4 Results
5.2 Marker gene analysis
5.3.2 Alignment and assembly
As pontuações individualizadas de cada sujeito desta pesquisa foram disponibilizadas como demonstrações das evoluções do capital psicológico. Entretanto, os valores agrupados são mais relevantes para compreender a dinâmica do PSYCAP dos mentores e mentorados, alvo deste quase-experimento.
Ainda que a metodologia adotada para responder aos objetivos 5 e 6, apresentados nesta seção, foram métodos quantitativos, o pesquisador não se limitou a esta abordagem, utilizando a triangulação descrita no tópico 3.1 com o propósito de garantir maiores evidências que suportassem os achados.
As medidas de PSYCAP foram coletadas através de um questionário (APÊNDICE D) em uma escala Likert de 6 pontos conforme a recomendação de Luthans, Youssef e Avolio (2007). Neste sentido, a pontuação máxima dos respondentes seria 6, enquanto a mínima seria 1.
Os mentores iniciaram o quase-experimento com uma alta pontuação de PSYCAP: 4,97 de eficácia, 5,03 de esperança, 4,70 de otimismo e 4,82 de resiliência. As características e qualidades de mentores são apontadas como fatores que afetam a qualidade da relação de mentoria (MATHEWS, 2003). Neste sentido, a alta pontuação dos mentores em PSYCAP, nesta pesquisa, pode ter influenciado a boa percepção de relação de mentoria descrita no tópico 4.2. Ainda, pesquisas demonstram que mentores com características de confiança, empatia, comprometimento e habilidades interpessoais apresentam melhores resultados em relações de mentoria, especificamente em mentoria formal (ALLEN; POTEET, 1999; ALLEN, 2003; ALLEN; FINKELSTEIN; POTEET, 2009). Os mentorados, por sua vez, apresentaram pontuações moderadas, a saber: 3,64 de eficácia, 3,76 de esperança, 4,19 de otimismo e 3,38 de resiliência.
Em relação ao componente de eficácia, percebe-se que tanto mentores quanto mentorados apresentaram evoluções constantes de crescimento em todas as medições. Os mentorados apresentaram crescimento de 1,08 pontos na escala, enquanto os mentores de 0,37. Eficácia é um importante fator para o sentimento de sucesso (MADDUX, 2009), sendo, portanto, um fator desejável por mentorados que buscam desenvolvimento de carreira, pois podem promover implicações positivas na confiança e desempenho (LUTHANS; YOUSSEF; AVOLIO, 2007). A investigação qualitativa respalda os dados quantitativos visto que, das 38 evocações de eficácia, 32 (84,21%) afirmaram perceber um incremento de confiança (autoeficácia) em decorrência dos encontros da mentoria conforme os depoimentos apresentados no tópico 4.6.1.
Ao observar o componente de esperança a partir da quarta medição em relação à primeira, identifica-se que mentorados cresceram 0,99 pontos na escala, enquanto mentores apenas 0,10. Destaca-se que a melhor medição de esperança para os mentorados foi durante a terceira coleta, ou seja, quando já se encontravam praticamente no quinto mês do quase-experimento. Segundo Ragins e Kram (2007), o fator tempo é crucial nas relações de mentoria. Pode-se inferir que, com mais experiência e imbuídos de maiores recursos, os mentorados tenham
pontuado melhor neste momento do experimento. Entretanto, houve uma queda de 0,14 pontos da terceira para a quarta medição. Esta queda pode ser possivelmente explicada pelo fato de a última coleta ter sido feita após o encerramento da mentoria formal, deixando alguns mentorados com sentimento de abandono e perda, o que não favoreceu a esperança do PSYCAP, conforme demonstrado pelo depoimento abaixo.
Queria que durasse mais tempo (Mentorada 6, entrevista em 22 de Novembro de 2013, grifos nossos).
Os mentores tiveram maior pontuação na segunda medição (5,38) e, em seguida, caíram 0,06 e 0,25 pontos respectivamente. Os benefícios de mentoria são mais percebidos por mentorados do que mentores (ALLEN; EBY, 2007; ALLEN; FINKELSTEIN; POTEET, 2009). Neste sentido, conforme destacado por Ragins e Kram (2007), mentores tendem a ter mais fatiga e pressão para desempenhar, o que pode ter comprometido a percepção de esperança.
Os achados qualitativos suportam a ideia de que tanto mentores quanto mentorados perceberam uma maior e melhor PSYCAP esperança após terem participado da intervenção de mentoria. Ao todo, 35 evocações de esperança foram relatadas, sendo que 29 (85,29%) relacionavam a percepção de melhores perspectivas futuras à experiência de mentoria conforme as falas transcritas no tópico 4.5.2.
Mentores e mentorados tiveram comportamentos semelhantes em relação ao componente de otimismo. A pontuação caiu na segunda medição e voltou a crescer linearmente nas outras medições. O processo relacional da mentoria é bastante complexo (KAHN, 1998). Todos os sujeitos desta pesquisa não possuíam experiência, ou melhor, nunca participaram de programas formais de mentoria. Assim, era de se esperar que, no momento logo após a intervenção de mentoria, os sujeitos, principalmente os mentores, se sentissem um pouco perdidos em relação a suas atribuições nas díades, comprometendo, inicialmente, a percepção do PSYCAP otimismo. No entanto, após esta fase de adaptação, os mentorados tiveram um incremento de 0,25 pontos. Comparando a quarta medição com a primeira, os mentores apresentaram aumento de 0, 47 pontos na escala.
A pesquisa quantitativa aponta para uma forte percepção de aumento do sentimento de otimismo em decorrência da mentoria. Ao todo, 28 evocações sobre o tema foram descritas,
onde 25 (89,29%) relataram que, em decorrência da experiência, passaram a ver, sentir e perceber a vida de forma diferente, conforme os depoimentos no tópico 4.6.3.
O componente de resiliência apresentou crescimento linear pela perspectiva dos mentorados. Estes iniciaram o experimento com uma pontuação de 3,38 e terminaram com 4,81, ou seja, um crescimento de 1,43 pontos. Os mentores apresentaram uma diferente configuração. Iniciaram o experimento com uma pontuação de 4,82, cresceram 0,46 pontos na segunda, compondo a melhor pontuação deste grupo. Em seguida, caíram 0,36 pontos e voltaram a crescer 0,19 pontos na última medição. Pode-se inferir que o componente apresentou crescimento em ambos os grupos. Este achado, no entanto, diverge da pesquisa qualitativa, onde 56% dos entrevistados não perceberam relação entre a experiência de mentores e a resiliência do PSYCAP. Como apresentado no tópico 4.6.4, os respondentes acreditaram que resiliência e mentoria são dois constructos separados e distintos.
A sugestão de Dutton e Ragins (2007) de que mentoria poderia florescer o capital psicológico foi confirmada neste estudo.
A seção seguinte discutirá a correlações entre mentoria e capital psicológico respondendo ao sétimo objetivo específico.