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3. TEORETISKE TILNÆRMINGER

3.1 B EGREPSAVKLARING

A visão que o docente tem a respeito das características do curso de jornalismo torna-se importante, na medida em que, usando essas características, pode ele preparar-se, inclusive utilizando as ferramentas tecnológicas, que serão instrumentos de trabalho dos futuros jornalistas. Analisamos a seguir, aspectos da profissão docente e do profissional a ser formado pelo Curso de Jornalismo, tendo como foco principal o pensar e agir do professor com respeito às ferramentas tecnológicas, para melhor aproveitamento do corpo discente. Vários autores nos ensinam sobre esse assunto. Entre eles, encontramos:

Romani (2012), se vê diante do mundo de trabalho atual em constante e acelerada mudança, quando a maioria das pessoas concorda que é imperativo

ajustar o atual sistema educacional a esse novo mundo. Uma das mudanças necessárias se refere à sociedade da informação, liderada pelas ferramentas tecnológicas ora existentes. A Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE) se encontra frente a uma força de trabalho menos qualificada, onde há déficits de competências necessárias, principalmente na área tecnológica. O autor salienta o cenário europeu, onde a transformação do mercado de trabalho aponta para a necessidade de preparar indivíduos altamente qualificados, inclusive na área tecnológica. Até 2020, podem ser criados 17,7 milhões de novas vagas de empregos de alta qualificação, inclusive na área de sistemas TDIC.

Esse cenário enfrenta outra perspectiva, que relega os conhecimentos pedagógicos a segundo plano e desvalorização, já que a formação específica para a docência foi considerada desnecessária (KESSLER, 2002). Desta forma, a autora ressalta que o que se espera dos docentes universitários é apenas e tão somente o conhecimento científico de sua área, com fortes fundamentos da ciência e exercício profissional competente. Outro aspecto apontado é a desqualificação da pedagogia universitária, vista apenas como conjunto de normas fundamentadas na racionalidade técnica.

Lucarelli (2000) informa que não se leva em conta a perspectiva

de que a pedagogia universitária é um espaço de conexão de conhecimentos, subjetividades e cultura, exigindo um conteúdo científico, tecnológico ou artístico altamente especializado e orientado para a formação de uma profissão (p. 36).

Quando se refere à profissionalidade docente, a reflexão sobre o assunto tem surgido de maneira a traduzir-se na ideia de ser a profissão em ação, em processo, em movimento. É Gimeno Sacristan quem fala desse aspecto, como sendo “a expressão da especificidade da atuação dos professores na prática, isto é, o conjunto de atuações, destrezas, conhecimentos, atitudes e valores ligados a elas, que constituem o específico de ser professor (1993, p.54). Ainda mais, conclui ele, a docência é processo, é mudança, é movimento, é arte, é o tudo novo.

Ao observarmos e estudarmos o perfil dos docentes do curso de jornalismo, observamos que eles enfrentam as dificuldades próprias de uma época de transição. Alguns pesquisadores defendem a posição de que há certa concordância ou consenso quanto à influência das ferramentas tecnológicas na organização

jornalística e rotinas de trabalho. Entre eles estão os autores Michael Kunczik (2201), Bill Kovach e Tom Rosentiel (2003), Ignácio Ramonet (1999) e Dominique Wolton (1999), que afirmam que as ferramentas tecnológicas trouxeram agilidade e qualidade no processamento da informação, facilitando várias etapas do trabalho, mas ao mesmo tempo duvidam que essas ferramentas tenham causado grandes alterações no fazer jornalístico, pois não foram suficientes para alterar valores consagrados dentro da área. Para Wolton (1999, p.268-9), a mudança foi apenas na forma de linguagem, o que não alterou os valores consagrados do jornalismo. Por melhores que sejam, as ferramentas tecnológicas não transformam automática e nem profundamente, os conteúdos trabalhados.

Na visão de Lévy (1999) verifica-se que as ferramentas tecnológicas de hoje são em muito diferentes daquelas do passado e por essa razão, sua influência pode trazer mudanças de valores e conceitos. Fica clara a visão de que o uso das TDIC não provocam apenas mudanças externas, mas vão muito além, transformando valores essenciais da prática jornalística. Lévy, considera que a tecnologia, inserida no processo do fazer jornalístico pode potencializar mudanças, quando afirma:

Sua presença e uso em lugar e épocas determinados cristalizam relações de força sempre diferentes entre os seres humanos. (,,,) Uma técnica é produzida dentro de uma cultura, e uma sociedade encontra-se condicionada por suas técnicas. E digo condicionada, não determinada (1999, p. 13 e 25),

O autor considera que as ferramentas tecnológicas não possuem um caráter sobrenatural, como também a sociedade não é uma extensão da tecnologia. É sua característica articular mudança, controle e administração de novas formas de bens como a comunicação, onde o jornalismo é um exemplo desta realidade.

Johnson (2001) sugere que a mudança é cultural, imaginativa, tanto quanto é tecnológica e econômica. As mudanças estão relacionadas à diferentes tecnologias que transformam o mundo, mudança essa que pode ser comparada àquela que aconteceu na Revolução Industrial, quando surgiram técnicas novas de produção, mas também de relações sociais e poder. O autor sugere que as ferramentas tecnológicas são distintas pelo fato de ampliarem a capacidade cultural e intelectual do homem. Essas ferramentas centralizam conhecimentos e informação e permitem seu uso para ampliação do conhecimento e dos mecanismos de processamento da informação. Castells (1999) afirma que a mudança se deu na capacidade de utilizar como força produtiva a capacidade superior do homem de processar símbolos.

O uso das ferramentas tecnológicas provocaram uma revolução e fizeram surgir novos conceitos culturais que englobam vários saberes e modos de agir e que implementam novas formas sociais, como por exemplo, as comunidades virtuais e uma inteligência coletiva (LÉVY, 1999).

Castells (2001) acredita que as ferramentas tecnológicas, principalmente a Internet, acabam por incorporar a cultura e os valores de seus criadores.

De posse das posições desses teóricos, verificamos que no ambiente jornalístico e no curso de jornalismo as ferramentas tecnológicas colocam à disposição desses profissionais, a possibilidade de obter a informação necessária para complementar suas matérias, contribuindo para maior aprofundamento dos temas abordados. Pode-se perceber a necessidade que existe de docentes preparados, para auxiliar os alunos no processo do ensinar, com referência às ferramentas tecnológicas, que atualmente dominam o mundo da comunicação. No entanto, é preciso cuidado como uso das mesmas fontes, pois elas são reais e instantâneas, e abrem espaço para que as matérias jornalísticas se tornem padronizadas e reproduzam o mesmo discurso.

As ferramentas tecnológicas também acrescentam à percepção dos jornalistas a noção de liberdade de ação. Ao serem colocadas à disposição do público, pois qualquer pessoa pode ter acesso, as notícias se tornam produto de livre circulação, podendo, inclusive ser apropriados por outros. Aparentemente, o que está na rede não é de ninguém. Essa realidade se vê especialmente no radiojornalismo, onde a informação é encontrada através das ferramentas tecnológicas e torna-se a base para a composição de boa parte do noticiário. Conforme Philippe Breton (2000), a percepção de transparência da realidade está na crença de que a verdade é a informação. No mundo jornalístico, as ferramentas tecnológicas contribuem para moldar as formas de viver e experimentar a notícia.

Na relação diária e constante com as ferramentas tecnológicas, os jornalistas aprendem a manusear seus recursos para obter informação. Além de aprender, os jornalistas são afetados por elas, de tal forma a mudarem cognitivamente, velozmente, de formas pouco perceptíveis, no ambiente da redação jornalística e podem ser observados no modo como os jornalistas interagem com as ferramentas tecnológicas. A grande questão que surge nesse momento é saber até que ponto as mudanças contribuem para minar os fundamentos do jornalismo defendidos na cultura profissional.

Na IPESESP, o cuidado com o curso e com o corpo docente é priorizado, já que, conforme informações do próprio site IPESESP.br, o profissional deve

sair preparado para atuar em empresas de comunicação – privadas ou públicas – e em instituições filantrópicas, entidades assistenciais e sindicatos de trabalhadores, em razão de sua formação cultural e humanística de base, que o torna apto a lidar com questões comunitárias que integrem a solidariedade e o coletivismo, fazendo do material que constrói (as informações e o noticiários) ferramentas de crescimento e fortalecimento desses vínculos na sociedade (disponível em www.IPESESP.br – cursos de graduação – jornalismo, acessado em 10/10/2015)16.

A Universidade tem a preocupação de informar ao profissional da grande responsabilidade dos jornalistas, em função de ser ele um agente social que vai além da aprendizagem técnica e prática de sua atividade. Desta forma, o curso investe para que a formação dos estudantes abranja vários aspectos como o social, o ético e humano, ofertando disciplinas que contextualizem fatos históricos, éticos, políticos, estéticos e técnicos próprios do jornalismo e possibilitem a evolução do pensamento. A Universidade trabalha no sentido de formar um profissional crítico e de propiciar conhecimentos específicos e profundos. A competência técnica, que envolve as ferramentas tecnológicas e é atualmente exigida pelo mercado de trabalho é disponibilizada através das atividades nos laboratórios de computação gráfica/fotográfica, além da presença nos estúdios de TV e rádio. (disponível em www.IPESESP.br – cursos de graduação – jornalismo, acessado em 10/10/2015)14.

No Projeto Pedagógico do Curso, encontramos definidos os objetivos, conforme se lê abaixo:

O objetivo do Curso de Jornalismo da IPESESP é formar um jornalista apto a formular pautas e planejar coberturas jornalísticas; formular questões e conduzir entrevistas; relacionar-se com fontes de informação de qualquer natureza; trabalhar em equipe com profissionais da área; compreender e saber sistematizar e organizar os processos de produção jornalística; desenvolver, planejar, propor, executar e avaliar projetos na área de comunicação jornalística; avaliar criticamente produtos, práticas e empreendimentos jornalísticos; compreender os processos envolvidos na recepção de mensagens jornalísticas e seus impactos sobre os diversos setores da sociedade; buscar a verdade jornalística, com postura ética e compromisso com a cidadania; dominar a língua nacional e as estruturas narrativas e expositivas aplicáveis às mensagens jornalísticas, abrangendo- se leitura, compreensão, interpretação

e redação; dominar a linguagem jornalística apropriada aos diferentes meios e modalidades tecnológicas de comunicação (Resolução MEC/CNE/CES 1/2013, apud PAIERO et al, 2013, p. 14)

Nos dias atuais, o jornalista não é dono da informação. O “gatekeeper” tornou-se o “gatewatcher”, que passa a ser o mediador da notícia. Os cursos de Jornalismo enfrentam essa mudança de paradigma, em função de drásticas mudanças em todas as áreas, entre elas, a dificuldade de obtenção de informações, dispersão para vários instrumentos de comunicação e fim da informação unilateral. Os enfoques dos cursos de jornalismo e em especial da IPESESP passam a ser o empreendedorismo, as linguagens, a tecnologia, o humanismo, valores primordiais da sociedade complexa e diversa; a sustentabilidade, a ética, valorização dos direitos humanos e valorização do campo teórico do Jornalismo (PAIERO et al, 2013, p. 15).

Conforme Santoro, Paiero e Capoano (2013), O curso de Jornalismo deve “compreender a interdependência dos sistemas de comunicação em direção a múltiplos modos de acessos a conteúdos a partir de relações complexas entre a mídia corporativa, de cima para baixo, e a cultura participativa, de baixo para cima” (p.4). Os autores se expressam com relação a complexidade das combinações entre tecnologia e comunicação, enfatizando que é preciso sair na frente na experimentação, como também no ensino, pesquisa e extensão. Para eles, o jornalista deve ter uma ampla e aprofundada visão e crítica do mundo.

No site da Universidade encontramos também o Regulamento de atividades Complementares, que se caracterizam

pelo conjunto das atividades de formação que proporcionam o enriquecimento acadêmico, científico e cultural necessário à constituição das competências e habilidades requeridas do profissionais de jornalismo17

(disponível em www.IPESESP.br – graduação –Regulamento de Atividades Complementares – p.1)

No mesmo Regulamento encontramos no Art. 1º., § 1º., item IV, a obrigatoriedade de frequência e aprovação em cursos de capacitação tecnológica pertinentes à área de Jornalismo, oferecidos pela própria Universidade ou outras instituições, possibilitando ao aluno o conhecimento do manuseio das ferramentas tecnológicas. No Art. 3º., § 1º., item IV, encontramos as exigências de atividades complementares de reportagens ou outras matérias jornalísticas, editadas nas mais diversas mídias, plataformas e linguagens; no item V – fotografias individuais ou

17(disponível em www.IPESESP.br

– graduação – Regulamento de Atividades Complementares – p.1).

produzidas em conjunto; no item VI – projetos editoriais e gráficos; no item VII, Designs da notícia e iconografias; no item VIII –Projetos de arquitetura da informação; Ítem XI – produtos completos como jornais, revistas, suplementos, livros, programas de áudio e vídeo, sites, portais, etc. Todas essas atividades, entre outras, propiciam ao profissional uma formação tecnológica específica e indispensável ao exercício de sua profissão na atualidade.

Podemos perceber o cuidado e a preocupação para que os discentes obtenham um perfil que se equipare às necessidades do mercado de trabalho, sendo preparado para as mais diversas situações do dia a dia.

No documento do Ministério da Educação que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais, percebe-se a preocupação com os profissionais docentes, para que possibilitem a inserção do aluno, conforme o Art. 2º., item IV – inserir precocemente o aluno em atividades didáticas relevantes para a sua futura vida profissional; Art. 4º., item I – formar profissionais com competência teórica, técnica, tecnológica, ética, estética, para atuar criticamente na profissão; Art. 4º., item V – preparar profissionais para atuar num contexto de mutação tecnológica constante no qual, além de dominar as técnicas e as ferramentas tecnológicas, é preciso conhecê-las em seus princípios para transformá-las na medida das exigências do presente; Art. 4º., item VI – ter como horizonte profissional o ambiente regido pela convergência tecnológica, em que o jornalismo impresso, embora conserve a sua importância no conjunto midiático, não seja a espinha dorsal do espaço de trabalho, nem dite as referências da profissão; Art. 5º. – item j – saber utilizar as tecnologias de informação e comunicação; Art. 5º. – item II – n – dominar linguagens midiáticas e formatos discursivos, utilizados nos processos de produção jornalística nos diferentes meios e modalidades tecnológicas de comunicação; o) dominar o instrumental tecnológico – hardware e software.