4.3 A NALYSE
4.3.6 Andre geografiske variasjoner
O impacto das tecnologias na sociedade atual é um fato do qual as pessoas e o sistema escolar não podem abster-se de refletir. Entre diversas teorizações sobre o assunto, tanto colocando os prós quanto os contras, convive-se com a entrada das tecnologias nas diferentes tarefas do nosso cotidiano, inclusive nas Escolas.
Fala-se em revolução tecnológica, virada cibernética, ou digitalização da sociedade; que se defina a contemporaneidade como sociedade do conhecimento, da informação ou em rede; o fato é que as transformações técnicas e científicas estão gerando mudanças sociais de grande importância que constituem novos desafios para o processo de socialização das novas gerações.
Sendo assim, seria importante contextualizar como esta sociedade chamada globalizada, os fatos que a antecederam bem como as situações vividas na atualidade. De acordo com Santos (2011) apud Bauman (2004) a sociedade há quinze ou vinte anos atrás poderia ser considerada rígida duradoura e previsível em suas formas e possibilidades (modernidade sólida), sendo a descrença em uma ordem mantida por Deus, onde o homem
acredita manter-se neste mundo sem o divino. É caracterizada, principalmente, através da
ideia de projeto moderno que seria o projeto de controle do mundo pela razão para tornar o mundo o “melhor possível dos mundos,” através do ordenamento racional e técnico. Para Bauman (2004), as modificações vieram a acontecer pela tentativa de eliminar a incoerência de toda a existência humana e a suposição de que a ação política – e técnica - racionalmente orientada poderia eliminar toda a contradição do mundo. Assim, o processo de individualização é central na modernidade, assim como o processo de racionalização das relações sociais.
Ainda segundo Santos (2011), já na fase atual (modernidade líquida) as mega
empresas desfrutam de toda a liberdade para realizarem manobras econômicas que tornam o Estado um mero espectador, dominado e sem poder de reação, apresentando-se em um aumento das riquezas dos mais ricos e a diminuição da qualidade de vida dos mais pobres em nome do lucro rápido. As relações sociais que sugerem dependência mútua são vistas com desconfiança, em nome de uma individualização. O consumismo torna-se a principal fonte de realização com a valorização do ter e não do ser alguém. Bauman (1998) enfatiza:
(...) Começamos a suspeitar de que as noções que transmitem tais pressuposições não explicam o que está acontecendo, mas ao contrário: elas obstruem a visão e tornam o entendimento mais difícil, se não impossível; de que tais noções são mais um passivo do que um ato cognitivo; e de que não
paradigma e encontrar um novo, que fará a “normalidade” voltar ao que parece, à luz do velho paradigma, anormal e excepcional, de modo que aquilo que é verdadeiramente excepcional será mais uma vez marginal, e os fenômenos marginais, mais uma vez, se tornarão somente exceções... (p.165) Então, pode-se afirmar que se vive uma crise aguda dos paradigmas, onde as certezas de anos atrás são as incertezas da atualidade, a felicidade humana consiste na acumulação de bens, prevalecendo os interesses individuais com indiferença á dor humana, isto é, vive-se um materialismo onde Deus é substituído pelos bens materiais. Assim, é um mundo projetado para que tudo aquilo que for consumido passe a ser obsoleto em pouco tempo, inclusive as relações humanas, pois se espera que o outro preencha a todas as expectativas, seja perfeito e, logo a desilusão é que faz parte das relações, a frustração, bem como isolamento.
De acordo com Stock (2011), conviver é difícil, pois é lidar com os conflitos, lidar com a parcialidade, lidar com as imperfeições e necessita a promoção de espaços de convivência onde as pessoas possam fortalecer seus laços e criar espaços para outra aprendizagem que não a cognitiva, mas antes a aprendizagem dos afetos.
Levy (1999) em seus estudos utiliza o termo rede para denominar esta escala de conexões que os espaços de interação que as tecnologias proporcionam à sociedade atual usando também o termo de inteligência coletiva para caracterizar estas relações e a construção do conhecimento que resulta das mesmas. O autor ainda denomina que vivemos em uma cultura da informática que o mesmo denomina como cibercultura que é o acesso ao mundo virtual e o impacto que esse acesso tem na sociedade moderna. O autor parte do princípio que a Internet vem a fomentar uma rede de computadores, pessoas e informações e que esta nova lógica chama-se de ciberespaço. Observa o autor:
O ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. Otermo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicaçãodigital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço. (Lévy, 1999. p.17).
Assim, todas essas ideias influenciam o cotidiano das pessoas e esse período ainda é marcado em grande escala pelo uso das tecnologias no cotidiano, sendo que o processo de escolarização, embora com certo atraso, não ficou de fora, pois as tecnologias estão convergindo para o uso pedagógico nas Escolas. É importante salientar que sendo a
a Escola seria o ambiente dinamizador do acesso negado aos desfavorecidos da sociedade capitalista. Santos (2008) alerta:
É um problema seríssimo realmente, porque o upgrade tecnológico das novas gerações, além de ser um problema geracional, é também um problema social para aqueles que não estão dentro do trem-bala.. Quem está dentro dele é quem está acompanhando ou está podendo acompanhar a evolução tecnológica. (...). A nossa sociedade, como é muito desigual, tem muitas pessoas que não podem acompanhar. E como existe uma aceleração crescente, os que estão fora do trem ficarão cada vez mais fora mesmo. Um dos problemas da Terceira Revolução Industrial é que ela é, pela primeira vez, excludente, não inclusiva. E o capitalismo torna-se cada vez mais excludente: não tem lugar para todos (p.12).
Assim, a Escola pode passar a ser um centro de convivência, bem como um centro de acesso às tecnologias às quais os alunos não tem acesso em suas casas e também de uma maneira a aproveitar suas potencialidades para desenvolver seus aspectos cognitivos qualificando os rituais de aprendizagem. Então, as Instituições Escolares encontram-se frente a grandes desafios: os conteúdos e suas verdadeiras prioridades e as metodologias com a disseminação rápida das tecnologias da informação e comunicação que resultam em transformações no modo de ensinar e aprender, caracterizando estes dois pontos no acesso a todos ao conhecimento. A integração das TIC aos processos educacionais é uma das transformações necessárias à escola para que esteja mais em sintonia com as demandas geradas pelas mudanças da sociedade contemporânea de economia globalizada.
Por outro lado, segundo as concepções de Prensky (2001) a difusão das tecnologias digitais mudou substancialmente o perfil dos estudantes desta nova época e é uma mudança da qual não se terá volta. São pessoas que vivem sua vida em contato pleno com computadores, videogames, tocadores de música digitais, câmeras de vídeo, telefones celulares, e todos os outros brinquedos e ferramentas da era digital. Os jogos de computadores, e-mail, a Internet, os telefones celulares e as mensagens instantâneas são partes integrais de suas vidas (p.1). Prensky (2001) ainda enfatiza:
Os Nativos Digitais estão acostumados a receber informações muito rapidamente. Eles gostam de processar mais de uma coisa por vez e realizar múltiplas tarefas. Eles preferem os seus gráficos antes do texto ao invés do oposto. Eles preferem acesso aleatório (como hipertexto). Eles trabalham melhor quando ligados a uma rede de contatos. Eles têm sucesso com gratificações instantâneas e recompensas frequentes. Eles preferem jogos a trabalhar “sério”. (Isto lhe parece familiar?)(p.2).
atender de modo satisfatório as exigências da modernidade e ao presenciar estas inovações da tecnologia é de fundamental importância que a escola através dos seus professores, aprenda os conhecimentos referentes a elas para poder repassá-los aos seus alunos ou trabalhar satisfatoriamente com aqueles que tem o acesso irrestrito aos processos tecnológicos, pois, é preciso que a escola propicie esses conhecimentos e habilidades necessários ao educando para que ele exerça integralmente a sua cidadania. Assim, fica a questão a ser pensada e desenvolvida nos resultados da pesquisa: estamos verdadeiramente dando conta de formar estas crianças para essa nova sociedade no qual estamos todos inseridos?