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6   Presentasjon  av  intervjudata

6.1   Bakgrunnsinformasjon  om  informantene

Em Macbeth, as três bruxas, ao conversarem sobre o futuro dele fazem uma belíssima reflexão sobre o bom e o mau que, para elas não é algo petrificado, estável, imutável. Não existem polaridades, maniqueísmos. Para elas “o bom é mau e o mau é bom”. Uso esta metáfora para mostrar que embates eram travados nos diferentes pontos do circuito das comunicações, para mostrar os parâmetros levados em consideração para que os livros didáticos fossem difundidos na instrução pública de Pernambuco (DARNTON, 1990).

Para quem os livros eram bons? Ou maus? O que os tornava maus ou bons?

Em 1873, Henrique Pereira de Lucena, presidente da província esperava que as crianças recebessem os raios da iluminação para se tornarem cidadãos úteis. Para isto, a criança deveria freqüentar a escola e ter acesso a bons livros. Neste caso, o presidente da província determinava que eles precisavam ser elementares, terem ensinamentos morais e, além disto, trouxessem coisas úteis sobre a vida prática (LUCENA, 1873). Ela pensava na instrução como sendo “o pão do espírito”.

No ano de 1875 a lista dos livros aprovados foi publicada, em um número total, de 68 obras didáticas para serem usadas nas escolas públicas primárias de um e outro sexo (CAVALCANTI, 1875, p.1-3). A relação dos livros aprovados para esse ano está no anexo B.

Segundo Ana Galvão (2005) o Livro do Povo foi aprovado pelos julgadores para circular nas escolas da província de Pernambuco, já em 1863 em virtude de “constituir útil coleção de textos de máximas, de specimens zoológicas e de leis de Higiene”.

Além de ter circulado em diferentes províncias brasileiras nas últimas décadas do oitocentos, o livro é, atualmente, considerado uma obra rara, portanto justifica-se sua análise a fim de verificar o discurso da higiene, e identificar as aproximações com os compêndios que circularam posteriormente verificando se veicularam o mesmo discurso e quais os métodos de ensino que ele prescrevia.

Fator que não se pode perder de vista é que, neste mesmo período, foram aprovados os livros didáticos para serem usados na aula prática da Escola Normal do sexo masculino. Ou seja, os leitores eram os futuros mestres, o que nos permite pensar que durante seu exercício profissional já tinham um conhecimento prévio de quais livros didáticos seriam o melhor para a aprendizagem do aluno e que facilitasse seu mister de professor.

Ao mesmo tempo é permitido pensar que, primeiramente, os livros didáticos foram pensados para os professores e, posteriormente, foi pensado para o aluno (BITTENCOURT, 2004).

O que Munakata sugeriu é que existem, pelo menos dois tipos de leitores para o livro didático: “o aluno e professor”. E esta dupla, para ele “é estrutural: se um aparecer sem o outro pode-se até mesmo dizer que o livro didático deixa de sê-lo (MUNAKATA, p.579, 2007).

Quadro 2: Rol dos livros usados na escola Normal do sexo masculino em Pernambuco 1875.

Fonte: Relatório do Inspetor da Instrução Pública, 1875.

Parece que houve grande movimentação do Conselho Literário nesse período. O Relatório da Instrução, pública elaborado por João Barbalho (1876, p.26) mostrou que, no ano de 1875, houve 10 reuniões, sendo, seis de natureza ordinária e quatro vezes de modo extraordinário. Foram aprovados 10 pareceres sobre adoção de livros didáticos, sendo que uma delas se deu de modo independente da conferência do inspetor geral interino.

Neste período era bastante comum o próprio autor solicitar ao Conselho Literário a adoção do livro de sua autoria, mesmo que não fossem autores locais. Um bom exemplo pode ser

visto neste Ofício de João Barbalho, datado de 20 de maio de 1871 e encaminhado ao Presidente da Província, Adolpho de Barros Cavalcante de Lacerda

[...] Em face do exposto, acho inteiramente aceitável a proposta constante o Officio, que devolvo do Dr. Abilio Cesar Borges para fornecer a provincia cinco mil exemplares de cada uma das suas obras, tanto mais que não somente estas são de reconhecimento, mas tambem são offerecidas por preço muito modico e o proponente não marca prazo para seu pagamento. O livro é util nos ensinamentos escolares...estam ao alcance de qualquer professor inteligente.

Compral-os, portanto seria faser um excelente negocio sob todos os pontos de vista. V. Exa. Resolverá como melhor atender.

Deos guarde V.Exa (IP 25, 1879)

Apesar de não fazer parte de minha amostragem de pesquisa, não pude ignorar a negociação comercial havida entre Abilio Cesar Borges e a provincia de Pernambuco.

De certa forma, ela questiona o mito criado em torno de sua prodigalidade na distribuição, gratuita, das obras didáticas de sua autoria para as mais variadas vilas das provincias do Império, conforme relataram Isaias Alves (1924) e outros autores Valdez (2006) e HAIDAR (2008). Também, é possível que ratifique a crítica feita por Raul Pompéia, em O Ateneu, que acreditava na hipótese dessa benesse ser mais umas das estratégias para autopromoção de Cesar Borges.

Esta observação vai, de certo modo, ao encontro da tese de Conceição Cabrini (1993) quando ela questionou o mito da produção literária escolar “com objetivo apenas altruísticos”. Para reforçar sua idéia ela transcreveu um trecho do acordo comercial realizado, em 1917, entre a editora Francisco Alves e o filho de Abilio, o também professor, Joaquim Abilio Borges, que ficou “com o direito de, por sua conta, vender as referidas obras... recebendo, neste caso...unicamente a importância das despesas e mais 5% de comissão”.

Excerto do Relatório do Inspetor de Ensino da província de Pernambuco sobre uma proposta de venda de livros didáticos da autoria de Abilio Cesar Borges, revela os interesses envolvidos entre autores e autoridades educacionais da província.

Fonte: Relatório do Inspetor de Ensino, João Barbalho Uchoa Cavalcanti, 1875.

Para Robert Darnton (1990, p.134) “os autores constituíam uma espécie difícil... Por mais espirituosos que fossem à mesa do jantar, na hora de assinar contratos pareciam governados pela ganância”.

3.7.1.2 Um diálogo das artes gráficas com a higiene: um “mau livro” para a saúde do