Nas análises desta categoria, se procurou verificar quais estratégias foram determinadas no planejamento da comunicação dos empreendimentos pesquisados. Ressaltamos que as estratégias e metodologias aqui relacionadas foram extraídas dos Planos de Comunicação, e foram classificadas num único campo onde davam indícios das estratégias de comunicação que seriam implementadas e também por qual método elas seriam conduzidas. Dos 37 Planos, 28 deles não mencionaram a estratégia utilizada. São eles: PETROBRAS (1987, 1992 e 1993), DERSA (1988), SABESP (1989 e 1996), CESP (1990 e 1995), Cia. VOTORANTIM (1991 e 2003), Prefeitura Municipal de Campinas (1994), CESP (1995), PETROBRAS / Marubeni do Brasil Ltda. (1999), CPFL (2001), DER (2001), Rodovia das Colinas S.A. (2002), CODESAVI (2003), EMBRAPORT (2003), Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo (2004), EMTU (2005), DAESP (2005), Alphaville Urbanismo (2006 e 2007), EcoUrbis (2007), Cimento Rio Branco (2007), CPTM (2008), Hyundai (2009) e SABESP (2011).
Contudo, as empresas que abordaram suas estratégias e metodologias para a implantação do seu Plano de Comunicação divulgaram-nas como segue no Quadro 7.
Empreendedor Empreendimento Estratégias
FEPASA - Ferrovia Paulista
S.A. Trem Metropolitano - Linha Campo Limpo - Santo Amaro
Este planejamento deve contemplar programas de monitoramento dos transtornos, sinalização no percurso da obra e de desvios do tráfego, além da divulgação do empreendimento junto à população local.
METRÔ - Companhia do
Metropolitano de São Paulo Linha 4 - Amarela do Metrô de São Paulo PS. O Programa se restringe ao intercâmbio de informações, não se constitui num fórum deliberativo sobre o empreendimento e suas características.
DAEE - Departamento de
Águas e Energia Elétrica Sistema Produtor Alto Tietê Informações técnicas sobre a obra, duração e horário, processos construtivos, interferências ambientais previstas e medidas de controle ambiental, além de disponibilizar um canal de contato entre o empreendedor e sociedade civil organizada.
Playcenter S.A. Parque Temático Great
Adventure (Hopi Hari) Deverá ter caráter proativo, e não somente corrigindo com informações à falta de conhecimento do empreendimento.
OPP - Petroquímica S.A. / Ultragaz S.A. / CESP /
PETROBRAS
Companhia Termelétrica
do Planalto Paulista - TPP Visitar entidades para oferecer palestras e material de divulgação da TPP. Utilização de materiais de divulgação como: folder, cartazes, folhetos, revistas, etc.
INFRAERO - Empresa Brasileira de Infraestrutura
Aeroportuária
Ampliação do Aeroporto Internacional de São Paulo
- Guarulhos
O Programa se constitui num mecanismo básico de interação e negociação social entre o empreendedor e diversos grupos sociais ao longo do planejamento, construção e operação do empreendimento.
Usinas Batatais S.A. Ampliação Industrial da Produção e das Áreas de
Plantio
O processo de informação deve ser interativo e permanente nas 3 fases do licenciamento, para criar uma relação de confiança entre a comunidade e a Usina, que possibilite ouvir e considerar as expectativas e demandas, essencial para reduzir conflitos e orientar comportamentos adequados.
DERSA - Desenvolvimento
Rodoviário S.A. Rodoanel Mario Covas - Trecho Leste Estabelecer um relacionamento de confiança entre a DERSA e as comunidades afetadas. Continuidade das etapas previstas na etapa pré- construtiva.
TONON Bioenergia S.A. Ampliação da TONON
Bioenergia S.A. - Santa Cândida
Divulgar as questões ambientais através dos meios de comunicação e pessoalmente pelo Departamento de Meio Ambiente, responsável também por todas as questões e reclamações das partes interessadas.
COMGÁS - Companhia de
Gás de São Paulo Reforço da Rede Tubular de Alta Pressão - RETAP Utilizar vários recursos para a implementação do Programa: informativos, reuniões, palestras, etc. Os segmentos receberão mensagens com linguagem e conteúdo diferenciado, informando e esclarecendo sobre as características do projeto, o processo de licenciamento, e as medidas de mitigação dos impactos.
Quadro 7 – Categoria: Estratégias
Como parte desta análise, passamos a apresentar algumas evidências e comentários sobre os conteúdos encontrados. Identificamos três questões que indicam possíveis estratégias a serem utilizadas na comunicação pelos seus empreendedores:
I. Transtornos durante a fase de implantação do empreendimento
Ficou evidente neste caso que o planejamento da comunicação não fez nenhuma referência às estratégias para a implementação dos Planos de Comunicação, apenas demonstrou as preocupações em relação à fase de implantação do empreendimento. Direcionou a comunicação para as ações de monitoramento dos transtornos à população como, por exemplo, sinalização no percurso da obra e de desvios do tráfego, informações técnicas sobre a obra, duração e horário, processos construtivos, e também informar as interferências ambientais previstas e medidas de controle ambiental. Nestes casos, a comunicação deverá contribuir para minimizar os efeitos e contratempos das obras junto à comunidade.
FEPASA (1992) – Trem Metropolitano - Linha Campo Limpo |Santo Amaro. DAEE (1997) – Sistema Produtor Alto Tietê
II. Comunicação reativa e menos participativa
Neste caso específico, não podemos afirmar que é uma estratégia para a implementação do Programa de Comunicação. Na análise, fica evidente a precaução e o direcionamento para uma comunicação mais reativa, menos participativa, informando que a comunicação não irá se restringir ao intercâmbio de informações, e não se constituirá num fórum deliberativo sobre o empreendimento e suas características, ou seja, não irá discutir o empreendimento, contrariando o que foi mostrado nas teorias abordadas nesta pesquisa referente à participação e engajamento de todas as partes interessadas, que poderia contribuir com a melhoria do empreendimento, tanto social quanto ambientalmente.
METRÔ (1994) – Linha 4-Amarela.
III. Direcionamento para ações de comunicação proativas, que proporcionem uma interação e gerem confiança com os públicos envolvidos.
As estratégias aqui demonstradas direcionaram a comunicação para uma atividade proativa, não somente para esclarecer dúvidas sobre o empreendimento. As estratégias de comunicação foram estabelecidas para garantir interação e
negociação entre os empreendedores e seus diferentes públicos, de forma permanente e ao longo das fases de planejamento, construção e operação do empreendimento. As ações vão ao encontro de se estabelecer uma relação de confiança e devem possibilitar ouvir e considerar as expectativas, demandas e reclamações dos públicos envolvidos. Igualmente, devem esclarecer sobre as características do projeto, o processo de licenciamento e as medidas de mitigação dos impactos. Foi previsto a utilização de diferentes recursos de comunicação, com conteúdos diferenciados, realização de visitas e palestras aos públicos envolvidos, disponibilização de material e peças de comunicação produzidas, divulgação das questões ambientais através dos meios de comunicação, por exemplo. Reduzir conflitos é um dos resultados esperados pela implementação de ações proativas de comunicação.
Playcenter (1998) – Hopi Hari
OPP/Ultragaz – Termelétrica do Planalto Paulista - TPP INFRAERO (2004) – Aeroporto de Guarulhos
Usina Batatais (2008) – Ampliação Industrial DERSA (2009) – Rodoanel
TONON (2010) – Ampliação Industrial COMGÁS (2011) – Reforço Tubular