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Figura-3: Nível de Estresse Percebido

A análise da Figura-3 mostra mais 60% dos professores apresentaram níveis acima de 25, na maioria esse nível variou de 21 a 30. Considerando-se os resultados estatísticos, a média foi de 27 e o desvio padrão 7, ou seja, os níveis de estresse ficaram na faixa de 20,8 a 34,2.

Ainda, de acordo com a Figura-3 a maioria dos professores apresentou níveis de estresse elevado, cenário que pode esta sendo construído por fatores relacionados ao ambiente da escola. Essa colocação é corroborada com o trabalho de Segato (2009) que estudaram mulheres no período de gestação e encontraram na escala de estresse percebido de 28,8 pontos de média variando, de acordo com o desvio padrão, de 23,3 a 34,4 pontos onde o máximo pode alcançar 56, constataram ainda que 93% das gestantes apresentaram estresse elevado.

Constata-se isso em decorrência do trabalho de Segato (2009) que estudaram mulheres no período de gestação e encontraram níveis de estresse parecidos com os profissionais pesquisados nesse trabalho.

Em relação ao trabalho de Portela e Bughay (2007) os níveis de estresse em policiais ativos e sedentários variaram de 33 a 38, confrontado esses resultados com os professores pesquisados, constata-se que os níveis dos docentes ficaram abaixo, mas de acordo com os mesmos autores, que relataram nível elevado de estresse acima de 25, 83% desses professores ainda assim apresentaram o nível de estresse elevado. Nesse contexto, os docentes e policiais pode apresentar causas parecidas como a questão salarial, excesso de trabalho e responsabilidades, tendo problemas de insônia, falhas de memória e queda no rendimento do trabalho.

Por sua vez, Silva, Damásio, Melo (2009) apresentaram um trabalho onde constatou-se professores atingindo a média de 16,4 pontos dos 30 possíveis, nesse cenário o nível de estresse dos docentes foi considerado elevado para mais de 60% da amostra, resultado também encontrado na pesquisa.

Outro cenário aponta para professores com níveis de estresse variando de moderado a elevado. Essa colocação é decorrente da comparação da amostra pesquisada com a de velejadores antes de uma competição, verifica-se que são atletas de alimentação adequada, são mais jovens, apresentam boa saúde e com níveis de estresse indo de baixo a moderados (Segato et al., 2010). Assim os níveis encontrados nos educadores foram mais elevados.

Considerando-se que a maioria dos professores apresenta níveis de estresse elevado é possível supor o aparecimento, em algum momento, de problemas psicológicos, deficiência no funcionamento do sistema imunológico o que causa baixa imunidade e facilita o desenvolvimento de doenças, ocorrência de diversos efeitos prejudicais ao organismo, prejuízos no trabalho do cérebro e, por fim, queda no desempenho profissional (SCHULER, 1980; LAZARUS E FOLKMAN,1984; WATSON e PENNEBAKER,1989; HEUSER e LAMMERS, 2003;ASHARI et al., 2005; JOELS M, HOLSBOER, 2005; NUNES 2005;MENDES, 2006; CHANDOLA, BRUNNER, MARMOT, 2006; HADI et al., 2009; KANG E KIM,2010; KLOET, BELLINGRATH, ROHLEDER, KUDIELK, 2010) .

O estresse em professores faz parte do cotidiano de muitas escolas. De acordo com as observações e alguns trabalhos da literatura as causas podem estar relacionadas ao comportamento inadequado de alunos durante as aulas, falta de gestão por parte de algumas direções, como também, de materiais para

implementação de aulas diferenciadas (BLASE 1986; PITHERS e FOGARTY, 1995; GRIFFITH, STEPTOE, CROPLEY, 1999).

Constata-se então que a maioria dos professores pode apresentar queda no desempenho profissional e na qualidade de vida. Supõe-se assim, que esses profissionais não desenvolvem suas potencialidades durante as aulas o que prejudica o aprendizado dos alunos e faz da escola um local impróprio para aprendizagem (SCHULER,1980; WATSON e PENNEBAKER,1989; ASHARI et al., 2005; NUNES, 2005; MENDES, 2006; CHANDOLA, BRUNNER,MARMOT, 2006; KANG e KIM,2010; BELLINGRATH, ROHLEDER, KUDIELK, 2010).

Nesse contexto, parece que a exposição dos professores a níveis excessivos de ruído, ao longo das aulas, podem contribuir para profissionais mais estressados o que pode desencadear neles desequilíbrio bioquímico, infecções e outras patologias (OMS, 1980 apud PIMENTEL-SOUZA,1992 apud GONÇALVES e ADISSI, 2008). Lembrando que nesses ambientes os níveis ficaram acima de 70 dB(A).

Analisando as correlações, envolvendo as perguntas voltadas para identificação do nível de estresse, constata-se que o estresse, propriamente dito, causa nos docentes sensações e sentimentos adversos. A Escala de Estresse Percebido aponta para resultados mais significativos do que as respostas originadas da simples pergunta: “Se sente estressado”. A tabela-31 descreve as relações do nível de estresse e as suas consequências.

Tabela-31: Correlação na Escala de Estresse Percebido

Perguntas Correlações

Sentindo triste Se sentindo estressado 0,4

Se sentindo estressado Ficado irritado 0,4

Coisas fora de controle Se sentindo estressado 0,5

Nível de Estresse Tem ficado triste 0,7

Nível de Estresse Dificuldades não podem ser superadas 0,7

Nível de Estresse Se sentindo incapaz de controlar as coisas 0,7

A avaliação dos números descreve que o nível de estresse sentido por esses trabalhadores causa de modo elevado sentimentos como o de incapacidade de controlar e resolver as coisas importantes da vida. Outra sensação que pode ser fruto do estresse é a tristeza, pois os dados mostram que esses sentimentos se correlacionam também de modo elevado.

O sentimento de estresse está relacionado, de modo moderado, com a sensação de que as coisas estão fora de controle. Isso também foi bem evidenciado

nas observações. A declaração de que o professor está estressado apresentou correlações, ainda que mais baixas, com o sentimento de tristeza e de irritação.

Ainda em relação a essa escala, a sensação de acordar cansado e o desempenho profissional parecem apresentar certa relação, de modo baixo, com o sentimento de estresse.

A Tabela-32 mostra a correlação do ambiente de trabalho descrito pelos professores com o tempo de reverberação representado pelas frequências 500/1000/2000 Hz.

Tabela-32: Correlações entre as mensurações dos locais

Ambiente de trabalho Frequências Correlação

Descrição do ambiente de trabalho 500 Hz 0,5

Descrição do ambiente de trabalho 2.000HZ 0,5

Descrição do ambiente de trabalho 1.000HZ 0,5

Ao avaliar o ambiente de trabalho dos professores pesquisados constatou-se que a salas de aula apresentam o volume médio 117 m³. Considerando os resultados apresentados na tabela-12, verificou-se que as condições de conforto acústico podem interferir no desempenho dos professores, ou seja, as salas de aula pode não apresentar dimensões ou materiais de construção adequados.

O cruzamento dos dados no software SPSS mostrou que houve correlações

spearman com nível de significância de 0,01 entre os espaços da escola, ou seja, de

alguma forma o ruído causado em um espaço acaba afetando outro.

A Tabela-33 mostra a relação de algumas ações ou sentimentos dos

professores com a diminuição do desempenho profissional. Os resultados variaram de 0,3 a 0,6s.

Tabela-33: Correlação do desempenho profissional

Correlações Resultados

Precisa falar alto 0,3

Sente indisposição 0,3

Apresenta insônia 0,3

Sente irritação 0,4

Faz esforço ao falar 0,4

Escala de Estresse Percebido 0,4

Grita demais 0,5

Tem dor na garganta 0,6

A análise dos dados mostrou que sentimentos de indisposição, irritação e estresse, juntamente com o comportamento vocal, de alguma forma, são os que mais afetam o desempenho profissional dos docentes, segundo a tabela apresentam

correlações de baixo nível a moderado. Conclui-se que não são problemas que afetam de maneira consistente o trabalho e qualidade de vida dos professores, mas podem contribuir para o aumento de prejuízos no trabalho.

Ainda, de acordo com os dados apresentados, constata-se que a ação de gritar ao longo das aulas e as dores de gargantas, discretamente ou de modo um pouco mais intenso prejudicam o desempenho dos professores.

Avaliando todas as correlações encontradas verificou-se que o sono parece ter algum tipo de interferência na vida dos docentes pesquisados. A tabela-34 apresenta as correlações das questões voltadas para o sono com outras sensações abordadas nos questionário.

Tabela-34: Correlações sono

Correlações Resultados

Desperta durante o sono Sente irritação 0,3

Apresenta insônia Sente indisposição 0,3

Perda de memória Acorda cansado 0,3

Acorda cansado Dificuldade de compreensão 0,3

Tem dor na garganta Sensação que dormiu pouco 0,3

Desperta durante o sono Dificuldade de compreensão 0,3

Apresenta falhas na voz Acorda cansado 0,4

Acorda cansado Escala de Estresse Percebido 0,4

Grita demais Acorda cansado 0,4

Apresenta rouquidão Sensação que dormiu pouco 0,4

Tem dor na garganta Acorda cansado 0,4

Sensação que dormiu pouco Sente irritação 0,4

Sensação que dormiu pouco Sente indisposição 0,5

Apresenta rouquidão Acorda cansado 0,5

Os resultados mostram que de modo baixo a ocasional o sono está afetando esses profissionais. Constata-se que sentimentos de irritação e indisposição, problemas na comunicação em sala e de voz podem ser decorrentes do sono. Destaca-se, porém, que problemas originados nesse processo podem ocasionalmente causar rouquidão e indisposição.

Na avaliação geral do questionário três correlações foram mais significativas. A Tabela-35 mostra quais são essas correlações.

Tabela-35: Correlações entre perguntas

Perguntas Correlações

Tempo de magistério em anos Número de dias afastados -0,9

Grita demais Tem dor na garganta 0,7

Faz esforço ao falar Apresenta rouquidão 0,7

As correlações apontam para algumas conjecturas como, os professores com maior tempo de magistério tendem a ficar menos dias afastados do serviço, a ação

de gritar demais parece favorecer a dor na garganta, como também, a de forçar a voz para falar pode ser um dos principais motivos causadores da rouquidão.

Considerando as salas de aula, lembrando que é local onde os professores passam a maior parte do tempo quando estão trabalhando, os aspectos acústicos e os níveis de ruído, conclui-se que este ambiente pode contribuir para que os professores, de modo ocasional, falem mais alto, sintam dores de garganta e gritem.

Outro comportamento visto entre os docentes foi à intolerância ao barulho que também, de modo ocasional, pode levar os professores a indisposição no trabalho, a sentirem irritação e a gritarem demais.

5 CONCLUSÃO:

Os níveis de pressão sonora, na maioria das escolas, excedem os limites estabelecidos na legislação vigente. Conclui-se então, que esses níveis, presentes no interior das escolas, causam transtornos aos professores, pois afetam a saúde e o andamento do trabalho em sala de aula.

Em relação ao barulho causado no interior das escolas, constatou-se que esse é decorrente, principalmente, das atividades desenvolvidas pelos alunos. Por sua vez, o ruído externo, é originado pelo tráfego de veículos e comércios próximos as instituições pesquisadas.

Já as condições conforto acústico, na maioria das salas de aula pesquisadas, não são adequadas para o processo de ensino, já que o ruído de fundo e tempo de reverberação estão em desacordo com o estabelecido na Legislação, entretanto, em comparação a outros trabalhos, os resultados são mais satisfatórios. Porém, considerando todo esse contexto, o trabalho para mais da metade dos docentes fica prejudicado.

De acordo com as medidas dos níveis de pressão sonora da voz constatou-se que a maioria dos professores utiliza a voz de modo inadequado. Os resultados também mostraram que o aumento da intensidade vocal acarreta problemas que podem levar esses profissionais a se afastarem da sala de aula e, ainda, serem readaptados a outras funções.

Considerando a percepção dos professores, constatou-se que o ruído externo a escola, mesmo apresentando níveis excessivos, não causam interferências no trabalho desenvolvido pela maioria dos professores se comparados aos ruídos internos.

Esses ambientes adversos contribuem para o desenvolvimento de problemas auditivos e extra-auditivos como: ansiedade, irritabilidade, indisposição, insatisfação, desmotivação, queda no desempenho profissional e problemas vocais.

Conclui-se também que os docentes consideram a sala dos professores em uma situação mais confortável, comparada a sala de aula e corredores, mesmo que os resultados das medidas mostrem níveis excessivos.

Por fim, mais da metade dos professores apresentaram níveis de estresse elevados o que leva esses profissionais a desenvolverem suas atividades de modo

insatisfatório e, por conseguinte, acabam contribuindo para o surgimento de outras doenças.

Por isso, se fazem necessárias a construção e aplicação de programas que busquem melhorar o ambiente escolar, e assim, possibilitar o desenvolvimento do trabalho de modo satisfatório contribuindo para a saúde e para o trabalho desses profissionais.

6 SUGESTÃO DE AÇÕES MITIGADORAS PARA OS PROBLEMAS ENCONTRADOS:

A melhoria das condições de conforto acústico nas escolas:

1) Adequação do tempo de reverberação das salas de aula (solução arquitetônica);

2) Diminuição do ruído externo através da alteração do sistema viário próximo as escolas, diminuindo o fluxo de veículos, principalmente os pesados.

3) Implantação de barreiras acústicas em escolas que estão localizadas em ambientes onde o ruído externo é elevado;

4) Diminuição do número de alunos por sala de aula e por escola;

5) Implantação de um programa de redução do ruído para a comunidade escolar.

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