• No results found

Alpha (α); Accuracy in data content

5.3 Relationship between Metrics and Parameters

5.3.2 Alpha (α); Accuracy in data content

De todo modo, a sensação é que se abriu uma enorme gaveta; diante dela, é possível escolher entre inúmeras possibilidades para futuros estudos. No que tange ao aprofundamento do caso estudado, seria possível avançar em questões como, por exemplo, (a) o estudo da Associação Centro Vivo como caso de organização da sociedade civil de maneira mais detida, levando-se em consideração seu contexto e razão de formação, sua composição, as ações que promoveu, questionando se é vista ou pode ser vista como um movimento social ou outro papel mais específico dentro do espectro de sociedade civil – bem como seus impactos nos debates sobre memória, identidade e patrimônios locais; (b) mesmo as narrativas do deslocamento de centralidade como fator de crise nos centros urbanos – questão de urbanismo, já bastante estudada, que se apresentam como justificativa e legitimação da ação de revitalização, podem ser aprofundadas justamente pela voz dos próprios atores; (c) o que foi feito depois da elaboração e como foi e é avaliado o programa Alegra Centro, inclusive comparando com as narrativas sobre seus aspectos técnicos – como surgiram e quais seus objetivos, se foram alcançados e por quê; (d) os símbolos que são evocados como coletivos da cidade e seu possível impacto nos arranjos de poder local; (e) a presença de dinâmicas de especulação imobiliária influenciando as ações do poder público; (f) de que maneira e por quais motivos se deram as mudanças nas formações dos conselhos municipais; (g) em que consistiu exatamente o debate político na Câmara Municipal que fez com que demorasse a aprovação do programa em lei; (h) a cidade como mercadoria e a espetacularização do espaço público; ou ainda (i) as condições de acesso aos espaços públicos (re)criados através do programa.

Do ponto de vista do estudo de política públicas de revitalização de centros históricos, é possível avançar em outras questões, ainda que o diálogo com esse estudo de caso seja promissor: (a) os fenômenos de tradução de modelos de políticas públicas – como as idéias viajam e são absorvidas em diferentes contextos culturais locais; (b) que tipo de associações podem ser feitas entre essa experiência e as outras referidas nas narrativas dos atores, como Barcelona, Belém ou Recife; (c) que generalizações são possíveis de realizar comparando os diferentes movimentos de empresários presentes nas políticas públicas de revitalização de centros históricos; ou (d) que tipo de processos de construção de cidades podem ser disparados por meio dessas políticas públicas – ou seja, se há possibilidades de construção coletiva da cidade ou, ao contrário, apenas sinalizações para a fragmentação do espaço público -, avançando, portanto, na análise das perspectivas de público presentes nessas situações.

De todo modo, o mistério, traduzido na questão sobre o que há de público na política pública, e problematizado nesse trabalho, segue inconcluso. O que, no caso do programa Alegra Centro, especificamente, poderia ser traduzido metaforicamente na pergunta: para onde levam os trilhos do bonde? Ou ainda, quais esperanças viajam em seus trilhos? Do ponto de vista das políticas públicas de revitalização de centros históricos, da mesma maneira, o mistério permanece, ainda que se possa notar algumas pistas para parâmetros de futuras análises. Assim, novas investigações são necessárias para que se avancem nesse mesmo sentido, ainda que seja pouco provável que esse mistério seja desvendado.

6 - REFERÊNCIAS

AGAMBEN, G. Profanações. São Paulo: Boitempo, 2007.

ALVES, M. A. Terceiro Setor: as origens do conceito. Anais do XXVI ENANPAD, Salvador/BA, 2002.

_____. O conceito de sociedade civil: em busca de uma repolitização. Organização & Sociedade, v. 11, n. 30, p. 141-154, 2004.

ALVES, M. A. e BLIKSTEIN, I. Análise da narrativa in GODOI, C. K., BANDEIRA-DE-MELLO, R. e SILVA, A. B. Pesquisa qualitativa em estudos

organizacionais: paradigmas, estratégias e métodos. São Paulo: Saraiva,

2006.

ALVESSON, M. e KÄRREMAN, D. Constructing mistery: empirical matters

in theory development. Academy of Management Review: 32(4), 1265-1281,

2007.

ARANTES, O. Uma estratégia fatal – a cultura nas novas gestões urbanas in ARANTES, O., VAINER, C., MARICATO, E. A cidade do pensamento

único: desmanchando consensos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

ARATO, A.; COHEN, J. Sociedade civil e teoria social. In: AVRITZER, L. (Org.). Sociedade civil e democratização. Belo Horizonte: Del Rey, 1994

ASSOCIAÇÃO CENTRO VIVO. Estatuto da Associação Centro Vivo,

Sociedade Pró-Revalorização do Centro de Santos. Santos: Gráfica

Bandeirantes, 1994.

BALSELLS, D. e RIBALTA, J. (eds.). Joan Colom: Fotografies de Barcelona,

1958-1964. Barcelona: Lunwerg Editores, 2005.

BIDOU-ZACHARIASEN, C. (coord). De volta à cidade: dos processos de

gentrificação às políticas de “revitalização” dos centros urbanos. São

Paulo, Annablume, 2006.

BITTENCOURT, L. N. Revitalização do centro histórico de Santos: conflito

de interesses. Trabalho de Estágio apresentado ao Curso de Graduação em

Administração Pública da FGV-EAESP, 2006.

BRESCIANI, M. S. A cidade: objeto de estudo e experiência vivenciada. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 6, n. 2, p. 9 – 26, 2004.

BRUGUÉ, Q. e GOMÁ, R. Nuevas formas de gobernar: limites y

oportunidades. Anais do Seminário Internacional Innovaciones locales

frente a inseguridades globales: Brasil y Espanya. Rio de Janeiro: Fundación CIDOB - Fundación Getúlio Vargas, 2007.

BUÑUEL, L. La illusion viaja en tranvía, 1953.

CALDATTO, N. Entrevista em 09/11/2009.

CARVALHAES JUNIOR, E. Entrevista em 06/10/2009 e 07/10/2009.

CONSTRUTORA PHOENIX. Vídeo Institucional. 1999.

CZARNIAWKSA, B. The uses of narrative in Organization Research. Gothenburg: Gothenburg Research Institute – School of Economics and Commercial Law, Göteborg University, 2000. Disponível em

http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/summary?doi=10.1.1.2.6530.

_____. A tale of three cities: or the glocalization of city management. Oxford: Oxford University Press, 2002.

_____. Narratives in Social Science Research. London: SAGE Publications Ltd., 2004.

DE DECCA, E. S. Cidadão, mostre-me a identidade! In Cadernos CEDES, v. 22, n. 58, p. 7-20, 2002.

DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

DEGEN, M. e GARCÍA, M. (orgs). La Metaciudad: Barcelona: Transformación de uma metrópolis. Barcelona: Antrhopos Editorial, 2008.

DELGADO, M. La ciudad mentirosa: Fraude y miséria del ‘Modelo

Barcelona’. Barcelona: Catarata, 2007.

DICIONÁRIO COLLINS GEM. São Paulo: Disal, 2000.

EISENHARDT, K. M. e GRAEBNER, M. E. Theory Building from cases:

opportunities and challenges. Academy of Management Review: 50 (10), 25-

32, 2007.

FAUSTINO, S. e NUNES, J. Entrevista em 26/11/2009.

FEATHERSTONE, M. Cultura de Consumo e Pós-Modernismo. São Paulo: Studio Nobel, 1995.

FELLINI, F. Amarcord, 1973.

FISCHER, T. (org.) Gestão Contemporânea, cidades estratégicas e

organizações locais. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getulio Vargas,

1996.

FORTUNA, C. As cidades e as identidades – narrativas, patrimônios e

memórias in Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol.12, nº 33, p.127-141,

1997..

FORTUNA, C. e SILVA, A. S. (orgs.) Projecto e Circunstância: culturas

urbanas em Portugal. Porto: Edições Afrontamento, 2002.

FREDERICKSON, H. G. Toward a theory of the public for public

administration. Administration & Society: 22 (4), 395-417, 1991.

_____. The spirit of public administration. San Francisco: Jossey-Bass, 1997.

GITAHY, M. L. Porto de Santos – 1888-1908 in Libertários no Brasil, PRADO, A. (org.). São Paulo: Editora Brasiliense, 1986.

_____. Ventos do mar. São Paulo, Ed. Unesp, 1992.

GUIMARÃES, L. Entrevista em 23/10/2009.

HABERMAS, J. Mudança estrutural da esfera pública: investigações

quanto a uma categoria da sociedade burguesa. Rio de Janeiro: Tempo

Brasileiro, 2003.

HARVEY, D. Condição pós-moderna. São Paulo: Edições Loyola, 1992.

_____. A arte de lucrar: globalização, monopólio e exploração da cultura in MORAES, D. de. Por uma outra comunicação: mídia, mundialização

cultural e poder. Rio de Janeiro: Record, 2003.

_____. El derecho a la ciudad. New Left Review: 53 (September – October), 2008.

KARA-JOSÉ, B. Políticas culturais e negócios urbanos: a instrumentalização da cultura na revalorização do centro de São Paulo (1975-2000). São Paulo: Annablume; Fapesp, 2007.

KAUFFMANN NETO, J. Entrevista em 06/11/2009.

KUROSAWA, A. Sonhos, 1990.

LAINO, O. Entrevista em 27/10/2009.

LANNA, A. L. D. Uma Cidade na Transição – Santos: 1870-1913. São Paulo; Editora Hucitec. 1996.

LEITE, R. P. Contra-Usos da cidade: lugares e espaço público na

experiência urbana contemporânea. Campinas, SP: Editora da UNICAMP;

Aracaju, SE: Editora UFS, 2004.

MARIANI, R. A cidade moderna entre a história e a cultura. São Paulo: Nobel: Instituto Italiano di Cultura, 1986.

MELÉ, P. (Re)investir nos espaços centrais das cidades mexicanas in BIDOU-ZACHARIASEN, C. (coord). De volta à cidade: dos processos de

gentrificação às políticas de “revitalização” dos centros urbanos. São

Paulo, Annablume, 2006.

NEVES, B. A. P. Entrevista em 24/09/2009.

NOVAIS, P. Apontamentos sobre o trabalho teórico para afirmar

Barcelona como um modelo de planejamento urbano. In: Anais do Colóquio

Internacional sobre Poder Local, 2006, Salvador, BA.

OLIVEIRA, F. de. (2002) Aproximações ao Enigma: o que é

Desenvolvimento Local? in Novos Contornos da gestão local: conceitos em construção. CACCIA-BAVA, S., PAULICS, V. e SPINK, P. (orgs.) São

Paulo; Polis; Programa Gestão Pública e Cidadania/FGV-EAESP, 2002.

PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Pesquisa de público do

entorno: expectativas e percepções em relação à Pinacoteca. Relatório de

Pesquisa. 84p. 2007.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTOS. Decreto nº 3.753 de 2001.

_____. Lei nº 753 de 1991. _____. Lei nº 1.594 de 1997. _____. Lei nº 1.776 de 1999. _____. Lei nº 1.978 de 2001. _____. Lei Complementar nº 311 de 1998. _____. Lei Complementar nº 470 de 2003.

POLLACK, M. Memória e Identidade Social in Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol.5, n° 10, 1992, p.200-212.

PORTER, M. The Competitive Advantage of the Inner City in Harvard Business Review, may-june, 1995.

REVEL, J. (org.). Jogos de escala: a experiência da microanálise. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1998.

RIZEK, C. S. São Paulo: orçamento e participação in OLIVEIRA, F. de. e RIZEK, C. S. A era da indeterminação. São Paulo: Boitempo, 2007.

RUBINO, S. Enobrecimento urbano in FORTUNA, C. e LEITE, R. P. (orgs).

Plural de cidade: novos léxicos urbanos. Coimbra: Almedina, 2009.

SENNETT, R. Carne y Piedra: el cuerpo y la ciudad en la civilización

occidental. Madrid: Alianza Editorial, 1994.

_____. A cultura do novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 2006.

SMITH, N. The New Urban Frontier: Gentrification and the Revanchist City. New York. Routledge. 1996.

SNOW, D. A. e SOULE, S. A. A primer on social movements. New York: W. W. Norton, 2009.

SOUZA, C. “Estado do campo” da pesquisa em políticas públicas no

Brasil. In Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 18, n. 51, p. 15-20, 2003.

SOUZA, C. M. L. de. Planejamento estratégico como prática: um estudo de

caso em uma empresa organizada por projetos. Dissertação (Mestrado em

Administração de Empresas) – Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP-FGV), São Paulo, 2009.

SOUZA, T. de. Entrevista em 12/11/2009.

SPINK, P. K. Análise de documentos de domínio público in SPINK, M. J. (org.) Práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano:

aproximações teóricas e metodológicas. São Paulo: Cortez, 2000.

_____. O lugar do lugar na Análise Organizacional. Revista da Administração Contemporânea, Edição Especial. 2001.

_____. Pesquisa de campo em psicologia social: uma perspectiva pós-

construcionista in Psicologia e Sociedade; 15 (2): 18-422; jul/dez. 2003.

_____. A inovação na perspectiva dos inovadores. In: IX Congreso Internacional Del CLAD sobre La Reforma Del Estado y de La Administración Pública., 2004, Madri, Espanha.

SUBIRATS, J. e RIUS, J. Del Xino al Raval. Barcelona: Hacer Editorial, 2008.

ZUKIN, S. Loft living, culture and capital in urban change. News Brunswick, Rutgers University Press, 1989.

_____. Paisagens urbanas pós-modernas: mapeando cultura e poder in A. ARANTES (org.), O espaço da diferença. Campinas: Papirus, 2000.

APÊNDICE - Roteiro de Entrevista

INTRODUÇÃO

Apresentação: Mestrando em Administração Pública e Governo da FGV- EAESP (quando conveniente, especificar que na linha de Governo e Sociedade Civil em Contexto Subnacional).

• Contato do pesquisador: Entregar Cartão de Visita;

• O propósito e a natureza do estudo: O objetivo é entender melhor o processo de elaboração do programa Alegra Centro;

• O nome de financiadores do estudo: Estudo é financiado por agências públicas de fomento à formação de pesquisadores CAPES e CNPq;

• O tipo de questão que será feita e quanto tempo demorará a entrevista: Indicar que não se trata de uma entrevista, mas uma conversa com o Alegra Centro como tema central;

• Depoimentos serão abertos e referência para a pesquisa: A pesquisa terá como base justamente essas conversas que estão em andamento, e que serão devidamente referenciadas.

• Planos para a disseminação do estudo: Inicialmente, este estudo deverá ser apresentado em congressos acadêmicos da área de Administração Pública e Governo. Posteriormente, será enviado para periódicos acadêmicos sendo sujeito a aprovação do conselho editorial

Questionário:

1. Data da entrevista:__/__/__

2. Hora da Entrevista: __:__ 3. Local:______________

Caracterização do Entrevistado: 1. Nome:_____________________ 2. Fone: _____________________ 3. Email:_____________________ 4. Instituição:_________________ 5. Cargo ocupado:_____________ 6. Tempo no cargo:____________ 7. Tempo na instituição:______________ 8. Cargos assumidos anteriormente:

_______________________________ _______________________________ _______________________________ _______________________________ Questões Direcionadoras:

a. Como se iniciou a sua relação com o centro de Santos?

b. A Lei do Alegra Centro foi criada em 2003. Você poderia me contar como foi, a partir do seu ponto de vista, o processo que levou a criação deste programa?

c. Quem você identifica como principais atores que participaram neste processo? d. Você desempenhou participação específica neste processo?

a. Se sim, qual foi?

b. Quem você identifica como parceiros neste processo? c. Quais os desafios que foram enfrentados?

d. Se não, por que não teve?

e. De onde surgiu o nome do programa, “Alegra Centro”? a. Se não sabe a história, poderia imaginá-la? b. O que você acha do nome do programa?

f. Em sua visão, quais os objetivos centrais do programa Alegra Centro? a. Eles foram atingidos com a lei de 2003?

i. Se sim, quais deles? ii. Se não, por que não foram?

1. O que faltou realizar?

g. Qual você acha que é a relação do programa Alegra Centro com a história da cidade de Santos? É possível dizer que ela “celebra” alguns momentos enquanto “esquece” outros?

a. Quais momentos seriam os “celebrados”? b. E quais os “esquecidos”?