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Avkastningskrav og risiko

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4 Verdsettelsesmodeller

4.1 Diskonterte kontantstrømmodeller (Fundamental verdsettelse)

4.1.3 Avkastningskrav og risiko

A jornada para a perfeição, na qual o herói visa recuperar um tesouro perdido ou obter um conhecimento especial, é um tema recorrente em diversas lendas e mitos, dentre os quais se destaca a do Santo Graal:

A lenda do Graal é a representação simbólica do tema do herói que empreende a busca do objeto valioso e sagrado, que conduz ao Centro, ou que é o próprio Centro, presente em cada um. A busca do Graal é um tema arquetípico e corresponde a um caminho iniciático, cujo percurso é feito de vicissitudes, mas que é determinante para que o iniciado desenvolva as suas qualidades e se aproprie dos seus potenciais internos. Realizando aquilo que ele verdadeiramente é, em sua essência mais profunda, o herói alcança a plenitude. (CAVALCANTI, 2008, p. 155). Em certa medida, Piñon retomaria essa lenda quando narra a peregrinação de Johanus, estabelecendo relações de similaridades entre o personagem do seu romance e o da narrativa mítica: ambos são cavaleiros que desconhecem as suas origens nobres e que não sabem qual é a sua verdadeira identidade. No desenvolvimento da aventura, eles vão realizar a descoberta de si mesmos, atingindo o centro sagrado da terra-mater, onde está localizado uma espécie de tesouro por meio do qual eles restabelecerão a identidade perdida. Esses personagens desenvolvem, assim, uma cosmicização da própria personalidade, deslocando-se do caos da ignorância, representado pela falta ou perda da noção de si, para um estágio de consciência, depois de ultrapassarem uma série de provações.

No romance Fundador, essa caminhada rumo à recuperação do Graal, que para Johanus representa o alcance de um conhecimento essencial, de uma restauração da sua singularidade, acontece por rotas não oficializadas, por terras que não se visitam e segue em direção a Jerusalém. Dentro de uma interpretação simbólica, mítico-religiosa, essa peregrinação representaria um deslocamento da morte para a vida, da imperfeição para a perfeição. Metzger e Coogan (2003, p.

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139) atestam que, no século IV, os cristãos seguiam em direção à Palestina, especialmente a Jerusalém, a fim de se santificarem, buscarem a sua perfeição. Essa ambulação em direção à cidade santa é, certamente, baseada na peregrinação de Jesus, que localiza os eventos principais do seu ministério na cidade de Jerusalém:

Embora os textos variem, cada um dos Evangelhos descreve Jesus como se deslocando de maneira aparentemente inevitável para Jerusalém, o local dos eventos-chave da sua vida e da concepção que o cristianismo tem de si mesmo, que são a morte e a ressurreição de Jesus; (METZGER & COOGAN, 2002, p. 138).

Enquanto os cristãos baseiam-se no comportamento de Jesus para se dirigirem rumo a essa territorialidade, que é considerada uma das mais importantes para o cristianismo, o povo judeu justifica a errância em direção a Jerusalém lembrando que, desde os primórdios dos tempos, essa é a localidade ofertada por Deus para ser o centro nacional e religioso do Estado judaico. Em contrapartida, o povo muçulmano elege Jerusalém como destino, observando que esta foi a cidade onde o profeta Maomé teria finalizado a sua errância noturna e onde ele ascendeu ao céu.

Como se vê, toda uma simbologia ligada ao sagrado e à passagem de um estado de nulidade para uma condição de significância pode estar relacionada à errância de Johanus. Seguindo a mesma trajetória realizada por Jesus e pelo profeta Maomé, ele também realiza um rito de passagem da morte à vida, visto que o desconhecimento de sua própria identificação equivaleria a uma suspensão da vida. Todavia, antes de aportar na localidade ofertada pelo cartógrafo e finalizar a descoberta das suas memórias subterrâneas, o personagem herói terá muitas surpresas, dentre as quais destacamos a descoberta de um convento, o qual, outrora, na temporalidade primeira, fora forçosamente abandonado por Monja e suas companheiras. Assim, na busca da “Cidade de Deus”, o viajante se depara antes com uma construção de tempos remotos que acaba por provocar nele um efeito inesperado, despertando-lhe uma sensação de pertença, como se o

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convento reclamasse parte de suas origens, segundo se pode ler no texto narrativo:

Alcançou o convento durante a noite. No centro de uma terra em desterro. O desalinho das matas, pedregulhos como produtos de chuva, a dificuldade de vencer a vegetação protegendo a peça rara. Deixou o animal no pátio. A natureza fornecendo-lhe comida. Exigia repouso, roteiros que Stamponato não ordenara. [...] Pela manhã, percorreu jardins e casas. Um sentimento estranho afirmando-lhe que metade do seu corpo ali fora concebido. A paisagem reclamada. (PIÑON, 1997, p. 56).

Descrito como uma “peça rara”, o convento se apresenta para o viajante como um tesouro escondido nas matas. Ali ele encontrará a chave para decifrar o enigma que acompanha a sua trajetória, a primeira pista para elucidar as suas origens, por isso a dificuldade que tem de alcançar o monumento, chegar perto, talvez, do seu passado. Aguiar (2007, p. 1) observa que Johanus escava as suas origens em territórios estranhos. Em nossa interpretação, as ações de afastar o matagal, ultrapassar os pedregulhos que se colocam como obstáculos em seu caminho e vencer a vegetação que esconde o mosteiro equivalem à primeira dessas escavações. Explorando o território do convento, o personagem atinge o seu centro, onde encontra a capela, lugar no qual principiará o resgate das suas memórias subterrâneas:

A capela emocionou Johanus mais de perto. De onde se estivesse, era ela o centro, ainda que a vegetação a cobrisse. Dentro um calor concentrado, de estábulo, lugar de nascimento, mulher despachando a cria, a placenta iluminando as pedras. E onde se poderia nascer melhor? o coração correndo, igual a bezerro selvagem, apenas nasce e esclarece o corpo. (PIÑON, 1997, p. 81).

Note-se, a princípio, que, na descrição da capela, Piñon evoca elementos de uma tradição cristã responsável por narrar o nascimento de Jesus. Diz essa tradição, baseando-se no evangelho de Lucas, que o filho de Deus teria nascido num estábulo onde foi envolvido em panos e colocado numa manjedoura. No contexto do romance, a capela, localizada estrategicamente no meio do mosteiro, parece ser o ponto do qual um dia se espargiu a vida do lugar. Ao adentrá-la, o viajante partilha do calor uterino. Experiencia sensações de um feto, como se

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retornasse ao momento do nascimento, realizando, como o herói da temporalidade anterior, o seu regressus ad uterum.

A evocação desse cenário crístico poderia levar o leitor a estabelecer analogias para além do aspecto espacial entre o nascimento de Jesus e o de Johanus. Como até então desconhecemos a paternidade do herói, poderíamos supor que, assim como Jesus, ele poderia ser filho de um deus, tendo sido concebido quando este desceu ao templo para se unir à mulher religiosa, essa mesma que Johanus acaba trazendo à memória quando entra na capela e que poderia ser considerada, pela sua ligação com o universo do sagrado, uma espécie de deusa. Essa interpretação relativa a uma paternidade divina se sustentaria se relacionássemos a ela os estudos de Cavalcanti a respeito dos templos orientais. De acordo com a pesquisadora:

No centro do templo sempre estava localizado o útero, a câmara ventre do embrião, o Garbhagriha, o lugar escuro onde se realizava o casamento sagrado do Deus e da Deusa, onde se efetuava a união do masculino e do feminino. (CAVALCANTI, 2008, p. 51).

Nesse contexto, a capela é a representação do templo, um dos símbolos do centro, que, como já mencionamos anteriormente, deve ser construído na região central da localidade. Para arquitetar a edificação do templo, o homem primitivo devia ter um conhecimento geométrico que lhe possibilitasse distinguir as formas, medidas e proporções do território a fim de ordenar o seu mundo, obedecendo a uma ordem cósmica que servia de arquétipo para as construções terreais. Por esse motivo, a capela, situada no convento que Johanus descobre, ocupa sempre uma posição central, mesmo que o sujeito que a visualiza mude de posição.

Quando se aproxima do templo, Johanus é tocado pelas impressões que a territorialidade da capela lhe desperta e, como resultado dessa aproximação, se emociona, indaga-se, perguntando em que outro lugar “se poderia nascer melhor”, sem suspeitar ainda, talvez, que a sua procedência pudesse dali ter sido originada. Investigando o mito da migração por meio de uma leitura crítica da novela O Senhor Ventura, do escritor português Miguel Torga, Almeida (2003, p. 186) observa que “A volta à terra natal, traz subjacente o anseio pelo retorno ao

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útero materno”. Dessa maneira, a viagem de Johanus não é apenas espacial, funciona antes como um retorno ao passado, no qual o viajante deseja reencontrar a sua matriz, obter um segundo nascimento, requerendo para si um parto diferente daquele que outrora fora revelado pelo amigo Gordão.

Fazendo o caminho de volta à procura de suas raízes, Johanus reconstitui, pela imaginação, a história daquele templo, realiza nele o rastreamento da perda da própria origem, desdobrando-se em arqueólogo, a fim de explorar a arquitetura do monumento e buscar ali os resíduos da sua gênese:

Antes, Johanus arrastou-se pelas paredes, testando superfície, um tato de rei, que estranha toda saliência, até que descobriu a inscrição na pedra, que parecia alimentar seu corpo. [...] Sem dúvida que a mulher tudo fizera para proteger a inscrição que Johanus desvendara como se aquelas palavras se dirigissem a ele. Pois quem mais aceitaria os sentimentos da mulher com o corpo latejando sob a certeza de que também ela estivera onde se encontrava ele agora? (PIÑON, 1997, p. 84).

O corpo do viajante em contato com o corpo da capela busca encontrar reciprocidade na matéria explorada, procurando nela elementos que reclamem a sua origem, a qual, no caso de Johanus, não pode ser alcançada seguindo uma trajetória linear, mas pelo rastreamento de uma cadeia tortuosa, acompanhando conexões descontínuas, como a que se observa no convento: do estranhamento do relevo ao achado (in)esperado, aguardado como sua própria inscrição de nascimento. As palavras, outrora escritas por Monja nos recônditos da capela, como se protegesse um segredo no escaninho da própria alma, alimentam o corpo do viajante, tornam-no herdeiro de uma confissão assinalada como uma agonia: “Palavras que Johanus não esqueceria. E como esquecer quem disse assinalando-se Monja apenas: Eu sou irmã de tudo que me perturba”. (PIÑON, 1997, p. 85).

A inscrição existe e persiste na pedra como vestígio de uma passagem. Fazendo a escavação do lugar, a qual também representa a escavação de suas memórias subterrâneas, Johanus se vê entre o não-mais da passagem e o ainda do signo. No contexto da narrativa, poder-se-ia considerar esse episódio como o achado da pedra filosofal, que aqui não tem a função de transformar metais

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inferiores em ouro, mas realizar simbolicamente uma modificação equivalente e que se refere ao tesouro oculto, ao ouro filosófico obtido por meio de uma mudança espiritual e sentimental na vida do personagem.

Como a descoberta de Johanus aponta para o encontro com um outro ser que aparece assinalado nas paredes da capela, de agora em diante, a busca do lugar de nascimento, de uma origem, associa-se ao desejo de encontrar aquela que, escrevendo-se na pedra, como se marcasse nela a sua certidão de nascimento, desperta-lhe o sentimento, arrebata-lhe pela primeira vez o coração. A partir desse instante, o viajor passa a ser uma alma suspirando à procura de sua Monja, como se buscasse a sua outra parte, como se passasse ela a ser a sua musa, a qual o possui da mesma maneira que, na mitologia grega, os poetas eram pelas Musas possuídos.

De acordo com Eliade (2007, p. 108), quando isso acontecia, eles podiam se alimentar diretamente da ciência da deusa Mnemósine, personificação da Memória, passando a reconhecer o seu passado pela recuperação de uma realidade primordial:

Graças à memória primordial que ele é capaz de recuperar, o poeta inspirado pelas Musas tem acesso às realidades originais. Essas realidades manifestaram-se nos Tempos míticos do princípio e constituem o fundamento deste Mundo.

Em Fundador, a presença sentida da “musa” Monja será fundamental para que Johanus retire dos próprios olhos as vendas da ignorância, realizando a sua

anamnesis, o seu despertar para o reconhecimento de si, da sua verdadeira

singularidade. Na manifestação do sentimento que o homem passa a devotar a mulher e que nasce com o encontro da “pedra filosofal”, reconhecemos os traços do herói cortês, os quais, segundo Meletínski (2002, p. 81), se exprimem por uma paixão amorosa profundamente individual dirigida a um objeto que se torna insubstituível e que, no caso de Johanus, se transforma quase numa obsessão.

Movido agora por uma dupla ambição, a de reaver a sua identidade e a de encontrar a mulher que outrora assinalou a sua angústia na arquitetura daquela construção, o herói não se detém no convento. Realiza mais uma separação,

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seguindo viagem em busca do invisível, da qual, segundo Maffesoli (2001, p. 188), o nomadismo é o sinal indubitável. Assim, vai ficando claro que, para esse personagem, a errância representa um retorno para o eu e um abrir-se para o outro.

Nesse sentido, Johanus vai fazendo a ligação entre o nomadismo do corpo e o estabelecimento de laços afetivos originários dos encontros que acontecem durante a construção da sua história: primeiro o amigo Gordão, em seguida o hierofante cartógrafo, posteriormente o encontro com Monja por meio da inscrição na pedra da capela. Nessa itinerância, os encontros não cessam, vão constituindo a trajetória do personagem, formando a sua vivência no movimento pela estrada. Maffesoli (2001, p. 153) observa que “o nomadismo favorece o caminhar para o outro”. Assim é que, deixando o convento e voltando a perambular por caminhos tortuosos, à deriva, Johanus não deixa de estabelecer novos vínculos. Depara-se agora com um pequeno exército que lhe dirige uma proposta tentadora: “Aceita o comando da nossa batalha?” (PIÑON, 1997, p. 94).

Analisando esse acontecimento, notamos que a passagem de Johanus representa, para os homens que ele encontra acampados no meio do nada, o cumprimento de uma espécie de sorte, como se o viajante há muito fosse aguardado para assumir o comando daqueles soldados. Nesse episódio, Piñon associa o destino do seu personagem herói àquele representado pelo arquétipo do cavaleiro, já que, doravante, ele será considerado por aqueles homens uma espécie de líder, responsável pela administração da armada, pela observação das complexas regras de combate e pela defesa dos fracos e deserdados e autoridade na conquista de terras maravilhosas, as quais aparecem em mapas escritos como hieróglifos e que poderiam ser considerados de fantasia:

Explicaram-lhe os senhores da terra a desventura, para que Johanus compreendesse os motivos da campanha. [...] – Não há documento confirmando, apenas o relato oral, de que Teodorico de Antióquia, antes de morrer, entregara aos antepassados, em troca de ouro ou favores desconhecidos, um mapa de que se diziam maravilhas, cujas terras, segundo regulamento ainda vigente, passavam a lhes pertencer, ainda que tantos anos se vencessem. E que os ancestrais, por estranhos desígnios, não se decidiram a empreender a sua conquista, o que os impediu de descobrirem que Teodorico de Antióquia do mesmo mapa

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fizera inúmeras cópias, distribuindo-as entre vários senhores, sem preveni-los, porém, de que não eram os únicos possuidores da preciosidade. Mistério apenas esclarecido naqueles dias, e após tantos anos, quando seus herdeiros, de uma só vez, se decidiram apossar-se do que lhes pertencia por direito legal, vindo a saber então que lhes cabia muito menos do que esperavam, ainda assim compensando o empreendimento. [...] Confiavam que Johanus lhes concederia a vitória. Embora antes da luta ele devesse interpretar o mapa que possuíam todos, sem o qual não alcançariam aquelas terras. Talvez não freqüentasse ele escolas de cartografia, e nesta ciência não se habilitasse. Mas, estavam seguros de que certos homens nascem com o dom congênito de interpretar a terra como se a tivessem habitado em milênios, sendo lhes pois os mapas familiares, e por que não suporiam que a Johanus, - É este seu nome? tivesse sido concedido este privilégio, que não se explica. (PIÑON, 1997, p. 95, 96).

Conquanto estejam preparados e dispostos a conquistar uma terra que por direito pertencia a seus antepassados, os homens que Johanus encontra no caminho de sua trajetória esbarram num obstáculo: o mapa de Antióquia, descrito como uma inscrição maravilhosa, é para eles um objeto ilegível, devendo, pois, ser decifrado por um indivíduo de caráter especial, com dom natural para os conhecimentos da cartografia. Desse modo, mesmo sem conhecer o viajante nem saber a sua procedência, se ele possui ou não formação para a batalha, eles o elegem como intérprete do mapa. Nomeiam-no como guia, acreditando, talvez, ser o viajor descendente de homens que, no passado, teriam fundado e habitado aquela comunidade escrita na representação do cartógrafo.

Aparentemente por um acaso, Johanus é eleito pelo grupo como comandante de uma expedição. Nessa função, tem como objetivo a condução correta de homens que se dizem herdeiros da localidade apontada no mapa de Teodorico de Antióquia e que se apresentam para o viajante como vítimas da astúcia do cartógrafo, que, no desejo de ludibriar os seus contemporâneos, teria aceitado se desfazer das suas cartas geográficas em troca de ouro, distribuindo cópias de um mesmo mapa, como se quisesse ver as terras indicadas naqueles desenhos sendo disputadas por indivíduos de várias procedências.

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