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Approaches to studying families: sociology, language socialisation, and discourse analysis

O exercício analítico de integração dos modelos para implementação da ética na administração pública parte da noção de complementaridade no que se refere às estruturas dos modelos. Assume-se como complementar o conceito de integração das partes de um universo fenomenológico, em que cada parte representa um aspecto distinto do objeto observado. Os modelos estudados guardam características distintas, as quais, se integradas, podem refletir a perspectiva de administração pública como exercício continuo de poder político para a consecução do bem comum.

Para identificar o caráter complementar foram observados os seguintes atributos nos respectivos modelos: 1) ambiente e perspectiva de análise; 2) área de concentração; 3) valores; 4) implementação; 5) indicadores; e 6) domínio. Os seis atributos foram separados em dois grupos. O primeiro, denominado “Atributos Constitutivos”, refere-se às características de construção dos modelos. O segundo indica os fundamentos do processo de

implementação da ética em cada modelo, motivo pelo qual foi identificado como “Atributos de Exequibilidade”. A partir da identificação desses atributos foi elaborado um quadro comparativo, conforme abaixo.

Quadro 10: Quadro Comparativo dos Modelos

MODELOS

ATRIBUTOS CONSTITUTIVOS Perspectiva/

Ambiente Concentração Valores

Modelo Conceitual Benoît Girardin

Política/

Externo Decisão ética

Identidade e Diversidade; Paz e Segurança; Liberdade e Responsabilidade; Equidade; Solidariedade; Sustentabilidade.

Modelo Ético OCDE Organizacional/

Interno Gestão da ética

Justiça, transparência, abertura, eficiência e equidade nos processos organizacionais, compromisso com padrões éticos.

MODELOS ATRIBUTOS DE EXEQUIBILIDADE

Implementação Indicadores Domínio

Modelo Conceitual Benoît Girardin

Leis, políticas e instituições.

Valores cardinais:

Identidade e Diversidade; Paz e Segurança; Liberdade e Responsabilidade; Equidade; Solidariedade; Sustentabilidade. Macro temas orientadores de políticas

Modelo Ético OCDE Organizações e Instituições Instrumentos Processos Estruturas Processos, instrumentos e procedimentos; Valores e princípios norteadores da administração; contexto econômico, político, jurídico. Fonte: Elaborado pela autora a partir dos modelos de Giradin (2012) e da OCDE (2009).

O primeiro atributo considerado “Ambiente e perspectiva de análise” explicita o foco estabelecido por cada modelo analisado. Se por um lado, no Modelo Conceitual de Benoît Girardin (2012), a perspectiva é política e o ambiente é externo à organização; no Modelo Ético da OCDE (2009), a perspectiva é organizacional e o ambiente é interno à organização. Percebe-se, também, uma distinção entre os modelos no que se refere à “área de concentração”, o segundo atributo observado. Um concentrado na decisão, outro na gestão da ética. O terceiro aspecto refere-se a valores. Nesse atributo são verificadas convergências. O Modelo Conceitual de Benoît Girardin (2012) identifica cinco grupos de valores cardinais: equidade e estado de direito; responsabilidade e liberdade; solidariedade; paz e segurança; sustentabilidade; identidade e diversidade, que contemplam os valores descritos no Modelo Ético da OCDE (2009): justiça, transparência, abertura, eficiência, equidade, compromisso.

A forma de implementação, quarto atributo da análise comparativa, identifica, nos dois modelos, as instituições como elemento capaz de criar possibilidades para que a ética se estabeleça, sem excluir essa atribuição das leis, das políticas e das organizações. Com

atributos distintos, não é por acaso que os dois modelos apresentam diferentes indicadores. Enquanto o Modelo Conceitual de Benoît Girardin (2012) tem os valores cardinais como indicadores, o Modelo Ético da OCDE (2009) utiliza instrumentos, processos e estruturas. O quadro comparativo, por fim, identifica como último atributo, o domínio de análise, em que aparecem os macros temas orientadores de políticas, no modelo de Girardin (2012), e processos, instrumentos, procedimentos, valores organizacionais e contextos econômico, político e jurídico, no modelo da OCDE (2009).

A proposta de integração dos modelos a partir da noção de complementaridade torna- se possível na medida em que se adota a perspectiva de administração pública como experiência política. O pressuposto dessa vertente é a capacidade de a administração adotar valores democráticos, aperfeiçoar os instrumentos de gestão, inovar e criar possibilidades, por meio dos quais os mecanismos de controle político-administrativos asseguram os direitos sociais (KEINERT, 1994; WALDO, 1948, apud FREDERICKSON; SMITH, 2003). Mas, como nos lembra Girardin (2012), uma perspectiva ética de análise deve fundamentar-se não apenas em objetivos políticos, políticas ou decisões, mas também no processo pelo qual eles foram projetados e como são implementados. Os dilemas políticos devem ser resolvidos por meio de consulta e negociação, que possibilitam manter certo nível de consistência com relação aos grupos de valores éticos. Por essa perspectiva, a implementação resultará de prudente interpretação, trocas e convergência entre legisladores, governo e administração, grupos de interesses, empresas, associações da sociedade civil, indivíduos e fatores externos. Assim, o valor agregado de uma auditoria ética é o de aferir em que medida são produzidos equidade, responsabilidade, paz e segurança, diversidade, solidariedade e sustentabilidade (GIRARDIN, 2012).

A configuração do modelo integrado estrutura-se no Modelo Ético da OCDE (2009), em que o “Hexágono Ético” do Modelo Conceitual de Benoît Girardin (2012) se torna instrumento, cujas funções são orientar e monitorar. A integração desse instrumento configura a introdução de uma nova camada no modelo, denominada orientadora, que se agrega às camadas fundamental e complementar, cujos objetivos são: promover a ética, na camada fundamental; e moldar a conduta ética, na camada complementar (OCDE, 2009). Embora as funções de orientar e monitorar estejam presentes nas duas primeiras camadas do modelo, a possibilidade de realizá-las por meio de instrumento específico pode melhorar a qualidade da decisão ética, pois se torna possível mensurar em escala de valores cardinais a tendência da decisão no âmbito político da organização. Os resultados estimados no diagrama do

“Hexágono Ético” podem ajudar a perceber os limites das ações no que se refere aos impactos nos contextos interno e externo da organização. Assim, a aplicação do “hexágono” explicita o convencional conhecimento de que decisões conservadoras, em geral, privilegiam a responsabilidade, segurança e soberania; enquanto as liberais concentram atenção à solidariedade e equidade; e as autocráticas enfatizam segurança e soberania, em detrimento de solidariedade ou equidade.

Quadro 11: Modelo Ético Integrado

M o d el o É ti co I n te g ra d o M o d el o d e g es tã o d a ét ic a Fundamental Instrumentos

Regras Determinar e definir; Orientar; Monitorar; Aplicar.

Códigos, regras, orientações, capacitação e recomendações para a ética, divulgação de conflito de interesses, etc. Valores Processos Planejar, Implementar, Avaliar e Adaptar Processo de desenvolvi-mento global e contínuo da ética; Processo de desenvolvi-mento contínuo de cada instrumento; projeto único para introduzir ou mudar instrumentos, etc. Estruturas Atores

Fundamentais Atores éticos, gestão.

Complementar Instrumentos Determinar e definir; Orientar; Monitorar; Aplicar.

Ética como critério de seleção e promoção de pessoas; Procedimento de gestão de compras e contratos como ferramenta de avaliação de qualidade, etc. Processos Planejar, Implementar, Avaliar e Adaptar Processos em gestão de pessoas; compras e contratos; financeira, etc.

Estruturas Atores

Complementares

Gestão de pessoas; contratos; financeira, etc. M o d el o É ti co I n te g ra d o M o d el o d e g es tã o d a ét ic a Orientadora Instrumentos Orientar e Monitorar

Valores cardinais como indicadores; aplicação do “Hexágono Ético” para identificar limites de decisão ética. Processos Planejar, Implementar, Avaliar e Adaptar Processo de desenvolvi-mento global e contínuo da ética; Processos em gestão de pessoas; compras e contratos; financeira, etc.

Estruturas

Atores

Fundamentais e Complementares

Atores éticos, gestão de pessoas; contratos; financeira, etc. C o n te x to Interno Externo

Quadro 12: Modelo Ético Integrado – Classificação dos instrumentos de gestão da ética

Modelo Ético Integrado

Classificação dos instrumentos de gestão da ética

Fundamental Regras Determinar e definir Análise de risco Código de conduta

Política sobre conflito de interesses Política sobre brindes e presentes Procedimentos sobre afastamentos Medidas estruturais

Orientar

Capacitação ética fundamentada em regras; Juramento, assinatura de “Declaração ética”. Orientação; aconselhamento. Monitorar Política de denúncia Política de reclamações Inspeções Testes de ética

Sistema de alerta prévio

Registro de reclamações e investigações

Pesquisas de medida de violações e clima organizacional Aplicar Sanções formais

Procedimentos para lidar com desvios éticos

Valores

Determinar e definir

Análise dos dilemas éticos

Consultas a membros e colaboradores Código de ética

Conjunto de padrões não escritos

Orientar

Capacitação ética fundamentada em valores

Integração da ética no discurso (divulgar a política de promoação da ética nos canais de comuniação interno e externo)

Conduta exemplar dos dirigentes

Treinamento e acaonselhamento para a ética

Monitorar

Medidas de pesquisa sobre dilemas éticos

Sondagens informais sobre dilemas éticos e questões entre membros

Aplicar Sanções informais

Complementar

Determinar e definir

Aplicar justiça como recompensa e sistema de promoção Procedimentos apropriados para aquisição, contratos administrativos e pagamentos.

Medidas de administração de pessoal (ética com critério de seleção, avaliação e promoção na carreira).

Medidas de administração financeira (Double-key, controle). Medidas de administração da informação (proteção

automática da base de dados)

Medidas de administração da qualidade (revisão das ferramentas de avaliação da qualidade)

Orientar

Monitorar Controle e auditoria interna Controle e auditoria externa

Orientadora “Hexágono Ético”

Orientar Decisão ética

Monitorar Análise dos dilemas éticos

Fonte: Elaborado pela autora a partir dos modelos de Giradin (2012) e da OCDE (2009).

As perspectivas sistêmicas dos dois modelos de análise permitem a coordenação de diferentes instrumentos em um “contexto ético” global. Assim, a busca por um equilíbrio

entre as perspectivas fundamentadas em regrasou em valoresconduz à efetividade da gestão da ética, a qual depende mais da sinergia entre os instrumentos que dos efeitos produzidos por cada um (OCDE, 2009). Nesse viés de entendimento, o “Modelo integrado” assume dois grupos de indicadores. O primeiro grupo é composto pelos valores cardinais: identidade e diversidade; paz e segurança; liberdade e responsabilidade; equidade; solidariedade; sustentabilidade (GIRARDIN, 2012). O segundo configura-se com os elementos de gestão: instrumentos, processos e estruturas (OCDE, 2009).

Quadro 13: Modelo Ético Integrado – Indicadores por Camadas

M o d el o É ti co I n te g ra d o In d ic ad o re s Fundamental

Instrumentos Códigos, regras, orientações, capacitação e recomendações para a ética, divulgação de conflito de interesses, etc.

Processos

Processo de desenvolvimento global e contínuo da ética; Processo de desenvolvimento contínuo de cada instrumento; projeto único para introduzir ou mudar instrumentos, etc. Estruturas Atores éticos, gestão.

Complement ar

Instrumentos

Ética como critério de seleção e promoção de pessoas; Procedimento de gestão de compras e contratos como ferramenta de avaliação de qualidade, etc.

Processos Processos em gestão de pessoas; compras e contratos; financeira, etc.

Estruturas Gestão de pessoas; contratos; financeira, etc.

Orientadora

Instrumentos Valores cardinais como indicadores;

Processos Aplicação do “Hexágono Ético” para identificar limites de decisão ética.

Estruturas Atores éticos, gestão de pessoas; contratos; financeira, etc. Fonte: Elaborado pela autora a partir dos modelos de Giradin (2012) e da OCDE (2009).

Quadro 14: Modelo Ético Integrado – Indicadores por Valores

Indicadores

Valores Cardinais Domínio Fatores-chave

Identidade e Diversidade

Soberania Eleições; Soberania; Alianças.

Religião; Crença Liberdade; Proteção; Pluralismo.

Diversidade cultural Habilidades bilíngues; Tolerância e mudança. Paz

e Segurança

Defesa Porcentagem do PIB

Polícia Habeas Corpus; Duração da detenção legal.

Violência Crime

Liberdade e Responsabilidade

Liberdade de expressão, opinião. Acesso à informação Criatividade empreendedora

empresarial

Criação de pequenas e médias empresas; Competitividade global; Liberdade econômica.

Cidadania Criatividade social

Equidade

Disparidade econômica Índice de GINI; Mercado de trabalho; Direito dos trabalhadores

Corrupção Índice de percepção de corrupção

Liberdades civis Direito de apelação; Direito dos cidadãos; Ouvidoria.

Direitos Humanos Aplicação; Violação

Equidade de gênero Igualdade de gênero; Empoderamento econômico.

Solidariedade

Direito das minorias Direito de proteção; Ações afirmativas. Ajuda para o desenvolvimento Diversidade de padrões; Ajuda integrada. Disparidades Disparidades regionais; Migrações. Consequências da exploração de

recursos

Mudanças climáticas;

Capacidade ecológica de suporte

Sustentabilidade

Poluição Mercado de carbono: volume, resultados, troca. Biodiversidade Índice e tendência da biodiversidade

Envolvimento social Iniciativas da Agenda 21 Fonte: Elaborado pela autora a partir dos modelos de Giradin (2012) e da OCDE (2009).