4. Presentasjon av prosess og funn med foreløpig analyse
4.3 Aksjonsfasen
Nesta seção, analisaremos o texto de Apresentação (ANEXO 1C, p. 207), a fim de compreender a constituição do enunciador institucional e os efeitos de sentido por ele convocados. Procuramos, antes disso, explicitar como as instâncias discursivas se mostram enunciativamente, o que remete à busca de um enunciador e de um enunciatário discursivos, para identificar os valores e as crenças que se presumem partilhados entre os participantes da OLPEF.
É necessário, então, apresentar o processo de discursivização do enunciador. Centramos a análise na caracterização dos enunciadores. Sabemos que, apesar de tratarmos de princípios linguísticos e discursivos fundamentais para a constituição de um dialogismo mostrado, na maioria das vezes, o processo enunciativo não é facilmente compreendido. O conceito de dialogismo, antes de ser reconhecido pelas relações dialógicas entre sujeitos ou entre discursos e enunciados, costuma enganosamente ser entendido como diálogo face a face. Por essa razão a necessidade de estudá-lo e reiterá-lo não se esgota.
Vale ressaltar que a enunciação, categoria de toda língua e de toda e qualquer linguagem, é o ato de dizer, de produzir o dito; dessa forma, o enunciado é o dito, realização do ato de dizer. Esse princípio foi formulado por Benveniste (1966), também presente em Greimas (1974) e retomado por Fiorin (1996a), em resposta à dicotomia saussuriana língua X fala. Na busca por compreender como se processa a passagem da língua para a fala, como ocorre a transferência do conhecimento de sistema da língua para a fala individual, Benveniste, por sua vez, conceitua que a enunciação é a instância de estabelecimento da mediação entre a língua e a fala, sendo a instância do ego, hic et nunc, que corresponde, respectivamente ao eu, aqui e agora. Assim, temos o “eu”, categoria de pessoa – alguém que toma a palavra se dirigindo a um “tu”, o “outro” do processo enunciativo – essas pessoas do discurso estão concomitantemente situadas em um lugar, o “aqui”, categoria de espaço e em um tempo, o “agora”, categoria de tempo (FIORIN, 2008a).
A existência de um enunciado pressupõe uma enunciação e o discurso é compreendido como atividade linguística social, por isso, relacional. Portanto, quando “eu” digo – “eu me
digo”, isso significa que o “eu” projeta uma imagem de si a partir do que foi dito. É dessa maneira que a semiótica, como teoria discursiva, concebe o sujeito da enunciação. Não interessa saber a vida, a história, a psicologia do sujeito para construir sentido sobre o que diz, mas sim compreender como o sujeito se inscreve e se diz ao dizer. Em concordância com esse fundamento, Maingueneau (2008) diz que esse “eu” possui um caráter, noção discursiva que se constrói por meio da observação do discurso, não por intermédio de uma imagem de um locutor exterior à sua fala. Sendo assim, trata-se fundamentalmente de um processo interativo de influência sobre o outro, processo que não pode ocorrer fora de uma situação de comunicação precisa. Desse modo, o sujeito é visto como o que sempre está integrado em uma determinada conjuntura sócio-histórica. Para detalhar a discursivização da pessoa nos enunciados, observemos a caracterização dada a seguir:
Eu – aquele que fala; em uma narração em 1.ª pessoa, cria um efeito de sentido de subjetividade, está ancorado, pois, em um narrador explícito.
Tu – aquele com quem se fala; é o parceiro do “eu” na enunciação, portanto, pode ser depreendido nos enunciados; mesmo que o enunciado não seja dialogal, é possível perceber o outro conforme tom usado pelo enunciador ou conforme marcas do discurso direto.
Ele – aquele de quem se fala, é a não pessoa. Em um enunciado em 3.ª pessoa, não é o “ele” que fala e sim um “eu” que não se apresenta no enunciado para criar um efeito de sentido de objetividade.
Nós – não é plural de eu, porque não existe “eus”; o “nós” se constitui mediante um enunciador ampliado – eu + outra(s) pessoa(s) do discurso. Assim se produz o efeito de sentido de uma voz integradora, compartilhada entre os actantes do enunciado. Vós – pode ser plural do “tu” ou uma pessoa ampliada, no caso “vocês” – tu + eles. Eles – plural de “ele”; mantém efeito de objetividade.
A compreensão das projeções enunciativas actanciais presentes em enunciados de diferentes gêneros discursivos auxilia a depreensão de diferentes efeitos de sentido criados, como os de objetividade, de afastamento, ou de subjetividade, de incorporação enunciativa. Temos efeitos de presença ou de ausência.
Se, na esfera do discurso literário, selecionarmos enunciados especificamente orientados pelo princípio da construção de imagem de homem “[...] que percorreu o seu caminho de vida” (BAKHTIN, 2002a, p. 250, grifos do autor), teremos materializada a escrita
da história de vida de um homem. Para exemplo, lembramos uma biografia ou em uma autobiografia, na medida em que a autobiografia é “[...] narração retrospectiva em prosa que uma pessoa real faz de sua própria existência, uma vez que põe ênfase em sua vida individual, em especial a história de sua personalidade” (MOISÉS, 2004, p. 46, grifo nosso). Destacamos que o termo “real”, aí empregado, para nós importa somente como “real” discursivo. O “eu”, enunciador pressuposto em uma autobiografia, supõe narrador explícito, representado pela escrita em 1.ª pessoa e simula corresponder discursivamente ao “eu” do narrador do enunciado. Todavia, não interessa ser a suposta correspondência com um “eu” “real”. O “eu” é sempre um simulacro discursivo de outro. Por isso, destacamos a relevância de se estabelecerem critérios envolvidos nas coerções genéricas expostas no corpus 1 (Textos Recomendados), a fim de identificar os fenômenos enunciativos, dos quais diferentes tons e imagens são depreendidos.
Nesse contexto, os estudos da imagem de si projetada no e pelo discurso, apresentados em Amossy (2005) e seguidos contemporaneamente por estudos discursivos, explicam a tendência de incorporar o conceito de éthos. A imagem que o enunciador transmite de si mesmo não está naquilo que ele afirma acerca de suas qualidades ou fragilidades, de suas virtudes ou vícios, porém no modo de dizer e no tom de voz expresso é depreendido da totalidade daquilo que é enunciado. Cotejar a totalidade discursiva com a noção de éthos é reflexão vinda de Discini (2003).
Assim, o estilo não está no dizer explicitado em autoqualificações, mas naquilo que é percebido pelo “auditório”. O éthos ou o estilo encontra-se no sujeito construído no discurso, é uma imagem do autor, não o autor “real” (de carne e osso), contudo um autor discursivo (construído pela tessitura e pela textura do texto), de acordo com Discini (2008). Éthos e estilo marcam o modo individual de ser social. Fiorin (2008b), ao recuperar Aristóteles, retoma os principais conceitos éticos que inspiram confiança em um autor: phorónesis, o bom senso, a prudência, a sabedoria prática de uma pessoa ponderada que tem vivência; areté, a virtude – do latim vírtus, virtutis, “força corpórea” vinculada à coragem, àquele que não tem medo –, e eúnoia, a benevolência, aquele que constrói uma imagem agradável de si mesmo, o “boa gente”.
Seguindo a mesma tendência, a principal contribuição dada por Maingueneau (2008) à noção de éthos é a de que este pode ser depreendido de textos de qualquer natureza, ou seja, o éthos não se depreende apenas de uma interlocução em situação de enunciação oral, em um discurso, no sentido lato do termo, no entanto pode ser suscitado de enunciados escritos, na
modalidade verbal, visual, ou verbo-visual, representando uma pessoa ou até mesmo uma ou várias instituições13.
Analisa-se o éthos, considerando uma totalidade discursiva representada pelo todo da obra de um autor, ou pelo enunciador implícito depreendido de um conjunto de enunciados organizados com finalidades específicas.
Os diferentes níveis enunciativos de um texto já foram sistematizados por Barros (2002, 2007) e por Fiorin (1996a), e podem ser apresentados da seguinte maneira:
1. Nível da enunciação: enunciador e enunciatário (sempre pressupostos).
2. Nível da enunciação enunciada: narrador e narratário, que podem ser explícitos ou implícitos.
3. Nível dos atores do enunciado, com voz delegada em discurso direto: interlocutor e interlocutário.
O interlocutor é o personagem com suas características físicas e psíquicas dadas no texto pelo narrador. A diferença entre enunciador e narrador, a partir de Greimas e Courtés (2008), é que, quando analisamos uma única obra, definimos os traços do narrador, mas, se estudarmos a totalidade de obras de um determinado autor, podemos identificar o éthos ou os éthe desse enunciador, segundo Fiorin (2008a).
Enunciador e enunciatário são co-enunciadores da enunciação, assim, o enunciatário é uma coerção discursiva. Se o enunciador (autor) deve ter uma percepção sagaz do “tu”, suas escolhas determinam as estratégias de persuadir ou sensibilizar o enunciatário (leitor). O enunciador constrói de si mesmo o simulacro daquele que deve pressentir, a opinião, o sentimento e as esperanças do enunciatário, para persuadi-lo, convencê-lo, ou sensibilizá-lo, tal como postula Fiorin (2008b).
Como encontrar um enunciatário a partir de uma totalidade diversa de enunciados verbais? Na modalização, na seleção de temas, na variedade linguística escolhida, na reiteração de traços semânticos, na projeção do enunciador no enunciado (objetiva ou subjetivamente), no uso de vocativos, na mancha da página, nas fontes usadas (Idem). Todas
13 Em relação ao éthos institucional, há trabalhos consolidados por importantes pesquisas em nosso país. A exemplo, temos Discini (2003) que, ao estudar o estilo nos textos, toma como corpus a mídia escrita da imprensa dita séria e da sensacionalista. Fiorin (2008), seguindo a mesma linha, trata da construção do éthos de programas televisivos de emissoras abertas. Karwoski (2008) discute a construção do éthos institucional, por meio de anúncios publicitários do Banco do Brasil publicados na mídia impressa. Motta e Salgado (2008) apresentam na obra organizada Ethos discursivo uma série de pesquisas que discutem a imagem de sujeitos e de instituições projetadas e reconhecidas discursivamente.
essas marcas pertencem não simplesmente ao dito, mas à enunciação enunciada, que deixa marcas no enunciado.
Depreendido de uma totalidade que constitui o material didático Caderno do Professor – Orientação para a produção de textos, o texto de Apresentação (ANEXO 1C, p. 207), ao trazer as justificativas da realização da Olimpíada, permite que depreendamos a construção do enunciador e do enunciatário da OLPEF.
Aparecendo antes mesmo da página com os dados catalográficos do material, essa Apresentação representa a oficialização de “abertura” da Olimpíada. É dela que depreendemos os sujeitos participantes envolvidos na Olimpíada.
Nesse texto de Apresentação, temos uma saudação inicial ao professor que recebeu o material. Ter o Caderno do Professor em mãos implica uma ação preliminar do professor: a de ter-se inscrito no concurso. A ação de inscrever-se na OLPEF está motivada por um querer-fazer do professor, aliado a um dever-fazer, imposição ou obrigação. Aderir a esse discurso significa ver-se nele constituído. O dever está implícito, pois não havia obrigatoriedade explícita para a participação do docente.
Entre o segundo e o quarto parágrafos, podemos depreender traços que contribuem para a especificação do enunciador, que se apresenta como responsável pela realização da Olimpíada, pela produção do material e, por consequência, pela participação do aluno no evento.
Ela é resultado da parceria entre o Ministério da Educação (MEC), a Fundação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).
A união de esforços do poder público com a iniciativa privada e a sociedade civil visa um objetivo comum: proporcionar ensino de qualidade para todos.
O MEC encontrou no Programa Escrevendo o Futuro a metodologia adequada para realizar a Olimpíada – uma das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação, idealizado para fortalecer a educação do país (CLARA; ALTENFELDER, 2008, p. 3).
Este enunciador, formado por três instituições, como dissemos, apresenta suas vozes fundidas em uma única voz:
ENUNCIADOR
Cenpec Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária
Voz responsável pela elaboração do material, pelo apoio técnico pedagógico, pela formação continuada dos professores, pela avaliação de desempenho e conhecimentos tanto do aluno como do professor. FIS
Fundação Itaú Social
Voz responsável pelo financiamento do programa. MEC
Ministério da Educação
Voz que apoia a divulgação e a disseminação do programa nas escolas públicas de educação básica no país inteiro.
O que é interessante nesse enunciador é que, após o cumprimento de abertura, “Bem- vindo à Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro!” (CLARA; ALTENFELDER, 2008, p. 3), ele fala do lugar de quem é responsável pelo evento e firma esse lugar, usando a 3.ª pessoa do discurso, projetando o olhar do observador, do supervisor, do avaliador de todo o processo e de todos os participantes em torno do objetivo estabelecido. Somente na última frase o enunciador assume a pessoa ampliada “nós”, em “Desejamos a você um ótimo trabalho!”.
Essa pessoa ampliada, o “nós”, normalmente é representada pelo “eu” + vocês, quando, no discurso didático de sala de aula, um aluno em diálogo com o professor diz: “Professor, eu não entendi nada do assunto!”, e o professor responde: “Então, amanhã, nós rediscutiremos a questão.” Esse “nós” usado pelo professor na situação de aula é uma pessoa ampliada do “eu” (professor) + “você” (aluno) + “eles” (os demais colegas de classe). Na maior parte das vezes, o uso do “nós” no discurso tem a função de incluir o outro como participante e suposto concordante do saber, do fazer, do ser e do parecer no discurso. No entanto, no caso do texto de Apresentação, o “nós” é o “eu” (Cenpec) + “eu” (a Fundação Itaú Social) + “eu” (o Ministério da Educação). Observa-se também uma inversão da organização hierárquica na assinatura do texto. O Ministério da Educação, instituição mor, representante da educação em nosso país, aparece por último na assinatura, na ordem é precedido pelo Cenpec e pela FIS.
No início e no final da apresentação, há a reiteração do vocativo implícito: caro professor. O vocativo implícito sugere a pessoa à qual o narrador se dirige, seja para chamar a atenção, para saudá-lo, como atitude de respeito ao outro, ou como formalidade em relação à oficialização da abertura de um evento. Esses dois parágrafos dão ênfase entoacional de intensificação do efeito de sentido de interação. Nesse caso, temos a interação entre o enunciador-institucional e o enunciatário-professor. No primeiro parágrafo de abertura há um procedimento implícito, o uso de “seja”, em “[seja] bem-vindo”. O último parágrafo, “Desejamos a você um ótimo trabalho!”, parágrafo de fechamento, está ligado a uma noção volitiva do enunciador, que deseja a esse professor “um ótimo trabalho”. Esse enunciado de fechamento consolida o contrato fiduciário, pois o enunciador discursiviza a espera que tem em relação ao professor, como resposta. É a espera de uma atitude e de um comportamento. É a espera de um comprometimento, ao realizar de modo eficaz a sua ação em sala de aula.
Apesar de, em nenhum momento da Apresentação, ser referenciada a palavra professor, ele é o destinatário implícito da saudação. Ele é um enunciatário, a quem é direcionado todo o material: um enunciatário pressuposto, como já mencionamos, antes pela
determinação genérica da capa, Caderno do Professor. Sendo o enunciatário uma das instâncias do sujeito da enunciação, ressalta-se aqui o papel do professor como co-enunciador do discurso. Conforme Fiorin (2008a, p.153), o enunciatário não é um ser passivo que recebe informação, mas um ser ativo que estabelece um contrato, ao participar da comunicação; ele age, constrói, adapta, compartilha, rejeita, assume a realização das oficinas com seus alunos, por meio do uso do material. Ou seja, temos um contrato para agir de acordo com as orientações dadas. O enunciador mobiliza a persuasão, escreve este texto para um professor de língua portuguesa da educação básica – seu enunciatário supõe-se formado em Letras –, por isso a isotopia converge para usos de termos lexicais específicos do universo didático e escolar: alunos, dia a dia escolar, escola, texto e outros. A imagem do enunciatário produzida pelo discurso é a daquele que pode querer trabalhar, conhecer e desenvolver a metodologia de trabalho com gêneros discursivos; um professor que não fica dependente apenas do Caderno produzido, mas que amplia o uso deste; um professor que pesquisa, realiza outras leituras para aprimorar seus conhecimentos teóricos e práticos.
O enunciador conhece seu leitor e, por intermédio das escolhas linguísticas, determina suas características. Este enunciatário é: a) pensado como responsável pela educação por intermédio do seu conhecimento; por isso, quanto mais o professor for especializado em seu trabalho, melhor será a qualidade da educação; b) sentido como aquele que tem vontade de participar, de representar sua escola e, quem sabe, ganhar, juntamente de algum de seus alunos, o prêmio subjacente ao trabalho, caso um deles seja classificado; c) percebido como aquele que opina de forma reivindicativa por ajuda e por diferentes ferramentas para a melhoria do seu trabalho; d) depreendido como aquele que precisa de fundamentação não só teórica, mas prática. Por fim, é obtido mediante a imagem daquele que sabe e daquele que espera ser reconhecido e valorizado pelo que faz.
O enunciador é constituído de um “eu” institucional complexo que, em sua organização interna, estabelece uma relação de parceria com uma finalidade comum, que é a de “[...] proporcionar uma educação de qualidade para todos” (CLARA; ALTENFELDER, 2008, p. 3), o que está coerentemente radicado na linha isotópica do Governo Lula (2003- 2010), cujo slogan peculiar é “Brasil, um país de todos” (ANEXO 1B, p. 206). Reconhecer esse objetivo é o fundamento do Plano Nacional de Educação (PNE). O texto torna evidente o interesse do MEC no programa. Supõe-se que existia a necessidade e a obrigação de ser realizada uma Olimpíada de Língua Portuguesa: “[...] a Olimpíada – uma das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação, idealizado para fortalecer a educação do país” (CLARA; ALTENFELDER, 2008, p. 3). Supõe-se que o MEC julgou que a metodologia do programa
Escrevendo o Futuro, devido à experiência de três edições do concurso ter sido comprovada como adequada, cumpria os critérios de realização da Olimpíada, pois esta se acharia em consonância com os princípios desenvolvidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa. Tais parâmetros consideram o foco do ensino na interação enunciativa, em que a produção de textos orais, escritos e não verbais exige do produtor a ativação de conhecimentos linguísticos e textuais variados e a mobilização de estratégias discursivas diversas.
Outro aspecto de tal Apresentação é a reiteração do objetivo principal em, pelo menos, cinco parágrafos diferentes, sendo que o texto possui apenas oito. Essa reiteração, a cada vez que é feita, está relacionada a cada uma das instâncias institucionais que constituem o enunciador:
Instância governamental
(MEC) A união de esforços do poder público com a iniciativa privada e a sociedade civil visa um objetivo comum: proporcionar ensino de qualidade para
todos.
Instância governamental
(MEC) O MEC encontrou no Programa Escrevendo o Futuro a metodologia adequada para realizar a Olimpíada – uma das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação, idealizado para fortalecer a educação do
país.
Instância da instituição pedagógica
(Cenpec)
[O Caderno] É uma ferramenta que poderá ser incorporada ao dia-a-dia escolar, contribuindo para que os alunos escrevam textos cada vez melhores
e ampliem o domínio da leitura e da escrita.
Instância da instituição pedagógica
(Cenpec)
O tema proposto para o concurso é “O lugar onde vivo”. Escrever sobre a
comunidade onde se vive estimula novas leituras, pesquisas e estudos, proporcionando um outro olhar sobre a realidade e uma perspectiva de transformação social.
Instância governamental e pedagógica
(MEC) (FIS) (Cenpec)
[O envolvimento de todos... é fundamental] para ampliar e enriquecer o trabalho nas escolas e para que sejam produzidos melhores textos por crianças e jovens dos vários cantos do Brasil.
Quadro 7 – Relação dos objetivos com as instâncias institucionais Fonte: Clara e Altenfelder (2005, p. 3, grifos nossos)
A conexão do objetivo reiterado, no decorrer do texto, cria o efeito de intensificação, uma vez que é preciso fazer-crer que a educação é compromisso e responsabilidade de todos. Dessa forma, é necessário reprimir a atitude paternalista e não esperar apenas do enunciador a motivação e o compromisso com a educação. Ou seja, procura-se motivar o enunciatário a fazer, cumprindo o contrato fiduciário proposto e trabalhando na dimensão proposta.
No tocante à sintaxe discursiva, o momento de referência do enunciado é o presente, a partir do qual são desenvolvidas as demais projeções temporais do discurso. Na totalidade do texto há uma predominância do tempo presente e do futuro do presente, conectados à 3.ª pessoa do discurso. Em relação a esses tempos, busca-se um meio de apresentar qualidades
objetivas, concretas, referindo-se às instituições e aos documentos oficiais, estratégia argumentativa que demonstra o estado, a condição do evento, produzindo o efeito de objetividade e de realidade. Apesar da não referência direta ao sujeito enunciador do segundo ao sétimo parágrafos, ele procura dar ciência, mostrando ao enunciatário a realidade do evento, priorizando os objetivos e as informações relevantes ao contexto imediato.
Ao tratarmos das projeções que constituem os enunciadores em um discurso, ressalta- se o papel das coerções discursivas, ou seja, das regras que respondem pela especificidade de cada discurso e de cada enunciado em sua produção e em sua recepção. Pertencer ao domínio