Os acidentes de trânsito são fenômenos que poderiam ser evitados, se todos os agentes envolvidos agissem com prevenção. No meio urbano, uma grande parcela da população passa a depender de um veículo motorizado, para se deslocar e acaba pagando um alto preço por essa escolha. Raramente, os acidentes acontecem devido a uma única causa. Em sua maioria o fenômeno ocorre por uma combinação de fatores classificados em três categorias: às condições de tráfego e/ou meio ambiente; o comportamento humano; e por fim às condições do veículo. “Em combinação, esses fatores interativos são responsáveis por colisões e danos físicos e materiais” (ANTP, 2002).
mais acentuados nos países subdesenvolvidos, devido às carências sociais e econômicas. Nesses países, geralmente a frota de veículos em circulação já ultrapassou a vida economicamente útil e não sofre manutenção adequada; os motoristas e pedestres não têm educação ou consciência suficiente, para adotar uma postura defensiva, quando estão no trânsito; e as condições da infra-estrutura viária refletem a carência de investimentos, ou seja, as condições do pavimento, geometria e sinalização não são adequadas ao tráfego seguro. 4.2.1 Projeção de Fatalidades no Trânsito
O Gráfico 4 foi extraído do Sistema de Informações Estatísticas da Organização Mundial de Saúde – WHOSIS de 2007, foi elaborado com base em um estudo realizado em 2006, intitulado de Projections of Global Mortality and Burden of Disease from 2002 to 2030. Baseado nas estatísticas e tendências sanitárias mundiais, esse estudo projeta para o ano de 2030, o número de mortes por diversas causas.
GRÁFICO 4 – Projeção mundial de mortes, 2002 a 2030 (causas mortis selecionadas) Fonte: Mathers & Loncar, 2006.
Esse gráfico representa apenas os resultados de um grupo composto por câncer, doenças cardiovasculares, enfarte, AIDS, outras doenças infecciosas, acidentes de trânsito, tuberculose e malária. A malária, tuberculose e outras doenças infecciosas são as únicas causas com projeção de redução no número de mortes.
As projeções indicam que o número de mortes por acidentes de trânsito no ano aumentará de 1,2 milhões em 2002, para 2,1 milhões em 2030. Primeiramente, devido ao aumento de fatalidades de veículos motorizados, associados ao crescimento econômico de países com baixa e média renda (WHO, 2007).
4.2.2 Indicadores de Desempenho de Segurança no Trânsito
Para medir a magnitude dos acidentes de trânsito alguns parâmetros são utilizados como indicadores, servindo para comparação entre os diversos países e cidades. Porém, quando comparados, alguns aspectos devem ser considerados, em razão das diferenças entre as características de cada local.
De acordo com a ANTP (2002), os índices geralmente empregados, relacionam o número de mortes com a população, com a frota registrada e com os veículos em movimento. O número de mortos por 100 mil habitantes, reflete o perigo representado pelo trânsito, para os habitantes. Para efeito comparativo desse índice, deve-se levar em consideração a semelhança no grau de motorização do local. O Gráfico 5 mostra o número de mortos em acidentes de trânsito para cada 100 mil habitantes nas capitais brasileiras, em 2005. A cidade de Salvador, capital do Estado da Bahia, foi a que apresentou o menor índice (4,5 mortos em acidentes para cada 100 mil habitantes.
48 35,4 33,6 32 30,6 30 29,3 26,9 26,5 24,2 23,7 21,8 21,8 21,6 21 18,7 18,1 17,4 17,2 16,8 16,715,8 15,4 11,5 10,9 9,5 4,5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55
GRÁFICO 5 – Mortos em acidentes de trânsito para cada 100 mil habitantes, em 2005. Fonte: DENATRAN, 2006 apud ANTP, 2007.
O número de mortos para cada 10 mil veículos cadastrados é um índice aparentemente mais lógico, uma vez que relaciona o evento com o instrumento dos acidentes. Porém, dependendo das distorções entre a frota cadastrada e a frota em circulação esse índice pode não refletir a realidade (ANTP, 2002).
O Gráfico 6 apresenta uma série histórica das vítimas fatais em acidentes de trânsito no Brasil, entre 1996 e 2005.
9,8 8,4 6,5 7,0 6,8 6,3 6,2 6,2 6,5 6,3 - 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005
GRÁFICO 6 – Mortos para cada 10 mil veículos no Brasil, de 1996 a 2005. Fonte: DENATRAN, 2006 apud ANTP, 2007.
Ainda segundo a ANTP (2002), o número de mortos para cada 100 milhões de veículos em movimento, é o melhor indicador do risco de acidentes, pois relaciona o efeito com a movimentação dos veículos, mas não é encontrado frequentemente na literatura.
4.2.3 As Fatalidades no Trânsito no Exterior
Na Europa, outros índices são estabelecidos, para acompanhar o desempenho da segurança do trânsito. O Gráfico 7, extraído do livro de fatos de 2007, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OECD, relaciona o número de fatalidades com um milhão de habitantes.
GRÁFICO 7 – Mortes em Acidentes de Trânsito para cada milhão de habitantes, 1995 e 2005 (paises membros da OECD)
O Gráfico mostra que, praticamente em todos os países membros da OECD, houve redução nos números desse índice de 1995 para 2005. A exceção foi a Federação Russa, que apresentou 221 mortes em 1995, e em 2005 computou 237 mortes para cada milhão de habitantes.
O mesmo documento da OECD, também mostra que esses países, no mesmo período, aumentaram seu número de veículos motorizados por habitante. Portanto, é presumível que esses países estejam adotando políticas eficientes, no controle e redução de acidentes de trânsito.
4.2.4 Acidentes de Trânsito no Brasil
No Brasil, o sofrimento provocado pelos acidentes de trânsito e seu custo são praticamente imensuráveis. De acordo com a ANTP (2002), “pelos dados conhecidos diariamente 63 pessoas morrem em conseqüência desses acidentes e outras 161 sofrem ferimentos com seqüelas graves por toda a vida”.
Estima-se que esse sério problema tenha um custo social próximo a 1% do PIB, ou seja, 8 bilhões de dólares por ano. Um desperdício irreparável considerando as necessidades básicas da população e sabendo que os jovens consistem no seguimento mais atingido. Poucas cidades brasileiras têm preocupação em conhecer o problema para de alguma forma analisa-lo, propor e implementar as soluções. As municipalidades precisam desenvolver programas e adequarem suas instituições instrumentalizando-se para uma apropriada gestão do tráfego urbano (ANTP, 2002).
No Brasil o número de mortes causadas por acidentes de trânsito é expressivamente grande quando comparado ao de outros países, mesmo levando em consideração a redução de mortes, apresentada no Gráfico 6, ocorrida a partir da aplicação de medidas como a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, fiscalização eletrônica e a vigência do Código de Trânsito Brasileiro em janeiro de 1998.
Em relação ao mundo pode-se destacar que o Brasil detém 3,3% da frota de automóvel mundial, mas apresenta uma parcela de 5,5% dos acidentes automobilísticos anuais (RIBEIRO E., 2006).
Apesar de terem índices de motorização superiores ao dobro do brasileiro, países como o Japão, Alemanha, França e Estados Unidos apresentam índices de mortes por acidentes de trânsito bem menores que o do Brasil. O Gráfico 8 apresenta o número de mortes em
acidentes de trânsito para cada 10 mil veículos desses países, do Brasil e da Turquia. 1,32 1,46 1,93 2,35 5,36 6,8 0 1 2 3 4 5 6 7
Japão Alemanha EUA França Turquia Brasil Numero de mortes para cada 10 mil veículos
GRÁFICO 8 – Acidentes de trânsito, países selecionados, no ano 2000. Fonte de dados: IPEA, 2003.
Apesar de possuir índice de motorização bem menor que o brasileiro, a Turquia também possui um expressivo número de mortes por acidentes de trânsito.
Com o objetivo de identificar e mensurar os custos provocados pelos acidentes de trânsito, em 2003, o IPEA desenvolveu um estudo sobre os impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito em áreas urbanas. Seguindo a mesma linha de pesquisa que investiga as deseconomias urbanas, entre outras revelações importantes, essa mostrou que os acidentes com vítimas, mesmo correspondendo a apenas 14% das ocorrências, são responsáveis por 69% dos custos produzidos, cerca de 2,5 bilhões de reais. “Isso reforça a necessidade de priorizar os programas de segurança de trânsito voltados para a redução dos acidentes de trânsito com vítimas e dos seus impactos” (IPEA, 2003).