4 Analyse
4.1 Språklige utfordringer
4.1.2 Andre språklige utfordringer
Fredric Jameson é considerado por muitos autores um crítico cultural marxista polêmico. Isto porque muitas das vezes seu trabalho no âmbito do próprio marxismo restringe-se apenas ao espaço da academia, um tipo de marxismo onde a política do próprio projeto está excluída. A esse respeito, a formação do nosso autor é vista como sendo institucionalizada, formalizadora e sem conteúdo político71.
De fato, um dos pontos iniciais dessa pesquisa sempre foi entender o sentido da modernidade e da pós-modernidade enquanto crítica da razão, do progresso, do sujeito e da História. Muito se fala sobre a crise dos tempos modernos, do fim da história, que vivemos em tempos de irracionalidade. No entanto, a questão que passa pelo pensamento jamesoniano é que não importa sob que condições o termo pós-modernismo é colocado. Segundo Jameson,
Ocasionalmente o slogan “pós-modernismo” me cansa tanto quanto a todos os demais, mas quando me sinto tentado a reclamar de minha cumplicidade com ele, a lamentar seus usos impróprios e a concluir com alguma relutância que ele resulta em mais problemas que soluções, paro para pensar que outro conceito seria capaz de dramatizar a questão de maneira tão eficaz e econômica. “Temos de dar nome ao sistema”: esse ponto crucial dos anos 1960 ressurge inesperadamente no debate pós-moderno. (JAMESON, 2006, p. 65)
Sendo assim, um dos problemas preocupantes em relação ao momento pós- moderno diagnosticado pela maioria dos seus autores, relaciona-se a certa apatia latente, um desinteresse das pessoas sejam as de convívio ou da sociedade em geral, com assuntos correlatos a política, economia, entre outros. Essa espécie de apatia, assim como a dificuldade das pessoas de se mobilizarem em torno de uma causa comum, de reivindicarem seus direitos mais amplos sejam eles jurídicos ou morais e porque não dizer, como um elemento novo do pós-moderno, direitos do consumidor, me levou a questionar sobre o papel social do sujeito na própria sociedade.
71 Para maiores esclarecimentos ver JACOB, R. Os últimos intelectuais: a cultura americana na era da
Nesse sentido qual a importância da leitura de um autor como Jameson para o debate do papel social do sujeito na história? Ou, qual o papel da narrativa histórica em meio à descrença das metanarrativas e do sentimento de apatia próprio da época pós- moderna?
Um dos questionamentos que mais me acompanharam durante todo o desenvolvimento da pesquisa era como defender uma metanarrativa em meio à crise das mesmas, e como Fredric Jameson se posiciona em relação ao debate pós-moderno. Sendo norte-americano, o sentido de um marxismo pós-moderno em Fredric Jameson passa pela defesa de uma política neoliberal e um capitalismo opressor que nunca deixou de ser imperialista. O argumento resvalava para uma defesa da continuidade do sistema do capital, da sociedade de consumo e da política econômica dos Estados Unidos.
No entanto não pretendo com Fredric Jameson sair em defesa de nenhum sistema político, de levantar bandeiras sobre os aspectos bons ou ruins do capitalismo norte-americano e sua política intervencionista e imperialista. Pelo contrário, tal análise prima pelo aspecto do pós-moderno enquanto variante cultural do sistema em que vivemos, de modo a identificá-lo e reconhecer sua realidade, menos que repudiá-la.
Assim a defesa de uma metanarrativa em Fredric Jameson é uma defesa do modo de produção. Mas do modo de produção entendido como constituinte de um sistema capaz de ser periodizado e percebido como parte da nossa realidade intrínseca, que não é mais aquela dos primórdios do capitalismo. Como o próprio autor argumenta,
[...] a narrativa histórica foi essencial para a própria possibilidade de se pensar o capitalismo como um sistema, sincrônico ou não; e é nessa
direção que se define minha posição com respeito ao “estágio” ou
momento do capitalismo que projeta a lógica cultural que alguns de nós agora chamamos de “pós-modernismo”. (JAMESON, 2006, p. 55)
O pós-modernismo enquanto dominante cultural do capitalismo tardio é entendido pelo autor como aquele aspecto que identifica e narra o atual momento histórico. De acordo com o autor,
O que me interessa essencialmente aqui são as condições de
possibilidade do conceito “modo de produção”, ou seja, as
características da situação histórica e social que tornaram possível a articulação e formulação desse conceito. Quero sugerir que, de modo geral, pensar esse novo pensamento (ou articular pensamentos antigos dessa nova maneira) pressupõe um tipo particular de desenvolvimento
“irregular”, de tal forma que modos de produção distintos e
coexistentes sejam registrados no universo vital do pensador em questão. (JAMESON, 2006, p. 55)
Assim, ao identificarmos a metanarrativa como um discurso histórico da consciência no tempo, considera-se que qualquer discurso de um modo de produção é válido à medida que relaciona o sujeito com sua realidade imediata. O processo ideológico e mesmo utópico de qualquer desses processos é inerente a todo indivíduo histórico que segundo suas condições de tempo e espaço interpretam a experiência histórica de acordo com seus anseios, intencionalidades e expectativas. A ação histórica mediada pela narrativa da materialidade das condições de existência do indivíduo ou mesmo da sociedade corrobora e dá sentido a um processo de abstração que é próprio da ação humana.
Nesse sentido, a pesquisa sobre uma filosofia da história em Fredric Jameson envolve exatamente esse questionamento sobre a própria constituição e presença, e até mesmo a necessidade de uma idéia de totalização em História. Desse modo a crítica às aporias do pós-modernismo se resolvem à medida que o autor entende o conceito como parte de uma crítica ao alto modernismo, mais do que a modernidade em si. Mesmo porque, o próprio discurso de fragmentação e crise das metanarrativas incorpora um elemento paradoxal que é a própria universalidade de se entender essa crise como parte da narrativa da modernidade. Como coloca Jameson, não devemos ficar perplexos ou mesmo fugir a esse debate, mas aceitar a própria ideia de totalidade como uma estrutura capaz de identificar um momento histórico e nos fazer sentir parte e pertencente a ele, com suas idiossincrasias e ontologias que lhe são próprias e devidas.
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