• No results found

2 Background

2.2 Analytical source models applied to surface deformation

A análise dos dados coletados pela pesquisa é realizada por meio da análise de conteúdo, que apreendemos como sendo uma técnica quantitativa de análise de dados semânticos/linguísticos, ou seja, qualitativos, que vem sendo utilizada em investigação nas ciências humanas e aperfeiçoada por meio de estudos empíricos, aproximadamente há um século.

O conceito de análise de conteúdo evoluiu junto com a técnica. O modelo “berelsoniano” (1940-1950) diz que “A análise de conteúdo é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação” (BERELSON, 1954, apud BARDIN, 2011, p.24). Bardin (2011) explica que com o desenvolvimento da técnica, este modelo foi superado, a rigidez foi quebrada e a objetividade e a cientificidade não foram mais confundidas com o pormenor da análise de frequência, passando a haver uma maior aceitação da compreensão clínica por meio do aporte da estatística, o que implica na análise do conteúdo não ser feita somente pela descrição, mas pela inferência. Posteriormente, segundo o autor, também foram consideradas na análise de conteúdo as contribuições de outras ciências, como: documentação, informática, linguística, semântica e semiologia. O conceito atualizado de análise de conteúdo diz que essa se trata de:

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens. (BARDIN, 2011, p. 48)

O pesquisador ou analista trabalha com dois tipos de documentos, apontados por Bardin (2011) como sendo: os que pode descobrir, que são os documentos naturais, ou seja, tudo o que é comunicação produzida pela realidade; e os que o pesquisador pode suscitar por conta do estudo, como por exemplo: as resposta a questionários, as quais manifestam dados, estados e fenômenos. Para o autor, a descrição, que se trata da indicação das características resumidas do texto, é a primeira etapa da análise de conteúdo; e a interpretação dessas características é a última etapa; sendo a inferência (que diz respeito às causas e aos efeitos das mensagens) o processo intermediário que permite a passagem da primeira fase à outra.

O método da análise de conteúdo, que segundo Bardin (2011), objetiva a “superação da incerteza” e o “enriquecimento da leitura” e que tem como funções: a “função heurística”, a qual enriquece o ensaio exploratório, e a função de “administração da prova”, apresenta-se como bastante adequado à pesquisa na área educacional, na qual os dados qualitativos, que proporcionam o aprofundamento do estudo, poderão ser fidedignamente trabalhados.

Conforme Richardson (2012) a Análise de Conteúdo é um importante instrumento de estudo para as ciências humanas. Esse autor ressalta que a característica metodológica da objetividade implica na explicitação dos procedimentos usados nas decisões a respeito de categorias, critérios ou outras que o pesquisador tomar a cada momento, assegurando que sejam baseadas em um conjunto de normas que minimizem a subjetividade ou juízo do pesquisador ou analista. Nesse sentido, apresenta os seguintes requisitos a serem cumpridos pelas categorias: homogeneidade, exaustividade, exclusão e objetividade. A segunda característica metodológica que aborda é a sistematização, “[...] refere-se à inclusão ou exclusão do conteúdo ou categorias de um texto de acordo com regras consistentes e sistemáticas” (RICHARDSON, 2012, p. 223). A terceira e última característica metodológica apresentada refere-se ao aceite de uma proposição pela forma como está relacionada com outras proposições acatadas com verdadeiras e pode responder perguntas como: “O que leva a formular determinada proposição?; Quais as causas ou antecedentes de uma mensagem?; e Quais são os possíveis efeitos da mensagem?” (RICHARDSON, 2012, p.224).

A codificação ou tratamento da informação deve ter como critérios: objetividade do código estabelecido e sistematização e generalização dos resultados da análise, conforme sugere Richardson (2012), que cita como sendo três etapas fundamentais da organização da codificação:

a determinação de unidades de registro, escolha de regras de numeração e a definição das categorias de análise.

No presente trabalho, aplicamos a análise no campo linguístico escrito e oral, no contexto político-social e econômico e, buscamos basear a análise de conteúdo na definição o mais precisa possível dos objetivos da pesquisa, objetivos esses que nos levaram a decidir pela utilização da técnica temática como a mais adequada.

O tema enquanto unidade de registro, “Refere-se a uma afirmação sobre o sujeito da oração. Isto é, uma frase ou uma frase composta, a partir da qual se podem formular diversas observações” (RICHARDSON, 2012, p. 235). Utilizaremos em nosso trabalho o tema de cada pergunta como unidade de registro, visto que, conforme o autor, o tema é largamente empregado para registro de pesquisas que dizem respeito à investigação de motivações, opiniões e crenças. Entendemos que a escolha dessa unidade de registro, possibilitará uma adequada comparação direta das respostas obtidas no questionário e nas entrevistas realizadas, com documentos que dizem respeito ao objeto de nossa pesquisa, dos quais também faremos uso como unidade de registro.

Tendo em vista que na análise de conteúdo as análises quantitativa e qualitativa não excluem uma a outra, em relação às regras de numeração ou quantificação, julgamos apropriado para essa pesquisa o uso da “quantificação da presença ou da ausência de determinados elementos” (RICHARDSON, 2012, p. 237) nos conteúdos dos documentos, entrevistas e questionário da presente pesquisa, sendo a única exceção o perfil do bolsista, o qual é extraído do questionário, e por ter tratamento quantitativo, se baseia na presença repetida de determinadas informações.

Em relação às categorias de análise de conteúdo, buscamos a adequação das categorias por meio da vinculação dos objetivos geral e específicos da presente pesquisa à teoria, e conforme recomenda Richardson (2012), a vinculação da teoria aos dados coletados. Para empreender essa tarefa, valemo-nos do método do ciclo de políticas (BOWE; BALL; GOLD, 1992; BALL, 1994) desde a definição dos objetivos, como na coleta dos dados e para a realização da análise apropriada da política por meio das categorias dos contextos do ciclo: de influência, de produção de texto, da prática, de resultados (efeitos), e de estratégia política.

CAPÍTULO III - INTERNACIONALIZAÇÃO DA C,T&I E DA EDUCAÇÃO