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5. AVSLUTTENDE DRØFTING OG PERSPEKTIVERING

5.5 A NSVARLIG GJENFORTELLING

Desde o período Fenício (séc. X a.C.) até ao séc. XIX d.C., Lisboa começou por se desenvolver na colina do Castelo estendendo-se ao longo das margens do rio Tejo e adaptando-se progressivamente à morfologia acidentada para o interior. A sua configuração inicial era muito diferente da actual, com o rio a permitir o acesso de embarcações até à zona do actual Martim Moniz. A cidade romana (séc. II a.C. – I d. C.) organizava-se com o comércio e industria na zona baixa, as residências na encosta e o castelo no alto da colina. A Cerca Velha, reconstruída no séc. IV – V d.C., delimitava a cidade resultante das ocupações muçulmanas. Rapidamente se estendeu além desta e durante a época medieval (séc. XII - XIV) cresceu ao longo das estradas pontuadas por conventos franciscanos envolvidos por miradouros verdes ao longo das encostas. Surgiram importantes pólos sociais na Baixa, na colina do Castelo e na colina dos Mártires, delineada pela Nova Cerca fernandina e com o centro no Rossio. No período manuelino (séc. XV), o esteiro da Baixa é aplanado e criada uma nova praça de grande actividade comercial e administrativa (decorrente dos Descobrimentos Marítimos) e onde se encontrava o Paço Real – Terreiro do Paço. Nos séculos seguintes, a cidade foi crescendo espontaneamente ao longo das principais vias de saída, com intervenções urbanísticas pontuais no séc. XVII para responder ao crescimento populacional. Com o terramoto de 1755, surge uma estrutura urbana racional de acepção clássica e barroca através do plano da Baixa Pombalina de Manuel da Maia. Durante o séc. XVIII cresceram áreas urbanizadas de forma mais ou

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Figura 31 – Planta da Cidade de Lisboa com os

estudos do Plano Geral de Melhoramentos da Capital, Ressano Garcia - 1901 (Silva, 1989 – p. 35)

menos orgânica, ocupando quintas de recreio e espaços conventuais ao longo das estradas de Benfica e de Campolide, até ao limite equivalente à nova Estrada da Circunvalação (Primeira Circular) construída nos anos 50 do séc. XIX (Marques, 1972 e Matos, 2006).

Na sequência da Baixa Pombalina é criado em 1764 o Passeio Público como o primeiro grande espaço verde da cidade. Em 1879, este é destruído e dá lugar à Av. da Liberdade, ocupando uma linha paralela ao Vale Verde e integrando o Plano Geral de Melhoramentos da Capital em 1901, com Frederico Ressano Garcia a propor a expansão da cidade para norte – Avenidas Novas (figura 31). A Av. da Liberdade (tal como hoje a conhecemos) termina numa rotunda (Marquês de Pombal) que a articula com as Avenidas Novas e distribui a circulação automóvel por um sistema de vias segundo regras hipodâmicas, com

boulevards (como na cidade de Paris de Haussman, 1870) e incluindo a estrutura verde no

seu perfil. O passeio público foi remetido para o Parque Central na encosta do actual Parque Eduardo VII. A construção de infra-estruturas de transportes como o comboio e o eléctrico permitiram a expansão da cidade com o projecto da Avenida de Picoas (designada de “Ressano Garcia” em 1897 e da “República” a partir de 1910) até ao Campo Grande a servir de parque-tampão. Os bairros adjacentes, de malha ortogonal e com diferentes orientações, ficaram interligados por um sistema viário em estrela (Silva, 1989).

No Estado Novo (1933 - 1974) surgiu o Plano de Urbanização da Costa do Sol (1938), com vista à expansão urbanística para ocidente ao longo da frente ribeirinha e integrando a Exposição das Comemorações do Centenário do Regime Imperial em Belém (1940). A par deste, o Eng. Duarte Pacheco (1938 -1940) também determinou a expansão da cidade para lá da Primeira Circular, através da expropriação de áreas rurais para bairros sociais periféricos (Alvito, Alto da Ajuda, Encarnação e Serafina) ou com o preenchimento de malhas pré-existentes com bairros de promoção privada (Bélgica-Rego, Bairro Azul, Alto do Parque, Actores e Colónias), a construção do aeroporto, a criação do Parque Florestal de Monsanto, a construção da actual A5 para ligar a cidade ao Estádio Nacional, entre outras avenidas que articulam as saídas e vias de cintura (Tostões,2006).

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Em 1948 o Plano Geral de Urbanização e Extensão de Lisboa de De Gröer, agarrava por inteiro o Plano de Ressano Garcia e o Plano de Urbanização do sítio de Alvalade de Faria da Costa (1945), com objectivo de criar uma cidade radioconcentrica com vias intercaladas por um anel verde de parques e hortas, concentrando a actividade industrial junto ao rio, na zona ocidental da cidade. Assim, Lisboa dos anos 40 fica marcada pelo traçado do Bairro de Alvalade com um desenho que combina conceitos formais das vanguardas do inicio do séc. XX (a Cidade-Jardim, as experiências alemãs de Siedlungen e os ideais da Carta de Atenas), estruturada de acordo com o acesso a um elemento público central – a escola primária. A inauguração do Metro em 1959 permitiu chegar a outros pontos da cidade (Sete Rios e Entrecampos). Nos anos 60, o Eng.º. Guimarães Lobato propõe o Plano de Desenvolvimento Urbano de Lisboa para reforçar a ideia de Cidade Região, com ligação à outra margem do Tejo através da Ponte Salazar (actual Ponte 25 de Abril). Este ainda integrou o Plano de Urbanização dos Olivais Norte e Olivais Sul com uma extensa área verde também segundo ideais da Carta de Atenas. Em 1964 é estudado o Plano Geral de Urbanização do Concelho de Lisboa – Meyer Heine, num intuito de descongestionar o tráfego automóvel. Marcelo Caetano em 1971 estabelece Planos Gerais de Urbanização de Áreas Territoriais com uma perspectiva de integração urbano-rural, através da sua adequação aos Planos de Pormenor (PP) e a obrigatoriedade de áreas mínimas de espaço público. No entanto, o Plano de Meyer Heine só é aprovado e posto em prática em 1977, para resolver os problemas de expansão urbana, de iniciativa privada e da especulação imobiliária, embora sem êxito (Raichande, 2000).

Nos anos 80 e 90, dá-se o loteamento residencial avulso de quintas na periferia, em virtude da ocupação do terciário e o congelamento das rendas dos edifícios no centro da cidade. Em 1994 a revisão do PDM integra, entre outras componentes, o Plano Verde de Lisboa com uma perspectiva ecológica, mas sem que a gestão urbanística subsequente lhe tenha dado qualquer atenção (Telles et al., 1997). Todavia, em 1998 surge uma nova experiência de planeamento (ex. Expo 98), de correcta integração paisagística, com a Estrutura Verde a tomar um importante papel de orientação e delimitação do espaço público. Prevê-se a adequação deste exemplo de planeamento urbano na restante cidade de Lisboa, sobretudo para a requalificação de toda a frente ribeirinha do Tejo (Tostões, 2006). Mais recentemente, há uma nova esperança de reintegração do Plano Verde na revisão do PDM de 2010, com a reestruturação da cidade através de espaços verdes contínuos, auxiliados por sistemas pontuais através da reconversão dos logradouros.

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