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Em todo o processo analítico busquei desenvolver o fundamento, a densidade e a integração necessária para construir uma teoria, dando ao processo científico o rigor metodológico necessário (STRAUSS e CORBIN, 2008).

O tratamento e a análise dos dados ocorreram simultaneamente à coleta. À medida que as entrevistas eram realizadas eram iniciadas a transcrição e a codificação. Diante da importância das condições, circunstâncias e contextos, decidi analisar cada grupo categorizando os dados separadamente para, em seguida, realizar novas comparações entre eles, criando novas categorias e teorizar. Voltei aos dados inúmeras vezes para compará-los e confrontá-los. Desta maneira, foi possível analisar em cada contexto, as ações e as experiências reveladoras de situações que vão atribuindo os significados ao risco, as condições que interferem nos sentidos do risco e as variações de sentidos de cada grupo.

A codificação aberta foi a primeira etapa do processo de análise dos dados onde busquei identificar, classificar e descrever os fenômenos encontrados, nomeando as ações e as ideias centrais linha a linha. Cada frase e parágrafo foram lidos em busca da resposta para as perguntas "o que é isso? O que está sendo referenciado aqui?"

Comparando e conceituando, atribuí para cada unidade de análise palavras ou expressões, formando os códigos preliminares, que são identificados por Strauss e Corbin (2008) como os substantivos e verbos de um mundo conceitual.

Desta forma, em todas as entrevistas realizei a codificação linha a linha, definindo o conteúdo dos dados. Codifiquei os significados, ações, contextos, pontos de vistas, com palavras que refletiram as ações. Destaquei também os códigos in vivo, termos específicos que sinalizam significados e experiências característicos do campo específico do grupo e revelam uma perspectiva nova (CHARMAZ, 2009).

Agrupei os códigos oriundos da codificação aberta, que refletem as ações originando os códigos conceituais, fazendo uma redução, agrupando os códigos fragmentados em subcategorias, estabelecendo novas combinações. Selecionei os códigos mais significativos e frequentes e iniciei as comparações das ações e interpretações das entrevistas e, também, com

85 os memos, onde registrei as minhas reflexões e impressões da coleta e análise inicial dos dados, para gerar as categorias, iniciando a segunda etapa denominada de codificação axial.

Elaborando conexões e comparações entre as categorias e as subcategorias, busquei as propriedades e dimensões através do uso do paradigma de codificação que envolve condições, contexto, estratégias de ação e interação e consequências. È “axial” por ocorrer em torno do eixo de uma categoria e associar propriedades e dimensões. (STRAUSS e CORBIN, 2008, p. 96).

Nas condições busquei as circunstâncias ou situações que determinam a estrutura do fenômeno - como, por que, como e onde os significados são atribuídos ao risco. Nas ações e interações busquei as estratégias e respostas às questões, eventos ou problemas e o que ocorre (consequências) (CHARMAZ, 2009).

Os fenômenos e categorias oriundos dos dados de cada grupo foram, então, comparados com as bases teóricas da literatura utilizadas. Após estas comparações sucessivas foi possível iniciar a teorização. Não se trata de separar a discussão dos resultados, mas sim dar um ordenamento metodológico à apresentação, em que as comparações entre os grupos possibilitaram configurar a categoria central e suas categorias relacionadas.

A comparação constante me permitiu saturar as categorias. Após este processo, retornei aos dados e, através de novas comparações de códigos, estabeleci a distinção analítica e procurei um padrão. Uma vez que o padrão, latente nos dados, foi encontrado e quando nenhuma outra informação acrescentou ou modificou o que já havia encontrado, iniciei a teorização. A análise comparativa é a estratégia utilizada na TFD para a construção da teoria (STRAUSS e CORBIN, 2008).

Para teorizar, iniciei a terceira etapa do processo, a codificação seletiva, que tem por objetivo refinar as categorias num processo de redução a uma categoria que representa o tema central da pesquisa ao redor do qual todas as categorias giram, fazendo emergir a teoria da pesquisa (STRAUSS e CORBIN, 2008).

Assim, após a análise de cada grupo, os fenômenos e categorias delineadas foram novamente comparadas entre os grupos para integrar e refinar a teoria em torno da categoria principal. Esta organização me permitiu compor a categoria “significando o risco na vigilância sanitária” e suas categorias relacionadas que delinearam as conexões, como mostra a figura 1.

86 Figura 1. Categoria central “Significando o risco na Vigilância Sanitária” e suas categorias relacionadas.

Desta maneira, as comparações sucessivas dos significados atribuídos ao risco pelos participantes dos diversos grupos permitiram evidenciar nos dados, o significado de risco que emergiu dos entrevistados.

O risco sanitário foi pesquisado em suas diferenças dimensionais: onde, quando, por que, como, com que frequência ele emerge. Tais dimensões foram comparadas segundo os locais e os grupos e permitiram observar em qual contexto e sob quais condições o risco se manifesta, o que lhe é atribuído, qual o seu significado.

As propriedades atribuídas ao risco pelos entrevistados também foram analisadas: o risco como classe, como critério, como dano, como ameaça, como agravo, como probabilidade, como possibilidade, como desvio; a rastreabilidade, a visibilidade, a irregularidade.

O risco sanitário como objeto da pesquisa foi definido e redefinido através de interações e das inter-relações entre condições (estrutura – por que), ações (processos - como) e suas consequências utilizando, desta forma, o paradigma de Strauss e Corbin (2008) que considera as condições causais, contexto, condições intervenientes, estratégias e consequências.

Como o paradigma não é suficiente para representar tudo o que acontece, os diagramas e quadros foram úteis para organizar o conjunto de ideias, relacionando condições e consequências, auxiliando no acompanhamento das ações e interações e a traçar linhas de conectividade.

Comparando as informações coletadas de cada grupo, codificando-as e extraindo as regularidades e buscando a extração de sentido, foi possível elaborar algumas teorias que emergiram desta análise rigorosa e sistemática. Neste processo foram relacionados o

Significando do risco na VISA

Propriedades e dimensões do risco

Modos de atuar

87 simbólico e a interação, o caráter situacional da interação, procurando perceber como os profissionais entrevistados definem, situam e diferenciam o risco sanitário através dos significados emergentes que expressaram o caráter processual da realidade dos grupos pesquisados.