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2.2 Multimodality

2.2.5 Available designs and modes for meaning-making

1957: consideremos este o ano em que se iniciou a Guerra na Era da

Informação ou a Guerra Centrada em Rede (GCR) – Network Centric Warfare (NCW),

de que agora nos ocuparemos. A 4 de Outubro, era lançado o primeiro satélite artificial – Sputnik 1, e com ele se expandia a noção de espaço ao orbital. Este acontecimento teria uma imensa repercussão geopolítica, desde logo pela força com que se punha em marcha a corrida espacial entre a União Soviética (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA), as duas superpotências da Guerra Fria. Mas simultaneamente dava-se início ao alargamento do espaço à rede virtual, uma nova cartografia onde se aloja a

Guerra na Centrada em Redes162.

161O Capitalismo na sua fase mais acelerada é assim definido por Virilio «[…] is the direct democracy of

the global age’s community of emotion still ‘democratic’? Or is it not, rather, a sort of COMMUNISM of public emotion that cunningly revives that of Marxism, in order to serve the interests of a TURBO- CAPITALISM of real-time exchanges, in a world from now on devoid of the limits and the time lags that the geopolitics of nations was still, only yesterday, based on?» (Virilio 2005b, 110)

162 Mas a guerra na era das redes envolve tanto o controle dos fluxos de informação como mantém a

1958: o presidente norte-americano Dwight Eisenhower reage à antecipação russa, e inaugura a Agência de Projectos de Pesquisa Avançada de Defesa (criada como

Advanced Research Project Agency (ARPA) actual Defense Advanced Research Project Agency (DARPA)163). A agência estava encarregue de investigar as possibilidades de expansão para fora do espaço real, ensaiando as primeiras redes e nodos no mundo virtual. Dela resultava a ARPANet164, uma forma prototípica da Internet, que abria, a partir daqui, as imensas possibilidades da Guerra Centrada em Rede, activada e possibilitada graças aos rápidos avanços das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), permitindo a abertura de novas frentes de combate.

Porém, e é necessária essa nota, a actividade de reunir informação (inteligência) sobre a localização do inimigo, as suas intenções e potencial destrutivo, sempre foram uma componente essencial do trabalho militar. Os serviços e actividades relacionadas com a aquisição de informação, espionagem e contra- espionagem, são milenares. Já Sun Tzu, general, estratega e filósofo chinês nascido em 544 a.C., dizia na Arte da Guerra que a força militar baseia-se na presciência, no logro e na desinformação.

Mas regressemos à Era da Informação. Foi durante a Guerra Fria que se passou de uma sociedade industrializada para a chamada sociedade informacional. Neste quadro, com o desenvolvimento das TIC, surgiriam novos sistemas de policiamento do espectro165 (Landa 1991, 179-231), contramedidas que se desenvolveram em paralelo

overtly curving towards the development/acquisition and integration of sophisticated weapons/sensor platforms and suites that create fine grids and meshes of information-flows. These are meant to contribute to the production and dissemination of a diverse array of transient cartographic images and perspectives – battlespaces – with complexly interwoven and inter-dependent intensities, and are most commonly identified in terms of states, or conditions, of alert emergency, wherein the enemy of the moment is framed and neutralized-physically and otherwise.» (Guha 2011, 89)

163 Como explica Manuel De Landa, «ARPA, which had funded Artificial Intelligence projects from their

inception, changed its name to DARPA (“D” for defense) to signal the fact that only projects with a direct military value would be funded from then on.» (Landa 1991, 169)

164 Consultado em Reimaginando a Guerra no século XXI (Guha 20122, 87-88). Era também a ARPA que

estava destinada a pensar a melhor utilização e investimento de computadores através do Command

and Control Research Program (CCRP).

165 Policiamento do espectro mas também o policiamento (à distância) através do espectro. É em 1971 a

NSA desenvolveu e concretizou um dispositivo de localização pessoal, ou pulseira electrónica na linguagem comum, e «although the original idea was to use it for prisoners on parole, this system of

electronic incarceration finally enabled a kind of prison reform. The cell would be replaced by a tiny

com a inovação e progresso quanto à recolha de informação. A partir daí alteravam-se os paradigmas da espionagem e contra-espinagem, relativamente estáveis durante séculos:

«The job of human spies and counterspies remained essentially unaltered for a long time. But with the enormous development of communications technology in this century armies have been forced to create new methods of intelligence collection and analysis, and to police many new potential points of infiltration. For example, when the optical telegraph (semaphore) was superseded by the electric telegraph in the nineteenth century, it became necessary to tap directly into the enemy communications. When radio replaced the telegraph it forced the development of a different approach, since messages were not carried by wires anymore, but released directly into the electromagnetic spectrum.» (Landa 1991, 180)

Da mesma maneira que as tecnologias da informação fomentavam o surgimento de uma logística capaz de reunir informação, a profusão de transmissões sem cabos ou fios possibilitava também o risco de intercepção. Assim, a par do progresso na transmissão, desenvolvia-se a criptologia. Era preciso «ler» tudo o que se apanhava nessa fina rede, o que reforça a importância estratégica dos computadores no desempenho de novas tarefas 166: «a sufficiently fine web can . . . catch anything» (Libicki cit. por Guha 2011, 124). No entanto, até a rede pode ser «apanhada»:

«Nas últimas três décadas o terror tornou-se invisível. Deixou de ter formas gigantescas como os monstros Godzilla, King Kong e o do Loch Ness dos anos

107). Trata-se de uma amplificação, ou uma individuação (empregando aqui um conceito a trabalhar no próximo capítulo) da economia de visão «maquínica» (como o dispositivo Panóptico de Jeremy

Bentham) para a sua transdução para a era das redes.

166 Com a computação e com a sua capacidade em filtrar informação, todas as transmissões são agora

altamente valiosas: «Computers have revolutionized the performance of all these tasks, allowing the military to adopt the “vacuum cleaner” approach to intelligence collection: instead of intercepting a small set of specific transmission, as used to be the practice until World War II, all communications are now targeted as potentially valuable. The massive amounts of information collected through this approach are later processed through a series of “computer filters”, containing sets of key words, like “missile” or “communism”, as well as watch lists of individual names and addresses.» (Landa 1991, 180)

30 ou nauseabundas e repugnantes como os aliens ou os zombies dos anos 60 e 70. O monstro desmaterializou-se tornou-se rizomático, ameaçando dentro do corpo ou das nossas máquinas mais próximas parecendo poder abrir a todo o instante um abismo ameaçador e catastrófico debaixo dos nossos pés.» (Godinho 2009)

Desde os anos 80 que o terror não vem apenas do ar. Vem também das redes. No artigo «Como se parece um vírus de computador?», Jacinto Godinho lembra Donna Haraway e os pontos de concordância por ela delineados entre um vírus de computador e o vírus da SIDA167. Ao traçar uma arqueologia visual, para uma tradução em forma representável do vírus, Haraway desvela como nos anos oitenta a metáfora fora o sistema imunitário enquanto campo de batalha, surgindo depois, nos anos noventa, enquanto dissimulado hacker:

«O quadro mais recente (anos 90) de representação do vírus da Sida compara-o ao mundo da comunicação e já não o mostra como um exército inimigo mas como um vilão habilidoso, um “hacker” capaz de se ocultar porque consegue confundir a informação que circula na célula. Actuar como um espião que rouba informação também é o objectivo fundamental da maioria dos vírus informáticos, pelo menos os mais perigosos.» (Godinho 2009)

A inteligência artificial168, fluida e organizada, que se começava a desenhar e que dota computadores, programas e vírus com capacidades perceptivas, vai permitindo, mesmo que de forma embrionária, catalogar e diferenciar objectos e

167 Diz Haraway que funcionam enquanto : «a coded text, organized as an engineered communications

system, ordered by a fluid and dispersed command-control-intelligence network[,] ... the body ceases to be a stable spatial map of normalized functions and instead emerges as a highly mobile field of strategic differences.» (Donna Haraway cit. por Godinho 2009. Em: http://www.interact.com.pt/memory/16/)

168 As condições de acessibilidade, a visibilidade e vigilância, nos últimos anos, muito dependem dos

progressos nesta área especifica da pesquisa em computação: «US Navy carrier centric fleets have repeatedly demonstrated over the past decade that regardless of terrain (accessibility) and weather (visibility) conditions, they can create a remarkably diverse and mobile array of weapon-clusters – battlenodes – from where a variety of passive and active surveillance operations take place - manned and/or unmanned.» (Guha 2011, 89)

conteúdos, o que é essencial à vigilância que ganha um cada vez mais relevante papel estratégico e político169. Mas não apenas no espectro electrónico. A vigilância «artificial» torna-se também móvel: note-se o recurso aos drones ou ao PROWLER170, que contribuem para uma progressiva eliminação do ser humano do campo de batalha. Não apenas porque amplificam as capacidades perceptivas do «olho» electrónico vigilante, mas ainda porque o soldado, enquanto ferramenta, tem as suas limitações: desde logo porque é mortal, ou adoece, e que portanto é exigente e frágil. Daí que, para uma economia militar, vá sendo gradualmente substituído por máquinas171.

Com a entrada das máquinas, acelera-se a velocidade no comando e na auto- sincronização entre forças. Na optimização do desempenho, constitui-se a organização de Comando e Controlo (C2)172, que rapidamente progride para outras combinações: C3I (Command, Control and Intelligence) e C4ISTAR (Command, Control, Intelligence,

169 Este modelo de vigilância radica num dispositivo incontornável, o Panóptico de Bentham e que

Michel Foucault trabalha em Vigiar e Punir. A este propósito diz Foucault que « As opposed to the ruined prisons, littered with mechanisms of torture ... the Panopticon presents a cruel, ingenious cage.... But the Panopticon must not be understood as a dream building; it is the diagram of a

mechanism of power reduced to its ideal form; its functioning, abstracted from any obstacle, resistance or friction, must be represented as a pure architectural and optical system: it is in fact a figure of political technology that may be detached from any specific use. It is polyvalent in its applications; it serves to reform prisoners, but also to treat patients, to instruct schoolchildren, to confine the insane, to supervise workers, to put beggars and idlers to work» (Foucault 1975, 205). Dois séculos depois desta economia de visão, sonha-se mesmo retirar o elemento humano da vigilância e substituir com a total visão artificial.

170 O PROWLER é um veículo telecomandado equipado com uma câmara de filmar, utilizado no terreno

sobretudo para detectar minas e outras armadilhas: «The PROWLER, for example, is a small terrestrial armed vehicle equipped with a primitive form of “machine vision” (the capability to analyze the contents of a video frame) that allows it to maneuver around a battlefield and distinguish friends from enemies. Or at least this is the aim of the robot’s designers. In reality, the PROWLER still has difficulty negotiating sharp turns or maneuvering over rough terrain, and it also has friend/foe recognition capabilities. … the TV camera that serves as its visual sensor is connected to a human operator, and the intelligent processing capabilities of the robot are used at the “advisory” and not “executive” level. … But it is precisely the distinction between advisory and executive capabilities that is being blurred in other applications of military applications of Artificial Intelligence (AI). Perhaps the best example of the fading differences between advisory and executive role for computers may be drawn from the area of war games». (Landa 1991, 1)

171 Paul Virilio olha com preocupação para esta substituição maquínica. Também o trabalho na fábrica

não escapará a tal movimento. Soldado ou operário, desde a Revolução Industrial que sai desvalorizado o corpo do trabalhador, tal como se desvalorizou o corpo do animal doméstico que o antecedeu (Virilio 1977, 117)

172

A designação Controlo e Comando (C2), era já usada no fim da Segunda Guerra Mundial e abrangia: (1) Combatant Command (COCOM), (2) Operational Command (OPCOM), and (3) Tactical Command (TACOM).

Surveillance, Target Acquisition, Reconnaissance). É a digitalização do ambiente que

permite um aperfeiçoamento geral, coordenando a organização interna dos serviços militares e a qualidade de informação trocada entre agências, como a Agência de Segurança Nacional (NSA)173 (Guha 2011, 95), fundada pelo Presidente Truman em 1952.

A história «linear» da ARPA haveria de cruzar-se com duas agências de computação. Uma primeira, com o contributo de J. C. R. Licklider174, foi a Information

Processing Techniques Office (IPTO)175 e a RAND Corporation, com Paul Baran, um think

thank criado em 1946 desenhado para pensar e produzir dispositivos de

monotorização geral. Note-se como surgem no contexto da Guerra Fria:

«The potential threat of a surprise Soviet nuclear offensive had, simultaneously, spurred the USAF to fund, among other things, a research project to investigate the building of a schematic design for a national communications network, which could survive such an attack. … Baran’s proposal outlined the principles of a new network which was to be built for maximum robustness and flexibility. This new network, which would have no central authority, was referred to by Baran as a “distributed communications network”. Baran recognized that the communications systems of the day were heavily dependent on centralized control centers, which made them extremely vulnerable to interdiction.» (Guha 2011, 102)

173O escândalo das escutas telefónicas pela agência de segurança NSA, reveladas por Edward Snowden,

dá conta da implementação de um programa de vigilância muito activo pelo governo dos EUA.

174 Joseph Carl Robnett Licklider fora o grande mentor da ARPANET, a forma prototípica da actual

Internet: «Licklider, with his keen perception of the sense of community that existed between users of the first timesharing computer systems, began to think about a network being established between the group of computer specialists who had gathered around at the IPTO. Licklider's premise was that “men will be able to communicate more effectively through a machine than face to face”. Uncannily, he nicknamed this network of computer specialists the Intergalactic Network. Simultaneously, a group of scientists from Massachusetts Institute of Technology (MIT) and the British National Physical Laboratory were working on the dynamics of networks. Their primary motivation was to devise more efficient methods by which the expensive computers of the time could share resources. This emphasis on communication led, by 1969, to the linking of four computers across the US located at the University of California at Los Angeles and Santa Barbara, University of Utah, and Stanford University. This was known as the ARPANET, which was the original seed of today's Internet.» (Guha 2011, 101-102)

175

Ver a Agência de Programas de Pesquisa Avançada (Defense Advanced Research Projects Agency – DARPA) em http://www.darpa.mil/ e as diversas unidades da DARPA em

A ideia de Baran determinava a criação de uma rede de computadores e outros dispositivos de comunicação que seriam ligados em rede e mediante linhas de transmissão não centralizadas. Assim se resistia a potenciais ataques, uma vez que quando descentralizados e distribuídos, melhor suportariam um possível derrube da rede.

Os elementos comuns às actividades destas agências são: aquisição de informação, a análise da informação recolhida, a tomada de decisão, a disseminação da informação, e a recepção de feedback (Guha 2011, 105). De notar ainda que o fenómeno da rede extravasa o contexto militar, espalhando-se numa rede a nível mundial:

«What is interesting about this description is that perhaps for the first time in the history of the modern military, the military machine-a state-owned and run apparatus – is explicitly thinking of and, in some cases, even operating outside the orbit of the State.» (Guha 2011, 1)

Com efeito, o policiamento do espectro electromagnético é partilhado por estas agências, tanto do ponto de vista óptico como não óptico, e não exclusivamente de forma analítica, mas gradualmente executiva. Neste contexto, note-se a importância da companhia de segurança privada Blackwater176 nos serviços prestados ao Governo

176

Levar-nos-ia a um outro trabalho; são por demais sérias as implicações das agências de segurança privada na guerra. Ainda assim, atente-se ao trabalho de Jeremy Scahill, de onde retiramos a seguinte ilação: «Backwater’s plan wasn’t just about breaking into the world of peacekeeping. Prince and his allies envisioned a total reshaping of the U.S. military, one that would fit perfectly into the aggressive, offensive foreign policy that had emanated from the White House since 9/11. The main obstacles that prevented the Bush administration from expanding its wars of occupation and aggression were a lack of military manpower and the on-the-ground insurgencies its interventions provoked. Domestic opposition to wars of aggression results in fewer people volunteering to serve in the armed forces, which

historically deflates the war drive or forces a military draft. At the same time, international opposition has made it harder for Washington to persuade other governments to support its wars and occupations. But with private mercenary companies, these dynamics change dramatically, as the pool of potential soldiers available to an aggressive administration is limited only by the number of men across the globe willing to kill for money. With the aid of mercenaries, you don’t need a draft or even the support of your own public to wage wars of aggression, nor do you need a coalition of “willing” nations to aid you. If Washington cannot staff an occupation or invasion with its national forces, the mercenary firms offer a privatized alternative—including Backwater’s twenty-one-thousand-man contractor database. If the

dos Estados Unidos da América desde 1997 por todo o mundo, do Iraque177 ao Afeganistão.

Da Guerra do Golfo, aquela que foi a primeira guerra em directo, emanou um «world wide show»178 do que aconteceu no Kuwait e nos ecrãs do mundo inteiro179. Nessa monitorização do Mundo, a imediaticidade da percepção do campo de batalha tornou-se indistinguível da óptica da câmara de filmar. Com a inauguração da nova frente de batalha de localização teletopográfica, a logística militar conta agora com armas de comunicação massiva180, e que funcionam em directo a partir dos diversos teatros de operações.

Com a guerra «à velocidade da luz», a «verdadeira força interventiva no Golfo foi a televisão» (Virilio 1991, 17). Agrilhoado ao ecrã catódico e refém das diárias «televised series»que tiveram início a 2 de Agosto de 1990, o olhar do espectador é, para Virilio, colonizado pelos media: «Live image is a veritable injuction. One does not discuss a live image, one undergoes it» (Virilio 1991, 34). Não foram só as tropas americanas que avançaram para o Médio Oriente. Com efeito, foi também as

national armies of other states will not join a “coalition of the willing,” Blackwater and its allies offer an alternative internationalization of the force by recruiting private soldiers from across the globe. If foreign governments are not on board, foreign soldiers can still be bought» (Scahill 2007, 407). Seguir o link da Blackwater: http://academi.com/

177 Em 2007, a companhia fez as manchetes de todo o mundo, quando um grupo de seguranças da

Blackwater, em serviço no Iraque e contratados pelo governo Federal dos Estados Unidos da América, disparou sobre civis na praça Nisour em Bagdá, resultando na morte de 17 pessoas: «Within hours, Blackwater would become a household name the world over, as news of the massacre spread.

Blackwater claimed its forces had been “violently attacked” and “acted lawfully and appropriately” and “heroically defended American lives in a war zone”. “The ‘civilians’ reportedly fired upon by Blackwater professionals were in fact armed enemies.” In less than twenty-four hours, the killings at Nisour Square would cause the worst diplomatic crisis to date between Washington and the regime it had installed in Baghdad. Though Backwater’s forces had been at the center of some of the bloodiest moments of the war, they had largely operated in the shadows. Four years after Backwater’s first boots hit the ground in Iraq, it was yanked out of the darkness. Nisour Square would propel Erik Prince down the path to