Chapter 1 – Gender Performativity in The Handmaid’s Tale
1.1 Appearance and Behavior
Foram escolhidos dois instrumentos neuropsicológicos, que foram somados aos procedimentos de observação participante, questionário fechado e aberto e entrevista estruturada, com o objetivo de observar os aspectos relacionados à atenção sustentada na prática de RCIM.
Para observar e analisar os aspectos atencionais, foram utilizadas as versões computadorizadas do Matrizes Progressivas de Raven (Raven) e do Teste de Desempenho Contínuo (CPTII). O Raven é um teste de inteligência que avalia habilidades perceptivas ─ de
observação e raciocínio lógico ─ por meio da tarefa de encontrar a figura que falta numa série
de figuras apresentadas. Foi aplicado o Raven em toda a amostra para avaliar e garantir que os participantes dos 2 grupos tivessem o mesmo nível de capacidade cognitiva (RAVEN, 2000).
O CPTII representa um conjunto de paradigmas para avaliação da atenção e da impulsividade. No caso do experimento realizado, o CPT foi utilizado pela sua adequabilidade para avaliar a atenção sustentada (ALVES, 2008; MIRANDA; SINNES; POMPEIA; BUENO, 2009; RICCIO; REYNOLDS; LOWE, 2001; EPSTEIN; ERKANLI; CORNNERS; et al., 2003). O paradigma básico do CPT envolve a atenção seletiva e a sustentada que são medidas com a apresentação irregular de estímulos alvo (letra X). Foi utilizado o X Type CPT, no qual várias letras são expostas de maneira regular no tempo. O participante deve pressionar o a tecla espaço do teclado a cada aparição de uma letra, exceto quando essa letra for o X.
Dos paradigmas fornecidos pelo X Type CPT, foram analisados os erros de omissão ─ resultantes da falta de resposta ao estímulo alvo; erros de comissão ─ resultantes de respostas dadas a estímulos que não são alvos; e o HIT reaction time, tempo de reação ─ velocidade média de resposta correta para o teste inteiro.
Antes de realizarem ambos os testes, os participantes foram apresentados ao software e puderam familiarizar-se com a plataforma dos testes. O CPTII foi aplicado em ambiente silencioso, contando somente com a presença do aplicador e do participante.
Para toda amostra, foi aplicado um questionário antes da realização dos testes. O objetivo do questionário era obter algumas informações básicas sobre o indivíduo, como nível
de escolaridade, profissão, prática de exercícios, relação com a música, nível de saúde geral, estado de ânimo no momento do teste e uso de medicamentos.17
No GOM a primeira aplicação dos testes ocorreu após um período de três meses sem treino coincidente com a agenda do grupo. Nesse momento o grupo controle também foi submetido ao Raven e ao CPTII. Após um período de treino intensivo caracterizado por dez dias consecutivos de prática de RCIM, com cinquenta minutos de duração diária, o grupo caso foi novamente avaliado. É importante ressaltar que a aplicação dos testes neuropsicológicos foi feita por uma bolsista da Psicologia/UFMG.
Para o grupo-caso, o experimento contou também com a observação e aplicação de questionários desenvolvidos pela pesquisadora, para que se pudesse observar e analisar os
sentimentos de fundo e os sentimentos das emoções (DAMÁSIO, 2010). O primeiro
questionário foi aplicado antes da prática do primeiro dia de treinamento e também depois da prática, nesse mesmo dia. Com esse questionário, objetivou-se conhecer acerca do sentimento de fundo que possibilita o conhecimento do estado corporal ou a disposição física, do estado emocional consciente ou sentimento e da vontade de ação do indivíduo antes e logo após a prática de RCIM.
No que se refere aos sentimentos de fundo, que se relacionam ao estado de ânimo, foram apresentadas aos participantes cinco alternativas: cansado, desanimado, bem-disposto, animado e outro. Por cansado, entenda-se a sensação física de esgotamento; por desanimado, a falta de vontade de fazer qualquer coisa, e por bem-disposto, um estado de disponibilidade para a atividade. Por animado, sugere-se um estado de alegria associado à vontade de fazer a
atividade. A opção “outro” refere-se a qualquer outro estado que não os acima mencionados.
Essas definições partem da noção de sentimento de fundo que, segundo Damásio (2000), pode ser decorrente de fatores internos ou externos ao indivíduo.
Para conhecer o estado emocional consciente, o sentimento com o qual os participantes se encontravam antes e depois da RCIM, foram-lhes apresentadas também cinco opções: triste, tranquilo, irritado, alegre e outro (DAMÁSIO, 2010). O objetivo era saber se o estado mental em que estavam era prazeroso ou desagradável. Em consonância com as teorias neurobiológicas da emoção, triste e irritado foram considerados estados desagradáveis, enquanto que tranquilo e alegre, estados prazerosos.
Também foi interessante tomar conhecimento da vontade de ação do participante, para saber se ele estava chegando para a prática com vontade de fazer alguma atividade específica,
e se ele teria alguma vontade específica após a prática. As opções escolhidas, e a eles apresentadas, foram dormir, dançar, ir embora, improvisar e outros.
Durante esse período foram registradas observações coerentes com o objeto de pesquisa. A opção por realizar o experimento no ambiente do grupo é relevante, tendo em vista que a mesma situação em um laboratório, com todas as variáveis controladas, seria muito diferente do que realmente acontece na prática. Partiu-se da ideia de que alguns experimentos científicos podem e devem ser feitos em ambientes o mais próximo possível da realidade dos sujeitos observados, desde que as condições de pesquisa o permitam e sempre que o pesquisador tenha a flexibilidade necessária para lidar com algumas variáveis não controláveis. Entre essas variáveis estão os ruídos inesperados, a espontaneidade dos sujeitos ao se sentirem em seu ambiente e a presença de objetos cenográficos no espaço em que os atores fazem a prática, dificultando, em alguns dias, o seu livre deslocamento.
A observação participante possibilita a integração do pesquisador ao grupo estudado, propiciando-lhe maior conhecimento das condições de realização da prática, além de proporcionar-lhe dados não verbais e relacionados ao tema. A proximidade do pesquisador com o grupo pode evidenciar dados não registrados e que não foram previstos (RIZZINI; CASTRO; SARTOR, 1999).
1.3.2.1 Treinamento
Fez-se o treinamento em RCIM durante dez dias, com cinquenta minutos de duração. As práticas aconteceram no espaço de ensaios do GOM e foram conduzidas pela artista- professora Ione de Medeiros, propositora da RCIM. O quinto e o décimo dia foram realizados na FEA, que possibilitava uma melhor filmagem e que possui salas com isolamento acústico, bastante favoráveis para a reaplicação do CPTII, em razão do silêncio exigido pelo teste.
Em cada treino era feita uma série ininterrupta de exercícios de RCIM. Medeiros apresentava um exercício inicial e, a este, acrescentava uma média de três a quatro variações. Foram propostos entre quatro e cinco exercícios ao dia (Tabela 1). Durante a aplicação dos exercícios, ela dava orientações posturais, chamava a atenção para que variassem o desenho no espaço com o caminhar, mantivessem apenas a tensão necessária à execução da tarefa, a
cabeça e o olhar “vivos”, ou seja, acompanhando o espaço e os companheiros da prática, e
TABELA 1
Exemplo de exercício de RCIM, com suas variações, realizados durante o experimento
Instrução Estrutura rítmica
Andando no pulso, realizar quatro vezes cada
estrutura, marcando com uma palma o
número/tempo sublinhado. Estrutura A
1234 (4x)
1234 (4x)
1234 (4x)
1234 (4x)
Variante 1: Substituir a palma por um passo para trás. Estrutura B
1234 (4x)
1234 (4x)
1234 (4x)
1234 (4x)
Variante 2: Alternar palma e andar para trás nos número/tempo sublinhados. Estrutura C 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x)
Variante 3: Realizar as três estruturas, uma seguida da outra 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) 1234 (4x) A B C