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1 Innledning

1.2 Begrepsavklaringer

Os ambientes digitais de aprendizagem11 são sistemas computacionais baseados em tecnologia de programação para internet, com recursos de banco de dados para armazenamento de informações. Os ambientes digitais oferecem o suporte tecnológico para implementação de atividades educacionais via internet, permitindo criação de cursos, organização de conteúdos, visualização e gravação de arquivos, além de armazenar diferentes tipos de informações sobre o aluno e sua interação dentro do curso, gerando relatórios e estatísticas a partir dessas informações.

Os ambientes digitais permitem integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentar informações de maneira organizada, desenvolver interações entre pessoas e objetos de conhecimento, elaborar e socializar produções tendo em vista atingir determinados objetivos. (ALMEIDA, 2003a, p. 331).

Harasim (2003) trabalha com cinco conceitos que, segundo a autora, caracterizam os ambientes digitais de aprendizagem:

9 Assincronicidade

9 Baseados na comunicação (text based)

9 Comunicação baseada no princípio “de muitos para muitos” 9 Independência de local

11 Uma outra nomenclatura freqüentemente utilizada para designar estes ambientes é a de Ambientes Virtuais de

Aprendizagem. Neste trabalho o termo Ambiente Digital de Aprendizagem será utilizado, pois expressa com mais propriedade a forma própria de operar dos computadores, que é digital. O termo virtual refere-se ao que existe em potência (Levy , 1996), opondo-se ao conceito de atual.

9 Mediação por computador.

A presença integrada dessas características torna os ambientes digitais capazes de gerar espaços de aprendizagem diferenciados, tanto da modalidade presencial quanto dos modelos de ensino a distância da 1a e 2a geração.

É importante ressaltar que a educação on-line, em si mesma, não é responsável pela criação de sistemas de educação voltados para processos interativos. A tecnologia, por si mesma, não define a intencionalidade da ação educativa. O que pode definir as diferentes abordagens pedagógicas de um sistema educativo são seus pressupostos filosóficos e epistemológicos.

A utilização das TIC modifica fundamentalmente o meio pelo qual se dá a educação, alterando também as formas e os papéis tradicionalmente assumidos.

O meio em si não é suficiente, embora seja condição necessária. Um novo projeto educacional e uma nova condição de trabalho se reconfiguram para dar conta destas novas possibilidades de olhar sobre a evolução cognitiva do aprendiz e dos procedimentos do professor. Claro está que o instrumento informático pressiona enquanto potencialidade e abertura da criatividade docente (ALMEIDA,F.J.; ALMEIDA, M.E.B. 2005, p.100).

As TIC aparecem como recursos que podem favorecer, mas não garantir uma educação baseada na interação, na cooperação, no desenvolvimento da autonomia e no estabelecimento de relações dialógicas nos contextos educacionais. É a partir desta perspectiva que a influência das TIC devem ser exploradas: quais seriam suas potencialidades para a criação de novas formas de ensinar e aprender.

A assincronicidade e a independência de lugar podem possibilitar uma forma mais flexível de educação, mais adaptada às necessidades dos estudantes. O princípio da flexibilidade

orienta a educação on-line no sentido de desenvolver alunos mais autônomos e auto-orientados em relação à própria aprendizagem.

A predominância do texto escrito como forma de comunicação, junto com a possibilidade de registro e armazenamento das interações, enriquece a análise e a compreensão dos percursos de aprendizagem dos alunos. O registro das interações pode favorecer o processo de individualização das estratégias de aprendizagem, na medida em que proporcionam acesso contínuo ao processo de construção dos alunos.

A característica da comunicação de muitos para muitos favorece a comunicação multidirecional. Ao contrário do modelo clássico das aulas expositivas, a comunicação pode ocorrer sem o controle expresso do professor, que presencialmente pode, ou não, dar a palavra ao aluno.

Essas características definem, por assim dizer, algumas possibilidades que os ambientes digitais de aprendizagem oferecem para a ação educativa. Não podem ser consideradas, em si mesma, positivas ou negativas, mas, com certeza, configuram um outro cenário educativo, que demanda ainda um estudo mais aprofundado.

De acordo com a abordagem sócio-interacionista, o conhecimento é internamente construído, mas social e culturalmente mediado. A educação é um processo essencialmente social, historicamente constituído e as relações que o indivíduo estabelece com os demais são fundamentais para o processo de construção de si mesmo. A ação educativa deveria, portanto, olhar freqüentemente para o potencial de desenvolvimento dos alunos e privilegiar a interação social, como forma de permitir a construção do conhecimento e o desenvolvimento das funções cognitivas dos alunos.

Justamente pela possibilidade de permitir a comunicação e interação é que os ambientes digitais de aprendizagem podem gerar processos cognitivos socialmente construídos, afastando- se das formas instrucionais de educação a distância. Fagundes e Schlemmer dizem que:

Um ambiente de aprendizagem é mais do que um endereço no ciberespaço, onde os alunos acessam informações e enviam dados e respostas, Não basta navegar: é preciso construir e reconstruir os mares da aprendizagem. Nesse sentido, a ênfase na modalidade a distância não é foco principal, mas sim o processo de interação e aprendizagem que se dá por meio do suporte digital.(FAGUNDES; SCHLEMMER, 2000, p.2).

As interações podem ocorrer em múltiplas direções, fazendo com que o individual e o coletivo se interelacionem constantemente. A partir da troca de informações, experiências e reflexões, surgem novas possibilidades de aprendizagens, que por sua vez se articulam com novos pontos de vista, criando processos contínuos de desenvolvimento.

Prado (2003) ressalta que nos ambientes digitais as múltiplas interações potencializam novas formas de aprender.

É na troca de informações, experiências e reflexões que surgem novas referências, instigando os alunos a articularem diferentes pontos de vista e a buscar novas compreensões (PRADO, 2003, p. 63).

Collins (2004), a partir de pesquisas realizadas em cursos de educação continuada, observou que nos cursos on-line estudados, quando havia um projeto pedagógico voltado para a interação e o diálogo, os alunos se mostravam mais participativos do que em aulas presenciais tradicionais. Mais uma vez, é importante notar a relação entre os recursos tecnológicos e a proposta pedagógica dos cursos. Sem uma proposta pedagógica que valorize a interação e a participação, os recursos tecnológicos podem ser apenas mais um meio de reproduzir as formas

tradicionais de fazer a educação. Da mesma forma pode-se dizer que a educação presencial, quando realizada numa perspectiva humanizadora, pode ser muito melhor do que uma proposta de educação on-line. Não é a modalidade que define a qualidade de um processo educacional, mas sim seus princípios filosóficos e epistemológicos.

Os ambientes digitais de aprendizagem, em função das ferramentas de comunicação, da possibilidade de registrar as interações, de ampliar o número e o sentido dessas interações, mostram-se como uma modalidade de educação diferenciada e inovadora. Por isso é fundamental que se criem processos e estratégias que respondam às novas necessidades e circunstâncias dos novos recursos, coerentes com modelos e abordagens educacionais baseadas na interação social e na humanização dos indivíduos. Não é possível, portanto, simplesmente adaptar processos e práticas da educação presencial para a educação on-line.

Segundo Thorpe (1988), as ferramentas de comunicação introduziram mudanças e possibilidades “no que poderia ser avaliado e como”. As possibilidades de avaliação da aprendizagem ampliaram-se de forma significativa na medida em que se ampliaram as possibilidades de participação e interação: intervenções em fóruns e chats, atividades em grupo, trabalhos individuais, como resenhas, jornais, portfólios, etc.

A avaliação da aprendizagem em ambientes digitais deverá ser vista, portanto, sob diferentes perspectivas, sempre considerando as possibilidades oferecidas pelos recursos tecnológicos. Os paradigmas dos processos de avaliação na educação presencial não são suficientes para apoiar a prática da avaliação em ambientes digitais; eles devem ser construídos, a partir do novo contexto delimitado pelas TIC.

Incorporar todo o potencial de interação oferecido pelos ambientes digitais no processo de avaliação da aprendizagem é um dos principais desafios que se apresenta para a educação on-line. Como avaliar o desempenho individual sem desconsiderar o fluxo de interações do grupo e as

influências das situações não previstas? Uma proposta de avaliação aberta ao fluxo de interações supõe também a abertura para construção e reconstrução contínua dos instrumentos e estratégias de avaliação da aprendizagem.

A utilização dos registros das interações e produções individuais, em grupo e dos grupos como um todo, pode contribuir de forma significativa para o conhecimento dos alunos e do seu desenvolvimento, contribuindo para feedback e orientações que realmente auxiliem os alunos em seus processos de aprendizagem. Segundo Hadji (2001) a avaliação formativa sempre informa os atores do processo sobre os caminhos percorridos. Por isso, a possibilidade de registro das interações é um dos instrumentos que mais favorecem o processo de avaliação formativa em ambientes digitais de aprendizagem.

Os processos de avaliação sejam eles presenciais ou a distância, estão vinculados a determinadas concepções de aprendizagem que definem, por assim dizer, a natureza das intervenções, instrumentos e estratégias. A proposta pedagógica é o que determina a natureza e orientação dos processos. Os recursos tecnológicos podem alterar a dinâmica das práticas, mas em si mesmo não são capazes de gerar mudanças.

2.7 A pesquisa sobre avaliação da aprendizagem em ambientes