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1. Introduction

1.3 Art Perception and mechanisms of environmental art perception

O termo “comportamento informacional” – originariamente inglês, information

behavior, em espanhol mais conhecido como conducta informacional – é bastante

utilizado na literatura estrangeira em Ciência da Informação. Algumas pesquisas têm repercutido em influências significativas na elaboração de estudos de

comportamento, considerando o destaque na área entre estudos feitos por Wilson (1977), Kuhlthau, (1989), Ellis (1989).

Uma definição do comportamento informacional apresentada por Wilson (1999) relaciona-se ao resultado do reconhecimento de alguma necessidade de informação sobre determinado assunto que se queira ter conhecimento. Como processo, o indivíduo realiza vários procedimentos de busca de informação para suprir suas necessidades.

Para Pires (2012), a busca é o processo mais complexo no comportamento informacional, por isso Crespo (2005) afirma envolver vários aspectos, principalmente o direcionamento que cada área do conhecimento dá para as pesquisas, bem como a atividade que a pessoa exerce, e também em que etapa da vida profissional se encontra. Ao pensar sobre a infinidade de informações disponíveis atualmente, a internet torna cada vez mais ampla a busca de informações. Isso, por sua vez, requer outras competências relacionadas com a seleção e o uso da informação em múltiplos espaços.

Gasque (2008) ressalta os estudos de Case (2006) que questiona o período, o local e os motivos em que o comportamento informacional foram estudados também com ênfase no contexto social, estudos voltados à mente humana, e outros. Aponta o comportamento informacional como processo em que os indivíduos, a partir da identificação da necessidade de informação, engajam-se no processo de busca, uso e pesquisa da informação, conforme a perspectiva apresentada por Wilson (1999), ao afirmar que as necessidades de informação ocorrem devido às demandas dos contextos político, social e econômico, do papel desempenhado na sociedade e dos fatores psicológicos, de personalidades, dentre outros.

De acordo com Gasque (2008), apesar de anteriormente os pesquisadores usarem termos como estudos de usuários, estudos de necessidades, estudo de busca e uso, somente na década de 90 o termo comportamento informacional foi cunhado por Wilson (1999). Mesmo com algumas críticas, o conceito foi aceito pela maioria dos pesquisadores, compreendido como comportamento informacional humano e caracterizado por quatro aspectos: a totalidade do comportamento humano na utilização de fontes e canais de informação, sendo a busca da informação passiva ou ativa; o comportamento de busca da informação a partir das necessidades e objetivos; o comportamento de pesquisa de informação com ênfase na interação do indivíduo com todos os tipos de sistemas de informação; e, por

último, o comportamento do uso da informação, levando em conta os conhecimentos prévios do indivíduo (GASQUE, 2008).

O termo emergiu da limitação dos estudos de usuários, que apresentavam problemas relacionados ao foco dos estudos, à conceituação dos termos e a questões metodológicas, dentre outros. Portanto, de acordo com Gasque e Costa (2010), o termo representa a evolução dos estudos de usuários em que as principais características das pesquisas envolvem estudos mais centrados no indivíduo, ampliação dos grupos de pesquisa, abordagem multifacetada, compreensão do comportamento informacional como processo contínuo de busca e de uso de informação, estudos mais qualitativos e múltiplos métodos, fundamentação interdisciplinar e ampliação de pesquisas em várias partes do mundo.

Ao analisar as pesquisas sobre comportamento informacional na sociedade contemporânea, não se pode desconsiderar a contribuição das novas tecnologias. Sobre isso, Pires (2012) considera as Teorias da Informação e Comunicação (TICs) componentes essenciais à formação e destaca a importância de saber lidar com esses recursos para buscar informações. O autor considera o contexto de produção e reprodução de informações digitais como fomento aos novos hábitos de leitura no uso dos recursos tecnológicos disponíveis no século XXI.

Em um estudo de caso sobre os padrões de comportamento dos professores da educação básica de uma instituição particular, constatou-se que o corpo docente efetuava buscas em fontes e canais de informações mais próximos, independentemente da qualidade da informação, para planejar as aulas a serem ministradas. Constataram-se também as dificuldades que os professores encontram no processo de busca da informação e também a qualidade da fonte de informação adquirida. Outros fatores, como a não capacitação técnica na busca de informações e o excesso de demandas escolares, contribuem para a limitação da formação docente no contexto escolar (GASQUE; COSTA, 2003).

Outra pesquisa realizada com o objetivo de compreender o processo de busca de informações na internet por estudantes e bibliotecários do ensino médio, apontou que a internet modifica o ambiente de aprendizagem nas escolas, desafiando-as com a multiplicidade de informações disponíveis. Concluiu-se que o ensino, para buscar eficientemente a informação na internet, não ocorria nas escolas pesquisadas e que o papel do bibliotecário, na concepção dos estudantes, consistia em localizar livros, com pouca participação no auxílio à busca de fontes de

informação no espaço virtual. Os dados mostraram que os estudantes utilizam pouco a biblioteca para realização de trabalhos escolares (ABE, 2009, p. 5).

Estudos em bibliotecas escolares de Belo Horizonte (MG) concluíram que a ação do bibliotecário nas escolas investigadas era frágil e que o processo de seleção de informações ocorria fora das escolas (CAMPELLO et al., 1998, p. 13). Infelizmente, onze anos depois, conforme apontaram os estudos de Abe (2009), não houve mudança expressiva da participação do bibliotecário escolar no processo de busca de informações para atividades escolares.

Na sociedade da aprendizagem, a biblioteca não pode se resumir a um depósito de informações estáticas. O paradigma educacional contemporâneo, firmado no aprender a aprender, compreende a biblioteca escolar como espaço de ação pedagógica. Significa que a biblioteca deve se constituir em espaço de aprendizagem para aquisição da capacidade de buscar e usar as informações para a vida e que esse processo de aprendizagem envolva o uso do pensamento reflexivo (GASQUE; CUNHA, 2010).

No que concerne à educação dos jovens no ensino médio brasileiro, Fialho (2013) argumenta sobre a necessidade de ensiná-los a pesquisar. No espaço escolar, por exemplo, destaca a importância de disponibilizar tempo para realização de pesquisas, bem como a reflexão e orientação durante a prática investigativa.

Em pesquisa anterior, voltada para os jovens pesquisadores de ensino médio nas redes de ensino pública e privada, Fialho (2004) demonstrou que a formação do pesquisador juvenil deve ser um processo contínuo, dinâmico e cumulativo. Os resultados da pesquisa apontaram que a formação de bons pesquisadores depende de ambiente favorável à aprendizagem diferenciada, capaz de estimulá-los à reflexão e ao questionamento. Isso implica trabalho colaborativo entre professores e bibliotecários, de modo a potencializar as habilidades de busca e uso da informação, considerando no processo de ensino-aprendizagem o planejamento e avaliação dessas atividades.

Em 2013, estudos sobre o comportamento informacional das comunidades acadêmica e organizacional da Universidade Estadual de Londrina apontaram a necessidade de formar o indivíduo a ser autônomo e consciente na busca da informação, tornando-se independente na identificação do que sabe e apto a lidar com as lacunas de conhecimento enfrentadas, assim como a informação a ser encontrada de forma eficaz (BARTALO et al., 2013, p. 212).

Inúmeras e crescentes são as pesquisas em comportamento informacional entre diversas etapas de ensino, fomentando pesquisas em muitos países. Destaca- se, por exemplo, Kuhlthau (2004) ao criar o modelo denominado ISP, conhecido como Processo de Busca da Informação, e apresentar a atividade relacionada à pesquisa em vários estágios: Iniciação, Seleção, Exploração, Formulação, Coleção e Apresentação. O modelo resultou de estudos entre estudantes do ensino médio e superior, realizados em escolas americanas. Concluiu-se que o processo de busca de informação é interativo e cada estágio pode ser associado a estados cognitivos e afetivos.

Todd (2010) pesquisou sobre a aprendizagem no mundo em mudança, isto é, a necessidade de integrar o currículo às transformações da época. Outros estudos abordam a contribuição da biblioteca escolar e o papel do diretor na formação dos estudantes (TODD, 2008); o apoio das bibliotecas e os impactos na realização acadêmica estudantil, bem como a utilização de informações para a aprendizagem na biblioteca escolar (TODD, 2003).

Na Austrália, Lonsdale (2003) ressaltou a contribuição da biblioteca escolar na formação dos estudantes. Concluiu que a explosão de informações, em particular os recursos digitais, são um dos fatores mais importantes que destacam o papel das bibliotecas na atualidade. De acordo com Bilal (2002), mais do que nunca, as crianças hoje estão mais expostas aos computadores e à tecnologia, sendo a internet nas escolas um dos principais investimentos em tecnologia da informação. O autor publicou também sobre as diferenças e semelhanças na busca de informações entre crianças e adultos, considerando-os usuários da web (BILAL; KIRBY, 2002).

Na obra Youth information-seeking behavior: theories, models and issues14, autores como Todd e Edwards abordam a busca da informação em contextos escolares, o comportamento informacional no cotidiano, a busca de informações em bibliotecas e ambientes web, entre outros (CHELTON; COOL, 2004).

Outro estudo analisou o comportamento de busca de informação dos jovens no ambiente digital, apontando os déficits no comportamento deles ao buscarem informações. De acordo com a estudiosa americana, embora pesquisas analisem a

14CHELTON, Mary K.; COOL, Colleen. Youth information-seeking behavior: theories, models and

issues. Lanham: The Scarecrow Press, 2004.

natureza das comunidades on-line, povoadas principalmente por adultos, pouco se sabe sobre a conectividade que permeia o ambiente digital e menos ainda o tipo de conectividade que facilita a busca de informação entre os jovens (DRESANG, 2005). Constatou-se que a produção de amplas e diversas informações no ambiente virtual pode facilitar ou dificultar a busca de informações.

No final da década anterior, foi feita uma pesquisa com jovens do ensino médio em Washington (EUA) centrada na World Wide Web. Analisaram-se as informações que os estudantes precisavam para o contexto escolar e, de acordo com os resultados, poucos estudos tinham identificado, até aquele momento, os atributos típicos de comportamento de busca on-line de crianças, jovens e adultos (DRESANG, 2005).

Gordon (1999) realizou, em Boston (EUA), pesquisa sobre professores e estudantes no contexto escolar. De perspectiva cognitivista, com ênfase na prática reflexiva entre estudantes e professores, o estudo teve como principal objetivo conscientizar os estudantes sobre a pesquisa escolar, que ocorria além da sala de aula e da biblioteca escolar.

Weiler (2004) pesquisou a busca de informação entre estudantes da geração Y. De acordo com ela, a visível dependência dos estudantes com relação à televisão e à internet como principais fontes de aquisição das necessidades de informação demonstrou que somente pequena porcentagem dessa geração prefere aprender por meio da leitura.

Como se observa, há alguns estudos que abordam a relevância de habilidades na busca e uso de informações no espaço escolar. Nesse sentido, os estudos mostram a importância de o ensino-aprendizagem se caracterizar pela compreensão desse processo (GORDON, 1999). A conscientização sobre essas tarefas e as competências para realizá-las efetivamente passam pelo desenvolvimento de programas de letramento informacional (GASQUE, 2012).

Importante destacar o estudo de Herring (2006), no Reino Unido, que investigou estudantes e professores ao realizarem trabalhos escolares. Os resultados mostraram a existência de estudantes que possuem competências de letramento informacional para produção de mapeamentos conceituais, compreensão das leituras realizadas e reconhecimento da importância do ato de escrever sobre o assunto pesquisado, construção de vários pontos de vistas, dentre outros. O autor também detectou a preferência dos estudantes pesquisados por fontes eletrônicas

de informação. Por isso, também abordou a necessidade do letramento digital, entendido como a capacidade de compreender e utilizar a informação em vários formatos por meio dos computadores.

Collison (2014) apresentou a evolução das pesquisas de letramento da informação nas últimas cinco décadas, apontando a internet como meio dominante de uso de informações entre adolescentes e jovens. A obra aborda o processo de ensino-aprendizagem centrado no estudante, com programas de letramento informacional escolar, e a relevância da argumentação durante a pesquisa, considerando o uso de informações confiáveis.

O comportamento informacional mostra-se uma área em expansão, com muitos estudos sobre a relação entre jovens e as novas tecnologias. Contudo observa-se que, em relação ao contexto escolar, ainda requer pesquisas para melhorar a compreensão sobre esse processo e para entender de que forma a escola e os professores podem ajudar os estudantes a serem mais críticos e autônomos.