• No results found

Related Work

3.3 Anomaly Detection Overview

Nesse terceiro encontro, esteve presente a PCOP de Biologia da DRE. Sua visita era a propósito de acompanhar os projetos desenvolvidos na escola a fim de que se desenvolvam competências e habilidades consideradas falhas na formação de nossos alunos, conforme indicativos da avaliação do SAREP de 2008. Assim, quis conhecer melhor o projeto de leitura que desenvolvíamos.

A essa altura, as professoras já apresentavam interesse no trabalho com a leitura na sala de aula, sabiam da importância do contato com a literatura no desenvolvimento e na aprendizagem do educando. Mas a principal dificuldade estava em saber “como” trabalhar.

Debatemos sobre suas experiências, ou que conhecessem, quanto ao uso do livro literário nas aulas de Língua Portuguesa ou em Leitura, na escola pública ou nas particulares, sobre o que achavam dessas experiências, sobre seus resultados, seus possíveis métodos e os modos de avaliação empregados. Falou-se, por exemplo, da tradicional “ficha de leitura”, aplicada comumente nas escolas de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental I, e das listas de livros exigidas pelos professores de Ensino Médio em função das indicações para os

exames de vestibular. Todas concordavam que nenhum desses modos era eficiente no sentido de formar o gosto pela leitura, nem mesmo em tornar o aluno mais apto a uma leitura eficaz. Referiam-se aos subterfúgios dos estudantes para driblar o problema, como fichas de leitura preenchidas a partir da contracapa de um livro ou dos vastos resumos de obras para vestibular encontrados na Internet. Concluíram ainda que, nos casos mais felizes, principalmente nas escolas particulares, a formação do hábito de leitura era uma soma entre o incentivo da escola (exigindo certo número de leituras por ano) e o papel da família, apoiando, cobrando ou sendo um modelo, quando alguns pais, por exemplo, com maior tempo de escolaridade e maior acesso ao consumo de bens culturais, são leitores assíduos. Mas não viam o professor como uma peça imprescindível nesse processo, já que não se sentiam capazes de convencer os alunos a lerem, pois estes o faziam apenas sobre um sistema rígido de cobrança ou por vontade própria.

Essa situação pode revelar alguns fatores da parte dos docentes, entre eles: a) carência de metodologias seguras para o trabalho com a literatura (problemas de sua formação, tanto de base como continuada); b) assimilação indireta, parcial e muitas vezes distorcida das teorias e metodologias já difundidas; c) descrença no próprio trabalho com a literatura entre os mais jovens, sobrevalorizando a gramática e a produção de textos; d) e, no Ensino Médio, trabalha-se com a história dos autores e estilos, sem que ocorra o verdadeiro enfrentamento com o texto artístico.

Dessa forma, nesse encontro procuramos apresentar conceitos fundamentais da Estética da Recepção e uma possibilidade metodológica para o uso desses fundamentos no ensino da leitura.

A obra A formação do leitor: alternativas metodológicas, de Vera Teixeira Aguiar e Maria da Glória Bordini, publicada em 1988, foi utilizada no segundo momento do encontro. O livro, direcionado especialmente para professores, estudantes de Letras e pesquisadores, foi produzido a partir de pesquisas desenvolvidas, em meados da década de 80, sobre as condições e problemas do ensino de literatura no Rio Grande do Sul pelo Centro de Pesquisas Literárias (CPL/PUCRS). Sua publicação procura recuperar o longo trajeto da pesquisa realizada de forma sistematizada, “num texto de caráter teórico-pedagógico”, tudo o que foi pensado e comprovado (AGUIAR; BORDINI, 1993, p.7). A pesquisa buscava dar conta da realidade das salas de aula e oferecer aos leitores contribuições práticas para alicerçar alternativas metodológicas para o ensino de leitura/literatura.

Com esses pressupostos e objetivos, as autoras apresentam cinco métodos de ensino de literatura, com fundamentação teórica diferenciada, objetivos e parâmetros de

avaliação específicos, etapas de sistematização das atividades em sala de aula e exemplos de aula para os três níveis curriculares do Ensino Fundamental e Médio (na ocasião, 1º e 2º graus). Sendo eles: Método Científico, Método Criativo, Método Recepcional, Método Comunicacional e Método Semiológico.

A apresentação desse livro no terceiro encontro teve como objetivo ressaltar que o professor deve adotar uma concepção teórica que direcione o seu trabalho com o texto literário em sala de aula e acima de tudo deve ter consciência da finalidade educacional que o move, pois só assim poderá promover leitores com a capacidade de transformar a sociedade.

Fizemos a leitura do capítulo “Método Recepcional”, atendo-nos às partes em que ele se divide: “Fundamentação teórica”; “Objetivos e critérios de avaliação”; “Etapas de desenvolvimento: técnicas”; e “Exemplos de unidades de ensino”. Na discussão, fizemos algumas ressalvas ao método, devido ao fato de pertencer a uma obra escrita há mais de vinte anos, de modo que determinadas sugestões de atividades talvez hoje não se adaptem aos alunos da escola pública, atualmente muito mais heterogênea. Fizemos inferências sobre possibilidades de aplicação de projetos que se pautassem nas etapas do Método Recepcional e a impressão geral das professoras foi positiva quanto a essa proposta.

Ao final, entreguei a elas um artigo de minha autoria, como leitura complementar, em que disserto sobre a recepção de um clássico da literatura brasileira para a juventude atual dentro do contexto escolar, procurando desenvolver uma análise incitada por uma experiência em sala de aula com a leitura de Memórias de um Sargento de Milícias por alunos de uma 7ª Série/8º Ano da rede privada.