Os dados quantitativos do quadro de servidores formados com a idade, tempo de serviço, e distribuição nos cargos foram tabulados de forma a demonstrar uma série histórica explicitando a tendência de elevação da faixa etária média no tempo.
O Método raiz utilizado é o Fenomenológico. Com base nele foi feita uma análise qualitativa dos dados, visando verificar as características da situação do pondo de vista de quem a vive em seu cotidiano, comparando os resultados dos dois grupos (funcionários e gestor). A pesquisa não se limitou à pessoa do investigador. Ela tem um caráter de troca, ou seja, não é unilateral, na qual as análises e conclusões são às impressões isoladas do pesquisador, mas procura manter um diálogo entre pesquisador e pesquisados. Buscou com as pessoas envolvidas no fenômeno estar o mais próximo possível do problema investigado, evitando ao máximo a parcialidade de suas próprias reflexões sobre o tema. De acordo com Vergara,
“Fenomenologia é originada do campo da filosofia. Consiste no estudo
do fenômeno, entendido este como aquilo que se manifesta como é. (...). A ênfase da fenomenologia recai sobre o mundo da vida, o mundo cotidiano. (VERGARA,2006, p. 84)
Por essa razão ela pareceu ser o melhor caminho a ser utilizado para tratar de um tema que faz parte do cotidiano da vida de cada um. É o método ideal para se extrair expectativas de quem vive uma determinada situação específica.
E, em se tratando de uma situação específica, estudo de um determinado caso, ele não poderá ser generalizado estatisticamente. É um método apropriado para pesquisas que busquem não só tratar de dados brutos, mas que pretendam identificar aspectos subjetivos do ser humano. Quanto a isto, Vergara corrobora:
“Os resultados da pesquisa não são generalizáveis estatisticamente, uma
vez que se trabalha com amostras intencionais e experiências singulares.
Exige do pesquisador habilidade para interagir com o pesquisado, conduzindo a entrevista sob a forma de um diálogo, reconduzindo a exploração de temas no decorrer da entrevista mantendo-se atento a possíveis desvios
relacionados à autenticidade do relato.” (VERGARA, 2006, p. 86).
Como método de análise dos dados coletados foi utilizado o da Análise de Conteúdo, que segundo Godoi “consiste em um instrumental metodológico que se pode aplicar a discursos diversos e a todas as formas de comunicação” (GODOI, 1995). A análise apoiou-se em procedimentos interpretativos.
- Análise de Conteúdo
Este método de análise, conforme Vergara (2006, p.15), visa identificar o que está sendo dito a respeito de determinado tema. Neste caso, o que está sendo dito acerca da elevação da faixa etária dos servidores públicos dentro de uma organização.
Bardin (1977) define a Análise de Conteúdo do seguinte modo:
“Qu`est-ce que l`analyse de contenu aujourd`hui? Un ensemble
d`instruments méthodologiques de plus en plus raffinés et en constante
améliorations s`appliquant à dês “discours” (contenus et contenants) extrêmement
diversifiés. Le facteur commun de ces techniques multiples et multipliés – Du calcul de fréquences fournissant dês données chiffrées à l`extraction de structures se traduisant en modeles – est une herméneutique contrôlée, fondée sur la déduction: l`inférence. En tant qu`effort d`interprétation, l`analyse de contenu se
balance entre lês deux pôles de la rigueur de l`objectivité et de la fécondité de la subjectivité. Elle absout et cautionne chez le chercheur cette attirance vers le cache, le latent, le non-apparent, le potential d`inédit (du non dit), détenu par tout
message. Entreprise patiente de “dés-occultation”, elle répond à cette attitude de “voyeur” que l`analyste n`ose pás s`avouer et justifie son souci, honnête, de
rigueur scientifique. Analyser des messages par cette double lecture aù une
lecture seconde se substitute à la lecture “normale” du profane, c`est se faire agente double, detective, espion… De là à investor pour lui-même l`instrumente
technique, à l`adorer comme une idole capable de toutes lês magies, à enfaire le pretexte ou l´alibi cautionnant dês procédures vaines, à le transformer en gadget inexpugnable de son piédestal, Il n`ya qu`un pás... qu`Il semble préférable de ne
pás franchir.” (BARDIN, 1977, p.9)
Para Bardin, trata-se de um conjunto de instrumentos metodológicos, que permanece em evolução, aplicado a discursos. É diversificado. É aplicado o instrumento do cálculo de frequências sobre as estruturas dos discursos procurando traduzi-lo em um modelo. Ela esclarece que se trata de um passeio entre dois pólos: o rigor da objetividade e a fecundidade da subjetividade. Onde existe uma atração pelo não dito, pelo não aparente, pelo latente, pelo subentendido de toda mensagem. Ela não se limita apenas ao conteúdo, mas àquilo que o contém. Conforme Vergara,
“Pode-se dizer que a análise de conteúdo tem se desenvolvido desde o
início do século XX. No começo, a técnica era aplicada, sobretudo, ao tratamento de materiais jornalísticos. Hoje, abraça transcrições de entrevistas, documentos
institucionais, entre outros” (VERGARA,2006, p. 15).
Complementa Bardin:
“Le premier nom que illustre réellement l`hispoire de l`analyse de
contenu est celui de H. Lasswell: Il fait dês analyses de presse et de propagande depois 1915 environ. En 1927 paraît: Propaganda technique in the Word War”. (BARDIN, 1977, p.14)
A análise de conteúdo pode ser dividida em fases: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento e interpretação dos resultados. (BARDIN, 1977, p.93, p.100)
A pré-análise refere-se á seleção do material e a definição dos procedimentos a serem seguidos. A exploração do material diz respeito à implementação destes procedimentos. O tratamento e a interpretação, por sua vez, referem-se à geração de inferências e dos resultados da investigação.” (VERGARA,2006, p. 18)
Na pré-análise foi feita a seleção de todo o material oriundo das entrevistas semiestruturadas, dos documentos recolhidos e da pesquisa bibliográfica. E em seguida foi feita a exploração de todo o material, buscando identificar as informações mais relevantes para explicar o fenômeno estudado. Identificaram-se elementos que demonstraram as expectativas dos servidores do IBGE em função da questão da elevação da faixa etária dos trabalhadores ativos e ainda o que pensa a Coordenação de Recursos Humanos e suas ações diante deste tema.
A partir daí foram agrupadas as categorias. Inicialmente, foram definidas duas categorias principais: Expectativas e Políticas de Recursos Humanos, baseadas no referencial teórico e mais diretamente à pergunta-problema. Em seguida, após a coleta de dados no campo (entrevistas) percebeu-se a necessidade de se criar novas categorias. Foram criadas subcategorias dentro da categoria Políticas de Recursos Humanos, são elas: Saúde; Estrutura; Ambiente; Benefícios; Carreira e Comunicação. Assim, o tipo de grade de análise utilizado foi a Grade Mista, compreendendo categorias baseadas no referencial teórico e outras extraídas das entrevistas. Conforme Vergara, quando se trabalha com grade mista:
“(...) definem-se preliminarmente as categorias pertinentes ao objetivo
da pesquisa, porém admite-se a inclusão de categorias surgidas durante o processo de análise. Verifica-se a necessidade de subdivisão, inclusão ou exclusão de categorias. Estabelece-se o conjunto final de categorias, considerando
o possível rearranjo.” (VERGARA,2006, p. 17)