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A novel role for the phospholipid PtdIns5P

In document Novel regulators of cell migration (sider 49-53)

4. Discussion

4.3 A novel role for the phospholipid PtdIns5P

[Do gr. archêion, pelo lat. archiu ou archivu.] 1. Conjunto de documentos manuscritos, gráficos, fotográficos, etc., recebidos ou produzidos oficialmente por uma entidade ou por seus funcionários, e destinados a permanecer sob a custódia dessa entidade ou de seus funcionários (FERREIRA, 2010).

A definição supracitada, encontrada no dicionário de uso geral, vai ao encontro do que comumente os arquivistas designam por arquivo: um conjunto orgânico de documentos que, independentemente de sua forma, de sua produção e de sua recepção, são conservados a título de prova ou informação (SILVA, 1999). Outras possíveis acepções são registradas no dicionário. Atribui-se o nome de arquivo ao “lugar onde se recolhem e guardam esses documentos” e, de um ponto de vista mais contemporâneo, arquivo também é o “conjunto de dados ou de instruções, armazenado em meio digital e identificado por nome” (FERREIRA, 2010). Associada a outras palavras e sentidos, a significação de arquivo pode ainda ser ampliada. É o que ocorre, por exemplo, em: arquivo morto, arquivo vivo, queima de arquivo, dentre outros.

Ainda que arquivo mantenha a sua natureza polissêmica e possa ser usado em diferentes contextos, de modo geral, prevalecem os sentidos associados ao seu aspecto físico, material, técnico e estático. Reforça-se, assim, a ideia de que o arquivo resultaria de um processo natural de acumulação, justificado pelas características inerentes aos elementos que o constituem.

O arquivo pode, no entanto, ser concebido por outro viés, o da Análise do Discurso. Na contramão dos princípios anteriores, Foucault (2004a, p. 146- 147) se opõe claramente à noção de que o arquivo consistiria na “soma de todos os textos que uma cultura guardou em seu poder, como documentos de seu próprio passado”. Trata-se, para o autor, da “lei do que pode ser dito”, não no sentido de interdição, mas no sentido de ser possível aparecerem certos enunciados que se configuram como acontecimentos singulares. Afirma:

Ao invés de vermos alinharem-se, no grande livro mítico da história, palavras que traduzem, em caracteres visíveis, pensamentos constituídos antes em outro lugar, temos na densidade das práticas discursivas sistemas que instauram os enunciados como acontecimentos (tendo suas condições e seu domínio de aparecimento) e coisas (compreendendo sua possibilidade e seu campo de utilização). São todos esses sistemas de enunciados

(acontecimentos de um lado, coisas de outro) que proponho chamar de arquivo (FOUCAULT, 2004a, p. 146)

Segundo Foucault (2004a, p.147), o arquivo não deve ser concebido como o que protege o acontecimento do enunciado ou como o que preserva e unifica os enunciados que se tornaram inertes. Para ele, o arquivo é o que define o “sistema de enunciabilidade” e o “sistema de funcionamento” do enunciado-acontecimento. Nas palavras de Foucault (2004a, p.147-148), “ele faz aparecerem as regras de uma prática que permite aos enunciados subsistirem e, ao mesmo tempo, se modificarem regularmente. É o sistema geral da formação e da transformação dos enunciados”. Em suma, o arquivo, à luz de Foucault, determina o que pode ser dito. O arquivo rege o surgimento dos enunciados.

A perspectiva foucaultiana (2004a) traz à tona duas questões importantes. A primeira delas é que o processo de construção do arquivo não é neutro ou um reflexo passivo de uma realidade institucional. A segunda delas, diz respeito ao fato de o arquivo permitir gestos de leituras no lugar de uma única interpretação. É, portanto, a partir dos questionamentos e objetivos elaborados pelo analista que se definirá uma forma de abordar o arquivo, possibilitando, assim, a transformação dos “documentos” em “monumentos” (FOUCAULT, 2004a, p.8).

Em crítica à vertente tradicional da história que preserva o ato de memorizar os monumentos a fim de transformá-los em documentos, textos, narrações, registros, afirma Foucault:

[...] a história, em sua forma tradicional, se dispunha a “memorizar” os monumentos do passado, transformá-los em documentos e fazer falarem estes rastros que, por si mesmos, raramente são verbais, ou que dizem em silêncio coisa diversa do que dizem; em nossos dias, a história é o que transforma os documentos em monumentos e que desdobra, onde se decifravam rastos deixados pelos homens, onde se tentava reconhecer em profundidade o que tinham sido, uma massa de elementos que devem ser isolados, agrupados, tornados pertinentes, inter- relacionados, organizados em conjuntos. Havia um tempo em que a arqueologia, como disciplina dos monumentos mudos, dos rastros inertes, dos objetos sem contexto e das coisas deixadas pelo passado, se voltava para a história e só tomava sentido pelo

restabelecimento de um discurso histórico; poderíamos dizer, jogando um pouco com as palavras, que a história, em nossos dias, se volta para a arqueologia- para a descrição intrínseca do monumento (FOUCAULT, 2004a, p.8).

Ao fazer, dos “documentos”, “monumentos”, muda-se de posição e se passa a trabalhar o documento, a elaborá-lo. Nas palavras de Foucault (2004a, p.7), “ela (a história) o organiza, recorta, distribui, ordena e reparte em níveis, estabelece séries, distingue o que pertinente do que não é, identifica elementos, define unidades, descreve relações.” Nessa perspectiva, o documento não é mais concebido como material bruto ou neutro que sobrevive do passado, mas resulta de uma construção discursiva.

Le Goff (1996), voltando-se para a discussão inaugurada por Foucault (2004), considera que os materiais de memória podem apresentar-se sob a forma de “monumentos”, que constituiriam herança do passado, ou como “documentos”, estes resultantes da escolha do historiador. O autor (LE GOFF, 1996) recorre à historiografia para mostrar que, embora o triunfo do documento se dê com a escola positivista, é somente a partir de 1960 que se concretiza uma verdadeira revolução documental.

Esta revolução é, ao mesmo tempo, quantitativa e qualitativa. O interesse da memória coletiva e da história já não se cristaliza exclusivamente sobre os grandes homens, os acontecimentos, a história avança depressa, a história política, diplomática, militar. Interessa-se por todos os homens, suscita uma nova hierarquia mais ou menos implícita dos documentos; por exemplo, coloca em primeiro plano, para a história moderna, o registro paroquial que conserva para a memória todos os homens [...]. O registro paroquial, em que são assinalados, por paróquia, os nascimentos, os matrimônios e as mortes, marca a entrada na história das “massas dormentes” e inaugura a época da documentação de massa (LE GOFF, 1996, p. 54)

Além de constatar a crescente ampliação da concepção de documento, exemplificada pela a inclusão de registros orais, e da transformação do próprio processo de arquivar os documentos, propiciada pelo advento do computador, Le Goff (1996) vai ao encontro de Foucault quando ressalta a necessidade de que os documentos sejam tratados

criticamente, isto é, como monumentos. Para o autor, “é preciso começar por desmontar, demolir esta montagem, desestruturar esta construção e analisar as condições de produção dos documentos- monumentos” (LE GOFF, 1996 p. 538).

Segundo a perspectiva foucaultiana (2004a), “o arquivo não é descritível em sua totalidade; e é incontornável em sua atualidade” (FOUCAULT, 2004a, p. 148). Caberá, ao analista, portanto, encontrar caminhos possíveis para efetuar a prática de sua leitura.

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