5. Analyse og hovedkonklusjoner
5.6 Aksjonsforskning i rammer av en top-down-styrt endring
Tudo tem estilo. Essa é a síntese da estilística discursiva amplamente desenvolvida por Discini (2003). Embora o termo estilo seja reconhecido como “problemática particularmente árdua”. É “difícil, senão impossível, dar a ele uma definição semiótica”, conforme Greimas e Courtés (2008). Para compreender e abstrair a visão ampla da expressão “tudo tem estilo”, é preciso, antes, distinguir esse “tudo” como tudo o que é culturalmente designado e produzido pelo homem. Por consequência, “o estilo é o homem”25. Mais precisamente, o estilo são dois
homens, ou seja, “[...] uma pessoa mais seu grupo social na forma de seu representante autorizado, o ouvinte”, conforme Voloshinov/Bakhtin (1976). Refletindo as forças centrífugas e centrípetas que projetam o individual no coletivo e o coletivo no individual, manifestação dialogicamente inevitável em qualquer enunciado, esse princípio destaca o conceito bakhtiniano de estilo como expressão individual que “[...] se constrói a partir de uma orientação social de caráter apreciativo: as seleções e escolhas são, primordialmente, tomadas de posição axiológicas frente à realidade linguística, incluindo o vasto universo de vozes sociais” (FARACO, 2003a, p. 121).
Aproximando essa reflexão discursiva sobre estilo do nosso objeto de análise, teremos alguns aspectos a observar: a noção de estilo do gênero, o reconhecimento de estilos textuais de referência; a noção de estilo relativo às tendências que identificam as visões de mundo e de homem em seus movimentos de convergência e de divergência em relação aos valores e às crenças; e o estilo individual, modo de dizer, de fazer e de ser que pode manifestar-se num determinado enunciado, ou vinculada a certa tendência enunciativa.
É preciso acrescentar, no entanto, os critérios orientadores para essa apreensão do estilo discursivo. Partimos de dois aspectos fundamentados por Discini (2003, p. 31): “o estilo é apreensível numa totalidade” e “o estilo é um fato diferencial”. Ambos os critérios estão relacionados à estabilidade e à instabilidade, que identificam e diferem as regularidades enunciativas, os conjuntos de traços ou de características que constroem o dito e a imagem daquele que diz por meio do modo de dizer.
Todos os tipos de enunciados de uma língua “[...] têm em comum a natureza verbal (linguística)” (BAKHTIN, 2000, p. 280, grifo do autor). Embora essa natureza seja
25 Discini (2003), Fiorin (2006a) e Brait (2010a) retomam essa expressão que é um ponto de vista teórico presente em
Discurso na vida e discurso na arte de Voloshinov/Bakhtin (1976). O homem, ao manifestar o seu estilo, revela o seu
direito e o seu avesso, ou seja, na sua individualidade apresenta a visão de mundo (o outro) resultante de sua visão. Por isso, o estilo é o homem e o homem são dois. A expressão “lê style c’est l’homme même” foi imortalizada por George Louis Buffon, naturalista e escritor francês, escrita na obra Discours sur le style em 1753.
unificadora, as particularidades inerentes à sua utilização referem-se às condições específicas e às finalidades de cada esfera de atividade que opera seleções dos recursos linguísticos.
Como dissemos anteriormente, a utilização da língua efetua-se por meio de gêneros discursivos que são constituídos de conteúdo temático, estilo e construção composicional, elementos que se fundem indissoluvelmente no todo do enunciado. Assim, por meio da compreensão do conteúdo temático de uma totalidade de gêneros, pode-se chegar ao estilo. Do mesmo modo, se sistematizarmos sua estrutura composicional, é possível reconhecer a forma do estilo. Da confluência entre conteúdo temático e construção composicional, emana o estilo do gênero. Por isso, segundo Fiorin (2006a, p. 46), estilo é o “[...] conjunto de procedimentos de acabamento de um enunciado”.
Nesse sentido, só é possível conceber a noção de gêneros discursivos mediante o reconhecimento de estilos de referência, dada a “relativa” estabilidade dos enunciados. A maneira de escrever ou de expressar-se oralmente, seguindo ou não apenas um padrão de registro ou de fala, deve-se às criativas capacidades de incorporação, de adaptação, de modificação do uso coletivo da língua. Dessa maneira, “[...] o caráter da genericidade se dá mais fortemente em alguns gêneros que em outros” (MARCUSCHI, 2008b, p. 20). Os usos de gêneros mais fortemente marcados servem de referência, uma vez que o modo de dizer e de orquestrar os discursos integram forma ao conteúdo. De acordo com Sobral (2010, p. 76, grifos do autor), “[...] a forma é dupla: uma delas se refere à materialidade do texto – é a forma composicional – e a outra se refere à organização do conteúdo, expresso por meio da matéria verbal, em termos das relações entre o autor, o tópico e o ouvinte – trata-se da forma arquitetônica”.
É interessante observar esse fato correlacionado ao nosso objeto de análise os Textos Recomendados no Caderno do Professor, cuja finalidade é a aprendizagem da escrita. Marcuschi (2008b) nos diz que, quando ensinamos a operar com um gênero, ensinamos um modo de atuação sociodiscursiva numa cultura e não um simples modo de produção textual. Importa na aprendizagem da operacionalização de um gênero não o ato mecânico de reprodução, mas o ato ético de ressignificar o modo de ser de um enunciador. Os TRs constituem uma seleção de recortes de diferentes gêneros discursivos, os quais coincidem em aspectos semânticos e estruturais, o que reforça a forma composicional em seus enfoques linguísticos (interlocução entre actantes, tempos verbais pretérito, referências de espaço enuncivo), a estrutura textual (narrativa) e o conteúdo temático que, por sua vez, reflete unidades de valores da diversidade cultural. Essas escolhas realizam-se em regularidades do modo de dizer. Podemos então afirmar que a totalidade de Textos Recomendados, na situação
de Olimpíada, acaba por apresentar um estilo.
Problematizando a questão da intertextualidade entre textos e entre estilos, Discini (2003; 2004) apresenta as relações entre textos que podem ser homologadas às relações entre os termos constituintes do quadrado semiótico. Retomamos esse esquema, porque ele é importante para compreendermos a organização do discurso, a partir da forma composicional e da forma de relação interlocutiva nas atividades discursivas ensejadas. A seguir, ajustamos os dois esquemas com uma leve incorporação de termos:
estilo de referência
texto-base (fundação) estilo à moda contrária (subversão) paródia de estilo
estilo à moda do outro (captação)
estilização de estilo / estilo à nossa moda paráfrase de estilo
(negação) estilo à minha moda polêmica de estilo Esquema 1 – Relação entre textos e entre estilos
Os quatro elementos polarizados estabelecem entre si relações de contrariedade, de contraditoriedade e de complementaridade, que são constituídas em relação a um discurso fundador, mais especificamente, a um texto-base que é objeto de referência (linguística, textual, tópica, interlocutiva e estética), sobre o qual os demais se sobrepõem. Apresentamos, na sequência, uma breve descrição dessa tipologia enunciativa, uma vez que permite refletir sobre o processo de adesão dos sujeitos a certo tipo de reação discursiva. Nesse caso nos referimos ao enunciador-aluno, sujeito responsivo aos TRs.
Fundação: um texto-base é um texto considerado fundador de um modo de organizar o discurso, por isso seu estilo passa a ser de referência. Aderir a um estilo de referência é instaurar, no novo discurso, traços formais do modo de dizer um tema e também um modo de realizar investimentos intertextuais. No contexto da OLPEF, o texto de fundação é aquele reunido no conjunto de Textos Recomendados.
O estilo dos gêneros da totalidade de enunciados TRs apresenta várias recorrências no modo de enunciar as memórias, algumas sumariamente apresentadas a seguir. Há, dentre os TRs, exemplares marcados pela presença de vozes de interlocutores expandidas na materialidade do texto. Para se caracterizarem como tal, trazem e mostram a voz do outro dentro dos enunciados, o que confirma o efeito da memória oralizada, perpetuando e preservando o tom de voz da tradição oral. Esse é um exercício de contar e ouvir histórias de outros tempos. Nas vozes depreendidas desses textos narrativos, há uma anterioridade e uma
posterioridade temporal em relação ao momento pretérito.
Essas relações são estabelecidas no discurso, projetando o narrado a partir de um ponto de referência: “Lá pelos idos de 1929, com cerca de sete anos de idade, era menino feito” (T1, p. 213). Essa voz também busca textualizar, no enunciado, o exercício de memorar e a presentificação dos modos de ser, de viver e, especialmente, dos modos de dizer peculiares de outros tempos, dentre outras estratégias. É necessário pensar a constituição desses processos para verificar a adesão dos enunciadores-alunos a alguns desses traços dos textos- base, o que interfere na operacionalização feita dos gêneros porque, para se constituírem como enunciadores, os alunos recorrem a outros textos, esses Textos Recomendados de fundação.
Captação é a adesão de modo convergente na direção do sentido e da forma. Reconhecer e apreender a maneira de organizar o discurso, de maneira a apresentar um ponto de vista próprio sobre o mundo narrado, é uma forma de estilizar. Corresponde a um modo equivalente de usar repetidas figuras e temas. Há enunciadores-alunos que, como enunciatários do texto de fundação, estilizam o estilo de base.
Subversão é um modo de imitar, que busca subverter (desqualificar, ridicularizar ou negar) o que é imitado, seja o imitado em um texto ou em um estilo de referência. Nela há uma oposição de valores declaradamente postos, uma vez que subverte as coerções genéricas fazendo uso, principalmente, da estrutura composicional e do conteúdo temático do próprio gênero subvertido o que desestabiliza enunciado e enunciação, enquanto distancia valorativamente o dito parodiador do texto-base.
Negação é a divergência em relação ao modo de ser do texto de fundação. Há um movimento de negação do conteúdo e da expressão do texto de fundação que é polemizado, enquanto se confirma uma totalidade avessa ao texto de fundação.
Tal como Bakhtin (2000), consideramos cada enunciado como um elo da cadeia muito complexa de outros enunciados. Dessa forma, a noção de estilo pode ser integrada às teorias do discurso e tornada operacional na análise de textos. Podemos então cotejar os modos segundo os quais os alunos respondem aos textos de fundação, o que será desenvolvido na Seção III.
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