4. Sosiale identiteter og selvkategoriseringer
4.2 Arbeidsledighetens identiteter
4.2.1 Arbeidsledighetskategorien
As medições de irradiância UV-B na camada superficial da água (interface ar-água) foram abandonadas do programa de amostragem, dada a incerteza na leitura dos valores pelo radiómetro, devido à instabilidade dos mesmos. Esta incerteza deve-se à própria instabilidade do meio, devida a alterações induzidas pela formação de bolhas de ar e de espuma (Kirk, 1983).
Foi verificada uma forte redução na irradiância UV-B na coluna de água com a profundidade da Ria Formosa, ou seja, é evidenciada a existência de um perfil de atenuação da radiação na coluna de água deste sistema. Esta redução é mais fortemente sentida nos primeiros 0,5 m de profundidade, em que é absorvida cerca de 91% da radiação UV-B atmosférica. De acordo com os dados obtidos pelo IPIMAR ao largo da costa algarvia, num ponto adjacente à Ria (estação 10, 36º 30’ N; 08º 19’ W), durante um cruzeiro de investigação a bordo da embarcação “Capricórnio” (dia 28 de Fevereiro de 1996), o perfil de atenuação da radiação da radiação UV-B em mar aberto pode atingir profundidades consideráveis, dado que os 90% de atenuação da radiação UV-B ocorrem a cerca de 18 m de profundidade (Figura 2.6).
a) b) Figura 2.6 – Perfil da radiação UV-B na costa algarvia (estação 10: 36º 30’ N; 08º 19’ W),
obtido no dia 28 de Fevereiro de 1996 (radiação atmosférica de 148 µW cm-2): (a) irradiância UV-B em profundidade (µW cm-2);
(b) atenuação da radiação UV-atmosférica (%) com a profundidade. (A profundidade 0 m corresponde à medição efectuada na superfície da água).
De facto, em águas oceânicas, a profundidade de incidência de 1% da radiação emitida a 305 nm pode ser detectada a profundidades igual ou superiores a 20 m (Wilhelm et al., 1998), enquanto que em águas costeiras esta profundidade pode limitar-se à camada superficial. Gómez et al. (2005) detectaram, para o estuário do Rio Quempillen no Sul do Chile, que a profundidade de penetração de 1% da radiação UV-B é de 1,8 m na preia-mar. Analogamente, no Mar do Norte, numa zona costeira (Ilha de Helgoland, Alemanha), a percentagem de penetração de 10% da radiação UV-B é detectada entre 1 a 2 m de profundidade (Kuhlenkamp et al., 2001).
A penetração da radiação UV-B na coluna de água depende de alguns factores, nomeadamente, da actividade biológica, da concentração da matéria orgânica dissolvida e de pigmentos que absorvem nesta região do espectro (Smith & Baker, 1978), da variação espacial e sazonal, entre outros (Nielsen et al., 1995). De facto, os valores relativamente
reduzidos de R2 nos modelos e submodelos (melhores modelos) estimados para as diferentes profundidades da Ria Formosa (Machado, 1998) sugerem que a incorporação desta informação pode ser relevante. Estes valores revelam que os modelos ajustados explicam cerca de metade da relação da variável de resposta (irradiância UV-B a cada profundidade amostrada) com as variáveis que fazem parte de cada modelo (mês e hora).
Esta relativamente reduzida capacidade de explicação dos modelos parece assim estar relacionada com a influência de outros factores sobre a resposta em estudo. A presença de tais factores pode também ser a explicação para o facto da variável hora não figurar nos modelos ajustados às profundidades igual e superiores a 1,0 m, ou seja, esta variável deixa de ser preponderante face à existência de outros factores, possivelmente, relacionados com a penetração da radiação e que melhor explicariam o perfil de atenuação obtido. Daqui resulta a necessidade de incluir, nos programas de amostragem semanais referidos, a monitorização de alguns desses factores, como sendo, por exemplo, a turbidez, a concentração de clorofilas e feopigmentos, os quais absorvem radiação UV-B (Nielsen et al., 1995), como será abordado no quarto capítulo desta tese.
Note-se que o número de observações diminui consideravelmente a partir dos 2,5 m, o que está relacionado com a influência do regime de marés existente na Ria Formosa, sendo necessário realçar que, em boa parte dos dias de amostragem e dentro do intervalo de tempo amostrado, a coluna de água não possuía uma altura superior a 2,0 m, que corresponde à preia-mar em situação de marés mortas - predominantes.
(0,20 m-1) e inferior ao maior valor de referência dado para águas com elevada turbidez (20 m-1) (Díaz et al., 2000).
Perante o perfil obtido de penetração da radiação UV-B na Ria Formosa supõe-se que os organismos estejam expostos a quantidades consideráveis desta gama de radiação, sobretudo, na baixa-mar, coincidente com a hora de pico solar. Note-se que, com base nos registos obtidos com o presente trabalho, a coluna de água na Ponte da Ilha de Faro (37º 00’ N; 7º 59’ W) mantém uma altura igual ou inferior a 1 m durante cerca de 2 horas por dia e igual ou inferior a 0,5 m durante, aproximadamente, 1 hora por dia. Duração de tempos esses a que os organismos não conseguem “fugir” à exposição à irradiância UV-B.
Considera-se assim como prévia a abordagem realizada neste capítulo, no que se refere à explicação da atenuação da radiação UV-B na coluna de água da Ria, dado que a análise aqui efectuada cingiu-se a um ano de dados (o primeiro obtido) e não teve em consideração alguns dos factores que podem influenciar a variação da irradiância UV-B, tal como referido. No quarto capítulo proceder-se-á à análise do conjunto de dados obtidos durante os 4 anos de amostragem, incluindo os factores físico-químicos e biológicos observados, assim como de amostragens diárias completas – do nascer do Sol ao crepúsculo.
Pretendeu-se com a presente abordagem colmatar uma lacuna primária de conhecimento, sobre a determinação da incidência da radiação UV-B na Ria Formosa, dado que, em 1996, eram desconhecidos os níveis de incidência desta gama de radiação em Portugal. A obtenção da informação resultante da presente abordagem metodológica era fundamental para o delineamento da fase seguinte do plano de trabalhos.
Esta fase consistia no desenvolvimento de ensaios laboratoriais envolvendo a simulação de irradiâncias UV-B crescentes, a par da tendência global de aumento das mesmas, devido à destruição do ozono estratosférico (próximo capítulo).
A determinação da radiação UV-B média reveste-se de particular importância no que se refere ao delineamento de estudos experimentais, com simulação artificial da exposição à radiação UV-B, dado que fornece um valor a partir do qual é possível comparar efeitos em diferentes organismos de diversas áreas geográficas. A partir deste valor é possível determinar a radiação UV-B biologicamente efectiva – UVBBE, ou seja, que produz efeito