5 Drøfting
5.7 Beredskap og forberedelser – en trygghetsskapende faktor
De acordo com Almeida et al. (2003) uma das alternativas para o controle de insetos- praga em cultivo conduzido sob o sistema orgânico é a utilização de preparados homeopáticos. Casali (2004) afirma que a homeopatia está sendo o recurso tecnológico mais pertinente para o manejo de pragas e doenças nesse sistema de cultivo, por visar um equilíbrio no agroecossitema. Os preparados homeopáticos não apresentam toxicidade e nem deixam resíduos no ambiente em função da utilização de concentrações infinitesimais da matéria prima (ANDRADE, 2001).
A homeopatia é uma palavra de origem grega que quer dizer doença semelhante (homoios = semelhante e pathos = sofrimentos). É uma ciência que pode ser aplicada a todos os seres vivos, humanos, animais, vegetais e microrganismos (VITHOULKAS, 1980).
A homeopatia é uma prática terapêutica milenar, enunciada ainda por Hipocrátes em 459 a.c. Em 1810, este método recebeu metodologia própria através da publicação de suas bases conceituais por Samuel Hahnemann no livro “Organon a arte de curar” (LOBÃO, 2004). Tem como base, quatro princípios fundamentais: Lei dos semelhantes, experimento no homem ou experimentação patogênica e patogenesia, medicamento único e emprego de dose única e dinaminizada (ESPINOZA et al., 2001; LOBÃO, 2007).
As matérias primas utilizadas na preparação das substâncias homeopáticas podem ter origem do reino mineral, vegetal e animal, além, de produtos metabólicos e patológicos como secreções, pus, urina, sangue, dentre outros (VITHOULKAS, 1980; ARRUDA et al, 2005). O primeiro passo para produzir um preparado homeopático é a obtenção da tintura-mãe, posteriormente o processo envolve diluições extremas e sucussões sucessivas das substâncias,
processo denominado de dinamização. O princípio da dinaminização é consiste na realização de diluições seriais na base 1/10 e subseqüente sucussão através de movimentos ascendentes e descendentes do líquido, escala denominada de decimal. As diluições, também, podem ser realizadas na base 1/100, denominada de Centesimal Hahnemaniana (CH). A primeira diluição 1/100 é chamada de 1CH, a segunda 2CH e assim sucessivamente. A partir da 12ª diluição pela escala Centesimal Hahnemaniana, não há teoricamente nenhuma molécula da substância original presente, restando apenas o registro de suas informações garantido pelo processo da sucussão. A técnica de dinaminização torna os preparados homeopáticos potentes e ativos, o que lhes confere o poder da homeostase à energia vital do organismo em tratamento (CASALI et al., 2006; VITHOULKAS, 1980).
A homeopatia vegetal não possui uma base consolidada, necessitando de uma transcrissão por analogia da matéria médica para a obtenção dos preparados, ou de derivados, que apesar de não cumprirem todos os princípios hahnemanianos da homeopatia, possibilitam sua utilização no tratamento de plantas, como exemplo a isopatia (ANDRADE & CASALI, 2004).
A isopatia não aplica o princípio fundamental da homeopatia, mas é uma técnica que utiliza a mesma metodologia de preparação e trabalha com o princípio da igualdade, pressupondo o equilíbrio por meio de produtos causadores do próprio mal, os quais são denominados de nosódios isoterápicos. Os nosódios constituem uma possibilidade para o manejo ecológico de pragas e doenças de plantas por utilizar como matéria prima, os próprios agentes causais, as pragas ou doenças (ARRUDA et al., 2005; FARMACOPÉIA HOMEOPATICA BRASILEIRA, 1997).
No Brasil, o uso de preparados homeopáticos para o manejo fitossanitário de plantas é aceito no sistema orgânico e considerado insumo agrícola pela instrução normativa número 7 do Ministério da Agricultura e Abastecimento publicada no Diário Oficial em 17 de maio de 1999 (BRASIL, 1999). A utilização de preparados homeopáticos em vegetais é ainda muito insignificante, mas vem crescendo ano após ano (BONATO & PERES, 2007).
Em experimento de campo realizado por Almeida et al. (2003), na cultura do milho, para avaliar o controle de Spodoptera frugiperda, foram utilizados três preparados homeopáticos: Euchlaena 6CH (espécie botânica ancestral do milho), Dorus 4CH (inimigo natural da lagarta do cartucho) e o nosódio de S. frugiperda 30CH. As plantas que receberam o nosódio de S. frugiperda apresentaram menor número de lagartas, mantendo a população abaixo do nível de dano econômico, durante a fase vegetativa da cultura. Fazolim et al. (1999), obtiveram bons resultado com o nosódio de Cerotoma tingomarianus (Coleoptera:
Chysomelidade) nas potências D5, D9, D15 e D29, aplicados em plantas de feijão (Phaseulus
vulgaris L. cv. Carioquinha) para o controle da própria espécie. Foi detectada a não
preferência na alimentação destes insetos em plantas tratadas.
Segundo Almeida et al. (2003), a aplicação de preparados homeopáticos desencadeia mecanismos de defesas nas plantas em relação ao ataque de insetos, do tipo não preferência pelo consumo (antixenose) ou através da produção de compostos secundários que são tóxicos para os insetos (antibiose). O aumento na produção de metabólitos secundários foi verificado por Andrade et al. (2004) em plantas de Chambá (Justicia pectoralis) quando aplicados preparados homeopáticos de Justicia carnea (Acanthaceae) nas potências 6CH, 12CH, 18CH e 30CH. Segundo esses autores, o aumento na produção e concentração de cumarima possivelmente atuará no mecanismo de resistências dessas plantas.
A eficiência dos preparados homeopáticos foi demonstrada por Giesel (2007) para o manejo de formigas cortadeiras do gênero Atta e Acromyrmex. Os tratamentos homeopáticos utilizados no experimento com Atta foram: macerado de formiga 30CH, triturado de formiga 30CH e Belladonna 30CH. Para o experimento com Acromyrmex foram utilizados: macerado de formiga 30CH, triturado de formiga 30CH, macerado da cultura fúngica 30CH, triturado da cultura fúngica 30CH e Belladonna 30CH. As aplicações dos preparados homeopáticos foram realizadas diariamente por um período de 10 dias sobre formigas em movimento no carreiro ou no olheiro. As avaliações foram realizadas diariamente antes da aplicação, contando o número de formigas forrageando e o total de formigas em movimento com e sem cargas, por minuto. Entre os tratamentos homeopáticos utilizados para o experimento com
Acromyrmex, o melhor resultado foi obtido com o triturado de formiga 30CH, com a maior
redução da atividade total (71%) e forrageira (73%). Para o experimento com Atta, os resultados foram semelhantes aos encontrados para Acromyrmex, com destaque para o tratamento triturado de formiga 30CH, com uma redução de 60% na atividade total e 68% na atividade forrageira.
Gonçalves et al. (2008) realizou um experimento com o objetivo de avaliar o efeito do preparado homeopático de Natrum muriaticum sobre a incindência de tripes (Thrips tabaci) na cultura da cebola, utilizando as potências 6CH, 12CH e 30CH na dose de 1%, em água. Segundo os autores a incidência do inseto foi menor em relação a testemunha com água somente no tratamento Natrum muriaticum 12 CH, incrementando também de forma significativa a massa de bulbos.