3.2 Resultater fra kvalitativ forskningsmetode
3.2.1 B. Fokusgruppeintervju
O relatório efectuado pelo Centro de Formação Profissional para o Comércio e Afins (CECOA, 2004), sobre o “Estado de Arte” da RSE em Portugal, refere que a RSE em Portugal passou a ser exercida de forma mais sistemática após a celebração dos acordos internacionais, e designadamente da Cimeira Europeia de Lisboa, realizada em Março de 2000. Antes, a mesma
50 seria exercida de uma forma informal por um número elevado de empresas, incluindo PME. Leite e Rebelo (2010) acrescentam que a criação da Norma Portuguesa do Sistema de Gestão de Gestão da Responsabilidade Social (NP 4469-1:2008), funcionou como um marco na implementação das práticas de RSE.
O CECOA (2004) concluiu também que o tema da responsabilidade social teria um nível de prioridade baixo para a maioria das empresas Portuguesas. E um estudo realizado em 2000 pela
Market & Opinion Research International (MORI), indica que o tema era desconhecido do público
português, no entanto a maioria dos inquiridos (66%), referiu que o tema deveria ter mais atenção por parte das empresas (CECOA, 2004). O desconhecimento do tema por parte do público português explicaria em parte o desinteresse das empresas relativamente ao mesmo.
Por sua vez, Dias (2009) na investigação que realizou relativamente à divulgação da sustentabilidade empresarial, por parte de 49 empresas portuguesas cotadas no Mercado de Cotações da Euronext Lisboa, no de 2005, também concluiu que o relato da sustentabilidade não seria uma prioridade para as mesmas, uma vez que apenas 45% das empresas analisadas relatou temas referentes à sustentabilidade. No entanto o autor considerou os resultados como positivos, tendo em conta o carácter voluntário da divulgação da RSE.
Uma das primeiras investigações portuguesas sobre o tema foi realizada por Moreira, Rego e Gonçalves (2003), com base em inquéritos enviados a dirigentes de organizações portuguesas, de forma similar a um estudo efectuado em Espanha. O estudo funcionou como ponto de partida para outras investigações, contribuindo para compreender de que forma os gestores portugueses encaravam os diferentes aspectos da RSE. Os autores concluíram que os gestores portugueses demonstraram sensibilidade para a temática, invocando principalmente duas razões para a adopção da responsabilidade social: (1) porque é um dever; (2) porque é uma estratégia que poderá trazer vantagens competitivas. Os gestores também alegaram que por vezes não estabeleciam objectivos de responsabilidade social por receio de perderem competitividade relativamente às empresas que o não faziam.
Na dissertação apresentada por Gonçalves (2007), destinada a avaliar a responsabilidade social das empresas e a sua implicação sobre o marketing-mix e sobre a marca, são referidas como razões mais apontadas pelas empresas para adopção da RSE: a motivação dos colaboradores; o contributo para a sociedade; a melhoria das relações com os clientes, colaboradores, comunidade e outros parceiros; e a valorização da imagem. Curiosamente como motivações menos importantes na adopção da RSE, surgem o aumento das vendas, aumento da produtividade, valores pessoais dos accionistas e a redução dos custos operacionais.
Mais recentemente, Leite e Rebelo (2010) constataram que os gestores portugueses referiram mais motivações do que pressões relativamente à adopção da RSE, facto que os autores atribuíram ao carácter voluntário da RSE, denotando a importância crescente que o tema tem vindo a assumir no contexto português. Os gestores consideraram o envolvimento dos
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stakeholders como o principal facilitador na implementação da RSE. Como principais vantagens
da adopção da RSE, os gestores referiram a promoção e melhoria da imagem. Relativamente às principais desvantagens referiram, por um lado, a maior exposição devido ao facto de as partes interessadas disporem de maior informação, e por outro lado, a necessidade de a imagem transmitida estar em consonância com o que está a ser praticado.
Para Leite e Rebelo (2010), de acordo com os resultados do estudo que efectuaram, a RSE é cada vez mais considerada pelas empresas portuguesas, referindo os numerosos e bons exemplos que encontraram e que sugerem sejam reproduzidos para promover a implantação do conceito no meio empresarial e na sociedade.
O estudo de Leite e Rebelo (2010) permite-nos percepcionar que houve uma evolução positiva na adopção da RSE e na relevância que passou a ter, relativamente aos primeiros estudos referenciados e tendo em conta que Portugal apresentava um desfasamento relativamente à Europa: no índice National Corporate Responsibility Index 2003 da AccountAbility, Portugal ficou em 21.º lugar, atrás de todos os restantes países da União Europeia, à excepção da Grécia, e acima do Japão e dos EUA (CECOA, 2004). Leite e Rebelo (2010) também se referiram à escassez de dados que permitam estudar a situação portuguesa e à falta de “fórmulas” para a implementação da RSE.
Outro factor a ter em conta, de acordo com as conclusões de Gonçalves (2007) e de Leite e Rebelo (2010), será o relacionamento e o envolvimento dos stakeholders, que parece funcionar como um impulsionador importante na adopção da RSE por parte dos gestores portugueses. Também Branco e Rodrigues (2008), concluíram que as empresas portuguesas divulgam informações sobre a RSE para passarem uma imagem que legitime o seu comportamento perante os seus stakeholders. Neste estudo, onde foram consideradas 49 empresas, listadas na Euronest
Lisbon, foram analisadas as informações divulgadas nos relatórios anuais (em 2003) e na internet
(em 2004), com o intuito de identificarem os factores que poderiam influenciar a divulgação da RSE (Branco & Rodrigues, 2008). Estes autores referem também que as empresas preferiram a divulgação da RSE através dos relatórios anuais, relativamente à internet, e que as empresas com maior visibilidade denotavam uma preocupação maior em melhorarem a sua imagem através da divulgação da RSE.
Outros estudos, como o de Kastenholz, Ladero, Casquet e Amaro (2004), investigaram a responsabilidade social das entidades bancárias portuguesas, especificamente no que se referia à oferta de produtos financeiros “solidários”. Concluíram que o caso português seguia a tendência europeia, contudo com um certo desfasamento, havendo uma preocupação crescente com os aspectos da responsabilidade social, mas com uma oferta mais escassa comparativamente com outros países europeus.
Relativamente a investigações sobre a relação entre a RSE e o desempenho económico- financeiro, no contexto português, algumas abordaram de forma secundária o tema, como é o caso de Faria, Sargento e Eugénio (s/d). Tendo em conta a ausência no contexto português de um
52 índice que retrate a RSE de forma isenta e uniforme, as autoras construíram um índice de responsabilidade social para mensuração da RSE das empresas portuguesas. Testaram também diferentes hipóteses, e nomeadamente se as “empresas com maiores retornos financeiros tendem a ter um maior nível de RSE” (Faria et al., s/d, p. 12). Concluíram que quanto maior o retorno financeiro, menor o nível de RSE.
Também Moreiras (2010), no contexto das PME Portuguesas, analisou a correlação entre a RSE e a performance organizacional, embora esse não tivesse sido o objectivo principal do estudo. O autor levou a cabo uma investigação no âmbito de uma dissertação, tendo distinguido dois grupos de empresas, através da aplicação de questionários: (1) um representativo da visão moderna da RSE, que incluía empresas que consideravam que o negócio tem responsabilidades para com a sociedade e que existem benefícios na adopção da RSE; (2) e o outro representativo da visão clássica da RSE, que incluía empresas que defendiam que as organizações se devem concentrar apenas nos lucros e deixar as questões sociais para organizações que não incluam objectivos económicos. O resultado da investigação indica que as empresas com uma visão moderna da RSE apresentavam um desempenho superior nos indicadores de rendibilidade e de retenção de clientes, relativamente às empresas com uma visão clássica da RSE, o que, segundo Moreiras (2010), sugere que de facto existirão benefícios na adopção da RSE.
Outro estudo, realizado por Roque e Cortez (2006), focou-se na relação entre a divulgação da informação ambiental e o desempenho financeiro no mercado de capitais das empresas cotadas em Portugal. Pelos resultados obtidos, concluíram que as empresas que não divulgaram informação ambiental tiveram um desempenho financeiro (rendibilidade, risco e rendibilidade ajustada ao risco) superior às empresas que não divulgaram informação, embora acrescentem que as diferenças registadas não eram estatisticamente significativas. Sugerem que a relação negativa encontrada poderá ser justificada pela atenção reduzida que empresas e investidores estariam a prestar ao tema.
Desconhecem-se outras investigações que tenham abordado o tema da relação entre a RSE e desempenho económico-financeiro, no contexto português. A presente investigação diferencia-se pelo facto de assumir como objectivo principal o estudo da relação entre as duas dimensões, com o intuito de verificar se de facto uma actuação socialmente responsável pode contribuir para que as empresas tenham um desempenho económico-financeiro melhor, contribuindo para a sua sustentabilidade e para a sustentabilidade do meio em que actuam, gerando um círculo virtuoso.
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CAPÍTULO II – PRÁTICAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES: O CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL