A4. METODER VED ETTERARBEIDE
B1.2 TERMINOLOGI, BEGREPER
Instrução: Tenho uma tarefa específica para pedir que vocês executem. Cada um poderá falar, quando quiser, o que estiver pensando ou sentindo em relação ao que foi perguntado, ao que estiver fazendo ou ao que estiver sendo dito por qualquer outra pessoa
“Vamos imaginar que vocês teriam que se mudar da casa onde moram no prazo
máximo de 1 mês. Gostaria que vocês planejassem agora, em conjunto, como seria esta mudança”
MÃE: Ia para a praia. Iríamos ficar na cidade onde o pai dela está. Pronto. COMO SERIA ANTES DO ADOECIMENTO: não responderam
INTERPRETAÇÃO DE ACORDO COM CRITÉRIOS DE CORREÇÃO DA EFE
Comunicação - verbal e não verbal: O filho tentou participar mas a mãe da paciente cancelou a entrevista mostrando-se nitidamente incomodada com a situação. As informações fornecidas pela mãe eram vagas e Não houve engajamento ou colaboração na execução da tarefa
Regras: não democráticas. Deve-se considerar a idade do filho (15 anos) o que dificulta sua participação nas decisões.
Papéis: a ausência de membro no sub-sistema parental e inclusão da avó no papel de cuidadora. Papéis transformados, porém definidos.
Lideranças: autocrática com líder definindo pelo grupo. A mãe tomou iniciativa da situação não permitindo ao filho da paciente (seu neto) argumentar ou opinar.
Conflitos: ausentes.
Manifestação da agressividade: ausente. Afeição Física: ausente.
Individuação: ausente. Integração: ausente.
CASO 3
Participantes: esposa (49 anos) e filho (20 anos) Paciente: Sexo masc. Idade: 50 anos
Diagnóstico: Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico HISTÓRIA DO ADOECIMENTO
O paciente tem um histórico de 3 AVCs. O primeiro ocorrera 9 anos antes da entrevista. O quadro de incapacitação ficou configurado a partir do terceiro episódio, ocorrido 1 ano antes da entrevista, quando apresentou seqüelas mais graves e permanentes.
No primeiro episódio: apresentou mal estar intenso tendo permanecido por volta de 3 horas deitado chegando a dormir. Levantou-se para guardar o carro na garagem e quando voltou a deitar, apresentou convulsão e o irmão do paciente foi chamado para ajudar a esposa. Nessa época o filho estava com 11 anos e não participou do processo. “Não vi nada disso, tava dormindo” (FILHO). O paciente estava desacordado (estado que durou cerca de 4 horas) e foi encaminhado ao hospital e teve que ser transferido devido à ausência de equipamento tomográfico que pudesse confirmar o diagnóstico. Após constatação de AVCh extenso, o paciente retornou ao primeiro hospital no qual fora atendido, onde permaneceu por 28 dias em UTI. Sofreu insuficiência renal aguda tendo que ser submetido a tratamento de diálise peritonial.
Sintomas: não se lembrou do dia do AVC. Apresentou quadro de desorientação e pelo relato da família pode ter tido alteração de comportamento com liberação “Falou besteirada, um monte de abobrinha, não sabia o que estava acontecendo” (ESPOSA). Não apresentou seqüela motora ou de linguagem.
O paciente retomou atividade profissional (taxista). Não aderiu ao tratamento medicamentoso (anticonvulsivante e anti-hipertensivo), tomando os remédios apenas quando sentia algum mal estar e não seguindo as orientações médicas. Segundo o filho, a falta de adesão era justificada pelo paciente ao efeito colateral de sonolência que interferia no trabalho. “Não tomou devido à sonolência porque não conseguia trabalhar o dia inteiro” (FILHO).
Começou a fazer uso regular de bebida alcoólica “Antes bebia socialmente, nas festas, então começou a misturar bebida muito forte” (FILHO). “Antes não bebia, aí, todo bar que ele parava, ele bebia cerveja, cachaça, ele ficava andando de carro bebendo e pegava poucos passageiros. Daí para frente teve várias crises convulsivas (Total=39) e mesmo assim ele não tomava medicação” (ESPOSA).
A esposa acompanhava o paciente nas consultas médicas e informava sobre o comportamento do paciente: falta de adesão e consumo de álcool.
Nesta fase, a família identificou intensificação das alterações de comportamento que associaram ao quadro neurológico. “O comportamento foi piorando devido às convulsões pelo agravamento na lesão, ele foi piorando. A quantidade da bebida foi aumentando” (FILHO). Dois anos depois o paciente sofreu o 2º AVC também iniciado com uma crise convulsiva. “Quando aconteceu ele tava em casa não tinha ido trabalhar” (ESPOSA). Ficou menos tempo internado sem complicações. Após a alta a rotina permaneceu a mesma não tendo sido acrescido nenhum sintoma após o AVC. O paciente continuou trabalhando “Não conseguia trabalhar, ficava cansado, dizia que não ia ficar sem dirigir” (ESPOSA). “Várias pessoas o viam dormindo dentro do carro” (FILHO). Fazia uso da medicação apenas quando sentia que a pressão estava alta (dor no peito). Nessas ocasiões ia deitava-se e aguardava melhorar. A recomendação do neurologista que o acompanhava foi proibi-lo de dirigir devido às convulsões e falta de adesão. Foi medido nível sérico e verificado que não tomava Hidantal (anticonvulsivante). Apesar disso, continuou dirigindo e não voltou ao médico após essas orientações. O dinheiro que ganhava era usado para a gasolina e bebida, começou aos poucos a ajudar menos em casa.
A seguir serão relatados os dados relativos ao terceiro AVC que configurou o quadro de incapacitação.
Início: um ano antes da entrevista apresentou o terceiro AVC. Como sintomas iniciais, apresentou perda de movimento no hemicorpo esquerdo “Não mexia o braço e perna esquerda não teve convulsão em casa, apenas quando chegou ao hospital” (ESPOSA) e perda da fala. Diagnóstico: identificado prontamente pelos familiares devido aos antecedentes
Período de hospitalização: Ficou 25 dias internado.
da empregada doméstica. Das outras vezes ele só tomava quando a esposa dava e agora toma com ajuda. Além do tratamento medicamentoso, estava em atendimento em instituição pública que oferecia: fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, enfermagem, serviço social e acupuntura. “Vai 2 vezes por semana e fica das 7 às 13 horas” (ESPOSA).
Seqüelas e perdas: Melhorou em relação ao quadro inicial. Conseguia andar com dificuldade “Arrasta a perna esquerda, não consegue dobrar o joelho” (FILHO). Mantinha déficit motor e de linguagem sendo sua fala por vezes incompreensível. Com relação ao comportamento, apresenta-se impaciente e muito mais irritadiço e teimoso. “Faz escândalo, grita, parte para esse lado, ameaça chamar a polícia” (ESPOSA). “Agora piorou, ele quer ir para o sol, enquanto não der a chave na mão dele, não sossega” (FILHO). Apresentou características paranóicas “Achou que o filho estava vendendo drogas, que a namorada tinha engravidado”. O paciente estava mais dependente. Precisava de ajuda para tomar os remédios, alimentar-se Seu estado de estado de saúde agravou-se e havia suspeita de necessidade de ingressar em tratamento de hemodiálise.
Antecedentes: Aém dos dois AVCs prévios, era hipertenso de longa data (Tinha uns 32 anos). Apresentava dor de cabeça e no peito. A esposa descobriu 4 ou 5 meses depois do casamento que o paciente não tomava as medicações prescritas pelo médico. Não é tabagista. HISTÓRIA DO PACIENTE
Escolaridade: sétima série completa
Vida profissional: sempre foi muito trabalhador. Trabalhou em uma fábrica de bobina como operário. Desde solteiro, trabalhava como taxista das seis da manhã às 11 da noite. “Trabalhava todos os dias, só não trabalhava se tivesse compromisso em família. Domingo chegava na hora do almoço” (ESPOSA).
Vida social: Nunca foi de levar amigo para casa, mas tinha muitos conhecidos no ponto de táxi, conhecia muita gente e se relacionava bem com as pessoas.
Vida familiar: É o irmão mais velho de uma prole de três. A mãe faleceu quando estava com 11 anos e o pai quando tinha 17. Assumiu a tutela dos irmãos. Houve uma ocasião na qual um dos irmãos estava “indo para o mau caminho” (ESPOSA) e ele interveio e desde então as relações com a família de origem ficou abalada. Após o casamento, embora trabalhasse muito, foi pai bastante participativo. “Acordava o filho quando pequeno pra brincar, curtia muito o filho, fazia tudo por ele. O berço ficava do lado dele – super participativo, trocava, brincava. Depois o filho não dormia enquanto o pai não chegasse. Sempre foi mais ligado com o pai que foi muito carinhoso sempre com o filho” (ESPOSA). Ajudava nos afazeres da casa dividindo a tarefa com a esposa que também trabalhava for a de casa. “Era muito responsável, fazia supermercado à noite porque a esposa sempre trabalhou, era participativo, fazia feira, sempre ajudou muito” (ESPOSA).
Temperamento e humor: “gostava das coisas bem certinhas” (ESPOSA), era paciente, calmo e brincalhão.
MUDANÇAS NO PACIENTE
Aspectos emocionais: houve uma importante mudança de comportamento com tendência à irritabilidade, agressividade e presença esporádica de conteúdo paranóico. “Deixou de ser carinhoso. Com todos ele ficou diferente” (FILHO). “Se tornou pessoa muito agressiva e de pavio curto. Cismava com as coisas” (ESPOSA). “Desde o primeiro ele perdeu a vontade de viver, ele foi se entrevando e não se cuidou, se largou, entendeu” (ESPOSA – referindo-se ao primeiro AVC).
Vida profissional: interrompeu atividade profissional devido à dificuldade de locomoção. “Não aceitava parar de dirigir, ele não vai ter mais condições de trabalhar” (ESPOSA)
Vida social: Os relacionamentos estavam voltados nos últimos anos para o consumo de álcool ou com os colegas de profissão. A interrupção da atividade profissional favoreceu isolamento. “Pedia para beber e sair para comprar cerveja sem álcool” (ESPOSA).
Vida familiar: o paciente passou a solicitar que a esposa sempre estivesse junto com ele (supermercado, médico). Apareceram conflitos associados à dependência dos familiares
HISTÓRIA DA FAMÍLIA
Decisões: era conjunta entre o casal mas mais centralizada na opinião do paciente “Se ele tivesse consciente eu tomaria decisão com ele, mas nessa situação tenho que resolver sozinha (ESPOSA).
discussões. (ESPOSA)
Perdas prévias: não foram relatadas
Enfrentando situações difíceis: o filho teve otite de repetição dos 4 aos 8 anos. Nesta fase, o paciente mostrou-se muito participativo. Era chamado por meio de bipe pela esposa sempre que o filho apresentava febre e prontamente ele retornava ao lar.
Acontecimentos Marcantes: o casal foi apresentado pela irmã do paciente. A esposa morava com a cunhada (na época, amiga) e ajudou na reaproximação do paciente com sua família. Depois que o filho nasceu, a esposa chamou o cunhado (irmão do paciente com quem ele teria se desentendido anos antes) pra ser padrinho.
IMPACTO DO DIAGNÓSTICO
FILHO: “Foi como se eu tivesse conhecendo uma pessoa nova, eu não entendia muito ainda. A minha mãe me explicou mais. Hoje percebi que não tinha entendido tudo ainda”.
ESPOSA:a esposa sentiu-se inconformada: “Tive que tirar 30 dias de férias para cuidar dele, sozinha eu e ele. É adulto, né, se fosse criança...é super bem informado ele sabe e entende” … “na terceira vez, depois de tudo… fiquei com muita raiva”
RELAÇÃO COM EQUIPE DE SAÚDE
A família encontra apoio na equipe em relação à dificuldade de adesão do paciente e mantém boa relação.
MUDANÇAS NA FAMÍLIA E NA VIDA DOS FAMILIARES APÓS ADOECIMENTO