6. DISKUSJON
6.1 A RBEIDET FOR Å GJENSKAPE EN SOSIAL IDENTITET
Como a competição estimula a inovação e o desenvolvimento produtivo, fomenta [em consequência] o desenvolvimento das forças produtivas e a produção de uma abundância cada vez maior de mercadorias. Há, portanto, para os capitalistas (vistos como classe) o interesse no crescimento de um mercado consumidor pari passu à produção da abundância, o que requer um aumento do custo da mão-de-obra que estimule uma elevação do consumo.
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“A particularidade distintiva da sociedade industrial desenvolvida é a sufocação das necessidades que exigem libertação [...]. Sob o jugo de um todo repressivo, a liberdade pode ser transformada em um poderoso instrumento de dominação. O alcance da escolha aberta ao indivíduo não é fator decisivo para a determinação do grau de liberdade humana, mas o que pode ser escolhido e o que é escolhido pelo indivíduo. [...] A livre escolha entre a ampla variedade de mercadorias e serviços não significa liberdade se esses serviços e mercadorias sustêm o os controles sociais sobre uma vida de labuta e temor – isto é, se sustêm alienação (MARCUSE, 1967, p. 28).
Entretanto, como a mais-valia se deriva do quantum de exploração do trabalhador (da apropriação do sobretrabalho), um aumento real do custo da mão-de-obra representa uma diminuição relativa do lucro individual. Assim, a necessidade coletiva de se diminuir a exploração (que tornaria possível um aumento do consumo proporcional à produção) termina por se chocar com os próprios interesses individuais dos capitalistas. Diante desse embate, no momento em que o sistema produtivo passa a criar uma abundância de mercadorias em desproporção ao consumo, a produção se torna um entrave a si mesma, produzindo [consequentemente] a uma queda do valor-de-troca das mercadorias, que, em seu ponto extremo, conduz o mercado ao colapso.
Quem quer que esteja ao alcance dessa economia se vê sob a pressão de uma incansável competição, seja do outro lado da rua, seja em qualquer parte do mundo. Sob pressão, todos os burgueses, do mais humilde ao mais poderoso, são forçados a inovar, simplesmente para manter seu negócio e a si mesmos à tona; quem quer que deixe de mudar, de maneira ativa, tornar-se-á vítima das mudanças draconianamente impostas por aqueles que dominam o mercado (BERMAN, 1986, p. 92).
Em resumo do exposto, observa-se que o caráter de autotransformação encontra-se como um meio de perpetuação do próprio sistema capitalista, uma vez que da inovação constante extrai sua continuidade como modo de produção dominante (SILVA, 2012, on-
line). Possui uma importância fundamental para a transposição das crises (ainda que não as
resolva), contribuindo, em igual medida, para o contínuo de mudanças que constitui e representa a sociedade capitalista.
O caráter de competição, por sua vez, sintetizado pela busca de acumulação de capital, alimenta um ciclo de mudanças resultante da constante inovação em busca do monopólio da produção, da concentração e centralização de capital, e da vantagem sobre os concorrentes. Ainda, fundado em contradições, potencializa as mudanças através do atrito dialético em sua estrutura de relações. Conforme assinalam Tonet e Lessa (2011, p. 58), “o capital assume, na sociedade capitalista, a direção da vida dos homens. Eles agem e pensam, em larga medida, segundo as necessidades do processo global de acumulação de capital, sempre na esperança de também amealharem a sua riqueza pessoal”.
Na medida em que o capital é um sistema de controle do metabolismo social e, segundo Mészáros (2002), “uma poderosa, até o presente, de longe a mais poderosa estrutura ‘totalizadora’ de controle do metabolismo social que surgiu no curso da história humana”, ele instaura processos de subjetivação intrincavelmente paradoxais que, ao mesmo tempo que ampliam o templo da alma humana, dilaceram-na e limitam suas potencialidades humano-genéricas pela manipulação incisiva dos seus traços ontologicamente fundantes e fundamentais, como a linguagem e a capacidade simbólica do homem (ALVES, 2008, p. 225).
Diante de todos estes aspectos, verifica-se que as mudanças se tornam cada vez mais complexificadas no capitalismo, dadas as próprias particularidades desse modo de produção que impulsiona a mudança dentro de todo o seu sistema de relações. Assim reconfigura constantemente seu modelo produtivo em um processo histórico de mudanças, caracterizado pela identidade entre suas contradições intrínsecas, seu caráter autotransformador e o estímulo à competitividade.
Por oportuno, cumpre ressaltar o grande salto civilizatório lançado sob a égide do sistema capitalista (NETTO, 2013, on-line), que diferencia sua época de todas as anteriores. De acordo com Marx e Engels (1998, p. 31) sobre o estágio inicial do capitalismo, “em seu reinado de apenas um século, [a burguesia] gerou um poder de produção mais massivo e colossal que todas as gerações anteriores reunidas”. Todavia, não obstante o grau de progresso atingido (seja tecnológico, científico, político ou econômico), deve-se assumir que paralelamente ao desenvolvimento caminham aspectos de degradação ambiental e [sobretudo] social, nutrindo-se um ciclo de exclusão, exploração do trabalho e desigualdade permanentes e intrínsecos ao capitalismo e à modernidade (onde podemos distinguir entre um estágio “revolucionário” do capitalismo – responsável pelo rompimento com o paradigma feudal anterior – e um estágio “instrumentalista” do sistema – onde o capitalismo esgota seu potencial civilizatório).
Entendidos tais aspectos, torna-se possível avançar a investigação de uma forma diacrônica e mais específica, analisando primeiramente as principais expressões do trabalho e das organizações contemporâneas para, em seguida, pontuar os processos de mudança relacionados à constituição de suas novas morfologias. A partir da compreensão das particularidades desses processos, aproxima-se do objeto fundante da pesquisa, qual seja, o estudo das determinações do trabalho e das organizações na atualidade.