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2.4 In vitro inhibition of Aβ aggregation

2.4.2 AChE-induced Aβ aggregation

O caminho sugerido pela Cepal foi romper com o movimento histórico de dependência gestado sobre um padrão herdado de especialização, baseado na exploração das vantagens comparativas estáticas. Por isso, há argumentos que findam na industrialização como meio para o desenvolvimento dos países periféricos. Como é na indústria que o progresso técnico primeiro se articula e dissipa, sua proliferação representaria aumento de empregos e melhoria das condições de vida para a população. Nesse consenso, também o Estado poderia contribuir, não só pelo planejamento, organização e coordenação do mercado no território nacional, mas como participante ativo na promoção da infraestrutura necessária ao desenvolvimento industrial almejado. Fato que, naturalmente, exigiria a criação de grandes empresas de base e suas inerentes vagas de trabalho.

Para promover a industrialização sem dependência, era preciso estimular, no território nacional, a propagação de organizações produtivas, mesmo que para isso fosse necessário proteger o mercado interno. Essa foi a opção, por exemplo, do Brasil, quando implementou sua política de substituição das importações (S.I.).

Esta política se fortalece como única forma para o desenvolvimento independente, uma vez que todo esforço em histórico andamento de especialização da produção e exportação de bens primários imputava uma nítida deterioração nos termos de trocas internacionais. Paradoxalmente, a operação dessa estratégia fez com que o Brasil estivesse em

uma situação ainda mais vulnerável, à medida que transcorria a década de 1950. Para Lustig (2000), duas foram as razões principais. Primeiro, nesse período houve uma sobrevalorização do câmbio, desestimulando as exportações e, segundo, porque o Brasil aumentou sua dependência na importação complementar (bens intermediários e bens de capital), caracterizando uma situação de desequilíbrio externo.

O relativo fracasso da tentativa de industrialização brasileira deixou como herança para a década de 1960, além do problema do desequilíbrio externo, os desequilíbrios setoriais, quando o setor agrícola perdia dinamismo, e, assim, pressionava a inflação e acentuava a marginalidade urbana. O grande contingente humano atraído para os centros que se industrializavam não encontrava emprego proporcional à sua migração, especialmente pela introdução de técnicas intensivas em capital. Também diminuía o repasse de recursos do setor agropecuário ao industrial, reforçando a aproximação entre governo e industriais, que passavam a recorrer cada vez mais ao Estado. Agravava a situação o fato de que os gastos governamentais continuavam a crescer à medida que o processo de industrialização aumentava, financiando a infraestrutura necessária e mantendo seu papel de grande empregador. Isso causa desajuste nas finanças públicas que, somado à pressão da demanda, estimulavam a inflação.

Todo o encadeamento da política econômica nacional em prol do desenvolvimento almejado com a política de substituição de importações trouxe, pela decepção que gerou, o surgimento de novas correntes de pensamento na Cepal.

Fishlow (1985) depositou esforços na integração regional, ainda em plena discussão. Em outro sentido, havia aqueles que sugeriam a captação de capital oficial do exterior, aliviando a escassez interna e melhorando o desequilíbrio fiscal. Uma posição que tinha relação direta com a proposta da Aliança para o Progresso do governo Kennedy. Esta afirmava que aos países da América Latina haveria fundos adicionais a partir dos Estados Unidos da América para promover suas reformas, cujos temas-chave eram a integração, o planejamento, a reforma tributária, a modernização e a reforma agrária e intervenções no setor social (THORP, 2000). Uma vez país-membro da Aliança para o Progresso, o Brasil, além de se aproximar (estreitando os laços de cooperação, mas também de interdependência) dos EUA, afirmava sua satisfação com os benefícios internos do desenvolvimento associado, pela abundante entrada de capitais. Mas, não só, dado que se formalizavam as garantias para a conservação das elites no poder, justamente as que pela história se mantiveram próximas das decisões desenvolvimentistas nacionais.

Uma terceira tendência apontava como saída a promoção do mercado interno, mas havia posições distintas. Só seria possível uma mudança da condição periférica se mudássemos todo o funcionamento do sistema capitalista (FRANK, 1974). Menos radical, havia os que pensavam na manutenção do capitalismo, mas mediado por um processo de redistribuição como saída (PINTO, 1970); enquanto outros defendiam o crescimento dentro das regras capitalistas, entendendo-o como factível, mesmo que implicasse desigualdade e marginalização (SERRA e TAVARES, 1974).

Embora distintas, as três visões acima discutidas têm um ponto comum: a relação entre distribuição de renda, consumo e crescimento. Furtado (1966) indicava que a evolução e caracterização da acumulação de capital nos tempos da política de substituição de importação geravam tendências à estagnação. Para o autor, estava em andamento uma relação viciosa entre crescimento e distribuição de renda. O modelo de crescimento levava à concentração da renda que, por sua vez, convertia-se em demanda (mesmo que restrita à pequena parcela de sua população) por bens duráveis, a qual acabava orientando a estrutura produtiva para setores com maior densidade de capital, implicando mais importações, resultando em um compasso insatisfatório à taxa de crescimento. Neste tempo, acabavam privilegiados os setores com maior possibilidade de ganhos e retornos ao capital investido, e este fato contribuiu diretamente para a concentração da base produtiva no Brasil, formatando sua heterogeneidade estrutural. Sendo constituída uma estrutura produtiva orientada para setores que usavam técnicas intensivas em capital e vultosos requerimentos de importações, o padrão de crescimento resultante acentuou a desigualdade, a marginalização e a dependência externa.

Ainda considerando os que acreditavam que o crescimento viria do mercado interno, Lustig (2000) nos lembra que, diferentemente de Furtado (1966), Tavares (1973) e Serra e Tavares (1974) viam que o capital acumulado com a industrialização era resultante, justamente, da expansão do setor moderno, que se manifestava como produto da magnitude dos encadeamentos dinâmicos e das economias externas que geravam. Ademais, este era o setor de ponta, no sentido da evolução dinâmica do progresso técnico31

Neste sentido, a estagnação experimentada pelo período de crise da substituição de importações teria sido resultado de um estado de subconsumo neste setor, dada a característica de renda concentrada em determinada classe social mais abastada, cuja demanda

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Para Tavares e Serra (1983) era justamente este estrato do mercado de trabalho o que, a partir de sua capacidade de consumo, continuamente cumpriria um papel dinamizar da economia, bastava que lhe fosse revivido potencial de consumo por sucessivas reconcentrações de renda.

pelos bens de ponta estaria saturada. Para Serra e Tavares (1974), como o setor de bens de consumo duráveis era o líder da economia, a concentração de renda era necessária para garantir um mercado de tamanho adequado. O próprio sucesso do setor gerava sua crise, considerando a concentração de renda, possibilitando entender que seu tamanho não era tão “adequado” quanto deveria. Em outro sentido, seria possível alguma reversão, ou ampliação do crescimento. Pela tese redistribucionista, e ainda permanecendo focado no crescimento baseado no setor moderno de bens de consumo duráveis, poderíamos pensar em sua ampliação, não só por ser o setor que mais requer importações, mas por apresentar alta relação capital/trabalho (PINTO, 1970). Nos dois casos, crescimentos articulados na expansão do setor moderno de bens de consumo duráveis significavam não interferir no padrão subdesenvolvido de crescimento, continuando grande parte da população à margem do processo e a dependência frente ao exterior.

Como é possível perceber, as sugestões políticas de desenvolvimento da Cepal seguiam os rumos da aderência à modernização em seu sentido mais amplo, estimulando o crescimento da população trabalhadora urbana e aumentando o poder dos industriais frente aos oligarcas agrários da tradição exportadora, acreditando ser este o caminho para o alcance de estágios mais democráticos e igualitários (LUSTIG, 2000).

Nesse momento, vale destacar dois pontos marcantes no debate que se construía na Cepal ainda na década de 1960 e que caracterizariam pontos frágeis no pensamento da Instituição até então: a teoria da dependência e a heterogeneidade estrutural, ambas citadas apenas de forma breve anteriormente.

Compartilho compreensão de Bielschowsky (1998) de que a teoria da dependência tem uma vertente mais política e outra mais econômica. Pela concepção política, o trabalho de Cardoso e Faletto (1970) rompe com expectativas de que haveria na região uma burguesia nacionalista que tivesse potencial para se comprometer com o desenvolvimento econômico de forma a promover uma aliança com a classe trabalhadora e que, assim, conseguisse alcançar poder político suficiente para a promoção do desenvolvimento da América Latina. Antes de representarem interesses nacionalistas, buscaram satisfazer os seus próprios, dado que as estruturas de poder internas de cada país estavam diretamente vinculadas ao poder econômico e político do resto do mundo. Assim, a lentidão de nosso desenvolvimento não se explicava somente por razões econômicas, mas essencialmente por motivos sociais, uma vez que a relação intensa que se mantinha era entre as sociedades periféricas e centrais. Seria parte significativa das explicações para o subdesenvolvimento a constituição histórica dos grupos

sociais internos a cada país periférico mediante as relações internacionais intrínsecas às transações comerciais.

Quanto à vertente econômica da teoria da dependência, recorro a sua formação mais original, resultante dos estudos de Frank (1974). Para ele nossa industrialização representava uma nova modalidade de exploração imperialista de países centrais imposta aos trabalhadores de países periféricos, segundo aliança com a elite local. Frank (1974) condicionava, assim, nossa organização produtiva à expansão capitalista internacional (imperialista), o que só viria a tornar ainda mais ricos os países centrais e a pequena elite local dos países da América Latina a eles vinculados.

Corrobora a concepção de Frank (1974) a ideia de que no mundo há uma só economia capitalista, tanto no que diz respeito aos padrões tecnológicos quanto aos de consumo, principalmente por meio das ações das corporações transnacionais, defendida por Sunkel (1970, apud BIELSCHOWSKY, 1998). Argumentava ainda que, apesar de nos países centrais a classe trabalhadora estar integrada ao mundo moderno, na periferia isso ocorria apenas com uma pequena parcela da população.

Em concordância com a ideia de dependência, Pinto (1965, apud BIELSCHOWSKY, 1998) argumenta sobre a heterogeneidade estrutural na América Latina. Para ele, a desigualdade na distribuição não se restringia à renda entre as classes sociais, mas também, e de forma intrínseca, aos setores industriais e às regiões de um mesmo país. Em um segundo momento, indicou que o processo de crescimento da América Latina tendia a reproduzir, de forma sempre renovada, a heterogeneidade estrutural que imperava desde o início da cena agrário-exportadora. Assim, da mesma forma que a industrialização não eliminou a dependência (apenas a alterou), também não acabou com as diferenças que caracterizavam a diversidade estrutural, somente lhe dava novo formato. Em suma, o subdesenvolvimento era um processo que parecia indicar traços de se perpetuar o crescimento econômico.

Face à contribuição cepalina, sedimentava-se uma situação que requeria mudanças, preferencialmente estruturais, pois o padrão do desenvolvimento econômico deveria ser alterado, para que fosse possível lograr uma melhor distribuição de renda e outras equidades. Por trás, a necessidade de também ser transformada a dinâmica da política dentro de cada país, a começar pelo esmorecimento das ditaduras instauradas em favorecimento da democracia.

Salvo as propostas esquerdistas de revolução, o que mais parecia se construir na Cepal, como alternativa, no início da década de 1970, eram aquelas alinhadas à busca por

estilos mais justos de crescimento econômico sobre as condições já vigentes. A despeito do desânimo em contornar as barreiras identificadas pelos diagnósticos, por exemplo, de Cardoso e Faletto (1970), essa década experimentou taxas de um crescimento acelerado do PIB (quase 7% ao ano) e das exportações (mais de 7% ao ano). Na mesma época, e afirmando a identificada complementaridade entre crescimento industrial e importação, esta expandiu em média 13,5% ao ano. E, para manter esse crescimento em uma década marcada pela “crise do petróleo”, a saída foi o endividamento (BIELSCHOWSKY 1998).

A opção brasileira, nesse ínterim, foi pela continuidade do processo de industrialização com forte proteção ao mercado interno e participação estatal. Desse momento em diante (destacando da contribuição cepalina aquilo que mais se aproxima da tese), a Cepal passa a ver sua principal característica, a visão de longo prazo, dar lugar a ações erigidas em resposta às ansiedades de curto. Mas a permanência desse crescimento mostrou seus desconfortos na década seguinte, a “década perdida”, um momento que instaurou certa sensação de urgência para alteração dos rumos. Como caracteriza Bielschowsky (1998), o enfoque histórico de largo termo teria resistido como ponto central somente até essa crise dos anos oitenta, e continuaria marginalizado até sua recuperação, na década de 1990. O autor ainda destaca um declínio da influência keynesiana, e corrobora a teoria do desenvolvimento. Em seu lugar, reafirma a força ortodoxa na análise das economias subdesenvolvidas. As tentativas para o desenvolvimento estavam reduzidas às modalidades de crescimento, buscando a reorganização da industrialização pela combinação dos estímulos ao mercado interno com a exportação de bens industriais. Mantendo o objetivo da transformação social, e não só econômica, os aparentes êxitos de alguns países da América Latina não apagaram a realidade desigual que insistia em permanecer.

As raízes históricas da estrutura de propriedade e poder mantinham a cadeia produtiva e a renda extremamente concentradas. Neste ponto, importante contribuição deve ser novamente citada. Trata-se da constatação de que, mesmo sobre taxas intensas de crescimento industrial e econômico, como no caso brasileiro, as desigualdades se mantinham (TAVARES e SERRA, 1983). Para Macedo (2007), esses autores marcaram sua diferença em relação a Furtado pelo destaque ao investimento como variável dinâmica, e não o papel do consumo. Ainda neste ponto, aproxima Tavares e Serra (1983) de Cardoso e Faletto (1970) no que se refere à preocupação central com o que impulsionava o crescimento e o desenvolvimento nacionais, desviando o foco que se mantinha praticamente exclusivo sobre a visão centro- periferia de Prebisch. Demarcando esses pontos e apontando as demais investidas de Tavares,

Macedo (2007, p. 117) afirma que, além da importância que passa a ser considerada sobre o tratamento do investimento e do excedente, a partir de Tavares torna-se tema de agenda de pesquisa no Brasil

a constatação da dinâmica economicamente virtuosa da concentração de renda para a realização da produção e, portanto, para a acumulação de capital em países periféricos. [...] O segundo tema da agenda proposta por Tavares seria a realização de estudos sobre a estrutura industrial da periferia. Tratava-se, aí, de enfrentar a temática cepalina com um arsenal mais poderoso, voltado para investigar o papel das empresas, da tecnologia, da concorrência nos processos de industrialização e desenvolvimento periféricos. Esta agenda, certamente deslanchou, e continua ativa.

Em relação à busca por estilos de industrialização, dizia Pinto (apud Bielschowsky, 1998), é preciso observar a estrutura produtiva e a distribuição de renda, chamando a atenção para o estilo concentrador de renda da América Latina, que retroalimenta a estrutura produtiva existente.

Apesar de a Cepal destacar o desenvolvimento social como maior objetivo da humanidade, ela chegou a considerar, na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1969, o desenvolvimento econômico e o social como fatos distintos. Apesar de voltar a expressar um enfoque unificado na Assembleia do ano seguinte, parecia estar presente certa divisão na Comissão. Por um lado, uma espécie de versão oficial de sua contribuição, coerente com as sugestões das Nações Unidas, e outra mais livre, advinda de intelectuais que não se viam na obrigação de “prestar contas” a essa instituição, como percebeu Bielschowsky (1998).