Conforme apresenta Oliveira (2012), o capital, em seu incessante movimento na busca de espacialidades que lhe ofereçam condições mais favoráveis para a expansão, confere um papel de crescente complexidade à dimensão espacial no dinâmico processo de reprodução da vida social.
Dada a natureza desta complexidade, inúmeras são as possibilidades que podem ser estabelecidas na apresentação dos dados, tanto para as estratégias da ação política, como para as narrativas que buscam explicar os fenômenos sociais e seus rebatimentos espaciais.
Maricato (2013) ainda propõe que os estudos no campo da Habitação deixem de ser somente referentes a questões como política, déficit/demanda, qualidade das UHs, propondo que sejam estudados a fundo os agentes, as
causas e os interesses. É nesse aspecto que este trabalho irá se apoiar, estudando as estruturas de provisão habitacional12 e o acesso à terra para,
então, buscar compreender a localização e a inserção urbana, ou sua ausência. Para tanto, utilizou-se a proposta de uma pesquisa quantitativa, seguida de uma qualitativa, ou seja, realizou-se uma survey, com a qual foram entrevistadas, de forma estruturada, 302 famílias, de acordo com cálculo amostral de 95% de confiabilidade. Após essa primeira fase, processaram-se os dados e realizou-se uma estatística descritiva das respostas coletadas, partindo assim para a etapa do estudo de caso, com observação documental, de planos e projetos, e in loco, como propõe o método de Yin (2010).
Essa pesquisa teve como objetivo geral compreender a Provisão do PMCMV na cidade de São José do Rio Preto - SP, e a inserção urbana e adequação socioeconômica e urbanística de dois empreendimentos faixa 2 da empresa Rodobens S/A13. Como objetivos específicos, buscou-se: 1) Analisar o padrão de inserção urbana dos empreendimentos faixa 2 da Rodobens S/A produzidos no âmbito do PMCMV no município de São José do Rio Preto – SP; 2) Entender as condicionantes para implantação dos empreendimentos do PMCMV faixa 2 da empresa Rodobens S/A sob abordagem da adequação socioeconômica e urbanística; 3) Identificar no contexto urbano a presença ou a ausência de itens como: infraestrutura e serviços urbanos; localização e acessibilidade; fluidez urbana; 4) Estudar qualitativamente dois empreendimentos, visando identificar impactos decorrentes da respectiva inserção urbana; 5) Identificar a percepção do morador quanto ao empreendimento.
Com a pretensão de se analisar mais detalhadamente os dados, que se apresentaram em grande quantidade, buscou-se a ferramenta estatística de análise de correspondência que, de acordo com Malhotra (2001), Johonson e
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BALL (1986 apud MARICATO, 2009, p.47) "A estrutura de provisão de habitação descreve um processo histórico dado destinado a prover e reproduzir a entidade física casa, focalizando os agentes sociais essenciais a esse processo e a relação entre eles".
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De acordo com portal da empresa Rodobens Negócios Imobiliários é uma incorporadora com 24 anos de atuação, já lançou mais de 166 empreendimentos residenciais em 53 cidades e 11 estados brasileiros, totalizando 63 mil unidades. Com capital aberto desde 2007 a empresa atuou em diversos segmentos do mercado imobiliários. Considerada uma das dez maiores construtoras e incorporadoras do país. a empresa faz parte ainda do Grupo Rodobens que a 65 anos vem atuando em outros segmentos como varejo de automóveis e serviços financeiros.
Wichern (1992), integra a Análise Multivariada, ou seja, uma ferramenta estatística que processa as informações de modo a simplificar a estrutura dos dados e sintetizar as informações quando o número de variáveis envolvidas é muito grande. A técnica da análise de correspondência facilita o entendimento do relacionamento existente entre as variáveis do processo, uma vez que permite a visualização gráfica das relações mais importantes do grande grupo de variáveis, por meio das distâncias entre os pontos traçados. Isso significa que as soluções, tanto entre as amostras (colunas), como entre as variáveis (linhas) são equivalentes.
A análise de correspondência14 foi desenvolvida por um grupo de estatísticos franceses desde o início dos anos de 1960, e é teoricamente equivalente a outras técnicas desenvolvidas em diferentes contextos desde meados da década de 1930 (GREENACRE, 1981), fazendo parte de um conjunto de métodos utilizados para a análise descritiva exploratória. A concepção geral é semelhante à análise de componentes principais e à análise fatorial, diferenciando-se destas, entre outros aspectos, por permitir a inclusão de variáveis categóricas.
Por fim, utilizou-se o método de análise de Cluster. Também conhecida como análise de conglomerados, é uma técnica para agrupar pessoas ou itens em conglomerados de elementos similares. Neste tipo de análise,
tenta-se identificar elementos similares pelas suas características. Formam-se então grupos, ou conglomerados, que são homogêneos e diferentes de outros grupos. Correlações e funções de distância entre elementos são utilizadas na definição dos grupos (ACZEL, 1992, p.813).
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Análise de correspondência (AC) é uma técnica de análise exploratória de dados adequada para analisar tabelas de duas entradas ou tabelas de múltiplas entradas, levando em conta algumas medidas de correspondência entre linhas e colunas. A AC, basicamente, converte uma matriz de dados não negativos em um tipo particular de representação gráfica em que as linhas e colunas da matriz são simultaneamente representadas em dimensão reduzida, isto é, por pontos no gráfico. Este método permite estudar as relações e semelhanças existentes entre: a) as categorias de linhas e entre as categorias de colunas de uma tabela de contingência, b) o conjunto de categorias de linhas e o conjunto categorias de colunas. A AC mostra como as variáveis dispostas em linhas e colunas estão relacionadas e não somente se a relação existe. A AC simplifica dados complexos e produz análises exaustivas de informações que suportam conclusões a respeito das mesmas. A AC possui diversos aspectos que a distingue de outras técnicas de análise de dados. A sua natureza multivariada permite revelar relações que não seriam detectadas em comparações aos pares das variáveis. É altamente flexível quanto a pressuposições sobre os dados: o único requisito é o de uma matriz retangular com entradas não negativas. Observe-se que é possível transformar qualquer característica quantitativa em qualitativa, realizando-se uma partição de seu domínio de variação em classes. A AC é mais efetiva se a matriz de dados é bastante grande, de modo que a inspeção visual ou análise estatística simples não consegue revelar sua estrutura. (GREENACRE; HASTIE, 1987)
Essa análise examina um conjunto completo de relacionamentos interdependentes sem fazer distinção entre variáveis dependentes e independentes, com o objetivo primário de classificar objetos em grupos relativamente homogêneos, baseando-se no grupo de variáveis consideradas e diferentes grupos.
Quando utilizada dessa maneira, a análise de conglomerados é o reservo da análise fatorial, posto que reduz o número de objetos e não o número de variáveis, por meio de agrupamentos destes em um menor número de conglomerados (MALHOTRA, 2001, p.671).
Uma aplicação da análise de Cluster é a redução da complexidade de um questionário de pesquisa que se pretende analisar diretamente. Ao separar os questionários em grupos, torna-se mais simples a compreensão e aumenta-se a capacidade de entendimento do pesquisador, com mínima perda de informação (HAIR et al., 1995).
Para trabalhar nesta pesquisa, foram selecionados os blocos de variáveis que melhor contribuiriam para a análise, uma vez que estavam mais ligados a estrutura do empreendimento, aos equipamentos públicos instalados no entorno, à localização e à acessibilidade. Esses blocos de variáveis estão reunidos no grupo 4 do questionário aplicado (vide anexo A).