4.5 Towards herd animation from video
4.5.2 Avenues for animated synthesis methods
Toda organização pressupõe um modelo de administração. Isto significa dizer que a forma como uma determinada instituição escolar orienta suas atividades está condicionada a uma opção política, pedagógica e administrativa que influencia o cotidiano escolar. Esta opção irá se refletir na forma como se concebe o trabalho docente e as relações estabelecidas entre os diversos atores que compõem o coletivo escolar.
Muitos pesquisadores (PARO, 2007; OLIVEIRA, 2000; 2003; LIMA, 2008 e outros) nos fazem refletir sobre a administração escolar e o papel que ela desempenha no contexto das políticas implementadas no sistema capitalista contemporâneo, o que demonstra que, apesar de tantas mudanças, as organizações escolares ainda permanecem a serviço da manutenção do status quo da sociedade. No entanto, entendemos que este espaço também aglutina forças que se contrapõem a esta manutenção e forjam, no seu interior, aquilo que ficou conhecido, no pensamento gramsciano, como contra-hegemonia, que são formas de se colocar contra as ideologias vigentes e de buscar a transformação da realidade.
Neste sentido, Lima (2008, p. 7) nos traz uma interessante reflexão acerca das teorias das organizações, em um enfoque sociológico, uma vez que considera a administração como componente social e não meramente técnico.
Uma abordagem sociológica da organização escolar, como unidade social e como acção pedagógica, revela-se capaz de valorizar os elementos de mediação, ou intermediário, onde se articulam e são reconstruídos os elementos resultantes das focalizações analíticas de tipo macro e micro. Sem ignorar tais elementos, que de facto não pode dispensar ou desprezar, a mesoabordagem da escola parece constituir uma forma de integração/articulação de objectos de estudo macroestruturais (o Estado, os sistemas político e econômico, a macro-organização do sistema escolar, etc.) e de objectos de estudo de tipo microestrutural (a sala de aula, os grupos/subgrupos de formação, os actores e suas práticas em contextos específicos de acção).
Vislumbram-se, nas organizações escolares, espaços heterogêneos, em que são confrontadas diferentes posturas dos sujeitos, não sendo vistas apenas como reprodução de determinantes colocados pela sociedade capitalista, ou adaptação funcional aos determinantes do Estado (LIMA, 2008), mas enquanto espaço aglutinador de práticas diferenciadas, de sujeitos que se impõem nas suas opções políticas e culturais, que se enfrentam em uma arena de poder, em um contínuo jogo, onde não existem vencedores, mas podemos dizer também, nem perdedores.
A Escola Bosque, em sua primeira fase (1995, governo do PFL), no que se refere à organização da escola, vai ser considerada, na visão sistêmica, como um todo organizado e interrelacionado. Nesta concepção, “A abordagem de sistemas realça a forma como a acção das partes é estruturada pela necessidade que o sistema tem de estabilidade e de consenso em torno dos objetivos, e enfatiza o processo de integração e adaptação” (SILVERMAN apud LIMA, 2008, p. 19).
Essa forma de conceber a administração dentro da Escola Bosque deixa pouca margem para a participação dos sujeitos, tendo estes que se adaptar à organização, em todos os sentidos. Isto fez com que as pessoas estivessem em constante processo de avaliação de seus trabalhos, pois, a qualquer deslize, os mesmos eram desligados da instituição por inadequação aos objetivos da mesma. Dito desta forma é possível à compreensão quanto à organização, à estrutura e ao funcionamento da Escola Bosque, centralizada numa linha vertical de poder, sinalizando para um tipo de relação que Vitor Paro (1986) vai chamar, em seus estudos sobre
organização escolar, “mando e submissão”; ou seja, uma relação de poder na qual um manda e o outro obedece.
A concepção e a estrutura de funcionamento da Fundação Escola Bosque se diferencia de outras instituições por vários motivos nos quais podemos citar: Ser uma Fundação que uma Fundação e uma escola; ter uma verba especifica para cobrir suas despesas, estar vinculada ao gabinete do prefeito, é a inovação, na rede municipal de ensino, nos anos de 1995, em ofertar, junto com a Educação Infantil, o ensino de 1º e 2º graus e o ensino profissionalizante.
É bom esclarecer que a oferta do ensino de segundo grau (Ensino Médio, desde a LDB) e profissionalizante, naquele período e ainda hoje, é de responsabilidade do estado e que só poderia ser assumido pelo município quando este tivesse universalizado o acesso ao Ensino Fundamental, o que não foi (e não é) a realidade do Sistema de Educação Municipal de Belém, no período em questão. Mesmo assim, a Escola Bosque passou a ofertar os níveis Educação Infantil, o ensino de 1º e 2º graus e Ensino Profissionalizante, e frisamos sem regime de colaboração com o estado. A meta da prefeitura era transformá-la em uma universidade que formasse os futuros cientistas na área de meio ambiente.
Como Fundação, essa instituição possui autonomia administrativa, financeira e patrimonial (Cf. Art.4, da Lei nº 7.747/1995) Os objetivos que regem a mesma são:
I – atuação e manutenção da Educação infantil e Escola de primeiro Grau, em regime de tempo integral, com currículos próprios e ênfase para a educação ambiental na integração harmônica entre o homem e a natureza que o cerca.
II – atuação e manutenção da escola de segundo grau, em tempo e atenção integral, em caráter profissionalizante, voltado para cursos que preparem os estudantes para o gerenciamento dos bens da Amazônia e – em especial – do Arquipélago do Guajará, com ênfase aos cursos de formação de técnicos em manejo da fauna, da flora e em ecoturismo.
III – atuação e manutenção por meios próprios ou por convênios e acordos a serem celebrados com outras instituições nacionais e internacionais, governamentais e não governamentais de cursos, oficinas, encontros e programas de educação formal e não formais assim entendidos os projetos de pesquisa e de atendimento comunitário em todas as áreas do conhecimento que envolva o estudo do meio-ambiente, ai incluído até experiências inovadoras em termos de desenvolvimento humano sustentado.
A primeira fase de funcionamento da instituição teve duração de nove meses. Nesse período, a Escola Bosque tentou colocar em prática os fundamentos que nortearam sua fundação, como, por exemplo, a pesquisa como princípio educativo, na perspectiva da
educação ambiental. Este período é conhecido como fase experimental, em que procurou alicerçar as bases para uma futura universidade de pesquisa da área ambiental.
Uma das características da Escola Bosque, com relação à sua organização, está no fato de ter, para cada nível de ensino, uma coordenação pedagógica, cujo objetivo é desenvolver, com os docentes, a formação e a orientação dos trabalhos pedagógicos, na escola.
A concepção da Fundação Escola Bosque pensada inicialmente pela comunidade e depois, para a sua construção foi feita parceria com o poder público municipal. Todavia, ao longo da sua construção, esta parceria foi se distanciando, pois foram erguidas barreiras entre a comunidade e a escola, tendo ficado difícil a inserção comunitária nos direcionamentos da mesma, o que explica, talvez, a saída da arquiteta Dula Lima, antes mesmo do término das obras, e o não-comparecimento de Mariano Klautau na inauguração da escola (SILVA, 1998).
A organização pedagógica, na qual está assentado o trabalho docente, está ligada à metodologia de projetos, que visa organizar o conhecimento em torno de objetivos definidos coletivamente, por alunos e professores. Apresenta um conjunto de procedimentos metódicos de curta, média ou longa duração, com tarefas que atendam a um progressivo envolvimento individual e social do aluno, nas atividades empreendidas voluntariamente por ele e pelos colegas, sob a coordenação do professor (TRESCATROS; HOMOBONO; OLIVEIRA et al. 1996), vinculadas à problemática socioambiental, buscando identificar os problemas socioculturais, políticos e econômicos que a ilha vivencia e, consequentemente, a comunidade.
Para Demo (1996, p. 40),
Tomando-se em conta que educação e conhecimento são os móveis mais estratégicos das inovações e a instrumentação mais decisiva da cidadania, o profissional de educação fundamental adquire relevância sem precedentes tornando-se verdade a peça-chave do desenvolvimento humano sustentável. Dele depende mais que de outros fatores, a qualidade da cidadania e da economia, desde que a oferta de educação seja marcada pela qualidade formal e política.
Ao se referir à importância do trabalho docente, o autor o enfatiza como responsável tanto pela qualidade da cidadania quanto pelo desenvolvimento dos indivíduos, o que deixa claro como é orientada a atividade docente e a cobrança que o profissional do magistério
passa a ter, no exercício de suas atividades, que são constantemente reguladas no interior dessa organização educativa.