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1. Introduction

1.2 Environmental art and influential artists

1.2.3 Environmental art in the past 20 years

Importa, embora sucintamente, apontar a Medida Provisória 746, publicada no Diário Oficial da União no dia 22 de setembro de 2016, com fomento à implementação de escolas de ensino médio em tempo integral, conforme consta no Art. 5º: “Fica instituída, no âmbito do Ministério da Educação, a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral”. A proposta surgiu de forma imediata na mudança de governo em 2016, apresentada por Michel Temer, Presidente da República, fomentando inúmeras manifestações em proporção nacional.

Recentemente, um grupo de pesquisadores da UnB, especificamente do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), elaborou um documento12 de análise após a divulgação da Medida Provisória Nº 746. O objetivo do documento consistiu em subsidiar a relevância do debate exigido frente ao que representa, para a etapa do ensino médio e toda a educação brasileira, a Medida Provisória, apontada por seus autores como sendo o “Novo Ensino Médio” no Brasil.

12 Disponível em: <https://drive.google.com/file/d/0BzOjohdpYaefdlZkRElSOFN0RTg/view>. Acesso em:

A primeira contestação feita pelos pesquisadores do Pibid em relação à MP Nº 746/2016 consistiu na legalidade ou legitimidade da alteração da LDB por meio de uma Medida Provisória, apresentada pelo governo de Michel Temer. O argumento de que não foi discutida a matéria, em caráter de Estado, fere princípios constitucionais. Portanto, não é legítimo alterar a LDB sem o diálogo com a sociedade, utilizando-se de uma Medida Provisória essencialmente marcada pela não reflexão coletiva, com especialistas na área e consenso de todos os envolvidos na Educação Nacional.

Não se pode considerar legítima uma Medida Provisória que introduz tantas alterações na Educação Básica, definidas monocraticamente, sem dialogar com a sociedade em geral e com as comunidades científicas que pesquisam a Educação Brasileira, em especial o Ensino Médio, e formam professores nas universidades (Documento de Análise – Coordenadores do Pibid/UnB, 2016, p. 3).

Conforme o documento feito por coordenadores do Pibid, nenhuma Medida Provisória feita anteriormente feriu a LDB como a MP Nº 746/2016. As justificativas enviadas pelo Ministério da Educação (MEC) são resumidas em três aspectos: urgência da reforma com base nos dados do Ideb sobre a realidade do ensino médio em todo o país; fracasso do sistema de ensino diante dos dados avaliativos nacionais e internacionais; amplo debate acumulado no país nas últimas décadas. Desse modo, isso permite ao Governo acelerar o processo.

Dentre as críticas apontadas no documento, após o quesito da não legitimidade do Governo ao apresentar a Medida Provisória Nº 746/2016, destacam- se outras duas mais relevantes: o Art. 36, ao visar o currículo do ensino médio composto pela Base Nacional Comum Curricular e por itinerários formativos específicos, a serem definidos pelos sistemas de ensino, com ênfase nas seguintes áreas de conhecimento ou de atuação profissional (linguagens; matemática; ciências da natureza; ciências humanas; e formação técnica e profissional). Também a implementação do ensino médio em tempo integral.

A leitura atenta da MP apresenta que as cinco ênfases curriculares (ou “itinenários específicos”) são oferecidas como alternativas aos sistemas de ensino e não aos estudantes. De acordo com a crítica, são os sistemas de ensino que terão a opção de escolher as áreas a serem oferecidas. Para os críticos especialistas, o que se apresenta como opção corre o risco de tornar-se imposição, e a justificam ao dizer que existe uma defasagem de professores para o ensino de componentes

curriculares da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), prevista na LDBEN/1996, sobretudo em determinadas áreas como Física e Química (p. 4).

Considerando a proposta de um ensino médio em tempo integral:

Tentou-se promover a ideia de que a MP teria como meta primária a instituição de escolas de EM em tempo integral, mas, na verdade, elas não ocupam um lugar central na MP. Ao que parece, esse assunto foi introduzido na MP para auxiliar a convencer a população sobre a importância das mudanças propostas. O senso comum, facilmente, será convencido de que o novo EM de natureza integral e com currículo flexível será melhor que o atual (Documento de Análise – Coordenadores do Pibid/UnB, 2016, p. 6).

Para aumentar ainda mais a tensão após a apresentação da Medida Provisória em 22 de setembro de 2016, o documento de análise dos coordenadores também afirma a não preocupação da MP com a obrigatoriedade de disciplinas que podem trabalhar questões socioemocionais, tais como Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia.

Inúmeros problemas surgem sobre a proposta de uma educação integral, ao considerar a realidade atual, principalmente no que compete à infraestrutura das escolas públicas em todo o país: “Em todo o país, há falta de infraestrutura básica para atender o Ensino Médio hoje” (p. 6).

Após múltiplas críticas feitas na análise da MP, com clareza e pertinência, o documento de análise feita por especialistas conclui que nenhuma das principais ações necessárias para melhorar a educação brasileira precisa de uma medida provisória no Brasil (p. 7). Ressalta a necessidade de o piso nacional do magistério continuar sua tendência de valorização em todo o país. É visível no Brasil a não prioridade à educação, com salários docentes incompatíveis com outras carreiras do setor público (p. 8).

Tais apontamentos repercutem no cenário nacional, com inúmeras escolas, universidades e institutos federais ocupados pelos estudantes em todo o Brasil. Até o final do mês de outubro de 2016, estima-se que mais de mil escolas e universidades estavam ocupadas no país13. As ocupações estudantis retratam a noção de que “há um forte tom de engajamento nas causas dos jovens das camadas populares, com a denúncia das dificuldades socioeconômicas que os têm afetado” (GROPPO, 2016, p. 10).

Portanto, importa no aspecto social o reconhecimento do novo paradigma da sociedade contemporânea, denominado como uma visão holística, em um mundo completamente integrado, com profunda consciência ecológica (CAPRA, 2006), capaz de exigir o sujeito ético, comprometido com a cidadania e consciente dos problemas da realidade. O paradigma atual reconhece o processo de aprendizagem como um todo relacionado, com escolas atentas à realidade social de seus educandos e professores voltados à pesquisa, de modo a fomentar no processo ensino-aprendizagem o senso crítico (FREIRE, 1996). É nesse sentido que importa, no mundo informacional e cada vez mais tecnológico, aprender a buscar e usar informação para resolver problemas e tomar decisões (GASQUE, 2012).

4 UMA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

O problema da pesquisa consiste em analisar o comportamento de busca e uso da informação entre estudantes do ensino médio. Consideram-se, especificamente, as novas tecnologias da informação e comunicação no contexto da formação escolar. Por isso é necessário contextualizar a Ciência da Informação (CI) em relação a esse tópico.

Compreendida entre especialistas da área como ciência transdisciplinar (SILVA, 2006) ou interdisciplinar (LE COADIC, 1996; PINHEIRO, 2005; GASQUE e COSTA, 2003), a Ciência da Informação relaciona-se com vários campos do saber científico, sendo o objeto de conhecimento a informação.

O desenvolvimento da produção de informações e de sistemas de informação ocasionou a necessidade de uma ciência que tivesse por objeto de estudo a própria informação. Nesse sentido, entende-se por produção de informação aquela mais geral, juntamente com a científica e a técnica. Os primeiros estudos realizados em Ciência da Informação surgiram das bibliotecas públicas, universitárias, especializadas e outros centros de documentação. Portanto, de origem anglo- saxônica, a ciência da informação nasceu essencialmente da biblioteconomia (LE COADIC, 1996).

Ao afirmar que toda ciência é uma atividade social determinada por condições históricas e socioeconômicas, Le Coadic (1996) defende na Ciência da Informação a necessidade de estudar as propriedades da informação e os processos de construção, comunicação e uso. Há uma tríplice influência da evolução científica, culminando em demandas de informações de cunho científico, como, por exemplo, o “surgimento das tecnologias eletrônicas da informação” (LE COADIC, 1996, p. 19).

Isso implica reconhecer o desenvolvimento da informação nos mais diversos canais de acesso, busca e uso, levando em conta as necessidades oriundas do contexto social, econômico, político etc. Nesse aspecto, Le Coadic (1996) caracteriza a Ciência da Informação como ciência de cunho social, que responde a uma necessidade social, o que a caracteriza como rigorosa e interdisciplinar. Significa defini-la como o estudo das propriedades gerais da informação, isto é, a sua natureza, gênese, efeitos (ibidem, p. 22).

Outros pesquisadores destacam a natureza social da CI ao afirmarem que ela oscila entre o lado humano e o tecnológico. Mais ainda, entre o social, o político, o econômico e o cultural (ARAÚJO et al., 2007).

No que concerne à existência e origem da Ciência da Informação, Saracevic (1996) apresenta três características gerais que constituem sua evolução: a natureza interdisciplinar; fortemente ligada à tecnologia da informação; e a dimensão social e humana (SARACEVIC, 1996). De acordo com ele, tais características surgiram, historicamente, da revolução científica e técnica durante a Segunda Guerra Mundial.

Dentre os inúmeros e complexos problemas de investigação da CI, surge a recuperação da informação a partir de três questões apontadas por Mooers (1951), como bem reforçou Saracevic: a descrição intelectualmente da informação; a especificação intelectualmente da busca; o emprego dos sistemas, técnicas ou máquinas. Conclui que ainda hoje esses problemas continuam como fundamentais em CI, agregados de outras questões.

Importante notar que a evolução da respectiva área de conhecimento com foco em informação ocasionou, inclusive, estudos sobre o comportamento e outros temas que se tornaram comuns à investigação em Ciência da Informação, por exemplo, a natureza da informação; a estrutura do conhecimento e seus registros; o uso e os usuários; a interação homem-computador; os métodos de avaliação dos sistemas de recuperação da informação e outros (SARACEVIC, 1996).

Como principais problemas propostos pela pesquisa em CI, desde os anos 60 até os dias atuais, tais questões se tornaram objeto de estudo, embora não tenham abarcado toda tarefa de investigação na respectiva área. A partir dos anos 70, ocorreu ampliação no enfoque dado aos cientistas da informação, ao priorizarem os usuários e as interações.

O enfoque contemporâneo da CI apresentado por Saracevic (1996) reúne inúmeras combinações: afetividade, comunicação humana, conhecimento, registros do conhecimento, informação, necessidades de informação, usos da informação, contexto social, contexto institucional, contexto individual e tecnologia da informação. Essas considerações a justificam como campo interdisciplinar, uma vez que “o objetivo com adoção de uma estratégia interdisciplinar é obter novos conceitos, métodos e estruturas teóricas por meio da fusão daqueles oriundos e existentes no arcabouço de diferentes disciplinas” (PIMENTA, 2012, p. 44). Foram

as discussões da década de 60 que enfatizaram a natureza interdisciplinar da área, denominada por Pinheiro (2005) como fase conceitual e de reconhecimento interdisciplinar.

Saracevic (1996) também destaca a importância e distinção de outras áreas específicas de estudo em Ciência da Informação, considerando a relação existente entre elas. A saber: Biblioteconomia, Ciência da Computação, Ciência Cognitiva e Comunicação. Contudo, ressalta-se ainda, embora o autor não mencione, a presença atual da Sociologia, considerando as mudanças nas diferentes sociabilidades ocasionadas pelas novas tecnologias da informação e comunicação e também o papel da Filosofia ao investigar as condições existenciais, de caráter ético e moral diante dos impactos ocasionados pelas tecnologias, principalmente a relação homem e natureza como uma nova fase planetária da humanidade (BOFF, 2013).

Ao analisar as variadas maneiras de abordagem da informação e da Ciência da Informação, Freire (2006, p. 15) descreve tópicos de estudos a serem investigados, quais sejam: a recuperação da informação como “representação da informação (linguagens documentárias e linguagem natural), tecnologias de processamento de informação, serviços de informação (bibliotecas, centros de informação)”; a comunicação da informação por meio de “tecnologias de informação e comunicação (especialmente as digitais), produção e recepção da informação, canais de comunicação (formais e informais), uso da informação”; e

estudos da cognição, ou seja, ”estudos de usuários, aplicações de inteligência artificial, estudos ligados à aprendizagem em meio virtual (treinamento, capacitação)”.

Portanto, o desenvolvimento da Ciência da Informação, de caráter interdisciplinar, com estudos voltados às múltiplas necessidades da informação, possibilitou em seguida a ênfase no Comportamento Informacional, com pesquisas de cunho institucional e pessoal em ascensão na contemporaneidade.