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Associados à garantia da qualidade estão os custos envolvidos em todo esse processo, por isso a temática dos custos é central em EaD, pois, como Moore e Kearsly (2007, p. 204) lembram, “por muito desafiador que seja iniciar um programa de EaD, é desafio ainda maior mantê-lo em longo prazo”.

É extensa a investigação sobre este tópico e, entre outros, podem mencionar-se: Bartolic-Zlomislic e Bates (1999), Turof (1997), antes disso, já em 1972, Leslie Wagner publica, na revista Higher Education, o artigo “The Economics of the Open University”, que se pode considerar um ponto de partida para a teorização da economia da EaD, sem esquecer o contributo de Greville Rumble sobre o tema em diversas obras. Contudo, é um tópico de investigação tão antigo como inconclusivo.

Com efeito, as conclusões dos estudos sobre o tema afiguram-se díspares e contraditórias, talvez em parte devido à inconsistência do objeto de estudo, pois não se pode falar numa instituição de EaD; pelo contrário, a diversidade de instituições, contextos, objetivos e geografias torna muito difícil as generalizações, por exemplo Lisoni e Loyolla (2004) de uma penada identificam seis modelos diferentes, Robinson e Kadavová (2008), entre outros, lembram algumas das variáveis que influenciam decisivamente a imputação distinta de custos: tamanho das instituições, número e variedade de cursos oferecidos, media de instrução, partilha de conteúdos por cursos, tempo de vida dos recursos pedagógicos, instituições mistas (que simultaneamente oferecerem ensino presencial), cuja amortização dos investimentos, infraestruturas e recursos humanos obedecem a pressupostos distintos.

Convém recordar que um modelo de análise de custos é diferente de uma estrutura de custos; enquanto o primeiro tem em consideração a estrutura de custos, mas também as diversas metodologias contabilísticas, pedagógicas, comerciais, etc. (Lisoni e Loyolla 2004), as estruturas de custos são listagens estruturadas de itens e, apesar de existirem múltiplas abordagens, a questão é mais pacífica, já que se pode aceitar sem controvérsia a inclusão ou exclusão de rubricas em função de práticas ou contextos específicos.

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Analysis Design / Development Evaluation

Analysis Team Costs1 Design and Development Team1 Evaluation Team1

Office Supplies and Expenses

Design User Interfaces

Asynchrous Computer Systems Synchrous Computer Systems

Participant Costs1

Printing and Reproduction Office Supplies and Expense

Outside Services Printing and Reproduction

Equipment Design Function Elements

Asynchronous Computer Systems Synchronous Computer Systems

Outside Services General Overhead

Allocation

Equipment

Miscellaneous General Overhead Allocation

Total Design Graphical Resources

Asynchronous Computer Systems Synchronous Computer Systems

Miscellaneous Total Implementation

Participant Costs 1 Office Supplies and Expenses Grand. Total

Instructor Costs1 Program Materials and Supplies (i.e. Film,

Videotape, Audiotape, overhead transparencies, artwork, manuals and materials, and miscellaneous)

Fixed Costs for Training Session (a+c)

Program Materials and Supplies

Printing and Reproduction Per Training Session Costs (d+g+i) Participant Replacement

Costs

Outside Services Anticipated Number of Training Sessions

Lost Production Equipment Total Overall Costs for all Sessions (e x b) Facility Costs Facilities Rental Facilities Expense Allocation Catering

General Overhead Allocation Total Overall Costs (f+h) Computer Resources

Individual Computer Costs / Upgrades Computer Classroom

Server Purchase / Upgrade IT Salary Support1 Equipment General Overhead Allocation Miscellaneous Miscellaneous Total Total

1 Personnel Computation should include a minimum of the number of participants x average salary x employee

benefits factor x projected number of days on project x daily meal expense x average daily travel expense.

Figura 8 - Matriz de custos.

Fonte: Elaborado pela autora, adaptado de Bartley e Golek, 2004, p. 173.

As estruturas de custo, além de permitirem identificar os custos, são também, muitas vezes, usadas para fazer a comparação de custos do ensino presencial e da EaD. De entre muitos exemplos, podemos referir Bartley e Golek (2004).

A comparação do custo-eficiência é outro dos tópicos centrais na análise de custos, que tradicionalmente foca duas áreas: a análise dos meios de comunicação, isto é, a comparação da eficiência dos diferentes meios de comunicação e materiais didáticos usados sob a lógica do uso e da produção de conteúdos, e a comparação direta de custos entre EaD e presencial, isto é, se é mais barato ensinar a distância ou presencialmente.

A primeira questão teve especial importância antes da generalização do acesso à Internet, grosso modo no ano 2000 (Rumble, 2002; World Bank, s.d.), quando a escolha dos média e dos meios de difusão da informação implicava custos elevadíssimos (rádio, televisão, correspondência, cassetes áudio, vídeo, etc.). Simultaneamente, questionava- se também a distribuição dos custos entre alunos e instituições, assunto na altura muito problematizado devido à transferência de custos das instituições para os alunos: o custo das ligações de Internet, de equipamentos, como leitores vídeo e cassetes, da aquisição de bibliografia, de correspondência, etc.

Esta problemática tem vindo a perder importância, pois, como é sabido, logo no início da década, o acesso a redes de comunicação tornou-se praticamente universal, a convergência permitiu o acesso aos conteúdos a partir de múltiplos equipamentos (computadores, smart phones, tablets, …) e, mais importante, a desmaterialização da informação permitiu disseminar e aceder à informação, indiferentemente do seu formato. Tais premissas tornaram essa primeira discussão praticamente irrelevante.

O mesmo não aconteceu com a segunda vertente desta discussão: a comparação de custos entre EaD e presencial, que continua perene. Apesar de a este respeito Bandeira (2006) evocar autores que questionam se o exercício é possível, visto as diferenças nas componentes de custo entre o sistema presencial e a distância serem tantas e de tal monta que, de certa forma, se podem estar a comparar coisas desiguais, algumas dessas diferenças são elencadas por Matthews:

Custo de entrada.

A EaD é um negócio de capital intensivo. Investimentos em tecnologia.

Investimento no desenvolvimento de competências didáticas e tecnológicas suplementares. Custo dos materiais educativos.

A intensidade do trabalho na EaD é mais demorado. Necessidade de formação de pessoal.

Custos transferidos para o aluno. Bibliotecas inacessíveis.

Manter o contacto suficiente dos estudantes.

Reflexão inadequada, conversação e diálogo intelectual. Questões legais de direitos de propriedade intelectual. Políticas de ajuda financeira inadequadas.

Tecnologia utilizada para oferecer cursos de EaD. Entrega para sites remotos. (Matthews, 2002, pp. 5-12).

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Independentemente da diferença da estrutura de custos, são inúmeros os estudos e autores que fizeram a análise do custo-eficiência EaD vs. presencial, com resultados simetricamente contraditórios:

“There is some evidence to indicate that online delivery increases costs (Morgan, 2000; Rumble, 2004; Schiffman, 2005), while other reports indicate a reduction in delivery costs as compared to more traditional methods (Meyer, 2006; Robinson, 2005).” (THECB, 2013, p.6).

Não havendo na literatura compulsada evidência de falta de rigor metodológico, cabe, pois, questionar: porquê esta dissonância de conclusões?

O cerne da resposta a esta questão estará provavelmente na natureza distinta dos custos e na especificidade do emprego de recursos em EaD, mais concretamente na economia de escala e na utilização intensiva de capital. Rumble (2002) foi o teórico que ao longo do tempo consolidou e sistematizou esta perspetiva e que convém visitar.

Rumble (2002) postula que, em EaD, um conjunto reduzido de professores é capaz de ensinar um grande número de alunos, isto porque o trabalho do professor é substituído por grandes investimentos em tecnologia e pela produção e desenvolvimento de materiais pedagógicos. Consequentemente, existe uma inversão estrutural no uso dos recursos de produção, em que EaD é uma atividade produtiva de capital intensivo, ao contrário do ensino tradicional, que é de trabalho intensivo.

Sendo a EaD uma atividade produtiva de capital intensivo é, consequentemente, uma economia de escala. Esta constatação recorre a uma adaptação da conhecida fórmula geral de custos para explicar o modelo económico da EaD:

“T=S[pi]+Cµ+F

Where T is the total costs, S is the number of students, C is the number of courses or volume of materials, [pi] is the unit cost per student, µ is the unit cost of the courses or materials, and F is the fixed costs” (Rumble, 1998, p. 256).

Por simplificação, admitindo que num mesmo curso o custo unitário por estudante ([pi]) e o custo unitário dos materiais (µ) são constantes, bem como os custos fixos (F), pode considerar-se que a variação de custo de um curso EaD resulta de C, isto é, do número de alunos e/ou do tipo de matérias e média utilizados.

Nesta linha, Geoffrey Rudder apresenta graficamente a evolução de custo em função do número de alunos, que permite fazer luz sobre as dúvidas constatadas:

Figura 9 - Evolução de custo em função do número de alunos na EaD vs. Presencial.

Fonte: Rudder et alii, 2002, p. 22.

a) Os custos fixos ou custos de capital em EaD (a tracejado) são função do número de estudantes, sendo que podem ser identificadas duas fases: a primeira, em que o número de estudantes é reduzido e o custo por estudante é mais elevado em EaD, e a segunda (após atingir um número crítico de estudantes), onde os custos são progressiva e substancialmente inferiores aos custos do ensino tradicional, como se pode comprovar pelo ponto em que os valores intercetam a ordenada (Y).

b) A inclinação da reta tracejada (<45º) permite afirmar que a EaD é uma atividade de escala, isto é, o incremento de um aluno não conduz a um incremento proporcional nos custos (caso em que a inclinação seria de 45º); como se pode verificar, o custo incremental por estudante é decrescente.

c) Os custos do ensino tradicional, como incluem mão de obra intensiva, evoluem por patamares, ao contrário dos custos da EaD, que se expressam em linha discreta por serem de capital intensivo.

d) Não se pode afirmar em absoluto se um curso é comparativamente mais barato ou caro do que no ensino presencial. Até atingir uma massa crítica de alunos a EaD é mais

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cara; ultrapassado esse ponto crítico (no gráfico o break-even point), os custos diminuem.

Com estas conclusões se termina a discussão em torno dos custos em EaD. Nela foram debatidos os tópicos centrais que a teoria clássica aponta, a saber: estrutura de custos; o custo-eficiência dos média; e a comparação de custos entre EaD e ensino presencial. Embora em relação a cada um dos tópicos não seja possível dar respostas conclusivas, é possível em síntese afirmar que a EaD é uma modalidade cuja rentabilização depende do volume de estudantes e que a evolução tecnológica tem tido impacto na estrutura de custos (no sentido de os minimizar), mormente nos custos de distribuição dos média, ao mesmo tempo que, por via da tecnologia, o fosso entre EaD e ensino presencial se tem vindo a encurtar.