes aos atuais distritos do Município de Maranguape, através da concessão de sesmarias a Antônio de Castro Viana em abril de 1790, José Gonçalves Ferreira Ramos em julho de 1790, Capitão Felipe Lourenço em setembro de 1790 e ao Padre José Rodrigues Pereira em dezembro de 1790. Em 1806 é concedido a Joaquim Lopes de Abreu, mais três léguas de terras, por João Carlos Augusto de Oeynhausen, Governador da Capitania do Siará (MARQUES, op. cit.).
A produção do café impulsionou a economia local e em 1846, começa a ganhar destaque internacional, passando também a ser consumido na Europa, refletindo um período de grande crescimento econômico. Em 1849, é elevada à categoria de Matriz, a capela Maranguape, através do decreto nº 485 do mesmo ano, formada pela antiga freguesia de Messejana. Todas essas condições somadas concorreram à elevação do povoado de Maranguape à condição de Vila, reconhecida através do Decreto 553, de 17 de novembro de
18511, ocupando uma área de 1.415km² quadrados, sendo a 22ª povoação a ganhar a condição de Vila.
A prosperidade econômica maranguapense, segundo Leitão citado Macêdo (2009), é visível mesmo antes de esta ter adquirido o status de cidade, expressa, seja em sua arquitetura seja na produção. Marques (2006) cita trecho do ofício, no qual o presidente da Câmara de Maranguape relata ao Presidente da Província os resultados satisfatórios do município no ano de 1861, segundo ele, Maranguape, contava com
40 engenhos, que produziam 30 mil arrobas de açúcar e 45 mil canada de aguardente; 110 sítios de café, que produziam 62 mil arrobas, 9 mil arrobas de algodão em pluma; exporta 6 mil arrobas de farinha de mandioca, outro tanto de legumes e mais 3,700 cargas de frutas (p.27).
A produção açucareira cearense jamais alcançou a grandiosa importância econômica do açúcar pernambucano, encontrando outros empregos, com a fabricação da aguardente, como a Ypióca produto que viria a ganhar destaque e importância regional e mais recentemente, ganhando o mercando internacional, iniciada pelo português Dário Telles de Menezes. A pecuária é também outra atividade que merece destaque no município, mesmo que este não contasse com grande rebanho, através da realização de feiras agropecuárias sempre as quintas-feiras (assim definida por Decreto Provincial de 24 de abril de 1861), para não prejudicar as demais feiras nas localidades próximas, que aconteciam aos sábados e domingos.
A riqueza do município à época é expressa, na arquitetura e estruturas do centro urbano do município, sendo relatado por Senador Pompeu, em seu “Ensaio Estatístico”, como “um grande e rico povoado de 400 casas de telhas e alguns sobrados; e bastante comercial e
1Art. 1.º - Fica elevada à categoria de Vila a povoação de Maranguape; com a mesmo (sic) denominação. Art.
2.º - A povoação só será erecta em Vila depois que for edificada uma Casa de Câmara, cuja planta deve ser aprovada pelo Presidente da Província. – Art. 3.º - Os limites da Vila criada por esta lei são os seguintes: ao lado do nascente do Siqueira, no lugar onde extrema a freguesia com a desta cidade, seguindo rumo direto à lagoa do Gereraú e dai em rumo a encontrar o termo da freguesia da Vila de Aquiraz, sendo os mais limites os mesmos da freguesia. – Art. 4º - Haverá em dita Vila só um tabelião público, judicial e notas, que será igualmente escrivão do crime, cível e órfãos. – Art. 5.º - revogam-se as disposições em contrário. – Joaquim de Almeida Rego – Presidente da Província do Ceará (MARQUES, op. cit., p. 19).
nele se faz uma feira de gado, que do sertão desce para o consumo da capital, donde dista 3 léguas e meia por uma boa estrada” (MARQUES, op. cit. p. 30).
Muito embora, a economia municipal tivesse grande diversidade, foi o café, até meados dos anos 1920 o grande impulsionador da economia local. Datam deste período grandes transformações urbanas, como a construção do ramal da estrada de ferro de Baturité que ligava ao distrito de Maracanaú, em Maranguape, à Fortaleza, com uma extensão de 22,64 km, inaugurada em 1875, a instalação da Agência de Correios e Telégrafos, em 1887, primeira cidade do estado a ter água encanada, captada a 400 metros de altitude na serra, em 1909, arborização das ruas e iluminação pública a acetileno, ambas em 1910. A cidade ainda guarda no seu traçado arquitetônico, o “glamour” da elite cafeeira outrora existente, exemplificadas no Solar da família Sombra e o casario com azulejos portugueses da Rua Major Agostinho.
Figura 7 - Estação Ferroviária de Maranguape
Fonte: Facebook/ Maranguape Fotos, 2013.
Para Pires (1911) citado por Marques (2006, p. 123)
Maranguape é uma das cidades maiores e mais povoadas do Ceará, com boas casas de vivenda, ruas alinhadas, algumas com empedramento. Tem uma plausível avenida, bem espaçosa e com bom passeio e um elegante e bem acabado coreto para música, o botequim todo iluminado a acetileno, e que se constitui a delícia do povo maranguapense. Tem as praças da Matriz, Estação, Barão de Aquiraz, Tiradentes, Voluntários da Pátria, Cel. Joaquim Manoel e Cel. Sombra. Possui
doze ruas bem alinhadas, dentre as quais, as principais são as da Major Agostinho, 20 de maio, Dr. Pedro Borges, Dom Joaquim, do Comércio, D. Júlio Tontti e Travessa Cel. Moura e Pirapora. Possui uma população de aproximadamente 10 mil habitantes. Há um mercado público, situado exatamente no centro da cidade e onde está localizado quase todo o comércio. É colocado entre as praças Tiradentes e Barão de Aquiraz, regularmente instalado máxime atualmente com a última reforma que passou. Os talhes para corte de carne são de mármore, e em todos eles há água canalizada para o asseio, que se faz diariamente. Estes talhos são colocados em um vasto compartimento soalhado a mosaico. Por tudo isso, o mercado é considerado justamente como um dos melhores do estado. Há um matadouro, no bairro da Outra Banda, mas exigindo uma completa reforma. [...] Maranguape é uma cidade bastante comercial, pela exportação de maniçoba, açúcar, café, aguardente, algodão, legumes e frutas. O comércio de importação é feito diretamente de quase todas as capitais do Brasil, e às vezes, até mesmo de praças estrangeiras.
Com o declínio do café, outras atividades econômicas ganham destaque no cenário local, transformando Maranguape em um grande produtor de Cana-de-açúcar, algodão e gado leiteiro, marcando assim, o início do processo de interiorização da economia municipal. Já em 1949, a produção do município foi de “220 mil arrobas de algodão, 20 mil sacos de arroz, 15 mil arrobas de feijão, 15 toneladas de cana, 2.200 sacos de mandioca [...] Bovinos: 7.200; Equinos: 3.100; Suínos: 13.000; Ovinos: 4.800; Caprinos: 3.850; Asininos: 4.400; Muares: 2.080” (MARQUES, 2006, p.205).
Matos (1966) citado por Macêdo (2009) destaca a importância dos rios Gavião e Pirapora para a produção, que formam ambientes ricos em matéria orgânica de origem vegetal e animal carreados da serra e depositados ao longo dos vales fluviais, dando coloração mais escurecida aos terrenos, nesses ambientes, mais férteis, era cultivada a cana-de-açúcar e o algodão era cultivado nas partes mais altas e planas a norte e leste do município.
O cultivo desses produtos tornou possível a inserção de um maior número de pequenos produtores no mercado econômico, que cultivavam o algodão em consórcio com as culturas de subsistência, enquanto que a cana-de-açúcar era cultivada pelos grandes proprietários, que com maior poder aquisitivo instalam as primeiras fábricas do município.
A inauguração da Rodovia CE-065, ligando Canindé à Fortaleza e cortando o município, em 1947, faz de Maranguape um importante entreposto comercial, passando pelo centro da cidade, onde se realizavam as feiras e se concentrava o comércio local, serviu também como importante eixo de crescimento da cidade. A partir dai, inicia-se um novo
período econômico, marcado pelo início da atividade industrial, sobretudo da indústria de transformação. Nesse primeiro momento da indústria cearense, merece destaque o setor têxtil, primeiro a se instalar em Fortaleza, para onde seguia a produção algodoeira do estado.
Figura 8 - Solar da Família Sombra
Fonte: Facebook/ Maranguape Fotos, 2013.
Em Maranguape essa tendência se confirma através de importantes empreendimentos no setor têxtil, como as fábricas Francisco Colares S/A Bordados do Ceará, e a Chenile do Nordeste, ambas da Família Colares. Além dessas fábricas de grande porte, também havia em Maranguape uma importante “cultura do bordado” (MACÊDO, op. cit., p. 41).
Em meados dos anos 60, surgem, a Cooperativa Agrícola Mista de Maranguape, tendo como objetivo a organização do setor leiteiro para pasteurização, industrialização e fabricação de derivados, e a Cooperativa Agrícola e de Produção Maranguape, iniciativa dos produtores de algodão, objetivando o aprimoramento técnico-profissional e de toda a logística referente à industrialização dos produtos agrícolas, em especial o algodão.
Até meados dos anos 70, as cooperativas representavam o êxito econômico do município2, até que no final dos anos 70 e início dos anos 80, a Cooperativa do algodão, se viu numa linha de queda, posteriormente paralisando suas atividades, dentre as causas desse encerramento foram apontados, dentre outros, a praga do bicudo, responsável por dizimar as plantações e a “fragilidade da natureza artesanal da base produtiva local [...], e uma confiança excessiva no esforço algodoeiro que concentrava perigosamente a quase totalidade das energias técnicas, financeiras e operacionais da cooperativa” (FAÇANHA, 2009 citado por MACÊDO, 2009. p.42).
2 Narrativa do General Rocha Lima, acerca do cooperativismo no município de Maranguape, publicado em 1968
no jornal Correio do Ceará
A Cooperativa Agrícola Mista de Maranguape constitui-se, hoje, um marco de progresso naquele próspero município que lhe dá o nome e a sede. A vida de Maranguape está caracterizada por duas fases que define o conceito a antes e depois da Cooperativa. Poucos como eu, cujos ramos ancestrais, em linha materna, acham- se arraigados naquela progressista cidade serrana, estão capacitados a fazer uma apreciação sobre as atividades daquela comuna em seus variados aspectos, quer industrial, comercial e principalmente agropecuária. Foi a Cooperativa de Maranguape a organização pioneira na pasteurização de leite do nosso Estado e de sua total industrialização, sobressaindo-se no aprimoramento do fabrico dos derivados como o queijo e a manteiga. Foi também aquela Cooperativa a primeira na industrialização do algodão e, apesar das companhas de descrédito de que foi vítima, e das forças negativas que se arregimentaram contra ela, conseguiu levar de vencida os seus adversários e detratores e hoje se projeta na industrialização do leite em larga escala, bem assim, do algodão, esse ouro branco, elemento básico do nosso desenvolvimento. A primeira vitória daquela notável organização consistiu em dobrar e convencer os indiferentes, quebrando assim, um velho tabu de que o cooperativismo em nossa terra era uma utopia, pois jamais vingaria. Lá está, pois, na entrada da tradicional cidade serrana, à esquerda do velho solar da família Braga, a grande e eficiente Usina de Pasteurização de Leite da Cooperativa Agrícola Mista de Maranguape, erguida em monumento à inteligência e à capacidade do homem Nordestino, industrializando todo o leite que aparece, não só daquela terra abençoada pela Providência, como dos demais municípios vizinhos. O município hoje se transforma, pois suas terras abandonadas até pouco tempo, constituíram-se em verdadeiros celeiros de capim para alimentar milhares de vacas leiteiras das quais avulta e ressalta a produção em escala incomparável de leite, em média num crescendo que conforma o observador consciente. Até pouco tempo, Maranguape era conhecido como produtor de famosas aguardentes e, ainda, pela beleza de sua serra com os Sítios ali localizados onde, os que podiam, passavam lá os fins de semana gozando a amenidade do clima e as delícias das cachoeiras e dos arroios que correm através das bananeiras. Maranguape, hoje, não se vangloria de ser, apenas, exclusivo produtor de aguardente e servir de banheira para os afortunados. Aquele verdejante e próspero município é, atualmente um vasto e inesgotável celeiro que abastece Fortaleza com seus preciosos produtos de primeira necessidade (MARQUES, op. cit., p. 262-263).
Figura 9 - Solar Bonifácio Câmara (ao fundo) e casario com azulejos portugueses
Fonte: Blog Marcelo Silva, 2009.
Embora, esses elementos ainda constituíssem a base da economia maranguapense, com produtos vindos do interior, na serra, também começam a se desenvolver outras atividades, diferentemente das anteriores, pautadas no potencial natural e paisagístico da região serrana, com instalação de sítios e hotéis. O turismo vai rapidamente ganhando espaço na economia local, sobretudo a partir da década de 30, com a inauguração do Hotel e Balneário Pirapora, apoiado no potencial serrano, com climas diferenciados dos do entorno e devido também à sua proximidade com a capital, atraindo as famílias abastadas de Fortaleza, que viam na serra um local de repouso e refúgio da vida urbana. Seguindo o ritmo de crescimento do turismo, é inaugurado, em 1960, o Balneário Cascatinha. Juntos esses empreendimentos, que se situam ás margens dos rios Pirapora (Hotel e Balneário Pirapora) e Gavião (Cascatinha), representarão mudanças nas relações de apropriação dos recursos naturais, desviando os cursos das águas serranas, que antes corriam livremente, para o abastecimento das piscinas dos clubes e sítios.
Figura 10 - Inauguração da Cooperativa Agrícola Mista de Maranguape, 1964
Fonte: Facebook/ Maranguape Fotos, 2013.
Segundo Macêdo (2009) a partir do final da década de 1930, Maranguape vai aos poucos ganhando notoriedade por seus atributos naturais, passando a atrair as famílias abastadas da capital cearense, que ai estabeleciam suas segundas residências, ou apostavam no potencial natural para a prática da fruticultura. Esse processo vai se intensificar a partir da década de 1950 com a instalação dos primeiros empreendimentos turísticos no município. Ainda segundo a autora o centro tem seu comércio intensificado por conta da constante presença de turistas e a grande visibilidade da cidade de Maranguape, vai resultar no aumento do preço do solo urbano no mesmo, impulsionando a expansão imobiliária para áreas com potencial para a agricultura através da criação de loteamentos.
A década de 70 é marcada pelo crescimento da atividade industrial no município de Maranguape, impulsionada pela instalação, ainda no ano de 1967, do Distrito Industrial e pela Central de Abastecimento do Ceará S/A (CEASA), em 1973, ambos no distrito de Maracanaú, fazendo com que a cidade experimentasse um acelerado crescimento populacional, influenciada, sobretudo, pelas indústrias ali instaladas. A expansão da malha urbana maranguapense, se deu, através de programas de habitação, desenvolvidos pelos governos Federal e Estadual, com a criação, em Maranguape, de conjuntos habitacionais e loteamentos, que direcionaram o crescimento da cidade para os setores Norte, Sul e Sudeste,
sendo intensificadas a partir da década de 80, passando a absorver mão-de-obra para a construção de diversos conjuntos habitacionais em forma de mutirão.
Figura 11 - Inauguração do Balneário e Hotel Pirapora Palace
Fonte: Facebook Maranguape Fotos, 2013.
A ocupação das áreas periféricas da cidade deve-se, sobretudo, aos altos preços da terra urbana que obrigavam a população carente a residir em áreas sem infraestrutura adequada (de água, esgoto e circulação) e também pela criação de conjuntos habitacionais e loteamentos, especialmente a partir da década de 70, direcionando a expansão da malha urbana a Norte (com a criação dos loteamentos, Novo Maranguape I e II) e ao Sul (com a criação do loteamento Vila Luciana e do Conjunto Habitacional Santos Dumont), em função da demanda habitacional. Esse processo se intensifica nos anos 80, passando a absorver mão- de-obra para a construção de novos conjuntos habitacionais em forma de mutirão, resultando na criação dos loteamentos Pato Selvagem, Costa e Silva, Maranguape Sul, Novo Parque Iracema, Loteamento PSD, Francisco Camilo e Serra Azul, localizadas nas zonas sul e sudeste da cidade, algumas delas vindo a se tornar posteriormente bairros.
Figura 12 - Antigo Balneário Pirapora
Fonte: Facebook Maranguape Fotos, 2012.
Figura 13 - Expansão da malha urbana de Maranguape, entre o início do século XVIII e meados dos anos 1980
O gráfico 1 mostra o crescimento populacional do município no período compreendido, entre os anos de 1950 e 1980, onde é possível observar a influência dos fluxos migratórios no crescimento demográfico, sobretudo, a partir da instalação do distrito industrial, nos anos 80.
No gráfico, é possível ver o crescimento da população de Maranguape, acelerado, especialmente a partir da década de 70, com a instalação do Distrito Industrial de Maracanaú e um ritmo de decréscimo da população rural do mesmo, atraídas para a região urbana, sobretudo, pela instalação de indústrias e pelas políticas de habitação popular, desenvolvidas pelos governos Federal e Estadual.
Gráfico 1 - Crescimento e distribuição populacional de Maranguape – CE
Fonte: IBGE (2010), IPECE (2011).
A emancipação de Maracanaú, em 1983, representou para o município, além da diminuição da área territorial em 98,6 km² e um decréscimo de 30% de sua população, passando a 71,628 habitantes em 1991, uma grande perda, mergulhando o município em um período de estagnação econômica, com o fechamento de grandes fábricas, diminuição na arrecadação de impostos e a perda de inúmeros incentivos ligados ao setor agrícola. A situação de estagnação econômica foi retratada pela jornalista local Cleneide Nunes, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste, em 1994:
1960 1970 1980 1991 2000 2010 Rural 28.626 35.887 33.714 19.751 22.867 27.252 Urbana 17.578 24.735 59.088 51.954 65.268 88.309 Total 46.205 60.622 92.802 71.705 88.135 113.561 0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000
Da década de 70 para cá, novos modelos de empresas foram se instalando e m Maranguape, como a Chenile do Nordeste, Export, FATEMA, Francolares, J. S. Sucupira e Transcolares. A cidade contava ainda com a J. Macedo [...] e com o Parque Industrial de Maracanaú. Todo esse conjunto empresarial gerou fonte de emprego e renda, beneficiando quase toda a população [...]. O constrangimento é que essas empresas que conduziam a cidade ao progresso desapareceram. Tudo que restou ao nosso povo foram as marcas do desemprego e a ansiedade de sobrevivência. (MACÊDO, op. cit., p.55).
É a partir da segunda metade da década de 90, que Maranguape passa a adotar novas estratégias para se recuperar da crise. Seguindo o exemplo das demais cidades do Estado, Maranguape, desloca o foco do investimento municipal, da área rural para a zona urbana, buscando a qualificação e modernização da economia local com o objetivo de torna-la mais competitiva dentro do mercado. Sobre isso, Maia (2010) explica que o município retoma seu crescimento que “havia recuado consideravelmente” na década anterior, a partir da década de 1990 inserido no processo de globalização da economia, com a implantação de atividades não mais voltadas unicamente à exploração do potencial natural “... quando recebe grandes indústrias como Dakota, Mallory, Bonebraz, Itajaí, Micrel Benfio e várias agroindústrias a citar: Ypióca, Granjas Joagre, Cialne, Aguardente Dandiz e outras. Essas indústrias movimentaram substancialmente todos os setores da economia maranguapense” (p. 39)
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